5.11.10

«O DR.CAVACO NÃO SE ENGANA»

Consta que Portugal está na iminência de falir e a caminhar para o abismo. Não está. E não está porque começou a falir e a caminhar para o abismo no dia em que o barbudo e pequenino (de estatura física) Afonso bateu na mãe. Por natureza, é de bom tom não bater nas mães. Costuma ser ao contrário, logo, a coisa não podia correr bem. Mas aqui talvez Medeiros Ferreira tenha razão. Os juros, como o preço do peixe no Bolhão, aumentam no dia em que em o endividado ou o cliente precisam de ir à praça. E se o endividado ou o cliente possuem fama de estroinas (na feliz expressão de Nogueira Leite), os juros, que são o preço do dinheiro, aumentam. Resumindo. «O dr. Cavaco não se engana. Cavaco sabe, como qualquer economista (ou qualquer historiador) que a essência da crise é a desconfiança (aliás merecida) do mercado financeiro internacional no Estado que emergiu a seguir ao 25 de Abril e na real legitimidade dos políticos portugueses. Porque, em última análise, para os nossos credores há só uma garantia: um Estado que mereça o respeito geral e políticos que o país geralmente apoie. Não por acaso, os juros subiram com o tristíssimo espectáculo das negociações PS/PSD. O observador mais distraído constata com facilidade o desprezo do eleitorado pelos dois partidos do "Centrão" e pelas respectivas clientelas. Como constata o inexplicável isolamento do CDS e a irresponsabilidade do Bloco e do PC. Quem vai emprestar, excepto a juro muito alto, o mais preliminar vintém a uma casa, com fama (e proveito) de más contas, que desabou nesta balbúrdia? Ao contrário do que o dr. Soares parece pensar, as crises financeiras que levaram ao fim de incontáveis regimes começaram na política, na pura política. Desde a revolução de 1789 ao 28 de Maio que isto não é um grande segredo. O dr. Cavaco tem razão: não é com gente que Portugal despreza no governo, na Assembleia e nos partidos que sairemos do buraco. O país não precisa de uma ditadura, mas precisa de uma radical reforma. Este regime chegou ao fim.» Não sou eu que digo. É o Vasco Pulido Valente. Num dia luminoso.

20 comentários:

AMÍLCAR ALHO disse...

O país não precisa de uma ditadura????

Qual é então a solução?

Ps, PSD e CDS que nos têm ( des ) governado desde 1974 só pensam no tacho...
Veja-se o caso de José Luís Arnaut que o seu partido ainda não está no poder e já queria criar uma comissão de acompanhamento das contas públicas onde, obviamente, colocaria logo 3 ou 4 boys laranjas, etc....
Do lado do PS, o Tó Zé Seguro começa a ver o barco a afundar e já foge que nem um rato do porão, e começa a dizer que será " implacável contra a corrupção ". Pergunto, por onde andou este tempo todo???
O CDS-PP, tem outras contas desde o Jacinto Leite Capelo Rego ( eles lá sabem o que sentem o onde o sentem...), até ao Turbo ministro que assinou milhares de despachos numa noite, o néscio Telmo, até aos sobreiso, submarinos, etc...
O BE e o PCP não são obviamente partidos do poder....

O que nos resta?????

Penso que seja um Líder forte pq, como alguém dizia, os lideres fracos fazem fracos um povo forte!!!!

ruy disse...

"o Dr Cavaco não se engana"

Saturday, November 18, 2006

Cavaco Silva, em entrevista à SIC, afirmou que o executivo de Sócrates, “revela espírito reformista” e está “a fazer reformas naquela direcção que é preciso fazer” face à actual realidade do País. Declarou ainda, que “há claros sinais positivos, neste momento,” da economia portuguesa.
Depois de Teixeira dos Santos e Sócrates aí temos o Presidente a ver os tais sinais.

João Gonçalves disse...

E depois...? Em 2006. Antes de 2007,2008, 2009 e 2010. Não possui um calendário em casa?

Anónimo disse...

SOMENTE ... mais um MUITO OPORTUNO e BRILHANTE artigo

Fado Alexandrino disse...

Do lado do PS, o Tó Zé Seguro .... Pergunto, por onde andou este tempo todo???


Com a idade que tem andava nos banquinhos da escola a frequentar as Novas Oportunidades de Uma Jota Qualquer.

floribundus disse...

os abrantes cumprem a sua missão.
denegrir Cavaco.

contudo mais dia menos dia não há dinheiro a não ser provavelmente da China.

o problema não está nos empréstimos,
mas na sua necessidade diária
e no seu pagamento

Anónimo disse...

Já perto do fim do PREC, a coisa estava má. Tal como hoje.
Havia era mais militares. Na incessante busca para a crise, um deles, face à hipótese de se aumentar a renda das Lages, pensou alto e disse: - E se declarássemos guerra aos EUA? –Eles invadiam Portugal, punham mais uma estrela na bandeira e estavamos safos...
Respondeu logo outro:- E se nós ganhamos?...

Anónimo disse...

Portugal está na penúria, apertado por prestamistas e financiadores dos desvarios-PS; o povo levanta-se de manhã para cumprir mole e automaticamente o seu horário; sócrates entrega-se a delírios; Passos ameaça com crises e moções; os candidatos lançam as suas candidaturas com mais vigor - de forma marciana; não há dinheiro e os chineses vão comprar o país; a AutoEuropa vai de vento-em-popa mas os trabalhadores querem mais (3,9% !) e vão vazer greve. Carvalho da Silva e o geronte-Proença preparam a "greve geral" de 24 de Novembro. É o asilo entregue aos maluquinhos.

Ass.: Besta Imunda

e-ko disse...

desculpem-me se venho perturbar alguma coisa, mas a coisa está preta e é por cá que está gente a aproveitar-se do desnorte:

já não há bancos internacionais a comprar dívida soberana nacional, são os nossos próprios bancos nacionais que se estão a encher:

http://braganzas.blogspot.com/2010/11/quem-nos-anda-comer-por-parvos.html

ruy disse...

TUESDAY, JANUARY 02, 2007
Uma mensagem presidencial para todos os gostos, assim se poderá entender a comunicação ao País de Cavaco Silva.
Ao reiterar a “indispensável colaboração politica” entre o governo e o presidente da república, não terá desagradado aos socialistas como não terá desagradado de todo aos sociais-democratas, até aqui incomodados com o apoio acrítico do presidente da república às iniciativas de Sócrates, ao lerem, nas entre linhas da mensagem, pela primeira vez, uma menor colagem do presidente ao governo.
Mensagem ambígua, que agrada a gregos e a troianos e que coloca o País com as incertezas e amarguras de sempre, sem alegria e sem qualquer nova motivação.
Cavaco Silva parece não ter compreendido ainda, que do apoio institucional, do silêncio à ruptura, vai uma grande distância e que os caminhos, ainda que difíceis, desse equilíbrio institucional precisam de ser trilhados por um presidente actuante, vigilante, politico e confiante.
Cavaco Silva não é um Sá Carneiro, o que Sá Carneiro tinha de politico a mais tem Cavaco Silva de menos. Sá Carneiro, Mário Soares e Cunhal foram e Mário Soares ainda o é, políticos de corpo inteiro, com emoções à flor da pele, sem os frios calculismos dos políticos actuais. Foram homens não foram máquinas, nem “faziam politica” por interpostas pessoas, pelas sugestões das firmas de consultoria ou pelos resultados das sondagens.
Os políticos estão mais cinzentos e o País cinzento está.
Com o País em crise generalizada, com os problemas económicos a agravarem-se sem que o governo dê resposta aceitável para os mesmos, com os conflitos sociais cada vez mais agudos e frequentes, com um cada vez maior numero de desempregados, com os problemas da educação a agravarem-se face a uma politica ministerial desajustada e sem estratégia, com os cuidados de saúde mais caros e reduzidos, com uma justiça mais ineficaz que nunca, com impostos a subirem e condições sociais em redução, com a demagogia dos governantes e com uma Comunicação Social incompetente, vendida e deslumbrada pelas intervenções provocatórias do primeiro-ministro, com tudo isto, exigia-se uma mensagem politica interventiva e não uma mensagem rotineira, calculista e sem qualquer ambição.

Anónimo disse...

Hahah. Então o Vasquinho já descobriu que o orçamento não vale nada.
Demorou pouco tempo! Coitadito ainda assim anda com muita falta lógica é que bastava perceber que um mau orçamento não iria tornar as coisas melhores para os mercados confiarem em nós.

E pelas escutas também descobriu que o dr.Cavaco pensa assim. Mais outro que mudou de opinião!?

lucklucky

bravomike disse...

O meu registo do dia: do blog "4ª República"
"Qualidade da democracia"
Uma crónica do ´Público´de hoje dá conta de um debate aceso nas hostes parlamentares do PS que culminou com o mandar às malvas a revisão da lei de financiamento dos partidos e campanhas. Nada de extraordinário. Revela, no entanto, que o deputado Marques Júnior confessou que 95 por cento das vezes não sabe bem o que vota, logo, o que é debatido no Parlamento.
Não sei se a sinceridade do parlamentar contagiou outros camaradas de bancada que também confessaram. O que sei é que Marques Júnior e quem confessou com ele, se mantêm deputados.
Querem melhor prova do estado da nossa democracia?----------------
Com a minha resposta (e a licença do João)
Este post, vai direito para a minha lista, maioritariamente de militares ou antigos militares (capitães em de Abril).
Edificante.
Mas se este pai da pátria, conta igualmente com um posto adquirido via manobra administrativa, a par de um estatuto de deficiente de campanha adquirido à posteriori e por motivo duvidoso,
tudo bem.
A bem do Regime
BMonteiro

Anónimo disse...

O «Governo Sócrates» faz-me lembrar aquele sujeito que vai ao médico com uma blenorragia já muito próxima da septicémia, face ao que o médico, para "resolver" a miserável situação lhe pede que suba a um banquinho e salte para o chão ...
Este primeiro-ministro e este ministro das finanças caem de pôdre.

joshua disse...

A reforma radical de que o País passa por os socialistas decentes e cultos, como Henrique Neto [notável a entrevista hoje ao Jornal de Negócios], enojarem-se no lixo socratino.

Se eles não se enojarem, até as pedras se enojarão.

Anónimo disse...

Não se engana e raramente tem dúvidas.

Anónimo disse...

Não gosto mesmo nada de ler a desresponsabilização da acção irresponsável e criminosa da corja socialista durante 15 anos que nos trouxeram a este ponto de não retorno puxando a Dona Teresa, o Cunhal, o Salazar, o Soares, o Cavaco ou a Bota Botilde à conversa.
E por outro lado (e o que dói) é que até tem a sua verdade, como se depreende desta pérola de há mais de um século, nas palavras de um grande usuário (na altura seria tratado por "judeu", hoje em dia graças ao bem socialista doublespeak, em vez de "judeu" seria o tenebroso "especulador"):

"James [Rothschild] was beside himself at the conduct of the Lisbon government: “The miserable Portuguese Minister wants to cut the throat of his own credit so that one cant tell the world with any degree of certainty that interest will be paid, and so he makes it appear as if he wants to bring everything down”. “Your Portuguese are giving me a fever,” he wrote to London in December 1836. “Never before in my life has anything upset me so much. These people are nothing more than the scum of the earth.” The only aim now was to “persuade the public that these people have positively decided to ruin the credit and that we on our part have been doing everything in our power to prevent this.” “We have to get out of this shit as quickly as we can,” he reiterated a day later, “because we are dealing here with thoroughly disreputable people and with a minister who speculates on the demise of his own country.” In The House of Rothschild: Money's Prophets 1798-1848 by Niall Ferguson
Kudos ao montyhallparadox.blogspot.com pelo extracto.

Merkwürdigliebe

Garganta Funda... disse...

Realmente o «Dr. Cavaco não se engana».

Quem se engana são os eleitores...

Pedro Malaquias disse...

Caro João Gonçalves,

Gostaria que fizesse o seu comentário relativo a este post de Daniel Oliveira:

http://arrastao.org/sem-categoria/os-cinco-cavacos/

É que eu estou como o PRD... Nunca concordo com Daniel Oliveira. E no entanto...

João Gonçalves disse...

Agradeço ao Pedro a sugestão mas não comento coisas incomentáveis. Não tenho pachorra para "alegristas" bloqueiros.

Anónimo disse...

«Este regime chegou ao fim»

Calma, senhores doutores. Ainda faltam 3 anos. Não se lembram em que dia foram as últimas eleições legislativas?