9.5.10

FALTAM THATCHERS



O sr. Cameron, que deverá ser o próximo 1º ministro britânico, parece mais um daqueles produtos do "pingo doce venha cá" que comandam o mundo, uns brancos e outros mais escurinhos. Muito penteadinho, moderadamente redondo de corpo por causa das fibras e das bicicletas, repetidor de lugares-comuns que Blair aplaudiria, Cameron corporiza a moleza indistinta que caracteriza o presente mando global. Dantes, quem era das esquerdas era inequivocamente das esquerdas, e quem era das direitas, era, sem sombra de pecado, das direitas. Agora, os das direitas parecem envergonhados por se dizerem das direitas e os das esquerdas não descansam enquanto não copiam os piores tiques dos das direitas. Olha-se para as cimeiras europeias ou para as da Europa com os EUA e praticamente são todos iguais. Só quando estes se viram para a "emergente" China ou para a Rússia (esta já é "emergente" há muito tempo) é que se nota alguma diferença. Isto quer dizer que as democracias ocidentais, entregues a vulgares manequins irrelevantes, a nuvens de cinza vulcânica e a uma crise económica e financeira endémica, declinam. E até no declínio não revelam a grandeza de outros tempos e de outros declínios, por exemplo, tão maravilhosamente descritos por Gibbon. Pulido Valente sugere que falta uma Margaret Thatcher. Faltam muitas e em todo o lado.

6 comentários:

floribundus disse...

na 'pérfida albion' nunca chamariam 'velha' e 'bruxa' a uma dirigente partidária.

o Papa vem dar a extrema-unção ao regime

leia-me a 11 e 12 para descontrair

Anónimo disse...

Margaret Thatcher foi uma estadista excepcional, mas este Cameron, etoniano e com o sangue dos Hanover - que conquistaram o UK no sec. XVII - creio que não desiludirá.
Acima de tudo, não é comparável com gente daqui.

Anónimo disse...

Respeitinho, Dr. João Gonçalves. Respeitinho. O facto do senhor doutor ter razão mais o aconselharia ao silêncio.

cristina ribeiro disse...

Aplauso, de pé!

Karocha disse...

Espero bem que não Anónimo!

Eduardo F. disse...

Também me parece evidente que não é apenas no Reino Unido que faltam personalidades de direita, promotores do confronto ideológico e sem receio do letal "politicamente correcto".

Lendo o manifesto eleitoral dos Tories, e ainda que reconhecendo algumas ideias interessantes (como o caso do financiamento público de escolas privadas à luz da bem sucedida experiência sueca), não deixo de sentir uma "moleza" incapaz de livrar das grilhetas da conventional wisdom.

Isso é particularmente evidente na política energética. Em 953 palavras, são utilizadas duas para uma envergonhada referência à necessidade de recurso à energia nuclear.