20.7.10

ARTISTAS


Por causa mais da "verdadeira artista" do que dos "artistas", houve uma pequeníssima polémica que me passou despercebida. No entanto, capturei momentos gloriosos como "taberneiros", "dogmaticamente liberais" e "filisteus", tudo categorias aparentemente sub-humanas destinadas a encaixar todos aqueles que ousam discutir o termo "artista". A cultura é um direito dos cidadãos em países aceitáveis. O que não é, de certeza, é um dever de aceitar tudo o que é tomado por "artístico" e, muito menos, financiar um improvável direito genérico dos artistas à transitividade do tributo público. Não vigora aqui o princípio cartesiano do «privilégio da primeira pessoa». Digamos que este artigo do Pacheco Pereira encerra bem uma "polémica" onde ele, avisadamente, nunca entrou. É como escreve: «são “artistas” e como se auto-classificam como tal, quase tudo lhes é permitido, e respondem com enorme arrogância a qualquer avaliação.»

11 comentários:

Anónimo disse...

Pacheco tem muita "audiência" na TV e no seu "Abrupto"; e como sabe e investiga, consegue ser certeiro e sintetisar todo este escandaloso mundo "dos artistas" e do rouba-a-rir-sistemático; nomeando as pandilhas, os bandos, os grupos, os gangs-culturais. Mas o que ele tão bem expõe e assim denuncia já foi largamente descrito e denunciado por outros - pelo menos desde que este charivari das plataformas apareceu. Só que com menos autoridade. O que de facto devia acontecer era a denúncia ao povo desempregado, e cheio de prestações para pagar, destes factos catitas - se o povo tivesse discernimento para se revoltar.
Considero precioso o nome de uma das "companhias" de teatro listadas: "O Útero". É deliciosamente progressista, feminista, naturalista, neo-realista, comunista, sustentável-ista. É uma coisa tão rebuscada e intelectual que devia passar a chamar-se "O Útero pensante".

Ass.: Besta Imunda

António P. Castro disse...

Quando um tipo como o Mexia, à mínima "ameaça" ao seu tachinho, reage como reagiu, está tudo dito sobre o estado da "cultura" neste país. Que vergonha!

APC disse...

O Dr.PP tem quase toda a razão no que afirma.
É claro que se não vivessemos num País maioritariamente ignorante, crédulo e inculto, o snobismo que rodeia a Cultura e os que dela vivem, seria passível de escrutínio e avaliação sistemática. Assim, é como no conto do pintor Jonas - eles que expliquem o que nem eu próprio compreendo.

VANGUARDISTA disse...

O Secretariado Nacional de Informação, Turismo e Cultura Popular, geralmente conhecido pelo seu nome simplificado para Secretariado Nacional de Informação (SNI), era o organismo público responsável pela propaganda política, informação pública, comunicação social, turismo e acção cultural, durante o regime do Estado Novo em Portugal.

Desenvolveu uma acção importante na área das artes plásticas, cinema, teatro, dança, literatura (com a instituição dos prémios literários), folclore, edição, etc.

O organismo foi criado em 1933, com a denominação de Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), adoptando a designação SNI em 1945. Em 1968 foi transformado na Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT).

SÓ PARA VERDADEIROS ARTISTAS !

Jacinto disse...

Papalvos a sustentarem charlatães - "políticos","governantes","artistas", e um enorme etc...

Anónimo disse...

Vi o Mexia na Cinemateca uma ou duas vezes. Uma vez atrasou a exibição do Vinhas da Ira com uma apresentação chata, monocórdica, cheia de lugares comuns, escrita sem grande entusiasmo uns minutos antes numa mesa solitária da cafetaria (que, com a ausência de programação aos Domingos e Feriados, é outro dos grandes flops da Cinemateca). Começa a ser tempinho de ele ou aquecer no lugar ou aquecê-lo para outra pessoa.

Chico
LX

Anónimo disse...

O que diria António Ferro se pudesse ver e conhecer toda esta nossa actualidade: plataformas, canavilhas, subsídios, peixeiras-das-artes, rapazinhos-inventores-da-roda, teatrinhos do cócó, coisas...
Bem sei que o homem foi um tresloucado futurista e editor, que escreveu manifestos, que disse "que beijar de joelhos um corpo nu de mulher é um acto piedoso" etc, etc e admirador de camisas negras. Mas enfim, era um tipo sério e devia usar corrente para as chaves, colete, fato, gravata, chapéu e sobretudo. Confrontado com esta turba das artes, assim a frio, dava-lhe um trombone e espichava das veias.

Ass.: Besta Imunda

APC disse...

Admirada Besta - O Ferro, como o PP teve razão algumas vezes e se o seu Princípio da Indiferença é para ler quando seja necessário abreviar o quilo, essa do acto piedoso é bem verdade, caramba!

Anónimo disse...

Não tenha dúvida, APC.
A tragédia que vivemos é saber que estes animais da cultura, que conhecemos, nunca têm ou tiveram razão. O acto piedoso, ainda assim, não é para todas - imagine Vossa Excelência Odete Santos ou Pintasilgo...
Quanto à Teggy, continuo a achar preferível dar-lhe chapadas na cara. Acalma-me.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Por uma questão de principio: "Teoria da indifrença" assim se chama o livrito do A.ferro. São pensamentos profundos em frases curtas, do genero:"Os cabelos são a moldura do rosto".
Hoje em formato pos-moderno(depois deste ja veio o desconstrutivismo,blablabla, e hoje vivemos o alter-construtivismo), mas para quem ficou no pos-moderno "A estupidez é o não-conteudo do cerebro", que certamente fará as delicias dos deleuzeanos e do seu corpo sem orgãos.
ass. Sr Amalio , um piromano gazeado.

jaa disse...

Taberneiro! Filisteu!

(Com um pedido de desculpas pela ousadia:
http://escafandro.blogs.sapo.pt/203883.html)