22.4.10

EM NOME DE NADA

A proposta de revisão constitucional de Passos Coelho - um "número" que foi apresentado como se fosse tirar o pai da forca - é meramente panfletária. Não se toca no sistema político (como se este prestasse e não devesse ser mudado no sentido da constituição francesa, com cinquenta robustos anos de prática, a maior parte dos quais "aproveitados" pelos catorze do insuspeito Mitterrand que a havia baptizado de "golpe de estado permanente") mas alega-se que é preciso "liberalizar" e libertar a sociedade do "opressivo" Estado. Esta fatalidade epistemológica, vazia, do saloio "liberalismo" doméstico presume que não vivemos em Portugal. Mas infelizmente vivemos. Passos Coelho deve, por consequência, deixar que a realidade entre tranquilamente na sua cabeça e não impedir que isso aconteça em nome de nada.

4 comentários:

Anónimo disse...

Muitíssimo bem pensado :
A idiossincrasia dos Portugueses (e não vale a pena, não vale mesmo a pena contrariá-la)é sobretudo compatível com um sistema político presidencialista.
O PS vetá-lo-á «ad aeternum» ...

Anónimo disse...

Recomeça a desilusão:
PR E GOVERNO”
Se nos primeiros anos do regime constitucional de 76, um forte staff presidencial se podia justificar, como admitir que num regime estabilizado o País tenha de contar com dois órgãos de soberania por norma destinados a vigilância, correcção e ou oposição mútua?
Que dizer de um autêntico governo sombra na sua Casa Civil, ali multiplicando assessorias técnicas e políticas, para análise crítica de todas as áreas/ministérios governamentais?
Um paradoxo com dupla justificação: uma suposta necessidade de vigiar, corrigir ou emendar iniciativas governamentais, particularmente quando com origem em governos apoiados por partidos de cor oposta à dos presidentes (Soares, Sampaio, Cavaco?); o emprego de apoiantes das candidaturas presidenciais, do candidato a PR e do/s partido/s apoiante/s.
Embora podendo ser suspeito, devo salvaguardar um PR natural e intrinsecamente independente do sistema partidário – General Eanes. Depois do qual, se tornou por demais evidente ser muito difícil aos presidentes desempenharem as suas funções, sem que os sistemas de valores de uns e de outros, acabem por dar origem a conflitos pouco edificantes.
É verdade que a eleição do PR por sufrágio directo, lhe cria um elo de ligação particularmente forte com o eleitorado, no qual muitos dos eleitores depositam aspirações de desagrado para com os governos. É isso o suficiente para dotar o PR de uma panóplia de assessores, para eventual e esporadicamente, contrariar propósitos governamentais?
Pode estar a suceder, com o País a usufruir do último bloco de reforços financeiros da União Europeia, tendo como PR e PM dois actores cultural, profissional, e politicamente antagónicos, nomeadamente na perspectiva económica e financeira para o futuro, acontecer um confronto a pedir clarificação. Um PR nestas circunstâncias, deveria ter-se candidatado a PM, o executor de facto dos orçamentos do Estado e das suas aplicações – processos da Ota (corrigido), TGV para Madrid (25 mil passageiros diários!?), auto estradas (desertas).
Um pequeno staff com o PR, para segurança e protocolo, dispensaria bem meia centena de redundantes quadros dependentes do OE, aliados a uma Casa Militar de outros tempos.
Um nó górdio para uma legislatura de revisão constitucional?

Barroca Monteiro
(antigo ajudante de campo-PR)

Anónimo disse...

Gostei de ler o Marco António hoje no I "não queremos o Estado social do início do século XX"; nem eu... o Estado Social apenas surge na Europa em 1945 e em Portugal, quando muito, no inicio de 1970 com Caetano. Estamos entregues a estes ignorantes!

Eduardo F. disse...

Temo bem que não valha a pena esperar por tal.