18.7.10

IN QUESTA REGGIA



«O nosso país não oferece condições para estabelecer» uma carreira lírica, disse Elisabete Matos numa entrevista na televisão. Elisabete nasceu em Braga, vive em Espanha e é hoje uma extraordinária intérprete de ópera, do repertório "verista" a Wagner. Conheci-a no São Carlos e "segui-a" até ao Liceu de Barcelona. A Matos não cantar cá tanto como devia também releva da merda do estado da nação in questa reggia.

(clip: Puccini, Turandot. Festival de Toledo. 2008)

5 comentários:

missphilosophist disse...

Nem de propósito, Dr. João Gonçalves - o João é de Guimarães!
Veja em: http://www.myspace.com/conquersounds

;-)

floribundus disse...

só voltam os trouxas ou ingénuos que, como eu, queriam fazer disto um país e acabaram numa pocilga cheia de rataria
isto mesmo disse hoje a um jovem médico licenciado fora desta merda e com lugar garantido num país civilizado

Bartolomeu disse...

Caro João Gonçalves,

um "ser" cantor lírico profissionalmente a tempo inteiro não é um mester sedentário como tantos, nem aqui nem em lado nenhum do mundo, sobretudo aqui onde em 275 anos (à data da abertura do primeiro teatro lírico em Lisboa, com desfasamento de 100 anos) nunca foram criadas condições para tal, esperando-se que os artistas viessem sempre de Itália.

Assim foi, com raras excepções até cc. meados de 60 quando a FNAT - INATEL criou a primeira Companhia de Ópera Portuguesa com a apresentação de 3 a 4 produções por ano, no final da temporada do São Carlos. Só nos anos 70/80 até à sua extinção nos anos 90 pelo então Secretário de Estado Pedro Santana Lopes, se ganharam condições mais ou menos ideais, ainda muito precárias, com integração de cantores portugueses nas temporadas São Carlinas. Cantores como a Elsa Saque e a Cristina de Castro(Professoras de Canto no Conservatório), a Zuleica Saque, a Elizete Bayan (Professora de ensino individualizado de Canto), o Carlos Jorge (Empregado Administrativo da Galp) ou o Álvaro Malta (Médico) que integraram a Companhia, trabalharam em regime pós-laboral sendo sempre esta uma actividade secundária, hoje hobbie.

Em Portugal, os profissionais à séria como a Tody, os Andrade, o Bensaúde, a Pacini e o Alcaide cedo perceberam que tinham de fazer malas sem demoras e sem lágrimas, lamechices "fadunchadas" e saudosismos habituais alla portughesa vagabundear o mundo em busca de sucesso. Assim foi, e assim sempre será!

Não tenhamos ilusões, quando tudo se resume a relatórios numéricos na avaliação da ópera no São Carlos, apesar das denúncias na AR da Zita Seabra, do quanto mal vai esta forma de arte em Portugal.

Quanto à Matos é um caso atípico e tal como no início da sua carreira deveria olhar mais para o mundo e vocalizar a sua bela voz na altura dessa proporção para desfazer a má reputação que já conquistou em alguns Teatros Europeus que lhe fecharam portas.Por isso preocupa-se em cantar por cá. Porque será?

Anónimo disse...

A nação não tem espaço para eles , mas eles afirmam-se, pelo seu justo valor em qq espaço. . O que seria do Mourinho se tivesse ficado em Portugal?
Não há procura para a Opera...nem para a Revista que hoje, motivos de inspiração não lhe falta.
Mas se em vez de 10 estadios de futbol se tivesse construido 10 Óperas, hoje talvez ja tivessemos 10 sanatorios. è que ja tinham morrido tuberculosos...
Ja temos tanta Ministra com garganta que diz e desdiz. Já temos tanto "inbecil" a dar-nos musica...querem mais musica?
-O que é que tenho na orelha? ahhh é um supositorio...ja sei onde enfiei o aparelho auditivo...
ass: Amálio 4ever (o macho do fado)

Anónimo disse...

A psicose das petições contra as obras na Biblioteca Nacional está a atingir a dimensão de catástrofe laboral numa fábrica de sapatos. Todos "petem": "porque não sei o que vai acontecer; porque me explicaram, mas não percebi; porque percebi mas tenho medo de não receber a bolsinha; porque não fiz nada durante anos, mas não quero quebrar a minha rotinazinha", etc, etc. Até pessoas supostamente inteligentes se entregaram ao paroxismo das veste rasgadas das petições: Barreto, Filomena Mónica etc. Têm, então, o plano idiota e irealizável de - para não interromper o funcionamento do seu clube de bairro - mudar 2/3 dos livros para o espaço onde só cabe 1/3, "e assim já se pode fazer a transição sem interromper o nosso sossego". Brilhante, sociólogos!
Também importa referir o agudíssimo Rui Tavares, que inssiste de forma alarve e proletária que a BN seja "uma biblioteca pública", assim como o Galveias - que já existe e onde só se deslocam raros velhotes e gente só. O cosmopolitismo intelectual deste tavares é avassalador. E tudo isto sem que afinal se possa dizer que "eles" vão lá dia-sim dia-sim; passo semanas na BN sem pôr a vista em cima destes frequentadores furiosos. Vão "petir" para a mãezinha deles.

Ass.: Besta Imunda