21.11.10

DAR CAVACO


Um lamentável erro do gmail remeteu para spam os comentários dos últimos dias. Penso que que já estão todos repostos. Mesmo os que, lidos, não passam de spam. Dito isto, concordo com o Paulo Pinto Mascarenhas (de novo). É preciso "dar" Cavaco aos portugueses. Não haver outdoors é uma coisa. Criar um limbo, livre de polémica, contraditório e algum debate, é outra. As eleições presidenciais ocorrem dois dias após uma fatia substancial do eleitorado - e excelentíssimos familiares com direito a voto - ter sofrido directamente na carteira o famoso "combate" à crise. É o suficiente para ficar em casa a fazer contas e a ler Rimbaud. A abstenção e a indiferença serão, como nunca, uma tentação. Mas, enfim, quem tem de pensar nestas coisas que pense. Eu não passo de um crítico (ligeiramente farto de tudo), nas palavras de uma personagem famosa de Shakespeare.

Adenda (de um leitor devidamente identificado): «Há cinco anos, a ausência de debate, de qualquer tipo de debate por parte de Cavaco resultou na diminuição de intenções de voto nas últimas semanas de campanha. Em democracia é complicado adoptar sempre a posição em que Cavaco se coloca. Neste momento já está a ser alvo de inúmeros ataques por causa dessa falta de presença conflitual no espaço público, que é essência da democracia. Não só acho mal, como acho que faz mal ao candidato: quem não participa no espaço público não se defende dos ataques. E esses ataques podem ir dando resultado no eleitorado, pois o candidato atacado não lhes responde, deixando parte dos seus próprios eleitores desnorteados. Daí que possa perder votos numa campanha viva e debatida... entre os outros candidatos e no espaço público e mediático. Os votos que possa perder por adoptar esta estratégia de comunicação-não comunicativa serão menos do que os que ganha? Não sei. Mas pode estar aí a diferença entre uma e duas voltas.»

7 comentários:

floribundus disse...

a vida deve ser como aquelas aulas de ginástica em que ouviamos:
'insista'
'insista'
'insista'
......
nunca desista de si próprio

Isaac Baulot disse...

E flecte.
Era
insiste e flecte
insiste e flecte
insiste e flecte.

Agora é mais flecte.

carol disse...

Dar Cavaco aos Portugueses?! Céus! Eu não quero receber!...

Anónimo disse...

Embora reconhecendo ser o único candidato credível e admitindo o perigo do desinteresse/abstenção que urge combater, acho a proposta descabida para não dizer indecente!

Anónimo disse...

Não perdi a esperança de ver o nome deste blogue mudar para "O fantasma de Boliqueime".

joshua disse...

Agora é tarde de mais para engendrar debate.

Anónimo disse...

A Presidência (tal como a Instituição Real quando exista) não deve imiscuir-se - é uma opinião - nas conflictualidades mais ou menos "rasteiras" da res-pública. O Presidente está acima dos partidos e das suas dialécticas. Isso é o que mais importa reconhecer.