10.5.10

AS EFÍGIES



O PR recebe hoje, a despeito da opinião de "vultos" inúteis como o "abrilista" Lourenço, uns quantos antigos ministros das finanças que o foram neste regime e que, embora alguns não pareçam, ainda estão vivos. Dos que lá vão, apenas destaco Campos e Cunha e Pina Moura. Começo pelo antigo cardeal do bonzinho Guterres. Aqui é-se insuspeito de gostar politicamente dele. Mas deve-se-lhe, antes da queda no pântano, o alerta feito ao dito bonzinho (que nessa altura já não ouvia nada nem ninguém) acerca da necessidade de um módico de realismo. Saiu e ficou no seu lugar esse ícone Oliveira Martins a quem Guterres havia pedido que encontrasse um substituto para Pina disposto a beber a sicuta até final. Martins fez de conta que andou à procura e acabou por se oferecer para ter mais essa fraca medalha no currículo. A paga é conhecida. Martins anda para aí a fingir que combate o despesismo público e a corrupção com meia dúzia de prosélitos e muito papel. Campos e Cunha teve a infelicidade de não perceber com quem se tinha metido em 2005. Julgava que podia impedir a demagogia betoneira, Lino e a propaganda barata do PS "moderno" de Sócrates que começara lá atrás, com os dez estádios do Euro 2004, e prossegue com a treta do TGV para uns míticos 9 milhões (?) de passageiros. Isolaram-no, evidentemente, e após três meses foi-se embora. Teixeira dos Santos só não engrossa esta "embaixada" porque não pode. O exercício vale o que vale até porque os presentes - Cavaco incluído - tiveram responsabilidades no estado a que isto chegou. Mas vale enquanto gesto simbólico daquilo que o país precisa - uma ditadura do ministro das finanças - e que, par délicatesse pseudo-democrática e bruxelense, não pode ter. Em certo sentido eles representam a voz do comendador da ópera de Mozart e nós, com Sócrates ao leme, o leviano Don Giovanni. Quem conhece a ópera sabe perfeitamente como é que acaba.

clip: Samuel Ramey, Kurt Möll e Ferruccio Furlanetto, respectivamente Don Giovanni, O Comendador e Leporello (Mozart, Don Giovanni)

8 comentários:

Anónimo disse...

Todos estes palhaços dos últimos 15 anos, sejam os chefes ou os contabilistas, jamais souberam o que queriam para Portugal e para onde o conduziam. Sabiam apenas o que queriam para o bolsinho e o partidinho. Até porque há muito que o País deixou de ser a motivação de quem quer o poder. Devia ser levada a efeito uma espécie de Nuremberga nacional, com um longuíssimo friso de réus e o correspondente castigo. Sem castigo exemplar voltaremos rapidamente ao carnavalesco crime das contas públicas - e privadas.

Ass.: Besta Imunda

Garganta Funda disse...

A crise que está instalada em Portugal tem barbas como o anúncio do brandy Constantino.

A sua fama já vem de longe.

Esta crise não é atribuível às cinzas vulcânicas, às alterações climáticas, ao «gonçalvismo», à «pesada herança» ou mesmo à famigerada crise financeira internacional.

Desde há duas décadas a esta parte a «nossa« classe politica destrui tudo o que havia para destruir; abotou-se e abotou bem os seus amigos partidários e empresários; empregou os filhos e os afilhados; reformou douradamente toda a nomemklatura regimental; entregou aos amigos os bons concursos e os bons negócios; esfolou os contribuintes em geral e a classe média em particular; sustentou todo o tipo de lobbyes, desde o lobby gay até ao loby do vinho carrascão.

Agora estamos perante a realidade. Nua e crua.

Grande parte dessa embaixada que ruma a Belém. inclusivé o seu esforçado anfitrião, também é responsável pela bancarrota do país.

A solução tem que ser radical: confiscar e expropriar os responsáveis pelos déficits e roubalheiras.

Não há privilégios eternos.

Também o Rei-Sol e a Maria Antonieta, e bem assim toda a corte de parasitas e proxenetas, pensavam que tinham o direito de usufruir alarvemente do esforço e trabalho dos outros.

E todos nós sabemos como acabaram...

Nuno Castelo-Branco disse...

Mas ditadura de qual ministro das finanças? Deste que ataca no aumento de impostos e que não corta a despesa, nem as inacreditáveis mordomias de que o "Esquema" beneficia? Deste que faz figura de rico com o TGV? Não acredito.

Anónimo disse...

Luís XVI e Maria Antonieta, ao menos, nasceram na total noção, natural, de que eram semi-divinos e que a França e seus ocupantes lhes pertenciam por direito - também divino - totalmente inquestionável. Desse ponto de vista não passavam de crianças mimadas e, depois, de adultos ignorantes e impreparados. É bom também referir que a labreguice revolucionária, que clamava "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", não considerava como iguais os escravos, os índios, os pretos, os estrangeiros etc, sendo que essas coisas da igualdade eram para eles, povaréu reles-terceiro estado, apenas para os que eram "mais iguais" que os outros. No caso do vasto gang que nos tem roubado sistematicamente nos últimos 20 a 15 anos, essas desculpas não existem. Eles sim, estão ao nível duma clique do tipo nazi que consciente e deliberadamente, e às vezes pagos por "parceiros da união", tem saqueado e destruído o país. Quem teve conhecimento das coisas e não falou é quase tão culpado como eles. Parafraseando o Bispo de Caffa no séc. XIV (ou lá quem foi) "matai-os a todos, Deus destinguirá os seus!"

Ass.: Besta Imunda

Eduardo F. disse...

A "ditatura" do Ministro das Finanças é automática se a exigência de que o orçamento de estado seja equilibrado ou superavitário, tiver força de lei e proibidas forem todas as práticas de desorçamentação.

Ljubljana disse...

Isto é tudo um fogo-fátuo; portugal, europa, euro, este intencional bailout. A reacção dos mercados não é mais do que um espasmo involuntário deste todo moribundo que atingiu o nosso tão querido humanismo secular.

Anónimo disse...

Só agora vejo e oiço o seu video-clip,e ia começar a achar extraordinário que só comentassem politiquezas e nada sobre a extraordinária prestação do Kurt Moll. Desde o Talvela(Böhm,67) que não ouvia um intérprete desta qualidade, sonoridade,facilidade de emissão das notas mais graves. Notável. E incompreensivel que aparentemente o DVD respectivo não esteja disponivel. Mas dizia eu que estava prestes a espantar-me com a limitação dos comentários. Lembrei-me depois que navegava na nossa blogosfera,e tudo se tornou claro. Mais uma vez obrigado pela descoberta. Vou fazer campanha para a edição ou reedição do DVD,embora não seja grande entusiasta do Ramey. Ia ainda dizer que o Mozart e o Don Giovanni ficam e os politicozecos desaparecem,mas não vale a pena.

Unreal disse...

Eu era capaz de jurar que tinha comentado a excelência do desempenho de Möll nesta peça há uns dias...
Mas redigo-o então: a prestação de Möll e Ramey nesta peça está deslumbrante. Infelizmente, apenas pode ser acompanhada no YouTube, onde existe, se não me engano e se não falhei nada, na íntegra. O MET também o tem disponível para ver no site. DVD, infelizmente, ainda não há.