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3.11.14

All about Eva


A foto é de sábado e foi tirada ao Expresso. A "história" revela uma verdadeira "Maria que não vai com as outras", parafraseando o dr. Passos. E revela mais: a imensa "sensibilidade social" de uma assessora para os assuntos sociais. E de todos os assuntos uma vez que não o larga onde quer que ele vá (consta que "o acalma", sic,  vê-la por perto). Mas não convém subestimá-la tal como ela própria nunca se subestimava em reuniões com membros do governo que tratava por "tu". Com mais dois ou três, há-de conduzir o dr. Passos em ombros até ao seu cemitério político.


 

3.9.14

"The lady's not for turning"


 


 


«Il est froid. Ne sourit pas. Je suis son faire-valoir, mais je ne dois rien valoir.»

1.9.14

Intervalo

O pc portátil "novo" pifou e o velho não tem pressa em reconhecer o "modem". Eu, propriamente dito, estou como ele - tecnicamente misantropo. Segue-se assim, aqui, um intervalo. 'Ceux qui m'aiment prendront le Facebook".

8.8.14

A "homenagem"

Segundo uma "breve" no Correio da Manhã, o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) apoiou com 7 mil e quinhentos euros um "torneio" de futebol infantil denominado "Dr. António Costa" organizado por um clube com sede perto de Lisboa. A justificação - não sei se do IPDJ se do clube - consiste em "homenagear" o referido António Costa, «autarca de Lisboa, agora candidato a líder do PS». O dr. Emídio Guerreiro, o secretário de Estado do Desporto e Juventude, praticamente na clandestinidade desde que tomou posse, por interpostos IPDJ e futebol infantil, será "simpatizante" de Costa? Uma coisa é dar um subsídio, outra diferente é acompanhar o subsídio de uma "homenagem" nas presentes circunstâncias do homenageado. O que é que falta? Sentar o dr. Costa numa bicicleta a cinco metros da meta final da Volta a Portugal?

18.7.14

Uma "escritora" para dia nenhum


 


«Se, como assinala a ex-ministra e pianista Gabriela Canavilhas na contracapa do livro, «Isabel Moreira não pára de surpreender», é também um facto que existe uma linha de continuidade temática e estilística, substantiva e formal, numa obra vulcânica, sulfurosa, que surge caracterizada por uma cadência torrencial de palavras, aluvião semântico de frases despojadas de sentido que obrigam o leitor a reencontrar-se, mesmo que a muito esforço e sem sucesso algum, com uma textura linguística impermeável à compreensão. Nesse sentido, Apátrida é também uma obra de resistência (talvez melhor, de re-sistência ou mesmo de re-sis-tência), que apela à desistência (de-sistência) do leitor, impedindo, de forma militante e raivosa, a descoberta de um qualquer sentido no arrazoado de caracteres que Isabel Moreira despejou às noites sobre um écran em branco (...) No corpus literário que agora celebra com desnudada e espumante exuberância, a autora debate-se entre «a gaveta mortuária das palavras» (pág. 11) e a «desistência das palavras» (pág. 23), optando por um acto de não-desistência, pelo que este livro, livro-em-devir (work in progress), é também promessa, ou ameaça, de que outras obras virão, assim haja vida e saúde e nós cá todos a ver. A este propósito do ver/não-ver, sublinhe-se que a visualidade é patente nos constantes (des)encontros desta obra com a recusa de qualquer pragmatismo, num escrutínio minucioso, quase espeleológico, da ontologia do Ser (o Sein, à Morais Soares, nº 14, c/v). É dessa inquirição cruciante que Isabel Moreira extrai um dos tópicos mais densos e recorrentes do seu trabalho: deus, um gajo sempre grafado com minúscula. Em metafísico diálogo com um Criador implacável e severíssimo, de matriz conservadora e veterotestamentária, Apátrida imprime à abordagem do divino um sentido agreste de permanente impugnação e desafio, nas franjas da apostasia. Os dispositivos são vários: árvores «tão altas que esmurram deus» (pág. 22), «o choro inútil de deus» (pág. 27), «deus a dar cabo de tudo» (pág. 32), «a cegueira de um tiro de deus amarelo ao máximo ao nosso encontro» (pág. 28, bisando a pág. 102 com «a cegueira de um tiro de deus amarelo máximo ao nosso encontro»). O mais conseguido de todos ocorre sob condições meteorológicas algo adversas, com «deus a mijar-se de medo pelas pernas abaixo naquele temporal» (pág. 98). Neste cruzamento improvável, quase choque frontal, entre a inspiração tutelar de Rui Nunes e o ferrete freudiano do doutor Alves Moreira, a autora adere plenamente ao cáustico, mas na versão Primavera/Verão 2014. Na página 41, aparece inopinadamente um cigano com uns trocos no bolso, que pergunta à plateia: «− posso levar um bacano?». Podes. »


 


António Araújo, Malomil

29.5.14

O "meio" ou o triunfo dos porcos

O "meio político" é uma coisa complexa, indistinta, opaca e cúmplice. Envolve políticos de diversos partidos, meios de comunicação social formais e informais, interesses, redes, negócios e, sobretudo, um dom especial para a filha de putice. As pessoas decentes não cabem no "meio" onde, em conjunto, estão todos bem uns para os outros. Tem donos e trelas impróprias até para cães. Isto é curto e propositadamente grosso porque, como escreveu Gilbert-Lecomte, "tomo por um porco todo o homem que escreve a não ser para dizer o essencial."

13.5.14

"Reforma" e "coordenação" com barbas

A "reforma do Estado" será, afinal, quando der mais jeito por causa da "imagem". Por este andar, a "reforma" começa a parecer-se com a Conchita austríaca embora esta seja indisputavelmente mais coerente. E a "coordenação"- não apenas no governo, mas já mesmo dentro de um só ministério, também podia aprender alguma coisa com ela.

8.5.14

"O livro dos pensamentos"




«“A Gestão do Programa de Ajustamento: 1.000 dias, 450 medidas cumpridas”. Este é o título do livro que o Governo publicou para “transmitir aos portugueses” o que diz ter feito ao longo dos últimos três anos, em que trabalhou no programa de ajustamento económico e financeiro acordado com a troika. “O anúncio de saída [do resgate] é a altura de prestar contas do que foi feito. Prestar contas é a solene obrigação do poder político”, declarou Carlos Moedas, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, que foi um dos responsáveis por lidar com as três instituições que participaram no resgate a Portugal (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). Moedas, que falava nos discursos após o conselho de ministros alargado a secretários de Estado com o objectivo de fazer o balanço do ajustamento, indicou que o livro “explica, de forma sucinta, as metas" a que o País se propôs e aquilo que foi alcançado. “Este livro pertence a todos os que participaram neste processo. É uma forma modesta mas sincera de os homenagear”, afirmou o governante na sua declaração, que teve lugar no Palácio da Ajuda, em Lisboa. O livro tem prefácio do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em que assinala este o que foi cumprido ao longo do programa. O líder do Executivo conclui o prefácio indicando que Portugal tem “todas as razões para ter esperança no futuro”. “Temos encontro marcado com o futuro que colectivamente aspiramos, e não queremos chegar atrasados”, aponta o primeiro-ministro.»


 


Foto: A Comédia de Deus, de João César Monteiro ("o livro dos pensamentos")

6.5.14

De saída "limpa"



Uma imagem, mesmo improvável, vale mais que mil palavras.

10.3.14

Carências

O dr. Mota Soares não se preocupa apenas com as carências daqueles que vigia e tutela no governo, como ainda vela metodicamente pelas suas e dos seus ajudantes. Na Praça de Londres, a "aliança Portugal" é levada mais a sério do que no "manifesto dálmatas": nem que seja por causa dos automóveis. Cada vez mais neste país só se aproveita a luz do sol. O resto é praticamente negro.

6.3.14

Definitivos e provisórios


 


Depois da lamentável prestação do senhor PM, ontem, no parlamento, podemos sempre voltar, não a 2011 a que ele sugeriu que nunca mais voltava - fizeram-lhe mal as contas porque muitos dos valores em causa "regressaram", na verdade, ao final dos anos 90, e, de facto, a pagamentos de salários e de prestações sociais em escudos travestidos de euros -, mas a 2010 quando aqui escrevi que Passos Coelho parecia «insensível ao curso da realidade, tal qual uma alforreca perdida com a mudança das marés e das correntes.» Pelos vistos há características que pensávamos que eram provisórias e que, afinal, se revelam definitivas.

2.1.14

O nome das coisas

A contribuição extraordinária de solidariedade não é um imposto extraordinário e, muito menos, especial. Tal com o atum não é um peixe e uma alface nunca chegou a legume. Até Portugal dificilmente será um país a sério. Na verdade, uma coisa qualquer é o que um Humpty Dumpty quiser.

31.12.13

De um para outro ano


 


«Os amigos desaparecem, os telefones desligam-se. Dantes andava-se e esquecia-se. Agora, a vida pára. Repete-se. Um mês é igual ao anterior e ao próximo e ao seguinte. Não acontece nenhuma coisa diferente, só acontecem coisas indiferentes. Por qualquer razão obscura, não se consegue descobrir o sítio onde as coisas acontecem; e elas já não acontecem onde aconteciam (...). Um pequeno pânico instala-se. Ao princípio pensou-se que era um estado passageiro, uma época de azar ou de mau jeito. Mas depois o estado não passa, a sorte não vem e o mau jeito continua. Conta-se com angústia o tempo para trás e, a certa altura, conta-se com terror o tempo que sobra (...). Nestas crises, segundo o costume, as pessoas agarram-se: à família, ao trabalho, às ambições. Reparei que os meus amigos se agarravam. Um a um, consoante a sua natureza, transformaram-se em secretários de Estado, políticos respeitáveis, académicos triunfantes, altos funcionários ou pais extremosos. Vários preferiram a virtude, ideológica ou sexual. Com meritórias excepções, quase todos se encaminharam. Mas precisamente eu não pretendia encaminhar-me (....). Aos trinta, aos quarenta, aos cinquenta anos, distraí-me, por umas horas ou por uns meses. E depois? Quando olhei para mim, estava parecido com eles, com os meus queridos inimigos. Com importância e afabilidade, interesses e respeito. Com um lugar na vida e a ciência de que há lugares na vida. Em veloz movimento e absolutamente inerte (...). As portas que não se abriram ou se fecharam, as vidas que não se viveram, custam cada vez mais a carregar. A privação do que não se quis aumenta, mesmo quando sem a sombra de uma dúvida se tornaria a não querer (...). Fora do corpo, não existe progresso e decadência. Existe apenas adição. Existem parcelas que se juntam: pessoas e palavras, o melhor e o pior e o inominável.»


 


Vasco Pulido Valente

29.11.13

O naufrágio

De Gaulle, a propósito de Pétain, afirmou que a velhice é um naufrágio. E acrescentou que, para que nada lhes fosse poupado - a eles, franceses -, ao naufrágio de Pétain juntava-se o naufrágio da França. Com as devidas adaptações, a rápida passagem dos anos aqui, entre nós, é um naufrágio. Nosso e da nação.

20.11.13

Não chegar a cavalo

Já aqui tinha referido que a passagem por gabinetes governamentais, fora uma uma ou outra relação amistosa, só me trouxe dissabores. Os detalhes ficam para outra ocasião e sob outra forma menos efémera que um simples blogue. Vi a minha situação profissional diminuída - quando saí para a missão de "elevado interesse público", nos termos legais, exercia uma função de direcção intermédia que, naturalmente e entretanto, "caiu" -, de vez em quando sou insultado no anonimato reinante nos meios imateriais de comunicação e hoje passei pela humilhação de ter de ir questionar a responsável pelo processamento de vencimentos no organismo público onde presto serviço, acerca da razão pela qual, e ao contrário do que aconteceu com todos os meus colegas, não me foi disponibilizado, com o vencimento, o famoso "subsídio de férias". E ainda me foi perguntado delicadamente, é certo, se "não me fazia diferença" se a coisa aparecesse em Dezembro como se fosse esse o ponto. Isto apesar de estar longe de ser rico, de dispor de quaisquer outros "rendimentos" paralelos ou de, sequer, ser "recomendável" de acordo com a cartilha regimental em vigor. Após um quarto de século ao serviço do Estado (a que isto chegou), tenho de subscrever, quase a título de epitáfio, a frase de Jorge de Sena: um burro nasce burro e ao fim de 25 anos não é cavalo.