11.7.10

UM ACRISOLADO AMOR POR PORTUGAL OU O ERRO DO DR. JOHNSON


«O semanário Expresso, bem lembrado de Aljubarrota e do roubo sangrento de Olivença, denunciou Passos Coelho na primeira página em letras tão grandes como o tamanho do crime e, na quinta página, provou arrasadoramente que 64 por cento dos portugueses, pensem o que pensarem os vendedores de pátrias, continuam a nutrir um acrisolado amor por Portugal e aprovam das mais profundas veras do coração a imortal batalha do eng. Sócrates contra o repugnante domínio da Telefónica. O dr. Johnson* manifestamente errou. O patriotismo não é o último refúgio dos malandros. Quem, como nós, passou por estes tensos dias da golden share e ontem leu as desassombradas declarações do dr. Silva Pereira (que tanto lembraram o inesquecível vulto de Salazar) sabe que não é.»

Vasco Pulido Valente, Público

*"O patriotismo é o último refúgio dos malandros. (Samuel Johnson, 1709-1784))"

11 comentários:

Anónimo disse...

Não sou desse tempo (pelo menos como maior de idade) mas julgo que Salazar jamais viria fazer queixinhas aos microfones. Se considerava que "sós" era bom, predisporia tudo racionalmente nesse sentido; e não teria encenado uma PT falsamente privada ou globalizada, para depois dizer "afinal não vale", esmurrando o peito como uma Brites ofendida. E depois não se pode dizer que para Salazar o "patriotismo" tenha sido um refúgio, muito menos o último. A sua malandrice terá estado em outras coisas.

Ass.: Besta Imunda

Eduardo F. disse...

Prefiro a tradução "o patriotismo é o último refugio do canalha".

Mani Pulite disse...

O ÚLTIMO REFÚGIO DESTE MALANDRO VAI SER UM POSTE DA TELEFÓNICA NO MEIO DE CASTILLA LA VIEJA.AI,AI,AI,ESPAÑA,ESPAGÑA,ESPAGÑA!

Jacinto disse...

VPV ecomete a (desnecessária e grotesca)injustiça,que roça a grosseria, de comparar Salazar a um reles "valet de chambre"...

floribundus disse...

'quando não conseguem dar pão
fornecem patrioteeira'

espero que a Espanha ganhe o mundial

Anónimo disse...

Assim também eu...

Oxford em 1968
“E foi assim que um pequeno conjunto de boas vontades se congregou para me levar a St. Antony’s College no verão em que Salazar caiu da cadeira: dois acontecimentos que sem dúvida assinalam o santo dedo da Providência. Oxford era ainda em 1968 uma universidade aristocrática. Havia criados de casaco branco e calça preta que nos serviam à mesa e cada um de nós tinha um segundo servo, o scout, para o serviço doméstico e tarefas avulsas. Principalmente, não se usava dinheiro: assinavam-se papelinhos e não se pagava a renda da casa, aliás ridícula, que o Colégio nos distribuía. De três em três meses, vinha a conta. Ninguém esperava, como é óbvio, que a pagássemos, sendo notório que utilizávamos o dinheiro de formas mais altas e festivas. A aparição da conta exigia apenas uma visita ao Tesoureiro de St. Antony’s, um velho major da Índia, invariavelmente predisposto a compreender apertos financeiros, a quem se contavam mentiras estapafúrdias a troco de moratórias sem prazo.

À custa da dívida a St.Antony’s comprei logo uma instalação de alta fidelidade e um carro e passeei por Itália, por França e até por Espanha, enquanto a Gulbenkian me supunha estudiosamente sentado no meu quarto de Oxford. Oxford não me impunha qualquer espécie de obrigações, o contrato entre mim e a Universidade era simples: se eu fizesse uma tese razoável, a Universidade entregava-me um papel a imitar pergaminho, declarando-me doutor. Se não fizesse, tanto pior. A Universidade não pretendia meter o nariz nos meus assuntos ou sequer dar opiniões sobre a melhor maneira de fazer teses. O professor Raymond Carr ia lendo a minha prosa a intervalos irregulares e falava às vezes comigo no bar do Colégio sobre política ou sobre os méritos e deméritos da cozinha espanhola. Mas também ele achava que eu devia tratar de mim e não maçar as pessoas.

Tirando algumas paixões tumultuosas e a geral escassez da fêmea da espécie na região, a vida de Oxford não podia ser mais doce. Depois do pequeno-almoço, duas horas calmas com jornais e café na sala do Colégio. Entre as onze e a uma, cartas, compras, uma volta pela cidade ou a pura e pacífica contemplação do nada. Almoço e sesta. Das três às sete, ler ou escrever. Às sete, o bar para o merecido conforto do álcool, enquanto não se jantava ou não chegava o momento de seguir para um restaurante decente. Os dias passavam, os meses passavam, passaram os anos, sem um encargo, um compromisso, um dever a cumprir.

Chama-se a isto “ociosidade criadora”, noção clássica inteiramente estranha a gente rústica e pindérica como os portugueses e sobretudo às classes médias enlouquecidas pelo trabalho da nova era “liberal”. Em Oxford, as minhas ambições académicas, coitadinhas, acabaram antes de começar, exceto se se entender que o desejo de voltar para Oxford, como Oxford era em 1968, antes da senhora Thatcher e do dinheiro japonês, com o propósito de permanecer ocioso e de assegurar os meus cómodos e confortos, constitui uma ambição académica. Porque essa admito que me apareceu por volta de 1977 e nunca mais me largou.

Em 1968, a Universidade, de resto, não estimava os campeões, a não ser os de remo, e desencorajava o zelo e a competição “científica”. Os eruditos, os laboriosos e os prolíficos não inspiravam qualquer simpatia. As luminárias “teóricas” eram objecto de uma justa condescendência e nem mesmo o título de “professor”, em Oxford honorífico e aleatório, suscitava o temor reverencial a que normalmente está associado em países bárbaros. A Universidade preferia a inteligência, a graça, a extravagância, e até a pura preguiça; e no fundo, como Salisbury, execrava o “mérito” burguês”.

Vasco Pulido Valente, “O Modo da Vida”, em “Retratos e Auto-Retratos”.

Anónimo disse...

Só um tipo superior consegue descrever e falar assim de si próprio, do ambiente que viveu e das pessoas que conheceu. Demonstra afinal - ainda que posteriormente - honestidade. E demonstra sensibilidade e inteligência. Ele lá terá produzido qualquer coisa - sabemos que sim. Mas este tipo de ambiente não funciona para todos. Agora, mesmo com tudo muito bem planeado, financiado, acompanhado, investigado, calendarizado, supervisionado e "justificado", a qualidade ou utilidade dos trabalhos académicos e dos futuros "mestres e doutas criaturas" está próxima de zero. Porque será?
O livro é muito bom! Tem uma parte sobre a ONU, Medeiros Ferreira, espiões-e-ele-próprios, mais o pós PREC. Precioso.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Não Besta imunda, não se trata de um tipo superior; um tipo superior não vive às expensas do estado, d'uma instituição qualquer ou, da ajuda de amigos. Um tipo superior destaca-se naquilo que faz e tem duas características primordiais: orgulho e humildade, ambas em falta neste sujeito. Deus me perdoe, mas, não vejo qualquer distinção, mínima que seja, entre o VPV desta ou de qualquer outra altura, do simples ex-trolha desempregado que vive do rendimento social de inserção, ou do drogado que usa o RSI para comprar droga. Como o exemplo do VPV deixa evidenciar à saciedade: ambos vivem (viveram) de expedientes para dar vazão ao vício. Deixemo-nos de conversas, o VPV, como outros, beneficiaram à grande (num certo tempo e de um certo modo) do nome de família para terem acesso a “ferramentas” de educação - e foram essas “ferramentas” a que o português comum ousou chamar de “cunha” ou “factor c”-, que, pelo mérito apenas, nunca teriam acesso. Repito: nunca um português como o VPV triunfaria e viveria a vida que viveu até agora num país decente, num país a sério. Agora, dizer que o facto dele reconhecer isso (porque ele reconhece isso), é de alguém superior, é o mesmo que admitir que em Portugal não há solução: até as nossas elites, andam (e sempre andaram) de mão estendida e, ainda por cima, a fazer pouco de quem lhes dá o pão. É obra, ou apenas, de se “ir buscar conforto no álcool”.

Anónimo disse...

Então pronto; VPV não é um tipo superior em moral. Mas ainda assim penso, caro anónimo, que o considera como intelectualmente acima da média. Não gosto mais do que você (desculpe a facilidade de tratamento) de chupistas, bolseiros, rapazes sustentados por impostos e "investigadores". Também há que acrescentar que a Gulbenkian, a entidade que financiou VPV, não "foi lá" exigir reparação (isso ficará entre VPV e a Fundação). Depois julgo que VPV, conforme seu costume, não resistiu a embelezar e romantizar o que já seria uma situação de algum abuso, numa situação cómica e queiroziana. São águas passadas, julgo eu.
Mais sério (muito mais) é a actual torre-de-marfim, que é o ICS, onde VPV tem gabinete, biblioteca, caixa de correio e ordenado; tudo isto para "pensar". No caso de VPV até sabemos que pensa. Mas junto com ele estão outras eminências pardas das "ciências sociais" (uma contradição); talvez até Boaventura, que é o paladino dos observatórios. E isto sim, com dinheiro dos nossos impostos - e não com as verbas do petróleo da Fundação Gulbenkian de 1968.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Dia estragado com a maldita alergia. Não posso ouvir (ler também conta) o nome “Boaventura” mais que uma vez por dia; o facto é que hoje já tinha. Quanto ao mais: está bem!

Red Eagle disse...

O nome Boaventura também me causa anticorpos.

Concordo na integra com o Anónimo

Saudações Chaladas