O Tribunal de Contas pronunciou-se de novo sobre as contas regionais da Madeira e dos Açores. Por motivos distitintos, os resultados não pareem brilhantes. A Madeira, se tudo fosse levado a sério, podia deixar de receber fundos continentais e nos Açores aparentemente o governo regional de partida apreciava viajar sem preocupações. As autonomias regionais são, como se costuma dizer, uma conquista da democracia. Quanto mais autónomos, maior é a democracia para usar um silogismo simples. Mas as democracias autonómicas funcionam literalmente como ilhas na democracia. Interessa o resultado, não importa o "como". Gosto muito da Madeira e dos Açores - pessoas, paisagens, a água do mar, a simpatia das vacas. Todavia, é preciso que os governos regionais - as populações não têm culpa dos delírios majestáticos que pastoreiam as onze ilhas dos dois arquipélagos - percebam de uma vez por todas que a solidariedade nacional não é um jargão para colocar na lapela dos comícios locais. Não é apenas de cá para lá. É em todo o lado mesmo naqueles lados rodeados de mar por todo o lado. Independentemente das qualidades dos homens (apesar de tudo prefiro a inteligência emotiva de Jardim à empáfia socrática de César), é perigoso juntar ao passado o passivo. Há dias, no Correio da Manhã, Eduardo Cintra Torres "descrevia" a RTP Açores. Em certo sentido, é um retrato deste passado e deste passivo através do microcosmo de um dos dois centros regionais de televisão que, precisamente, são um exemplo do "de cá para lá" sem mais. É que o diabo, como lhe compete, está sempre nos detalhes.