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2.2.07

CENAS DE ÓPERA


Como o Augusto M. Seabra não tem link nem blogue, e com a devida vénia e amizade, furto-lhe um pedaço do seu artigo "O golpe anunciado em São Carlos", publicado no suplemento "6ª" do Diário de Notícias. Ao almoço, por mero acaso, discuti o assunto com uma amiga que acredita que o pai natal vive na Ajuda e, pior do que isso, durante todo o ano. Mário Vieira de Carvalho tem um "pensamento" para o teatro de ópera nacional? Terá. Basta ler o que tem escrito desde a célebre tese de doutoramento preparada na falecida RDA - justamente sobre o São Carlos - até coisas mais recentes, para perceber o que lhe vai na alma. Paolo Pinamonti está claramente fora desse "pensamento" e dessa "estratégia" como, num "momento Manuel Pinho", o "compositeur portugais" Emmanuel Nunes eloquentemente enunciou numa entrevista. Enquanto Carvalho por enquanto se cala, o génio Nunes encarregou-se de, por ele, "pôr a boca no trombone". O "nacionalismo", em matéria operática, costuma dar asneira. É que, ao contrário (para não ir mais longe) dos nossos vizinhos espanhóis, por cá só existe um (1) teatro de ópera. Julgo que dispensa o experimentalismo tardio do prof. Carvalho.

"A "fragatada" no Dona Maria foi apenas o começo da concentração programática e programada dos organismos artísticos no comissário geral Vieira de Carvalho. Na linguagem tecnocrática vigente, o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), deu-lhe outro instrumento. Subscrevo os objectivos deste governo, de esforço da contenção orçamental e de racionalização da administração pública. mas perante cegueiras como a da nova orgânica do Ministério da Cultura, o PS só pode dizer uma coisa: "Volta Manuela Ferreira Leite, estás perdoada". Entre extinções e fusões, agora muito mais drásticas, criam-se organismos monstruosos e inoperacionais. Como foi patente na entrevista de Vieira de Carvalho ao DN, a criação da Oparte, reunindo o São Carlos e a CNB, é mais outro passo para o que ele pormenoriza: o poder directamente em São Carlos. Desde apontar comparações com a Ópera de Paris, como se esta não tivesse dois teatros, e sobretudo como se ignorasse que um problema estrutural do São Carlos é a falta de sala de ensaios, até dizer que a Tetralogia em curso deverá ir ao Porto ao Coliseu (e por acaso já perguntou ao encenador se concorda, ou acha que Graham Vick é um serviçal?), que lá por ser uma zona de influência do favorito Jorge Vaz de Carvalho, não deixa de ser privado e fora das competências do ministério, nada falta para o golpe estar final: afastar um director artístico como Paolo Pinamonti para que o São Carlos seja finalmente conforme ao comissário geral, Mário Vieira de Carvalho"

CENAS DE ÓPERA


Como o Augusto M. Seabra não tem link nem blogue, e com a devida vénia e amizade, furto-lhe um pedaço do seu artigo "O golpe anunciado em São Carlos", publicado no suplemento "6ª" do Diário de Notícias. Ao almoço, por mero acaso, discuti o assunto com uma amiga que acredita que o pai natal vive na Ajuda e, pior do que isso, durante todo o ano. Mário Vieira de Carvalho tem um "pensamento" para o teatro de ópera nacional? Terá. Basta ler o que tem escrito desde a célebre tese de doutoramento preparada na falecida RDA - justamente sobre o São Carlos - até coisas mais recentes, para perceber o que lhe vai na alma. Paolo Pinamonti está claramente fora desse "pensamento" e dessa "estratégia" como, num "momento Manuel Pinho", o "compositeur portugais" Emmanuel Nunes eloquentemente enunciou numa entrevista. Enquanto Carvalho por enquanto se cala, o génio Nunes encarregou-se de, por ele, "pôr a boca no trombone". O "nacionalismo", em matéria operática, costuma dar asneira. É que, ao contrário (para não ir mais longe) dos nossos vizinhos espanhóis, por cá só existe um (1) teatro de ópera. Julgo que dispensa o experimentalismo tardio do prof. Carvalho.

"A "fragatada" no Dona Maria foi apenas o começo da concentração programática e programada dos organismos artísticos no comissário geral Vieira de Carvalho. Na linguagem tecnocrática vigente, o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), deu-lhe outro instrumento. Subscrevo os objectivos deste governo, de esforço da contenção orçamental e de racionalização da administração pública. mas perante cegueiras como a da nova orgânica do Ministério da Cultura, o PS só pode dizer uma coisa: "Volta Manuela Ferreira Leite, estás perdoada". Entre extinções e fusões, agora muito mais drásticas, criam-se organismos monstruosos e inoperacionais. Como foi patente na entrevista de Vieira de Carvalho ao DN, a criação da Oparte, reunindo o São Carlos e a CNB, é mais outro passo para o que ele pormenoriza: o poder directamente em São Carlos. Desde apontar comparações com a Ópera de Paris, como se esta não tivesse dois teatros, e sobretudo como se ignorasse que um problema estrutural do São Carlos é a falta de sala de ensaios, até dizer que a Tetralogia em curso deverá ir ao Porto ao Coliseu (e por acaso já perguntou ao encenador se concorda, ou acha que Graham Vick é um serviçal?), que lá por ser uma zona de influência do favorito Jorge Vaz de Carvalho, não deixa de ser privado e fora das competências do ministério, nada falta para o golpe estar final: afastar um director artístico como Paolo Pinamonti para que o São Carlos seja finalmente conforme ao comissário geral, Mário Vieira de Carvalho"

31.1.07

DOMINGO


Uma vez, numa entrevista, Teresa Berganza - essa genial intérprete espanhola e mulher com uma alegria e uma inteligência interpretativa notáveis - disse que os três maiores fenómenos musicais do século passado eram, na sua opinião, Herbert von Karajan, Maria Callas e o seu compatriota Plácido Domingo. Passaram todos por cá, em momentos diversos. Karajan no Coliseu, a Callas e Domingo no São Carlos e este, também, no estádio do Belenenses. É uma boa notícia, no meio do deserto, o anúncio de um concerto de Domingo, em Abril, no Pavilhão Atlântico. Por mais "popularucho" que o concerto venha a ser, constituirá decerto uma derradeira oportunidade - para quem nunca teve esse privilégio - de ver e ouvir um dos grandes músicos dos nossos tempos. Espero que não seja exclusivo para múmias convidadas que não sabem distinguir Wagner de Schönberg ou Verdi de Donizetti.

DOMINGO


Uma vez, numa entrevista, Teresa Berganza - essa genial intérprete espanhola e mulher com uma alegria e uma inteligência interpretativa notáveis - disse que os três maiores fenómenos musicais do século passado eram, na sua opinião, Herbert von Karajan, Maria Callas e o seu compatriota Plácido Domingo. Passaram todos por cá, em momentos diversos. Karajan no Coliseu, a Callas e Domingo no São Carlos e este, também, no estádio do Belenenses. É uma boa notícia, no meio do deserto, o anúncio de um concerto de Domingo, em Abril, no Pavilhão Atlântico. Por mais "popularucho" que o concerto venha a ser, constituirá decerto uma derradeira oportunidade - para quem nunca teve esse privilégio - de ver e ouvir um dos grandes músicos dos nossos tempos. Espero que não seja exclusivo para múmias convidadas que não sabem distinguir Wagner de Schönberg ou Verdi de Donizetti.