21.2.10

DEVOÇÕES

«Quando, hoje, vejo a insistência ridícula na falta de liberdade de informação, em Portugal, tenho muita dificuldade em entender "de que falamos, quando falamos". O que existe, de facto, são modelos e métodos de jornalismo em que vale absolutamente tudo, em que os fins justificam todos os meios, mesmo os mais condenáveis. A obsessão pela instantaneidade leva, por vezes, a noticiar, antecipadamente, o que ainda nem sequer aconteceu. A falta de distância para a reflexão e avaliação da importância de cada situação - só interessa dizer quem arrasou quem - produz uma atmosfera que leva os próprios comentadores a supor que eles pensam o pensar de todos, como se tivessem uma delegação para representar o povo português na sua totalidade. A chamada crise política seria, talvez, bem diferente sem as suas irresponsáveis encenações mediáticas. » Esta prosa podia ter sido escrita num editorial do DN ou do JN. Ou brotar de enlevados jornalistas como Bettencourt ou Delgado. Ou, ainda, ter sido lida nas "novas fronteiras" feitas à medida. Mas não. É do freirinho Bento Domingues, no Público. O freirinho, que foi estigmatizado pela esquerda algures entre a Capela do Rato e o Rato propriamente dito, não admite comparações. De facto, não se trata de comparar mas de evidenciar. Há muitas maneiras de torcer as coisas - ou de as tentar torcer - constrangendo-as. Seja pela influência política, seja pela influência económica que decorre da primeira e vice-versa. Não deve existir nenhum tipo de temor reverencial pelo que se publica e comunica. Tal como não é suposto ter algum pelo poder. Qualquer deles é ridículo, frei Bento.

6 comentários:

Anónimo disse...

O freirinho, como você bolsou, é um homem superiormente inteligente, culto e avançado. Não representa a igreja rançosa, sacrista, bafiente e hipócrita. Essa é a sua, Gonçalves.

João Gonçalves disse...

É mais bolçar que V. queria dizer.

Eduardo F. disse...

Também tinha lido. Lamentável!

Anónimo disse...

Não creio que Frei Bento Domingues seja um homem venal, antes o considero uma pessoa de convicções, e por isso considero o texto que escreveu a seu respeito muito infeliz.

Anónimo disse...

É impressionante como há pessoas que não perdem um minuto sem criticar, sem “deitar abaixo” qualquer empreendiment o ou decisões tomadas ou sem se insultarem. Quantas insinuações insultuosas tenho lido neste blogue! Mas não leio sugestões positivas, soluções que possam alterar o rumo que o país está a tomar, não leio sobre pessoas (independentemente de qualquer partido) que os comentadores considerem competentes para dirigir a nação. Fazem-me lembrar aquelas pessoas que passam a vida a criticar o que quer que seja mas nunca dão palpites construtivos. Para elas nada, mas nada está bem... e, todavia, dicas úteis... não as dão...

Alex

Anónimo disse...

Gostava de saber o que é que Frei Bento pensa sobre aqueles meios de comunicação portugueses que, sistematicamente,lançam notícias mentirosas sobre a Igreja Católica ou as distorcem acintosamente. Querem um exemplo? Aí vai um:" Papa defende pena de morte para os pedófilos". Refinada mentira!