3.4.10

ALEGRE PREGADO A UMA TÁBUA RASA


Já se sabia que Manuel Alegre era um péssimo poeta, armado em vate nacional-progressista, alistado para todo o sempre no vasto exército da salvação da pátria que, desde os neo-realeiros, ainda não conseguiu salvar ninguém. Não contente com isso, parece que lançou para aí uma coisa qualquer sobre ele mesmo a roçar o embotamento intragável. Mais intragável do que a referida poesia é díficil mas é o que se deduz daqui. Alegre é, enquanto "escritor português contemporâneo", puro fogo fátuo alimentado pela bonzaria das revistas e das críticas jornaleiras. Mas daquele fogo que brota da medíocre chama de um esquentador "inteligente" quando teima, afinal, em não acender. Uma tábua rasa, em suma.

17 comentários:

Alex disse...

Gosto de Manuel Alegre como poeta e escritor. Nunca tinha lido nenhum comentário tão depreciativo. Por curiosidade: Se lhe perguntasse quem, na sua opinião, é um dos melhores poetas ou escritores contemporâneos, qual seria a sua resposta? Gostaria de lê-lo(a).

Anónimo disse...

O sujeito a que se refere, quer como desertor quer como traidor,nem sequer deveria ser permitido como candidato a presidente da republica.Se os portugueses tivessem memoria facilmente reconheceriam que o presidente é o comandante em chefe das forças armadas.

Anónimo disse...

Agora deram em bater no Alegre. Os cavaquistas em desespero...

Garganta Funda... disse...

Não sendo crítico literário nem consumidor de poesia, seja ela lírica ou épica, o que eu sei dizer é que o Sr. Manuel Alegre é um péssimo politico, um oportunista que utiliza eleitoralmente os humilhados e os ofendidos da nossa sociedade para os entregar ao sacrifício no altar socretino.

Alguma vez ouvimos da boca do Sr.Alegre alguma crítica directa, frontal e dirigida ao Sr.Sócrates, relativamente às grandes malfeitorias que este tem pregado aos portugueses, à ética e à «res publica»?

Anónimo disse...

Como você parece um homem inteligente e culto o que resulta da leitura deste post só pode significar que precisa de consultar um médico

GAVIÃO DOS MARES disse...

Acho o Alegre um candidato-canastrão.
Mas o JG, amante de cães, tem de considerar "Um Cão Como Nós" um livro belíssimo.

Anónimo disse...

Caro João Gonçalves

Quem escreveu isto não pode ser um mau poeta:

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

iupi disse...

'o melhor poeta português assim-assim'

Anónimo disse...

Alegre é um gigante. Você, João Gonçalves, é uma pobre formiguinha.

João Carpinteiro disse...

É outro «agité du bocal». Aquele livrinho sulfuroso do Céline assenta-lhe como uma luva. E também como o destinatário do mesmo, Jean Paul Sartre, que, sem estados de alma, não hesitou em ocupar o cargo de um professor judeu (Henri Dreyfus) expulso pelos alemães do Liceu Condorcet, o nosso alegre pateta só pensa em se salvar a ele e a sua carteira. Abaixo o capital para lhe chegarmos melhor! Os filhos das madrugadas do Intendente têm ali homem. They live!

António Pereira disse...

Tanto quanto sei, o dito vendeu a arma e o bornal e abandonou à sua sorte os homens que lhe estavam confiados, e desertou. Parou na Argélia, onde "combatia" contra os nossos bravos e destemidos jovens militares em terras africanas. Um traidor. E quem trai uma vez trai sempre. O dito é falso como judas. Como político nunca teve nem exerceu um cargo de relevo. Sempre na sombra, como deputado. Penso que chegou a secretário ou subsecretário de estado, coisa pouca para quem pretender ser o Chefe Supremo das Forças Armadas Portuguesas. Com o meu voto é que ele não é. Nem que se pinte todo.

Anónimo disse...

Sei, porque sou amiga de militares e um dos meus familiares ficou lá morto por uma causa que ele sabia estar perdida, que os militares não votam Alegre. Foi um desertor. Lá como poeta tem coisas lindas, mas para PR duvido que tenha perfil.
O PS é que não tem muito por onde escolher neste ano tão problemático.

Anónimo disse...

Um desertor que quer ser Presidente da República. Está tudo dito sobre o personagem. Ao lado deste Alegre, Otelo quando se candidatou à presidência era um gigante.

PS: Ao anónimo do poema das mãos: um (bom) poema não faz um poeta, como uma dia (memorável) não faz um casamento.

Alex disse...

Se bem interpretei o post, este referia-se a M.Alegre como poeta e escritor. Muitos comentadores concordam com o autor do blogue. Todavia, ainda não indicaram – nem um – um outro poeta/escritor contemporâneo que seja digno de ser lido. Por analogia, as pessoas criticam, criticam mas não dão sugestões viáveis para modificar uma situação qualquer que ela seja.

Anónimo disse...

Não indicaram e se tiverem tino, não indicam.
Leia Homem,leia e verá que também consegue encontrar poetas/escritores dignos de serem lidos.
Quanto ao que o M Alegre escreve. Não gosto. Qual é o mal ???

Anónimo disse...

O Alex que comece, por exemplo, por Pedro Tamen. Tirado da página do homem:

SALTO À CORDA

O cordão que nos abre
aos acres ventos de humidade e sombra,
a luva dura nos abriga
ou é que nos enforca, nos afoga?
Mal saltamos à terra,
dela nos soltam como às aves
da espécie das galinhas.
Mas o fantasma duma linha cinza,
esse nos fecha os olhos
e diz: saltai à corda.
E é questão então a de saber
se temos pés azuis
ou sangue negro e goma
que nos cape. O pé direito sobe,
oh, que vitória, no verdadeiro ar.
Mas que invisível fio
o puxa e traz à pequenez do outro?
Que terror canaliza
cada comparação? De que margem,
de que maresia mesmo o cheiro nos agrada?
Que pátria e que dolores?
Que malfeição?

(Um aceno insular
habita o nosso olhar.
Uma pílula pink
dá-se ao dente que a trinque.
E que ternura é esta,
rosa de sal, giesta,
serra aberta de pinhas,
toque de campainhas?)

(Poemas a Isto, 1962)

O Alegre tem demasaida goma que o capa!

Alex disse...

Anónimo 10:25

Não há mal nenhum não gostar de M. Alegre como poeta/escritor. Cada um gosta do que gosta.
Também não vejo mal nenhum em indicar-se alguém que apreciamos. Damos a conhecer a outros o que, na nossa opinião, de melhor há.
Pedro Homem de Mello conheço embora não tivesse lido toda a sua obra. Obrigada pela sugestão.

Anónimo 10:31

Não conheço Pedro Tamen mas farei questão de ler “O livro do Sapateiro” e “Analogia e Dedos” pelo qual foi premiado. Agradeço-lhe igualmente a sugestão.
Alexandra