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28.12.12

A ideia de Agustina


 


Este ano Agustina Bessa-Luís completou 90 anos. Está na minha paisagem desde muito cedo. Frequentei a sua casa ao Campo Alegre. Falámos de "caminhos minuciosos e incabados" que é a melhor forma de descrever a sua escrita. É porventura, já o disse, uma enorme ironista cujos contos, romances ou ensaios exploram, na chamada "natureza humana" e nas suas "relações", aquilo que Henry Miller escreveu a propósito de Rimbaud: «se fores capaz de ser um verme, serás também capaz de ser um Deus.» Este dia, útil, também coincide com o fim de uma etapa. Mas é Agustina quem nos ensina que, do fim, «o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa».

15.10.12

Agustina



Agustina Bessa-Luís completa hoje noventa anos. A dedicatória na sua Florbela fala da «lembrança duma conversa de longos caminhos minuciosos e inacabados.» Foi no Porto, no Campo Alegre, na casa com vista para o Douro. É, porventura, o mais ironista dos nossos romancistas contemporâneos da mesma forma que Manoel de Oliveira é o criador mais ironista do cinema português.

31.5.12

Livros no Porto

Abre hoje no Porto a feira do livro. Dedicam-na à poesia e a Agustina. Foi há muitos anos que Agustina - que fui entrevistar à sua casa do Campo Alegre - me deu o número de telefone de Eugénio de Andrade. Liguei-lhe de uma cabine pública. Não havia telemóveis. Ninguém atendeu. E assim ficámos neste desencontro eterno que é, talvez, um termo possível para a poesia.


 


As palavras que te envio são interditas


até, meu amor, pelo halo das searas;


se alguma regressasse, nem já reconhecia


o teu nome nas suas curvas claras.


 


Dói-me esta água, este ar que se respira,


dói-me esta solidão de pedra escura,


estas mãos nocturnas onde aperto


os meus dias quebrados na cintura.


 


E a noite cresce apaixonadamente.


Nas suas margens nuas, desoladas,


cada homem tem apenas para dar


um horizonte de cidades bombardeadas.

25.8.10

TERNOS GUERREIROS


Várias vezes, neste blogue, perguntei por que é que a Guimarães não reeditava este livro de Agustina, datado de 1959. Afinal, Paulo Teixeira Pinto e a sua babel (que absorveu a Guimarães e outras editoras) atenderam finalmente o pedido. O preço é pornográfico - 25 euros - mas é uma Agustina vintage. Melhor, evidentemente, do que qualquer revisão constitucional onde não se aprende nada.

TERNOS GUERREIROS


Várias vezes, neste blogue, perguntei por que é que a Guimarães não reeditava este livro de Agustina, datado de 1959. Afinal, Paulo Teixeira Pinto e a sua babel (que absorveu a Guimarães e outras editoras) atenderam finalmente o pedido. O preço é pornográfico - 25 euros - mas é uma Agustina vintage. Melhor, evidentemente, do que qualquer revisão constitucional onde não se aprende nada.

15.10.09

CAMINHOS MINUCIOSOS E INACABADOS


Agustina Bessa-Luís faz hoje oitenta e sete anos. A dedicatória tem vinte e quatro e fala da «lembrança duma conversa de longos caminhos minuciosos e inacabados.» Foi no Porto, em Campo Alegre, na casa com vista para o rio. Parabéns.

CAMINHOS MINUCIOSOS E INACABADOS


Agustina Bessa-Luís faz hoje oitenta e sete anos. A dedicatória tem vinte e quatro e fala da «lembrança duma conversa de longos caminhos minuciosos e inacabados.» Foi no Porto, em Campo Alegre, na casa com vista para o rio. Parabéns.

10.10.07

O LIVRO DE AGUSTINA



Recordo, de um frio Janeiro de 1986, uma conversa até à hora do almoço com Agustina na sua casa de Campo Alegre. Falámos do então novo livro sobre "a monja de Lisboa" e de muitas peripécias do país. Com um sentido de humor invejável, Agustina discorria sobre gente conhecida e desconhecida com a mesma facilidade com que enxotava o cão da nossa presença. Recordámos essa manhã, há três ou quatro anos, na feira do livro de Lisboa. À medida que avanço na idade e no meu desconhecimento do ser humano - gente que eu julgava que conhecia - interrogo-me se esses "humanos" não passam de ficção e se os "humanos" dos livros de Agustina não são, afinal, a realidade. Decididamente o "humano" não é o meu vício.

O LIVRO DE AGUSTINA



Recordo, de um frio Janeiro de 1986, uma conversa até à hora do almoço com Agustina na sua casa de Campo Alegre. Falámos do então novo livro sobre "a monja de Lisboa" e de muitas peripécias do país. Com um sentido de humor invejável, Agustina discorria sobre gente conhecida e desconhecida com a mesma facilidade com que enxotava o cão da nossa presença. Recordámos essa manhã, há três ou quatro anos, na feira do livro de Lisboa. À medida que avanço na idade e no meu desconhecimento do ser humano - gente que eu julgava que conhecia - interrogo-me se esses "humanos" não passam de ficção e se os "humanos" dos livros de Agustina não são, afinal, a realidade. Decididamente o "humano" não é o meu vício.