15.4.10

KLAUS


Vaclav Klaus, porventura o derradeiro "resistente" europeu à massificação merceeira feita a partir de Bruxelas, embaraçou Cavaco Silva. Klaus, diante do nosso PR, disse que aquilo que é fixado em Bruxelas é para ser cumprido por todos e que, quem não cumpre, deve sofrer as consequências. Isto depois de alguém ter perguntado pelo ex-bom aluno da União (que fomos noutra encarnação) e o défice. Cavaco foi diplomata e respondeu como economista. Politicamente, o que Klaus lhe transmitiu é que quem bebe pelo gargalo (tratado de Lisboa e temores provincianos e reverenciais com Bruxelas) compra a garrafa.

12 comentários:

Merkwürdigliebe disse...

Certeiro.

Anónimo disse...

Nós estamos habituados a frases vazias, aquelas que ficam sempre bem na fotografia. Incomoda-nos a verdade e incomoda-nos que alguém nos veja como somos. Ainda bem que foi ao Klaus, porque se fosse a um daqueles empresários alemães que já trabalharam com algumas empresas portuguesas era bem pior.

Eduardo F. disse...

Vaclav Klaus é bem conhecido pelas suas posições politicamente incorrectas, nomeadamente por dizer o que pensa em voz alta. Seja sobre a Europa, o bom senso orçamental ou o embuste do "aquecimento global".

Anónimo disse...

É quando vejo políticos como este que vejo o desperdício de se ter confinado o Alberto João à Madeira...

Esta franqueza checa assenta bem neste Cavaco "a cooperar estrategicamente". pode ser que acorde.

PC

joaopft disse...

Vaclav Klaus ofende a nação portuguesa, mas os nossos políticos merecem ouvir que erraram. Tanto Klaus como Cavaco não querem ver que o problema é económico, aliás os países do leste europeu foram grandes responsáveis pelas deslocalizações de grandes empresas estrangeiras, processo que, de há dez anos a esta parte, tem estagnado o crescimento económico em Portugal e, consequentemente, a receita fiscal.

O PEC não é solução, pois o encolhimento do Estado vai ser feito à custa de cortes em instituições públicas fundamentais. Por exemplo, o Instituto Superior Técnico, que não tem dificuldade em recrutar alunos, ver-se-á obrigado, no médio prazo, a diminuir o numerus clausus, pois o PEC vai obrigar o IST a reduzir o seu quadro de professores de cerca de 900 para 750. Resultado: dentro de alguns anos, vamos ter tanta falta de engenheiros de qualidade como hoje temos de médicos...

Creio eu que a União Europeia está a tornar-se tão constrangedora para Portugal como se tornou a Espanha antes de 1640. Falta-nos, hoje, um Padre António Veira que ponha os pontos nos is da nossa história recente. Portugal é um país atlântico, não ganha nada em ser uma unidade periférica numa UE que luta com a Rússia pela hegemonia continental (como não ganhou nada em juntar-se à Espanha em 1580, por razões semelhantes).

Isto tudo foi um desastre monumental, e temos que "agradecer" aos nossos políticos a falta de visão que tiveram quando nos meteram num projecto destes.

Nuno Oliveira disse...

Para envergonhar Cavaco e o povinho português, é preciso que haja vergonha.

Estou mesmo a ver o Sócrates a ver a reportagem e a rir-se à gargalhada porque o Cavaco foi "embaraçado". Sem a noção que ele (embora não o único) é um dos principais culpados...

Garganta Funda... disse...

Nunca é demais dizer que o Presidente checo é um homem duma fibra que já rareia na Europa.

Hoje em dia os politicos europeus são uns serventuários imbecis dessa coisa anódina que tem sede em Bruxelas.

Uma «União» que tem um presidente que ninguém conhece e que mais se assemelha a uma personagem do Tim Tim.

Tem uma «Ministra dos Negócios Estrangeiros» que é mais feia que uma bruxa do Halloween.

Tem um presidente de Comissão que «fugiu» do seu país com vista a «enriquecer» o seu curriculum e a sua carteira.

E para finalizar teve em funções um Presidente do Conselho que após assinatura do famigerado Tratado de Lisboa desabafou javardamente: «porreiro, pá»...

Razão tem o Obama não querer pôr os pés na Cimeira EU-USA!

Karocha disse...

Adorei ouvir e ver a cara do Cavaco!

Justiniano disse...

Ora, caro J. Gonçalves, sem dúvida!
Vaclav Klaus foi brilhante, e falou como economista e ex. Ministro, assim à laia de tutor dos acólitos (soube-lhe bem!!).
Cavaco esteve, ao seu nível,asténico e propedeutico, e falou como PR...embrulhou e tentou, à laia de bufarinheiro, ressabiado, apontar os pecados de outros e largar a ameixa...ficou sem trote, de viola no saco, e foi aos goivos!!

Mani Pulite disse...

NO DIA EM QUE AS ESCUTAS FORAM DESTRUÍDAS, POR CAUSA DE SÓCRATES E DA BANCARROTA IMINENTE CAVACO FOI HUMILHADO PELO PRESIDENTE CHECO.TEVE O QUE MERECIA.FICOU PATENTE QUE PORTUGAL PRECISA DE UM KLAUS COMO PRESIDENTE

Nuno Castelo-Branco disse...

Não me pareceu NADA diplomata, até porque desculpou-se logo com os parceiros, apontando-os a dedo um a um. É por essas e por outras que o Chefe de Estado não se deve meter em políticas e remeter-se à representação do país. E mais não direi.

joaopf disse...

Não digam bem do Klaus, que ele não merece tamanhos elogios. É audaz mais irreflectido, ou seja, é estouvado. O livro que escreveu a pôr em causa o aquecimento global é uma anedota. Aliás, melhor não poderia sair da cabeça de quem nada percebe de Geofísica.

Quanto ao défice... depois de tanto mal feito, já não é (politicamente) possível baixá-lo de uma vez. Ou seja, o nosso regime partidocrático perdeu a autoridade para pedir mais sacrifícios ao povo, e só lhe resta mendigar em Bruxelas por dinheiros e investimento. Daí a cara de Cavaco, e a sua peregrina esperança de que a crise "não dura para sempre".

Não têm desculpa os nossos políticos, que meteram o país num problema que não terá solução indolor para quem ocupa o poder. Das últimas três vezes que o povo português perdeu a confiança no poder político português (1890-1910, 1920-1929, 1960-1974), deu revolução. Acham que, desta vez, vai ser diferente? Só se Bruxelas meter aqui muito €€€€, o que se percebe pelas palavras de Klaus que não vai acontecer.