25.11.10

«COMO DE VÓS ME FIO EM TUDO»


A pedido oportuno de um leitor:

COMO DE VÓS, MEU DEUS, ME FIO EM TUDO

À memória do Papa Pio XII que quis ouvir, moribundo, o “Allegretto” da Sétima Sinfonia de Beethoven


Como de Vós, meu Deus, me fio em tudo,
mesmo no mal que consentis que eu faça,
por ser-Vos indiferente, ou não ser mal,
ou ser convosco um bem que eu não conheço,

importa pouco ou nada que em Vós creia,
que Vos invente ou não a fé que eu tenha,
que a própria fé não prove que existis,
ou que existir não seja a Vossa essência.

Não de existir sois feito, e também não
de ser pensado por quem só confia
em quem lhe fale, em quem o escute ou veja.

Humildemente sei que em Vós confio,
e mesmo isto o sei pouco ou quase esqueço,
pois que de Vós, meu Deus, me fio em tudo.


Jorge de Sena

4 comentários:

carol disse...

Belíssimo poema!
Muito bem escolhido.

Anónimo disse...

Vou-lhe roubar o 'post' e colocá-lo no meu mural do FB.

O tal leitor disse...

Obrigado

joshua disse...

Absoluta e literalmente acerca do inefável, caro John.