12.7.10

LA FAVORITA OU O TIRO NO CORAÇÃO DA CULTURA



Donizetti, La Favorita. Fiorenza Cossotto.

Agora que a "cultura" bateu no fundo graças a três medíocres ministros "socráticos" - Pires de Lima, Pinto Ribeiro e a delegada da servilusa na Ajuda, a pianista Canavilhas -, a Cossotto serve de recordação sublime dos tempos em que, sem ministério da cultura, e, depois, com ele, a cultura existia. Só Carrilho famosamente honrou o epíteto do edifício e, antes dele, Lucas Pires pela "direita". Serralves, uma das poucas coisas decentes que temos, com os cortes, ainda acaba em vulgar cripta museológica. Os teatros nacionais ou agonizam ou são caricaturas de teatros. Tudo isto desgosta mais do que indigna. Os poltrões que servem Canavilhas - só um teve a decência de se retirar - nem desgostam nem indignam porque só nos desgostamos ou indignamos com os que nos dizem, para bem ou para mal, alguma coisa. O seu secretário de Estado, o Elísio ex-monumentos nacionais, não existe e nem o património (de que percebe) o faz perder tempo ou política. A "esquerda democrática - de que Santos Silva extrai "teses" perfeitamente inúteis para se aliviar - acabou por ser a famosa pistola do outro. Também ele, quando ouvia falar de cultura, puxava por ela. Estes paspalhos atiraram, certeiros, ao coração da coisa.

9 comentários:

Anónimo disse...

Com a quantidade crescente - de maneira infame - de organismos, instituições, teatrinhos, pessoinhas e coisinhas a sustentar pelo MC que se verificou na última década-e-meia, e sem dinheiro suficiente para o fazer, o desfecho só podia ser este. As coisas decentes que o MC tem obrigação de manter vivas e funcionais, sofreram cortes "pela média rasca" - tal como o resto - e foram assim confundidas e amalgamados. Nunca deveria ser função de um Ministério da Cultura alimentar gente e financiar vidinhas. Mas foi nisso que se transformou: um úbere jorrante de leite e mel para peixeiras-de-pêlo-no-sovaco e electricistas-de-palco.
Cultura ?!? O que é isso ?
Um MC com uma canavilhas à proa é uma canoa a remar em seco.

Ass.: Besta Imunda

Karocha disse...

Os mecenas é que deviam financiar a cultura, como o fizeram vários séculos atrás.
Mas os "Mecenas Portugueses" não estão interessados nisso, pois um povo culto, não embarca em "Histórias"!!!

mag disse...

"Só Carrilho famosamente honrou o epíteto do edifício e, antes dele, Lucas Pires pela "direita".

Ora nem mais.

"Serralves, uma das poucas coisas decentes que temos, com os cortes, ainda acaba em vulgar cripta museológica."

Ah! Mas nós aqui não deixamos.

Quanto à ministra da Tortura e não da Cultura (criou "mais" uma secção dedicada à tauromaquia), apenas lhe desejo que nunca seja brindada com uma farpa - das verdadeiras,já se vê.

Anónimo disse...

Os mecenas, cá, só financiam se puderem abater à colecta. Já não é mau...
Mas nem mesmo assim se podem chamar de mecenas. Para isso era preciso que, de entre as pessoas com algum dinheiro, se conseguisse descobrir algumas que soubessem filtrar a palhada correntemente designada como "arte" do resto, com algum valor. Além disso vivem sempre na angústia sopeira de estarem a "apostar num cavalo errado", como os galeristas e marchands (!).
Como mecenas temos a Galp, a Edp e os bancos; e apenas para verter uns cobres sobre umas cabeças espessas que produzem umas coisas que o espectador se apressa a esquecer - farto de enlatados culturais.
E depois vivemos este tempo de belas incertezas, em que o mecenas ignorante tem medo de financiar o que tanto pode ser uma "peça" brilhante produzida por um tipo que pensa, como pode ser o maior cagalhão produzido por um rapazinho correcto. Quanto ao nosso povo culto, não há qualquer problema: papa o que se lhe servir, desde que seja anunciado na TV.

Ass.: Besta Imunda

aristófanes disse...

Permita-me um "desacordo", mas não tenho tanta certeza que o "Elísio" perceba de "património". O "Carrilho" conseguiu uma "estrutura", o IPPAR, que esteve à altura de uma "gestão moderna" do património. O Elísio veio de uma estrutura, DGEM, com um modelo de gestão clássico, para não dizer outra coisa. A DGEM foi extinta e o IPPAR também após "ocupação" do lugar de direcção por parte do Elísio. Já fiz a pergunta: qual o curriculo do "Elísio", para além da "ocupação" dos lugares de dirigente. Ainda não obtive resposta.

Anónimo disse...

O Elísio percebe de Património?
Estão todos ensandecidos!?
De Património é que ele nunca percebeu!
A sua agenda sempre foi o do cinzentismo bacoco e fascista e quando veio para o Ministério da Cultura permitiu que grandes atrocidades fossem permitidas, aliás com a cumplicidade de seus amigos, como Claudio Torres, que devia devolver o Prémio Pessoa.
Muito haveria que dizer sobre a acção nefasta do Secretário de Estado.

Anónimo disse...

Parece que a ceráfica canavilhas, após ter-nos brindado com inteligentes, coerentes e reveladores comunicados aquando da demissão do contra-regra Xavier, recolheu as garras rombas de gata doméstica velha e "recuou" no corte de 10% "das artes". As peixeiras e os electricistas estão salvos.

Ass.: Besta Imunda

Bartolomeu disse...

Fui aluno da Sr. Ministra e naquele tempo já era assim... a propósito, estarão lembrados da passagem da mesma Sr. Ministra pela Direcção da Metropolitana? Acaso não, recordo apenas que foi um ensaio público e de bom tom para a advertência de a fazer resumir ao seu melhor encanto, o de virtuose do piano!

Godinho disse...

A propósito deste e de outros posts que tenho lido neste blog, um artigo que resume bem o problema:

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1617039&seccao=Pedro%20Tadeu&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco