31.8.10

A BEM DA NATAÇÃO



O Belenenses tem um presidente novo, o miúdo Almeida com cabelinho "à fosga-se", do CDS/PP. Como o clube não tem dinheiro, o miúdo decidiu encerrar, como prometera aos sócios - que, evidentemente, são indiferentes a tudo o que não seja a bola -, uma das poucas piscinas de dimensão olímpica de Lisboa. Ignoro qual é o lugar do Belenenses na "liga" mas dá-me ideia que nem sequer lhe pertence. Só entrei no estádio do Belenenses para assistir a concertos. Um deles de Tina Turner. Sugiro aos frequentadores da piscina e amantes do nobre desporto da natação que façam como ela no clip. Keep on rolling. Contra o Almeida.

A BEM DA NATAÇÃO



O Belenenses tem um presidente novo, o miúdo Almeida com cabelinho "à fosga-se", do CDS/PP. Como o clube não tem dinheiro, o miúdo decidiu encerrar, como prometera aos sócios - que, evidentemente, são indiferentes a tudo o que não seja a bola -, uma das poucas piscinas de dimensão olímpica de Lisboa. Ignoro qual é o lugar do Belenenses na "liga" mas dá-me ideia que nem sequer lhe pertence. Só entrei no estádio do Belenenses para assistir a concertos. Um deles de Tina Turner. Sugiro aos frequentadores da piscina e amantes do nobre desporto da natação que façam como ela no clip. Keep on rolling. Contra o Almeida.

A VERDADEIRA RENTRÉE

Em números redondos, seiscentos mil desempregados. Calçadões, universidades de verão, creches, bola, etc., etc., perante isto, são ridículos. Sócrates ainda vive em 2007, antes da crise. Quanto a Passos e respectivos prosélitos, ainda não se sabe bem onde é que vivem. Tudo indica que esteja outra crise, tirada da mesma, pronta a servir-se. Fria como é próprio delas.

A VERDADEIRA RENTRÉE

Em números redondos, seiscentos mil desempregados. Calçadões, universidades de verão, creches, bola, etc., etc., perante isto, são ridículos. Sócrates ainda vive em 2007, antes da crise. Quanto a Passos e respectivos prosélitos, ainda não se sabe bem onde é que vivem. Tudo indica que esteja outra crise, tirada da mesma, pronta a servir-se. Fria como é próprio delas.

O CATARRO DA FORMIGA

«Arrogância patética» por causa disto? Recomenda-se ao "especialista" e candidato a futuro tudólogo "científico", três coisas. A elementar, que cresça. A outra, que evite o disparate sobretudo o debitado em hebdomadários luso-brasileiros de Oeiras. Finalmente, e para sua reflexão, alguma humildade, sobretudo científica sem aspas. «Sinto-me demasiado novo para ajuizar da vida dele [Salazar], ou de certas decisões, especialmente as que têm a ver com a insistência de se manter no poder. Quem é (relativamente) novo tem mais dificuldade em entender essa insistência», diz Filipe de Meneses a propósito do seu livro e da possibilidade de vir a abordar Salazar de outra maneira. E estamos conversados sobre "arrogâncias patéticas" de gente que não sabe sentir-se demasiado novo em nada e que já nasceu entendida de tudo.

O CATARRO DA FORMIGA

«Arrogância patética» por causa disto? Recomenda-se ao "especialista" e candidato a futuro tudólogo "científico", três coisas. A elementar, que cresça. A outra, que evite o disparate sobretudo o debitado em hebdomadários luso-brasileiros de Oeiras. Finalmente, e para sua reflexão, alguma humildade, sobretudo científica sem aspas. «Sinto-me demasiado novo para ajuizar da vida dele [Salazar], ou de certas decisões, especialmente as que têm a ver com a insistência de se manter no poder. Quem é (relativamente) novo tem mais dificuldade em entender essa insistência», diz Filipe de Meneses a propósito do seu livro e da possibilidade de vir a abordar Salazar de outra maneira. E estamos conversados sobre "arrogâncias patéticas" de gente que não sabe sentir-se demasiado novo em nada e que já nasceu entendida de tudo.

A "ESCOLA"

Começou ontem, sob os auspícios do cacique Relvas, a "universidade de verão" da JSD. A JSD, como a JS e as mais à esquerda, é um viveiro. De quê? De crias para o regime. Tirando Jerónimo de Sousa - que nunca teve vida para brincar à juventude -, todos os dirigentes partidários no activo passaram por "juventudes" partidárias - Louçã seguramente pelas "ligas" trotskistas, Portas, Sócrates e Passos pela JSD. O ano passado acompanhei o "jovem" Santana Lopes, então candidato a Lisboa, a Castelo de Vide. E constatei, com terror, que aquela boa gente se leva a sério. Nenhum se distingue pela subtileza mas todos se movem pela ambição. Local, na maior parte dos casos, todavia sempre com o olhinho revirado para cima. As listas de deputados tornam-os rapidamente vesgos. É ali que começam simpaticamente a odiar-se uns aos outros e a passar por cima uns dos outros. A intrigar, aquilo para que esta "escola" verdadeiramente os prepara. Voltando ao "jovem" Lopes, trata-se de um caso de sucesso. Aos vinte e poucos assessorava Sá Carneiro. Já foi tudo no regime menos PR. Será, seguramente, um dos três certos candidatos a candidato da "direita" em 2016, depois de Cavaco, altura em que, quem quiser vencer, terá de se apresentar precisamente em ruptura com esta "escola" cheia de vícios. Cavaco ganhou o país porque lhe falou directamente. Valeu sempre mais uma boa percentagem de votos - a que lhe deu duas maiorias e Belém - do que aquela que a "escola" prepara, alimenta e, fatalmente, reduz. Como ainda é "jovem" - Barroso caminha para avô e o tudólogo Marcelo já é - Lopes vai bem a tempo de aprender.

A "ESCOLA"

Começou ontem, sob os auspícios do cacique Relvas, a "universidade de verão" da JSD. A JSD, como a JS e as mais à esquerda, é um viveiro. De quê? De crias para o regime. Tirando Jerónimo de Sousa - que nunca teve vida para brincar à juventude -, todos os dirigentes partidários no activo passaram por "juventudes" partidárias - Louçã seguramente pelas "ligas" trotskistas, Portas, Sócrates e Passos pela JSD. O ano passado acompanhei o "jovem" Santana Lopes, então candidato a Lisboa, a Castelo de Vide. E constatei, com terror, que aquela boa gente se leva a sério. Nenhum se distingue pela subtileza mas todos se movem pela ambição. Local, na maior parte dos casos, todavia sempre com o olhinho revirado para cima. As listas de deputados tornam-os rapidamente vesgos. É ali que começam simpaticamente a odiar-se uns aos outros e a passar por cima uns dos outros. A intrigar, aquilo para que esta "escola" verdadeiramente os prepara. Voltando ao "jovem" Lopes, trata-se de um caso de sucesso. Aos vinte e poucos assessorava Sá Carneiro. Já foi tudo no regime menos PR. Será, seguramente, um dos três certos candidatos a candidato da "direita" em 2016, depois de Cavaco, altura em que, quem quiser vencer, terá de se apresentar precisamente em ruptura com esta "escola" cheia de vícios. Cavaco ganhou o país porque lhe falou directamente. Valeu sempre mais uma boa percentagem de votos - a que lhe deu duas maiorias e Belém - do que aquela que a "escola" prepara, alimenta e, fatalmente, reduz. Como ainda é "jovem" - Barroso caminha para avô e o tudólogo Marcelo já é - Lopes vai bem a tempo de aprender.

TENHAM JUÍZO

O governo de Sarkozy não seguiu os conselhos dos beatos portugueses e dos candidatos a beatos. Não se consome, em França, a notável tese dos bons rapazes apesar de Rousseau. Em compensação, em Portugal sobram teóricos que, como a história doméstica nos tem abundantemente demonstrado, dão lições ao mundo sobre tudo e sobre nada. Nenhum deles quer saber da realidade. As suas lustrosas cabeças frequentam outras alturas a aspiram à beatitude social e cultural. Carregam, vergados, todo o lixo ideológico que em parte alguma do globo resolveu um só dos seus complexos problemas. Apesar de especialistas em "problematizar", os nossos teóricos distinguem-se tipicamente pelo irrealismo e pela irresponsabilidade. O nomadismo é um belo sinal de desconforto e de inadaptação. Mas nenhuma "especificidade" pode ser fechada num aquário sem água, para gáudio dos teóricos, quando o desconforto é geral e a inadaptação persiste em nome da ladroagem mais reles e primitiva por causa de uma coisa tão simples como a sobrevivência. Aí, é forçoso que sobrevivam de outra maneira ou aprendam a tal e não como rasura ou falha nossa. É esta a lição de superioridade da civilização em que fomos criados e que está a desaparecer à conta de muito do seu "iluminismo" de pacotilha. Tenham juízo.

TENHAM JUÍZO

O governo de Sarkozy não seguiu os conselhos dos beatos portugueses e dos candidatos a beatos. Não se consome, em França, a notável tese dos bons rapazes apesar de Rousseau. Em compensação, em Portugal sobram teóricos que, como a história doméstica nos tem abundantemente demonstrado, dão lições ao mundo sobre tudo e sobre nada. Nenhum deles quer saber da realidade. As suas lustrosas cabeças frequentam outras alturas a aspiram à beatitude social e cultural. Carregam, vergados, todo o lixo ideológico que em parte alguma do globo resolveu um só dos seus complexos problemas. Apesar de especialistas em "problematizar", os nossos teóricos distinguem-se tipicamente pelo irrealismo e pela irresponsabilidade. O nomadismo é um belo sinal de desconforto e de inadaptação. Mas nenhuma "especificidade" pode ser fechada num aquário sem água, para gáudio dos teóricos, quando o desconforto é geral e a inadaptação persiste em nome da ladroagem mais reles e primitiva por causa de uma coisa tão simples como a sobrevivência. Aí, é forçoso que sobrevivam de outra maneira ou aprendam a tal e não como rasura ou falha nossa. É esta a lição de superioridade da civilização em que fomos criados e que está a desaparecer à conta de muito do seu "iluminismo" de pacotilha. Tenham juízo.

30.8.10

UM ERRO


É um erro considerar imutáveis as pessoas e os lugares. Relido em Clea. Aprendido na vida.

UM ERRO


É um erro considerar imutáveis as pessoas e os lugares. Relido em Clea. Aprendido na vida.

TENTAR PERCEBER


Reparo, com agrado, que o Henrique Raposo, sem perda de tempo, seguiu a minha sugestão. E parece que ouviu as explicações que lhe deram, na circunstância, acerca da ADSE. Se precisar de conselhos sobre outras matérias relativas ao Portugalório ou a personagens públicas que, por exemplo, acompanho "intelectualmente" - desde os meus dezassete, dezoito anos precisamente para tentar perceber o Portugalório -, é só pedir. A água tépida do Algarve é muito inspiradora.

TENTAR PERCEBER


Reparo, com agrado, que o Henrique Raposo, sem perda de tempo, seguiu a minha sugestão. E parece que ouviu as explicações que lhe deram, na circunstância, acerca da ADSE. Se precisar de conselhos sobre outras matérias relativas ao Portugalório ou a personagens públicas que, por exemplo, acompanho "intelectualmente" - desde os meus dezassete, dezoito anos precisamente para tentar perceber o Portugalório -, é só pedir. A água tépida do Algarve é muito inspiradora.

OS ANTI-QUEIROZIANOS


Queiroz lá vai a caminho do seu privativo Gólgota. Agora foi a "autoridade" a que pertence o senhor alegadamente insultado na pessoa de sua mãe - também fui, num lupanar rosa-choque, e por alguém que dias depois estava deputado da nação e é amigo de dois terços da blogosfera, da mesma cor berrante ou não, e não me queixei - que o suspendeu por seis meses. Mais claros do que isto não podem ser - tanto zelo disciplinar não cai propriamente do céu. De Laurentino (o delegado do PS para o desporto no governo) aos eternos Madail, ao seu "número dois" na FPF até a esta "autoridade", ninguém do mandarinato da bola (com o referido Laurentino à cabeça) quer Queiroz à frente de uma selecção da qual, parece, os jogadores querem fugir. Tal como aquelas tragédias ambulantes querem fugir de pagar a Queiroz que, espero, os deve esmifrar até ao tutano. Na realidade, quem é que está disposto a representar este charco mesmo nesse medonho circo para o povo que é a bola?

OS ANTI-QUEIROZIANOS


Queiroz lá vai a caminho do seu privativo Gólgota. Agora foi a "autoridade" a que pertence o senhor alegadamente insultado na pessoa de sua mãe - também fui, num lupanar rosa-choque, e por alguém que dias depois estava deputado da nação e é amigo de dois terços da blogosfera, da mesma cor berrante ou não, e não me queixei - que o suspendeu por seis meses. Mais claros do que isto não podem ser - tanto zelo disciplinar não cai propriamente do céu. De Laurentino (o delegado do PS para o desporto no governo) aos eternos Madail, ao seu "número dois" na FPF até a esta "autoridade", ninguém do mandarinato da bola (com o referido Laurentino à cabeça) quer Queiroz à frente de uma selecção da qual, parece, os jogadores querem fugir. Tal como aquelas tragédias ambulantes querem fugir de pagar a Queiroz que, espero, os deve esmifrar até ao tutano. Na realidade, quem é que está disposto a representar este charco mesmo nesse medonho circo para o povo que é a bola?

SUGESTÃO DE TERTÚLIA


Quando é que a esquerda modernaça - para variar do Gatto Pardo ou dos hotéis da Avenida da Liberdade - organiza uma tertúlia na Quinta da Fonte, a Loures, para celebrar os esplendores do "multiculturalismo"? Convém proteger a jugular com encharpes "griffadas", o cheiro que não suportam com chanel 5, não levar os blackberry e os i-qualquer coisa e evitar saltos altos. Nada de decotes ou vestidos Prada a imitar batas a cinco euros. Em caso de aflição, podem sempre distribuir livrinhos sobre bairros problemáticos, editados pela tinta da china, e aulas de poesia da quetzal entre os tiros e a competente queima de viaturas. No fim, limpem as mãos aos "contratos locais de segurança" do famoso dr. Pereira.

SUGESTÃO DE TERTÚLIA


Quando é que a esquerda modernaça - para variar do Gatto Pardo ou dos hotéis da Avenida da Liberdade - organiza uma tertúlia na Quinta da Fonte, a Loures, para celebrar os esplendores do "multiculturalismo"? Convém proteger a jugular com encharpes "griffadas", o cheiro que não suportam com chanel 5, não levar os blackberry e os i-qualquer coisa e evitar saltos altos. Nada de decotes ou vestidos Prada a imitar batas a cinco euros. Em caso de aflição, podem sempre distribuir livrinhos sobre bairros problemáticos, editados pela tinta da china, e aulas de poesia da quetzal entre os tiros e a competente queima de viaturas. No fim, limpem as mãos aos "contratos locais de segurança" do famoso dr. Pereira.

29.8.10

UMA BIOGRAFIA POLÍTICA - 2



Nota: Há quase um ano escrevi aqui que «a biografia política da foto deveria ser rapidamente traduzida para português.» A foto correspondia à publicação original em língua inglesa e a actual à dita tradução/versão portuguesa do trabalho de Filipe de Meneses. Julgo que o João Amaral, da Leya/Dom Quixote, está de parabéns. Recomenda-se a candidatos a escritores de biografias políticas ou intelectuais de mortos ou vivos.

UMA BIOGRAFIA POLÍTICA - 2



Nota: Há quase um ano escrevi aqui que «a biografia política da foto deveria ser rapidamente traduzida para português.» A foto correspondia à publicação original em língua inglesa e a actual à dita tradução/versão portuguesa do trabalho de Filipe de Meneses. Julgo que o João Amaral, da Leya/Dom Quixote, está de parabéns. Recomenda-se a candidatos a escritores de biografias políticas ou intelectuais de mortos ou vivos.

DA CONSCIÊNCIA


«Não sei se quem escreveu esta trampa tem consciência do que escreveu», diz Carlos Vidal a propósito da trampa que transcreve. Com o devido respeito, subsiste a questão prévia. A da consciência. Esse ser terá uma? Ou, no limite, os seus alvos braços conseguirão alcançar uma cabeça no lugar onde elas costumam estar?

DA CONSCIÊNCIA


«Não sei se quem escreveu esta trampa tem consciência do que escreveu», diz Carlos Vidal a propósito da trampa que transcreve. Com o devido respeito, subsiste a questão prévia. A da consciência. Esse ser terá uma? Ou, no limite, os seus alvos braços conseguirão alcançar uma cabeça no lugar onde elas costumam estar?

A CERTEZA

Louçã "dá-me a certeza" - estou a citar o pernóstico evangelista dos "últimos dias da esquerda", seu entusiástico e praticamente único apoiante - que Manuel Alegre jamais será presidente da República.

A CERTEZA

Louçã "dá-me a certeza" - estou a citar o pernóstico evangelista dos "últimos dias da esquerda", seu entusiástico e praticamente único apoiante - que Manuel Alegre jamais será presidente da República.

O DIREITO DOS MONSTROS SEM PESCOÇO


Na peça de Tennessee Williams, Cat on Hot Tin Roof, logo no início, há um momento em que a tia (no filme, Elizabeth Taylor) apelida os sobrinhos (o marido e tio, no filme, é Paul Newman) de pequenos monstros sem pescoço ("neckless monsters", no original). O direito a ser um monstro sem pescoço é um direito humano. Se os meninos querem comer batatas fritas com maionese com carne moída de forma redonda, seguidas por quatro bolas de gelado, é um direito humano preservável idêntico ao de beber três litros de chá verde por dia e ao de não tocar em nacos na pedra. Este trogloditismo normativista dos "peritos" situa-se ao nível da refeição que pretendem negar aos meninos. Uns sem pescoço, outros sem cabeça. Parece que ignoram o país analfabeto em que vivem e sobre o qual exercitam as suas tolas "peritagens".

O DIREITO DOS MONSTROS SEM PESCOÇO


Na peça de Tennessee Williams, Cat on Hot Tin Roof, logo no início, há um momento em que a tia (no filme, Elizabeth Taylor) apelida os sobrinhos (o marido e tio, no filme, é Paul Newman) de pequenos monstros sem pescoço ("neckless monsters", no original). O direito a ser um monstro sem pescoço é um direito humano. Se os meninos querem comer batatas fritas com maionese com carne moída de forma redonda, seguidas por quatro bolas de gelado, é um direito humano preservável idêntico ao de beber três litros de chá verde por dia e ao de não tocar em nacos na pedra. Este trogloditismo normativista dos "peritos" situa-se ao nível da refeição que pretendem negar aos meninos. Uns sem pescoço, outros sem cabeça. Parece que ignoram o país analfabeto em que vivem e sobre o qual exercitam as suas tolas "peritagens".

A ANSIEDADE


«Esta direcção do PSD é um soluço. Assentou no regresso da máquina autárquica menesista-botista ressabiada com MFL e com o "partido lisboeta", contratou um janízaro ( Ângelo Correia) que o líder "ouve quando quer e quando não quer" e acolheu um corpo expedicionário avulso: oportunistas, vira-casacas e, inevitavelmente, alguma gente de boa vontade. Esta amálgama, como é próprio das amálgamas, não tem direcção. Tacteia, experimenta, endeusa as sondagens e aguarda o apodrecimento do governo. Se os amalgamados lá chegarem , sabemos o que valem: uma ampulheta.»

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

A ANSIEDADE


«Esta direcção do PSD é um soluço. Assentou no regresso da máquina autárquica menesista-botista ressabiada com MFL e com o "partido lisboeta", contratou um janízaro ( Ângelo Correia) que o líder "ouve quando quer e quando não quer" e acolheu um corpo expedicionário avulso: oportunistas, vira-casacas e, inevitavelmente, alguma gente de boa vontade. Esta amálgama, como é próprio das amálgamas, não tem direcção. Tacteia, experimenta, endeusa as sondagens e aguarda o apodrecimento do governo. Se os amalgamados lá chegarem , sabemos o que valem: uma ampulheta.»

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado

SONTAG E O CÓDIGO


O único momento de jeito na edição de ontem do semanário brasileiro Expresso - o único, repito - vem no suplemento dito cultural, Actual de sua graça (em português). É no fim da recensão do livro Renascer - Diários e Apontamentos 1947-1963, de Susan Sontag, na tradução da Quetzal. E é de Susan Sontag, precisamente. Gostei sobretudo pela "actualidade" da citação. «O casamento é uma espécie de caça tácita em casais. O mundo todo em casais, cada casal na sua casinha, a tomar conta dos seus pequenos interesses e oprimidos na sua privacidadezinha - é a coisa mais repugnante do mundo.»

SONTAG E O CÓDIGO


O único momento de jeito na edição de ontem do semanário brasileiro Expresso - o único, repito - vem no suplemento dito cultural, Actual de sua graça (em português). É no fim da recensão do livro Renascer - Diários e Apontamentos 1947-1963, de Susan Sontag, na tradução da Quetzal. E é de Susan Sontag, precisamente. Gostei sobretudo pela "actualidade" da citação. «O casamento é uma espécie de caça tácita em casais. O mundo todo em casais, cada casal na sua casinha, a tomar conta dos seus pequenos interesses e oprimidos na sua privacidadezinha - é a coisa mais repugnante do mundo.»

28.8.10

A "CRISE DOS CALÇADÕES"


Cavaco reduziu hoje a "crise" inventada entre dois calçadões, os de Quarteira e de Mangualde, ao seu justo valor. A nada.

A "CRISE DOS CALÇADÕES"


Cavaco reduziu hoje a "crise" inventada entre dois calçadões, os de Quarteira e de Mangualde, ao seu justo valor. A nada.

E ASSIM SUCESSIVAMENTE


Salvo erro, Sócrates - um profissional da agitprop - foi inaugurar catorze (14) quilómetros de estrada. Se não foram 14, foram 19, mais cinco. Sócrates está candidato a Américo Thomaz da esquerda moderna portuguesa. Em breve começará a balbuciar que "esta é a primeira vez que aqui estou depois da última que cá estive". E assim sucessivamente.

E ASSIM SUCESSIVAMENTE


Salvo erro, Sócrates - um profissional da agitprop - foi inaugurar catorze (14) quilómetros de estrada. Se não foram 14, foram 19, mais cinco. Sócrates está candidato a Américo Thomaz da esquerda moderna portuguesa. Em breve começará a balbuciar que "esta é a primeira vez que aqui estou depois da última que cá estive". E assim sucessivamente.

O TAMANHO DA COMPAIXÃO

«Contra a lapidação, marchar, marchar. Eis o programa para a tarde de hoje, em Lisboa: umas dezenas de ‘humanistas’ vão protestar contra a lapidação de uma mulher no Irão. Para que servem estes cortejos? Para travar a barbárie? Duvidoso. Estas selvajarias, recorrentes no Islão ‘pacífico’, só se travam pelo fim dos regimes teocráticos que reinam por lá. E a menos que haja um milagre interno (uma vitória da oposição; um movimento ‘iluminista’ dentro do Islão; o repúdio expresso da herança Khomeini; e etc.), o fim destes regimes consegue-se por intervenção externa.Estarão os manifestantes desta tarde interessados em repetir as aventuras do cowboy Bush – o mesmo cowboy que eles insultavam com iguais protestos públicos?Cortejos contra a lapidação, de preferência com câmaras de tv por perto, são formas de vaidade: o manifestante abre a gabardine e, em pose exibicionista e masturbatória, mostra ao mundo o tamanho da sua compaixão. Entre a pornografia iraniana e as pornografias lisboetas que se preparam por aí, não sei qual me repugna mais.»
J. Pereira Coutinho, CM

O TAMANHO DA COMPAIXÃO

«Contra a lapidação, marchar, marchar. Eis o programa para a tarde de hoje, em Lisboa: umas dezenas de ‘humanistas’ vão protestar contra a lapidação de uma mulher no Irão. Para que servem estes cortejos? Para travar a barbárie? Duvidoso. Estas selvajarias, recorrentes no Islão ‘pacífico’, só se travam pelo fim dos regimes teocráticos que reinam por lá. E a menos que haja um milagre interno (uma vitória da oposição; um movimento ‘iluminista’ dentro do Islão; o repúdio expresso da herança Khomeini; e etc.), o fim destes regimes consegue-se por intervenção externa.Estarão os manifestantes desta tarde interessados em repetir as aventuras do cowboy Bush – o mesmo cowboy que eles insultavam com iguais protestos públicos?Cortejos contra a lapidação, de preferência com câmaras de tv por perto, são formas de vaidade: o manifestante abre a gabardine e, em pose exibicionista e masturbatória, mostra ao mundo o tamanho da sua compaixão. Entre a pornografia iraniana e as pornografias lisboetas que se preparam por aí, não sei qual me repugna mais.»
J. Pereira Coutinho, CM

O FIM DO ARGUMENTO

O Vaticano recorreu à indisputável autoridade de Hitler na matéria para criticar a expulsão de ciganos ilegais em França. Quando o argumentário chega ao holocausto, é sinal de que não há mais argumentos. A simples menção do termo silencia imediatamente qualquer um. Daqui para diante vão encenar-se os costumeiros pedidos de desculpa e, quem sabe, uma acrisolada parada "multicultural" europeia a favor das minorias que as elites democráticas desprezam embora o disfarcem com indignações hipócritas e retóricas. Alemão racionalista, Raztinger não quer a sua Igreja minoritária fora de certos debates "correctos" e, no fundo, olha para Sarkozy e surpreende um arrivista. Duma cajadada, matam-se dois coelhos.

Adenda: Depois disto escrito - e porque não quero que nada falte a pessoas que não sabem tratar das unhas dos pés - reparo que maradona, num "momento S. Silva", decidiu malhar no tema aproveitando, pelo caminho, de bicicleta, para me chamar "paneleiro" e "labrego", concedendo que nem sempre debito "tretas demagógicas". Maradona, nos intervalos da bola, das cervejas e dos "pipis", é um excelente blogo-escritor que provoca, mesmo com as unhas dos pés no estado lastimoso em que as mostrou há uns tempos, transportes nas suas indefectíveis admiradoras. Como "paneleiro", presumo que não me será concedida sequer a graça de uma cerveja porque ciganos são ciganos mas um "paneleiro" é um "paneleiro" tal como um "labrego" é um "labrego", ambas categorias impróprias da "base da civilização " em que vive o maradona. É tudo uma questão de "matriz racial" vista a partir da Trafaria e de respeito pela "individualidade e liberdade fundamental de cada ser humano" que pára obrigatoriamente no "paneleiro" e "labrego" João Gonçalves, autor de coisas que suscitam no "humanista" (outro) maradona tal revolta que (e segue-se uma belíssimo excerto digno do melhor António Guerreiro do "Atual") não "conseguimos ter a presença de espírito de evitar adjectivos que clarificam de forma tão automática e instintiva a matriz do próprio parágrafo onde os utilizamos." Por que é não pega nas suas "matrizes", nos "pipis", nas cervejas e na sua bicicleta e vai dar umas voltinhas com esses monumentos a uma "vida autisticamente concreta" que são esses queridos "nómadas"? É que não vejo nenhum comovido solidário, civilizado e ocidentalizado como o maradona, disposto a fazer nada por essas formas de "vida autisticamente concreta" que não seja convocar o III Reich tal como o treinador da lipoaspiração comparava cretinos e vinténs. Você, maradona, fica-se apenas pelo cretino porque ninguém dava um vintém por si com os pés à mostra. Digo-lho eu que sou um grande "paneleiro".

O FIM DO ARGUMENTO

O Vaticano recorreu à indisputável autoridade de Hitler na matéria para criticar a expulsão de ciganos ilegais em França. Quando o argumentário chega ao holocausto, é sinal de que não há mais argumentos. A simples menção do termo silencia imediatamente qualquer um. Daqui para diante vão encenar-se os costumeiros pedidos de desculpa e, quem sabe, uma acrisolada parada "multicultural" europeia a favor das minorias que as elites democráticas desprezam embora o disfarcem com indignações hipócritas e retóricas. Alemão racionalista, Raztinger não quer a sua Igreja minoritária fora de certos debates "correctos" e, no fundo, olha para Sarkozy e surpreende um arrivista. Duma cajadada, matam-se dois coelhos.

Adenda: Depois disto escrito - e porque não quero que nada falte a pessoas que não sabem tratar das unhas dos pés - reparo que maradona, num "momento S. Silva", decidiu malhar no tema aproveitando, pelo caminho, de bicicleta, para me chamar "paneleiro" e "labrego", concedendo que nem sempre debito "tretas demagógicas". Maradona, nos intervalos da bola, das cervejas e dos "pipis", é um excelente blogo-escritor que provoca, mesmo com as unhas dos pés no estado lastimoso em que as mostrou há uns tempos, transportes nas suas indefectíveis admiradoras. Como "paneleiro", presumo que não me será concedida sequer a graça de uma cerveja porque ciganos são ciganos mas um "paneleiro" é um "paneleiro" tal como um "labrego" é um "labrego", ambas categorias impróprias da "base da civilização " em que vive o maradona. É tudo uma questão de "matriz racial" vista a partir da Trafaria e de respeito pela "individualidade e liberdade fundamental de cada ser humano" que pára obrigatoriamente no "paneleiro" e "labrego" João Gonçalves, autor de coisas que suscitam no "humanista" (outro) maradona tal revolta que (e segue-se uma belíssimo excerto digno do melhor António Guerreiro do "Atual") não "conseguimos ter a presença de espírito de evitar adjectivos que clarificam de forma tão automática e instintiva a matriz do próprio parágrafo onde os utilizamos." Por que é não pega nas suas "matrizes", nos "pipis", nas cervejas e na sua bicicleta e vai dar umas voltinhas com esses monumentos a uma "vida autisticamente concreta" que são esses queridos "nómadas"? É que não vejo nenhum comovido solidário, civilizado e ocidentalizado como o maradona, disposto a fazer nada por essas formas de "vida autisticamente concreta" que não seja convocar o III Reich tal como o treinador da lipoaspiração comparava cretinos e vinténs. Você, maradona, fica-se apenas pelo cretino porque ninguém dava um vintém por si com os pés à mostra. Digo-lho eu que sou um grande "paneleiro".

O PAÍS DOS CAPRINOS


De um leitor por mail: «O Verão político foi-lhe benéfico, a si, com a profusão nacional de tanta estupidez estratosférica em tão pequeno rincão. Agora vamos ter cabras para impedir incêndios. Pois eu acho que para o ano, em vez do mato, ardem as cabras. Cabras grelhadas. E quem serão os cabrões que as vão comer?»

O PAÍS DOS CAPRINOS


De um leitor por mail: «O Verão político foi-lhe benéfico, a si, com a profusão nacional de tanta estupidez estratosférica em tão pequeno rincão. Agora vamos ter cabras para impedir incêndios. Pois eu acho que para o ano, em vez do mato, ardem as cabras. Cabras grelhadas. E quem serão os cabrões que as vão comer?»

OS TRÁGICO-COMEDIANTES

«Segundo o Eurobarómetro, 95 por cento dos portugueses (de facto, Portugal inteiro) acham a situação económica "má" e, apesar da retórica do primeiro-ministro, 71 por cento acham que irá ser pior. O que não admira. O que admira é que, nesta aflição, 76 por cento dos portugueses não tenham confiança no Governo e 67 por cento não tenham confiança no Parlamento. Pior ainda: as sondagens parecem indicar que a desconfiança não vem particularmente deste Governo e deste Parlamento, porque não existe nenhuma alternativa clara que o país prefira (o PSD, por exemplo, ou uma aliança CDS-PSD). Os portugueses não confiam pura e simplesmente no regime: nos políticos do regime e nos partidos do regime. Ora, estando num sarilho sem ajuda, deviam em princípio andar aflitíssimos. Mas não andam. Porquê? Porque pensam (47 por cento) que, se for preciso, a "Europa" lhes deitará a mão ou que, em geral, resolverá a crise (28 por cento). Por outras palavras, de "sopa do convento" a "Europa" ascendeu à categoria mais seráfica de um novo D. Sebastião. Claro que ninguém, ou quase ninguém sabe o que é e como funciona a "Europa" e só algumas luminárias perceberam que as regras definidas pela Alemanha para toda a gente (diminuição do défice e da dívida externa) podem em rigor prejudicar Portugal. Só que esse pormenor não conta. O Messias, por definição, é um mistério e age misteriosamente. Conhecer o Messias diminuiria a fé na sua eficácia. A "Europa" serve de conforto ao desespero do indígena precisamente porque um nevoeiro de absoluta ignorância a separa dele. É curioso como 30 anos de democracia conseguiram levar (ou devolver) os portugueses à irresponsabilidade. A sondagem do Eurobarómetro não seria diferente no tempo de Marcelo Caetano e até em certas fases de Salazar. Os resultados revelam um cidadão, proibido ou incapaz de se governar (no caso, de mudar o Governo). Um cidadão sem voto e sem voz, reduzido a acreditar num milagre. Não que ele não queira reformas. Quer reformas (60 por cento), mas já aprendeu pela experiência que é inútil esperar que elas se façam de dentro e cá dentro, pelos meios normais que a lei estabeleceu e com a "classe dirigente" que se apropriou do Estado. A salvação virá de uma força superior e, principalmente, estranha à mísera realidade portuguesa. Ou virá assim; ou não virá.»

Vasco Pulido Valente, Público

OS TRÁGICO-COMEDIANTES

«Segundo o Eurobarómetro, 95 por cento dos portugueses (de facto, Portugal inteiro) acham a situação económica "má" e, apesar da retórica do primeiro-ministro, 71 por cento acham que irá ser pior. O que não admira. O que admira é que, nesta aflição, 76 por cento dos portugueses não tenham confiança no Governo e 67 por cento não tenham confiança no Parlamento. Pior ainda: as sondagens parecem indicar que a desconfiança não vem particularmente deste Governo e deste Parlamento, porque não existe nenhuma alternativa clara que o país prefira (o PSD, por exemplo, ou uma aliança CDS-PSD). Os portugueses não confiam pura e simplesmente no regime: nos políticos do regime e nos partidos do regime. Ora, estando num sarilho sem ajuda, deviam em princípio andar aflitíssimos. Mas não andam. Porquê? Porque pensam (47 por cento) que, se for preciso, a "Europa" lhes deitará a mão ou que, em geral, resolverá a crise (28 por cento). Por outras palavras, de "sopa do convento" a "Europa" ascendeu à categoria mais seráfica de um novo D. Sebastião. Claro que ninguém, ou quase ninguém sabe o que é e como funciona a "Europa" e só algumas luminárias perceberam que as regras definidas pela Alemanha para toda a gente (diminuição do défice e da dívida externa) podem em rigor prejudicar Portugal. Só que esse pormenor não conta. O Messias, por definição, é um mistério e age misteriosamente. Conhecer o Messias diminuiria a fé na sua eficácia. A "Europa" serve de conforto ao desespero do indígena precisamente porque um nevoeiro de absoluta ignorância a separa dele. É curioso como 30 anos de democracia conseguiram levar (ou devolver) os portugueses à irresponsabilidade. A sondagem do Eurobarómetro não seria diferente no tempo de Marcelo Caetano e até em certas fases de Salazar. Os resultados revelam um cidadão, proibido ou incapaz de se governar (no caso, de mudar o Governo). Um cidadão sem voto e sem voz, reduzido a acreditar num milagre. Não que ele não queira reformas. Quer reformas (60 por cento), mas já aprendeu pela experiência que é inútil esperar que elas se façam de dentro e cá dentro, pelos meios normais que a lei estabeleceu e com a "classe dirigente" que se apropriou do Estado. A salvação virá de uma força superior e, principalmente, estranha à mísera realidade portuguesa. Ou virá assim; ou não virá.»

Vasco Pulido Valente, Público

27.8.10

DMITRI







Este homem, Dmitri Hvorostovsky - que pude apreciar há três anos, na Ópera da Bastilha, no papel de Simon Boccanegra -, para além de ser uma belíssima figura, canta extraordinariamente bem. Da Rússia e do antigo leste estão a aparecer nomes na ópera que merecem ser seguidos com devida atenção enquanto o "ocidente" fenece, nesta matéria, entalado entre a América Latina e estes eslavos nada melancólicos como Hvorostovsky, Anna Netrebko ou Marina Poplavskaya.

DMITRI







Este homem, Dmitri Hvorostovsky - que pude apreciar há três anos, na Ópera da Bastilha, no papel de Simon Boccanegra -, para além de ser uma belíssima figura, canta extraordinariamente bem. Da Rússia e do antigo leste estão a aparecer nomes na ópera que merecem ser seguidos com devida atenção enquanto o "ocidente" fenece, nesta matéria, entalado entre a América Latina e estes eslavos nada melancólicos como Hvorostovsky, Anna Netrebko ou Marina Poplavskaya.

GÉNIO

GÉNIO

A UNIÃO DOS BONZOS

«As esquerdas repetem todas, com a excepção táctica do BE, escaldado com os pretéritos resultados próprios, a estratégia de derrota presidencial de há cinco anos. Nem a fraca prestação de Cavaco Silva neste primeiro mandato alterou o rumo à derrota da esquerda na questão presidencial. Dá que pensar o porquê dessa desistência. A esquerda está unida na escolha institucional do campo parlamentar e na subalternização política da componente presidencial, cem anos depois da proclamação da República.»

José Medeiros Ferreira, CM

A UNIÃO DOS BONZOS

«As esquerdas repetem todas, com a excepção táctica do BE, escaldado com os pretéritos resultados próprios, a estratégia de derrota presidencial de há cinco anos. Nem a fraca prestação de Cavaco Silva neste primeiro mandato alterou o rumo à derrota da esquerda na questão presidencial. Dá que pensar o porquê dessa desistência. A esquerda está unida na escolha institucional do campo parlamentar e na subalternização política da componente presidencial, cem anos depois da proclamação da República.»

José Medeiros Ferreira, CM

A "JUSTA PARTE"


«A confiança depende de uma compreensão clara do passado. Na América, em Inglaterra, até em França, os jornais discutem sem parar este ponto vital. Aqui é o que se vê: pouco mais que lamúrias. Quem se lembra, muito simplesmente, de perguntar: que erros se fizeram? Quem os fez? Quando? Com que consequências? A polémica fútil em que se tornou o debate público português parte desta ignorância (ou desta abstenção) geral. A vida não começou anteontem, ou, pelo menos, com a advento de Sócrates. Talvez tenha começado com Cavaco, continuado com Guterres, com Barroso e Santana e acabado agora (provisoriamente) com Sócrates. Mas se não se der a cada um - e a cada partido - a sua justa parte, não nos livramos de repetir a história deste melancólico e frustrado regime.» Isto escreve Vasco Pulido Valente no Público. Só que o nosso "passado" - aquele que nos conduziu ao malogro e às fantasias de hoje - não começou agora sendo o "agora" estes trinta e tal anos de democracia formal. Cada momento "heróico" da nossa ainda mais heróica história foi sempre mais um ponto de chegada do que um ponto de partida. Por exemplo, 1640, 1820 ou 1974, todos anos "de esperança" e de "libertação", deram no que foram dando. O último, então, não fosse dar-se o caso da Europa (o verdadeiro 25 de Abril "estrutural"), limitar-se-ia à instauração de uma farsa e à perpetuação de uma das mais medíocres nomenclaturas que a história de Portugal jamais conheceu, diga-se, em seu favor, indistinta das que, em geral, mandam no mundo e na sociedade que é genericamente a mesma (bronca) onde quer que se viva. Eanes garantiu que isto não se afundasse logo às mãos de meia dúzia de irresponsáveis. Soares "meteu-nos" na Europa e Cavaco "meteu" a Europa cá dentro, com décadas de atraso, como Pulido Valente explicou numa entrevista a Maria João Avillez. O resto pouco interessa. São personagens tão menores e esquecíveis quanto estimáveis. O facto de algumas delas terem chegado onde chegaram diz mais sobre nós do que sobre elas. Fomos nós que repartimos o mal pelas aldeias - "a justa parte" - escolhendo umas e eliminando outras e vice-versa. Temos tudo o que merecemos.

A "JUSTA PARTE"


«A confiança depende de uma compreensão clara do passado. Na América, em Inglaterra, até em França, os jornais discutem sem parar este ponto vital. Aqui é o que se vê: pouco mais que lamúrias. Quem se lembra, muito simplesmente, de perguntar: que erros se fizeram? Quem os fez? Quando? Com que consequências? A polémica fútil em que se tornou o debate público português parte desta ignorância (ou desta abstenção) geral. A vida não começou anteontem, ou, pelo menos, com a advento de Sócrates. Talvez tenha começado com Cavaco, continuado com Guterres, com Barroso e Santana e acabado agora (provisoriamente) com Sócrates. Mas se não se der a cada um - e a cada partido - a sua justa parte, não nos livramos de repetir a história deste melancólico e frustrado regime.» Isto escreve Vasco Pulido Valente no Público. Só que o nosso "passado" - aquele que nos conduziu ao malogro e às fantasias de hoje - não começou agora sendo o "agora" estes trinta e tal anos de democracia formal. Cada momento "heróico" da nossa ainda mais heróica história foi sempre mais um ponto de chegada do que um ponto de partida. Por exemplo, 1640, 1820 ou 1974, todos anos "de esperança" e de "libertação", deram no que foram dando. O último, então, não fosse dar-se o caso da Europa (o verdadeiro 25 de Abril "estrutural"), limitar-se-ia à instauração de uma farsa e à perpetuação de uma das mais medíocres nomenclaturas que a história de Portugal jamais conheceu, diga-se, em seu favor, indistinta das que, em geral, mandam no mundo e na sociedade que é genericamente a mesma (bronca) onde quer que se viva. Eanes garantiu que isto não se afundasse logo às mãos de meia dúzia de irresponsáveis. Soares "meteu-nos" na Europa e Cavaco "meteu" a Europa cá dentro, com décadas de atraso, como Pulido Valente explicou numa entrevista a Maria João Avillez. O resto pouco interessa. São personagens tão menores e esquecíveis quanto estimáveis. O facto de algumas delas terem chegado onde chegaram diz mais sobre nós do que sobre elas. Fomos nós que repartimos o mal pelas aldeias - "a justa parte" - escolhendo umas e eliminando outras e vice-versa. Temos tudo o que merecemos.

26.8.10

NOTÍCIAS DO MATADOURO


Fora a conversa dos dinheiros - uma senhora não discute preços em público sobretudo depois do dr. Salgado ter feito "doutrina" com aquele brocado de que tudo tem um preço menos a honra -, esta entrevista de Manuela Moura Guedes possui a sua graça. A discussão em torno de um possível regresso a Queluz é tão retórica como eu ser entrevistado pelo Mário Crespo ou pela Constança Cunha e Sá. Quem diz daquilo o que Moura Guedes diz, poderá ir para qualquer estação menos para aquela. Talvez, quem sabe, para uma a meio do caminho. Mas isso agora não interessa nada. Há coisas que a Guedes afirma que me parecem razoáveis. Júlio Magalhães é um entertainer e não é um jornalista? Uma evidência. «Está mais à vontade a fazer coisas no entretenimento do que na informação?» Naturalmente. É o que ele e Marcelo perpetram aos domingos à noite e ainda não chegou a época da troca de leitões. «O jornal de domingo tem sido um derrotado sistemático, e isto apesar do investimento feito no Marcelo. Foi um desastre?» Não sabia, mas admito. É só mais um bocadinho de bola e a coisa amanha-se. «As pessoas estão mal, mas querem continuar dessa forma?» Claro. Mas Moura Guedes - de quem gosto muito - deve saber melhor do que ninguém que panem et circenses é o que está a dar, confundindo-se informação com lixeiras e matadouros públicos. Isso, parece, vale milhões e nenhuma vergonha. Estão bem uns para os outros.

NOTÍCIAS DO MATADOURO


Fora a conversa dos dinheiros - uma senhora não discute preços em público sobretudo depois do dr. Salgado ter feito "doutrina" com aquele brocado de que tudo tem um preço menos a honra -, esta entrevista de Manuela Moura Guedes possui a sua graça. A discussão em torno de um possível regresso a Queluz é tão retórica como eu ser entrevistado pelo Mário Crespo ou pela Constança Cunha e Sá. Quem diz daquilo o que Moura Guedes diz, poderá ir para qualquer estação menos para aquela. Talvez, quem sabe, para uma a meio do caminho. Mas isso agora não interessa nada. Há coisas que a Guedes afirma que me parecem razoáveis. Júlio Magalhães é um entertainer e não é um jornalista? Uma evidência. «Está mais à vontade a fazer coisas no entretenimento do que na informação?» Naturalmente. É o que ele e Marcelo perpetram aos domingos à noite e ainda não chegou a época da troca de leitões. «O jornal de domingo tem sido um derrotado sistemático, e isto apesar do investimento feito no Marcelo. Foi um desastre?» Não sabia, mas admito. É só mais um bocadinho de bola e a coisa amanha-se. «As pessoas estão mal, mas querem continuar dessa forma?» Claro. Mas Moura Guedes - de quem gosto muito - deve saber melhor do que ninguém que panem et circenses é o que está a dar, confundindo-se informação com lixeiras e matadouros públicos. Isso, parece, vale milhões e nenhuma vergonha. Estão bem uns para os outros.

VIDAS DA MÓNICA


Li, saltando por cima de uma data de coisas dele e em duas noites antes do sono, o livro acima. Pensava que me ia reconciliar com a Mónica de outros livros, prévia ao dilúvio virgulino do desastroso Bilhete de Identidade. Sucede que, em alguns momentos, tive de reler frases porque nem sombra do prontuário da D. Edite Estrela nelas. Não que eu aqui não dê umas calinadas as quais são logo amavelmente denunciadas por leitores amigos. Mas isto é escrito em minutos e não está num livro. O que está - e o que vai estar - é revisto. Vidas, como denota o título, reúne textos sobre figuras mais ou menos conhecidas dos séculos XIX e XX. A primeira parte ainda escapa, apesar de um ensaio perfeitamente inútil sobre os "vencidos da vida". Na segunda, safam-se duas prosas sobre dois desconhecidos que a socióloga conheceu cá e em Oxford - um miúdo que acabou na "casa do gaiato" graças aos "conhecimentos" da Mónica ("a senhora doutora" ou "a senhora professora" como ela aprecia e está "habituada" a ser tratada cá) e uma garota do Minho que medrou na Inglaterra. Seguem-se pseudo-retratos alinhavados à pressa e com os arroubos de superioridade britânica vista da Lapa que não largam mais a senhora - "os homens fazem-me falta, quanto mais não seja para poder exibir a minha superioridade". Um momento de fazer inveja a Margarida Rebelo Pinto vindo de quem não sabe falar de mulheres nem, muito menos, de homens, supondo-o. Mónica (nunca faz a coisa por menos) louva-se logo de início em Lyton Strachey que, em 1918, "escandalizou a sociedade inglesa com a publicação de Eminent Victorians porque, diz ela, "destruía a reputação de quatro heróis britânicos". Se alguma coisa os últimos transportes da Mónica têm vindo metodicamente a destruir é a reputação intelectual dela. Há anos, de Londres, vim carregado de Strachey incluindo a sua excelente biografia (e de uma época), de Michael Holroyd, por causa da Mónica. Ela tinha-me "apresentado" o figurão num livro qualquer. Hoje, tristemente, constato que nada do que a Mónica escreve ou diz acrescenta um átomo ao que me interessa da vida. O defeito será meu e o castigo do tempo encarrega-se do resto. O livro custou-me mais do que devia ter custado. Vendo-o por cinco euros. Sempre dá para pagar metade da espreguiçadeira de um dia no Vau.

VIDAS DA MÓNICA


Li, saltando por cima de uma data de coisas dele e em duas noites antes do sono, o livro acima. Pensava que me ia reconciliar com a Mónica de outros livros, prévia ao dilúvio virgulino do desastroso Bilhete de Identidade. Sucede que, em alguns momentos, tive de reler frases porque nem sombra do prontuário da D. Edite Estrela nelas. Não que eu aqui não dê umas calinadas as quais são logo amavelmente denunciadas por leitores amigos. Mas isto é escrito em minutos e não está num livro. O que está - e o que vai estar - é revisto. Vidas, como denota o título, reúne textos sobre figuras mais ou menos conhecidas dos séculos XIX e XX. A primeira parte ainda escapa, apesar de um ensaio perfeitamente inútil sobre os "vencidos da vida". Na segunda, safam-se duas prosas sobre dois desconhecidos que a socióloga conheceu cá e em Oxford - um miúdo que acabou na "casa do gaiato" graças aos "conhecimentos" da Mónica ("a senhora doutora" ou "a senhora professora" como ela aprecia e está "habituada" a ser tratada cá) e uma garota do Minho que medrou na Inglaterra. Seguem-se pseudo-retratos alinhavados à pressa e com os arroubos de superioridade britânica vista da Lapa que não largam mais a senhora - "os homens fazem-me falta, quanto mais não seja para poder exibir a minha superioridade". Um momento de fazer inveja a Margarida Rebelo Pinto vindo de quem não sabe falar de mulheres nem, muito menos, de homens, supondo-o. Mónica (nunca faz a coisa por menos) louva-se logo de início em Lyton Strachey que, em 1918, "escandalizou a sociedade inglesa com a publicação de Eminent Victorians porque, diz ela, "destruía a reputação de quatro heróis britânicos". Se alguma coisa os últimos transportes da Mónica têm vindo metodicamente a destruir é a reputação intelectual dela. Há anos, de Londres, vim carregado de Strachey incluindo a sua excelente biografia (e de uma época), de Michael Holroyd, por causa da Mónica. Ela tinha-me "apresentado" o figurão num livro qualquer. Hoje, tristemente, constato que nada do que a Mónica escreve ou diz acrescenta um átomo ao que me interessa da vida. O defeito será meu e o castigo do tempo encarrega-se do resto. O livro custou-me mais do que devia ter custado. Vendo-o por cinco euros. Sempre dá para pagar metade da espreguiçadeira de um dia no Vau.

UM MUNDO PERFEITO?

«O movimento migratório dos roma tornou-se um "problema europeu".» Exactamente. E agora é preciso resolvê-lo. A livre circulação de pessoas e bens, garantida pelos tratados, não inclui - parece-me - a livre circulação de gandulos. Os gandulos podem ser de qualquer cor ou raça e, manifestamente, não são meus "iguais". Nem em direitos, nem em deveres que é uma coisa que desprezam à bala se for preciso. A praga do "multiculturalismo" criou umas teias de aranha na cabeça de alguma gente e existe um receio generalizado de "ferir susceptibilidades" e de perder votinhos. Haverá decerto demasiada injustiça em muita coisa. Mas um mundo perfeito é apenas o nome de um filme de Clint Eastwood. Para respeitar a dignidade da pessoa humana é necessário previamente confirmar que é mesmo pessoa e humana. E que, olhando a direito, vê mais pessoas humanas e não meros objectos de cobiça. Quem não entende isto, meta explicador e deixe-se de tretas demagógicas.

UM MUNDO PERFEITO?

«O movimento migratório dos roma tornou-se um "problema europeu".» Exactamente. E agora é preciso resolvê-lo. A livre circulação de pessoas e bens, garantida pelos tratados, não inclui - parece-me - a livre circulação de gandulos. Os gandulos podem ser de qualquer cor ou raça e, manifestamente, não são meus "iguais". Nem em direitos, nem em deveres que é uma coisa que desprezam à bala se for preciso. A praga do "multiculturalismo" criou umas teias de aranha na cabeça de alguma gente e existe um receio generalizado de "ferir susceptibilidades" e de perder votinhos. Haverá decerto demasiada injustiça em muita coisa. Mas um mundo perfeito é apenas o nome de um filme de Clint Eastwood. Para respeitar a dignidade da pessoa humana é necessário previamente confirmar que é mesmo pessoa e humana. E que, olhando a direito, vê mais pessoas humanas e não meros objectos de cobiça. Quem não entende isto, meta explicador e deixe-se de tretas demagógicas.

TROPICALIDADES




«A corja a serviço de uma causa política coloca o Estado como mero provedor de informações estratégicas para seu projeto de poder.» Estou mais ou menos como a Alice no país das maravilhas (é o que são actualmente o Brasil e o Portugal "corporativos") - isto diz-me qualquer coisa mas não sei bem o que é.

TROPICALIDADES




«A corja a serviço de uma causa política coloca o Estado como mero provedor de informações estratégicas para seu projeto de poder.» Estou mais ou menos como a Alice no país das maravilhas (é o que são actualmente o Brasil e o Portugal "corporativos") - isto diz-me qualquer coisa mas não sei bem o que é.

25.8.10

TRISTE SINA

A Papelaria Fernandes fazia parte da paisagem. Fez, de gerações que iam lá em busca do material requerido obrigatoriamente por uma escola que entretanto também morreu. Parece que tudo o que era está rapidamente a deixar de ser. E o que está ou vem é sempre em pior - bruto, massificado, indiferente. Triste sina.

TRISTE SINA

A Papelaria Fernandes fazia parte da paisagem. Fez, de gerações que iam lá em busca do material requerido obrigatoriamente por uma escola que entretanto também morreu. Parece que tudo o que era está rapidamente a deixar de ser. E o que está ou vem é sempre em pior - bruto, massificado, indiferente. Triste sina.

A EFÍGIE

O que a Carla quer dizer é que quem se arrepende é fraco duas vezes. Isto é do Nietzsche e resume bem Lobo Antunes e os pobres prosélitos que o imaginam a literatura portuguesa.

A EFÍGIE

O que a Carla quer dizer é que quem se arrepende é fraco duas vezes. Isto é do Nietzsche e resume bem Lobo Antunes e os pobres prosélitos que o imaginam a literatura portuguesa.

SINISTRO

Sócrates apareceu hoje a destilar o seu arrepiante optimismo por todos os poros. Até falou da "história dos povos" como se a conhecesse. Persiste perigosamente sinistro.

SINISTRO

Sócrates apareceu hoje a destilar o seu arrepiante optimismo por todos os poros. Até falou da "história dos povos" como se a conhecesse. Persiste perigosamente sinistro.

TERNOS GUERREIROS


Várias vezes, neste blogue, perguntei por que é que a Guimarães não reeditava este livro de Agustina, datado de 1959. Afinal, Paulo Teixeira Pinto e a sua babel (que absorveu a Guimarães e outras editoras) atenderam finalmente o pedido. O preço é pornográfico - 25 euros - mas é uma Agustina vintage. Melhor, evidentemente, do que qualquer revisão constitucional onde não se aprende nada.

TERNOS GUERREIROS


Várias vezes, neste blogue, perguntei por que é que a Guimarães não reeditava este livro de Agustina, datado de 1959. Afinal, Paulo Teixeira Pinto e a sua babel (que absorveu a Guimarães e outras editoras) atenderam finalmente o pedido. O preço é pornográfico - 25 euros - mas é uma Agustina vintage. Melhor, evidentemente, do que qualquer revisão constitucional onde não se aprende nada.

O PEDAÇO DE CARNE

Bamboleiam-se quatro candidatos presidenciais inverosímeis no "terreno". Há quem sonhe com um quinto, das bandas direitas, para fazer o papel do pedaço de carne que os larápios atiram ao cão enquanto assaltam a casa. A imagem é da literatura e pertence a um ilustre ensaísta - e não só -, T. S. Eliot. Mas serve perfeitamente para não recorrer ao estafado "idiota". Inútil, para o caso.

O PEDAÇO DE CARNE

Bamboleiam-se quatro candidatos presidenciais inverosímeis no "terreno". Há quem sonhe com um quinto, das bandas direitas, para fazer o papel do pedaço de carne que os larápios atiram ao cão enquanto assaltam a casa. A imagem é da literatura e pertence a um ilustre ensaísta - e não só -, T. S. Eliot. Mas serve perfeitamente para não recorrer ao estafado "idiota". Inútil, para o caso.

A SEDUTORA SITA


O livro da foto, da autoria de Leonor Figueiredo, foi lançado no dia em que Sita Valles faria 59 anos. Só hoje estará à venda nas livrarias. Sita foi militante e dirigente do PCP e da UEC, antes e depois do 25 de Abril, ao lado de gente como Zita Seabra, José Magalhães ou a "Geninha" Varela Gomes. Em 1972, Sita, com apenas 2o anos - quem é que hoje, aos 20 anos, podia ser assim ou assado a não ser genericamente idiota? - reactiva, sob a orientação de Zita Seabra, a célula da UEC na faculdade de medicina de Lisboa. Foram, além de camaradas, amigas. Teria um lado aventureiro que a ortodoxia de Zita não acompanhava. Era, nas suas palavras, uma sedutora. No 25 de Abril estava em Moscovo, no congresso do Komsomol, em representação da UEC de que viria a ser destacada dirigente até trocar a revolução doméstica - que Sita achava estar feita, aqui, pelo PC - pela angolana. Considerava-se angolana e queria partir para fazer a mítica revolução. Partiu, contra a opinião de Zita e, provavelmente, de Carlos Brito e de Cunhal com quem se reuniram para a tentar demover. E Sita foi em Julho de 1975, em pleno Prec caseiro, para não mais voltar. O resto da história, até ao seu impiedoso fuzilamento a mando do "humanista" Agostinho Neto, vem, tanto quanto foi possível recolhê-la, no livro de Leonor Figueiredo. Muita gente recusou-se a colaborar com a autora e, no PC, o assunto é, como outros, aparentemente tabu. Sita Valles, como sugeriu Zita Seabra, podia hoje estar a exercer medicina cá ou em Angola ou, mesmo, ter passado por um governo qualquer do PS ou do PSD. Não está. Jamais se saberá que história teria para contar.

Adenda: No lançamento apresentou-se-me uma "admiradora" insuspeita, a Lourdes Féria. Só lhe posso agradecer a gentileza nestes tempos sombrios em que tanta gente deixou de me "conhecer".

A SEDUTORA SITA


O livro da foto, da autoria de Leonor Figueiredo, foi lançado no dia em que Sita Valles faria 59 anos. Só hoje estará à venda nas livrarias. Sita foi militante e dirigente do PCP e da UEC, antes e depois do 25 de Abril, ao lado de gente como Zita Seabra, José Magalhães ou a "Geninha" Varela Gomes. Em 1972, Sita, com apenas 2o anos - quem é que hoje, aos 20 anos, podia ser assim ou assado a não ser genericamente idiota? - reactiva, sob a orientação de Zita Seabra, a célula da UEC na faculdade de medicina de Lisboa. Foram, além de camaradas, amigas. Teria um lado aventureiro que a ortodoxia de Zita não acompanhava. Era, nas suas palavras, uma sedutora. No 25 de Abril estava em Moscovo, no congresso do Komsomol, em representação da UEC de que viria a ser destacada dirigente até trocar a revolução doméstica - que Sita achava estar feita, aqui, pelo PC - pela angolana. Considerava-se angolana e queria partir para fazer a mítica revolução. Partiu, contra a opinião de Zita e, provavelmente, de Carlos Brito e de Cunhal com quem se reuniram para a tentar demover. E Sita foi em Julho de 1975, em pleno Prec caseiro, para não mais voltar. O resto da história, até ao seu impiedoso fuzilamento a mando do "humanista" Agostinho Neto, vem, tanto quanto foi possível recolhê-la, no livro de Leonor Figueiredo. Muita gente recusou-se a colaborar com a autora e, no PC, o assunto é, como outros, aparentemente tabu. Sita Valles, como sugeriu Zita Seabra, podia hoje estar a exercer medicina cá ou em Angola ou, mesmo, ter passado por um governo qualquer do PS ou do PSD. Não está. Jamais se saberá que história teria para contar.

Adenda: No lançamento apresentou-se-me uma "admiradora" insuspeita, a Lourdes Féria. Só lhe posso agradecer a gentileza nestes tempos sombrios em que tanta gente deixou de me "conhecer".

KIM-IL- CAMPOS CANAS SILVEIRISMO


«A Estradas de Portugal nunca esteve tão saudável como está agora". Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas, em entrevista ao Público, edição de 23 de Agosto, pág. 18. É que a "empresa terá um conjunto de receitas que lhe permitirão satisfazer os encargos da dívida... a 60 ou 70 anos..."!...!...!...!... O Ministro da Propaganda de Saddam Hussein era um aprendiz. Este homem vê longe. E Sócrates pode dormir descansado: criou escola e descendência a condizer.»

Pinho Cardão, 4R- Quarta República