15.4.10

UM MUNDO MENOS OPACO E HABITÁVEL?


«Desenha-se assim um novo imperativo: o de, como sugere G.Lipovetsky, civilizar a cultura-mundo. O que exige várias coisas: uma aposta na inteligência e na criatividade, concebidas sobretudo em termos de qualidade. Uma outra familiaridade com a história. Um paradigma completamente diferente de abordagem da escola e das suas missões. Um novo conceito e uma nova exigência em relação à cultura geral, que ajude a humanidade a "reconquistar um mundo menos opaco e mais habitável". É todo um programa, que foi agora retomado por G. Lipovetsky em L'Occident Mondialisé, o seu último livro. A traduzir, sem demoras.» Assim termina o artigo desta semana de Manuel Maria Carrilho. Mas, como é possível asssegurar todas estas apostas, civilizar a "cultura-mundo" e «reconquistar» um tempo, afinal, cada vez mais opaco e pavorosamente inabitável ?

7 comentários:

Anónimo disse...

a "transparência" é um imperativo compulsivo de certa modernidade iluminista. que ficasse cada um com a sua opacidade e não chateasse os outros, isso sim era todo um programa. veja-se, nem sequer a título de exemplo, o caso do nosso Herberto Helder. mundialização e opacidade convivem muito. o problema é outro e não passa pela "transparência" de coisa nenhuma. o João Gonçalves que é católico sabe disso muito bem. eu por mim continuo a ler o Girard por inteiro...

missphilosophist disse...

O Girard é bom, muito bom! :-) hoje fui à biblioteca inclinar a cabeça da esquerda para a direita, e esbarrei-me com as questões da globalização - nas revistas portuguesas de filosofia, mas não trouxe nada para casa... O que eu quero com isto dizer é o seguinte: se eu tivesse de ler um livro relacionado este tema, escolhia certamente com todo interesse, ler também G. Lipovetsky em L'Occident Mondialisé, o seu último livro.

André A.S. disse...

Quem anda nestas coisas de procurar um sentido para o mundo (para o mundo adoptar) há uma porrada de anos, confesso que este parlapier faz um bocado de bocejo.
Vejmos o que é civilizar a cultura-mundo:
-“ uma aposta na inteligência e na criatividade, concebidas sobretudo em termos de qualidade”. Consegue explicar isto tim-tim por tim-tim, desde aposta até concebidas sobretudo?
“Um paradigma completamente diferente de abordagem da escola e das suas missões” Esta lembra-me os jovens que querem fazer sempre diferente.
Ele não desiste: “Um novo conceito e uma nova exigência em relação à cultura geral”.
É de facto “todo um programa, que foi agora retomado”.

Não admira que o mundo esteja podre. Sabermos nós que há quem ganhe a vida a debitar isto e quem se embeveça com estes pátuás.

Este homem escreve mais saudável:

http://tempocontado.blogspot.com/2010/04/sina.html

Anónimo disse...

Há, mais ou menos, um ano, o saudoso Pinho, na circunstância ministro da economia, disse que a 'crise' acabou.

Agora, o actual ministro da dita, afirma que (imagine-se!!!) não sabe o motivo porque os combustíveis são tão caros neste charco.

Com a competência destes trastes, escolhidos a 'dedo' pelo competentíssimo engº. chefe, não admira que a economia desta favela esteja como está: uma grande merda.

antónio

Anónimo disse...

lapso: "mundialização e opacidade convivem muito bem"

Anónimo disse...

o texto está muito bom. o nosso problema, senhoras e senhores, são as nossas elites: ignorantes e provincianas, retrógradas e cobardes. quando sabem, não partilham: esfregam na cara dos que não têm acesso ao saber aquilo que mal e porcamente aprenderam lá fora. por isso gosto deste artigo do carrilho: partilha o que sabe, convida a descobrir, e não tem medo de dizer o que pensa. houvesse mais destes, que estivessem em lisboa, em lugares de chefia, e isto era outra coisa.

Nuno Castelo-Branco disse...

Muito bem. Este tema deve ser a preocupação primeira de uma "Europa" que de tão inexistente, insiste em fazer-se passar por aquilo que não é. Uma primeira medida, consistirá em recuar na loucura da "globalização" que achinesou as economias e desprotegeu irreversivelmente a nossa indústria. O caso português merece outro tratamento e regressar - em boa parte - ao convívio com o antigo Ultramar. basta de "Versalhes saloias" que aliás, D. João V jamais construiu.