14.1.11

MILAGRE E SOLIDÃO


Lamento a decisão de Bento XVI em aprovar a beatificação do seu antecessor. Aliás, já lamentava a proliferação de beatos levada a cabo por João Paulo II e a que Ratzinger, aparentemente, pretende continuar a dar curso. Se há coisa que caracterizou o notável pontificado do Papa polaco foi a sua condição profundamente "terrestre". Sem nunca perder de vista - como podia? - a espiritualidade e a fé, João Paulo II foi responsável pela maior fusão daquelas com a "realidade" e da "realidade" (da razão) com a fé. Ajudou, como ninguém, a derrubar uma ideologia malsã e "globalizou" a fé católica através das centenas de viagens apostólicas que realizou. O seu exemplo humano (que também foi político) é suficiente. Parafraseando Santo Agostinho, um homem submisso pela fé, pela esperança e pela caridade possui um forte domínio sobre si, desnecessitando, até, das Escrituras ou da interpretação delas para o exaltar, beatificando-o, pois é na solidão que aquelas três coisas são realmente vividas. João Paulo II é grande enquanto homem. É o maior e o mais raro dos milagres. E é quanto basta.

11 comentários:

Raquel disse...

Partilho desta opinião.

floribundus disse...

às vezes tenho uma opinião.
nunca fui 'a opinião'.
neste caso não tenho
«do convento sabe quem está dentro»

hajapachorra disse...

Não é católico quem quer. É preciso crer para querer. E estudar. Estudar aquilo que não se percebe ou que não apetece perceber. Mudar de vida, aqui, coisa bem terrena e reconhecer que se é filho de Dus e um grandecíssimo monte de merda.

Anónimo disse...

Só é pena haver tão grandes diferenças culturais - enormes, mesmo abissais - na formação da consciência religiosa católica. Subscrevo absolutamente este excelente texto de João Gonçalves.

Anónimo disse...

Mal não faz...

Lura do Grilo disse...

De acordo. Acho um processo acelerado e até "uma certa vaidade" da Igreja neste homem notável.

Anónimo disse...

Para quê?

observador disse...

O que me incomoda, é esta sensação que se estão a criar Santos e Beatos, com o mesmo espirito com que se diz que são feitas as nomeações "portugas" para as empresas públicas e privadas.

Gostaria de ver mais retorno à simplicidade, sem radicalismos, até para se ultrapassar definitivamente trãumas como a Pouco-santa Inquisição ....

Cáustico disse...

Do clero, creio que é de aceitar o que não for susceptível de fazer mal, de prejudicar o ser humano.

Anónimo disse...

Eu por mim acho que quem deve aferir da santidade de uma pessoa é apenas Deus. E se deviam evitar estes e outros costumes medievais que servem para os detractores os atacarem e para alvo de zombaria.

Anónimo disse...

Pode ser que se faça um grande milagre com esta beatificação: " que muitos de vós deixem de andar caminhos mal andados; mudem de vida; convertam-se!
Um abraço amigo