23.2.10

«GOSTARIA DE SUBSTITUIR»


Neste nº 26 da Rue des Francs-Bourgeois morou o Eduardo Prado Coelho enquanto trabalhou em Paris como conselheiro cultural da embaixada portuguesa. Foi um amigo que mo indicou. Parecia, a dada altura, que o EPC era excessivo e que ocupava toda a cena. Mandarim, dizia-se. Talvez tivesse sido. Porém, aquele Marais frio da semana passada comoveu-me por ter tido a noção, ali, frente àquele 26 de porta fechada, que a partir de certa altura tudo é irremediável e superficial como morrer. EPC foi submerso pela enxurrada de burgessos "informados" que pululam nas sílabas mal amanhadas dos jornais, das televisões e dos blogues. Gente impensável de cujos lábios só brota babugem merdosa, muitos incapazes de construir frases com sujeito, verbo e complementos. Em suma, essa enxurrada varreu tudo e de tudo tomou conta instalando-se como o mandarinato oficial e único. Invariavelmente paupérrimo, alimenta-se de coirões improváveis numa autofagia confrangedoramente risível. O Eduardo, pois. «Sou cada vez mais sensível, mais frágil e desarmado até, em relação aos momentos de humanidade, mas sinto uma crescente repulsa por aquilo que todos somos na vulgaridade do quotidiano: seres mesquinhos, rafeiros, sórdidos, poluentes, corrosivos, invejosos, torpes. É por isso que as relações de força se me impõem para lá da rejeição veemente da própria ideia de força (que eu gostaria de substituir pela de generosidade). O que se vai articulando, como triste filosofia de vida, em torno de três axiomas: quanto mais mal dizem, mais medo têm; quanto mais dizem mal pelas costas, mais elogiam pela frente; quanto mais elogiam, mais medo têm.» Como dizia o mesmo amigo, noutro contexto, que saudade.

3 comentários:

A. Pinto Pais disse...

Manchete do Público de hoje: “Inquérito do Freeport não reuniu provas para acusar José Sócrates”.

Mas alguém podia esperar outra coisa?

Com uma “Justiça” dominada por cândidas e monteiros, jamais o falso engenheiro será acusado de qualquer coisa, nem mesmo de uma infracção do Código da Estrada…

Aliás, o tio e os primos do dito nunca existiram; a “licenciatura” foi transparente; os mamarrachos são pura ficção; a Cova da Beira idem; a D. Moura Guedes é uma criação do Moniz, etc., num rol interminável que dava para mais 500 entrevistas do Sousa Tavares.

E não saimos desta miséria.

Anónimo disse...

Pois, também tu foste ao Marais...

velyn disse...

Lamento discordar. Embora EPC esteja, morto, já quando era vivo o tinha como o 'intelectual do regime', perpetuamente avençado, nulo, acaciano e balofo. Aliás, recordo-me da despudorada desonestidade com que ele e outro grande 'intelectual', esse ainda vivo no sentido químico da palavra, de seu nome Boaventura Sousa Santos, insultaram António Manuel Baptista, quando este se limitou, educadamente, a observar que o chorrilho de disparates que BST escrevia seria inofensivo, não fosse gente menos informada poder levá-lo a sério. Aliás, em vez de BST devia escrever-se BS, no acrónimo inglês.