Quando comecei a "lidar" com impostos, li muitas coisas do dr. Freitas Pereira até porque escolhi como tema de trabalho final como inspector estagiário o lucro. Aliás, ele tinha passado como dirigente da Inspecção-Geral de Finanças um pouco antes de eu lá ter dado entrada e, literalmente, "revolucionou" o sector do controlo dos serviços tributários ao mesmo tempo que ajudou a preparar a grande reforma dos impostos cedulares que deu lugar ao IRS e ao IRC. Reeencontro hoje o dr. Freitas Pereira sob a forma de um artigo acerca da "reforma do IRC". E a conversa só me interessa porque a "reforma do IRC" foi transformada numa "comissão" e a "comissão" apareceu na sequência de o então ministro da economia, Álvaro Santos Pereira, ter "ousado" antecipar a calibragem em alguns passos a dita "reforma". A "história", presumo, será contada pelo próprio num livrinho lá para o natal. Freitas Pereira acaba por concluir que «esta reforma do IRC não é a que o País necessita: provocará uma elevada erosão das receitas fiscais, que, na situação difícil em que estão as finanças públicas, terá de ser paga pelo resto dos contribuintes, erosão que não está demonstrado que vá ser compensada por efeitos positivos sobre o investimento e o emprego. Por isso e também por, em muitos aspectos, ir contra as tendências e recomendações internacionais mais recentes, não me parece que possa garantir a estabilidade de que o sistema fiscal português tanto carece.» Dá que pensar.
«Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida.» Adélia Prado
26.8.13
31.5.13
As famílias Adams
Há muitos anos que trabalho - no Estado, atenção, e não propriamente em nenhuma garagem de luxo de advogados - em torno de impostos, da sua administração e controlo. Também os pago, evidentemente. Por tudo (e, de uma forma geral, por manifesta náusea em relação a segregações sociais encapotadas e demagógicas), não posso deixar de concordar com Os Comediantes: «vir agora com a treta de baixar o IRS a famílias que dispõem de um rendimento acima da média só porque têm muitos filhos, por favor, vão dar banho ao cão, ok?»
9.5.13
Já chega
Estive, com a ajuda de uma amiga, a declarar electronicamente os meus rendimentos e os da minha mãe, pensionista, para efeitos de IRS. Só tenho os do trabalho dependente porque, apesar de não ter recebido um cêntimo de direitos de autor, o anexo correspondente tinha de levar um zero (0). E a minha mãe deve declarar um valor que não recebe (pois reverte para o condomínio) de uma das fracções do prédio que é propriedade comum. Em suma, estamos a falar tão somente de salário e pensão. A minha amiga "simulou" o imposto a pagar no fim da operação. Ora aqui fica-se com a sensação de um tremendo assalto à mão armada perpetrado, não a mim, mas à pensionista de oitenta e muitos anos por via imaterial. Acho que já chega disto.
14.2.13
Questões de bom senso
Ouvi atentamente Luís Marques Mendes na tvi24. Falou da fiscalidade - um tema em voga pela parafernália de "olhares" que tem merecido -, sobretudo por causa da descida da taxa do IRC, uma proposta atempadamente considerada pelo Ministro da Economia (sim, eu sei), cá e em Bruxelas onde não consta que, afinado um ou outro pormenor, não tivesse obtido "luz verde". Todavia, em breve, a chamada "comissão L. Xavier" dirá de sua justiça e, provavelmente, a seguir ( os dias portugueses às vezes levam meses a chegar) haverá mudanças nesta matéria. Matéria, como notou Marques Mendes, decisiva para tratar de coisas como o emprego e a economia propriamente dita. Dezoito, disse ele, foi o número das alterações ao IRC desde que o Código foi aprovado, enquanto noutros países europeus quando muito duas bastaram. A instablidade fiscal é um mal que dá cabo de qualquer perspectiva de uma "ecologia" económica - quer do lado das empresas, quer, por tabela, pelo lado dos trabalhadores - equilibrada. A taxa do IRC é elevadíssima para essa "ecologia" e foi sobretudo nesse sentido que as alterações se fizeram. Razão pela qual o contributo do IRC para a receita fiscal global tenha sido sempre pouco acima de medíocre. A burocracia rapace também não ajuda. Porque em Portugal o que é "grande" safa-se. Mas é o pequeno, o médio e, até, o individual quem ainda mantém essa "ecologia" viva. O infeliz episódio da "factura" (criticado com inteligência por M. Mendes) é, por consequência, mais político (e social) do que "técnico", independentemente de qualquer imagem ou ironia mais ou menos feliz. A complacência com a "sovietização", voluntária ou involuntária, da vida das pessoas ou das empresas é incompatível com o elementar bom senso político. E, no limite, com uma "tradição" não socialista da governação.
3.1.13
Uma factura portuguesa
De manhã, no rádio, ouvi um comerciante dizer que tinha "investido" dez mil (10.000) euros nas famosas máquinas que vomitam facturas. Em média, cada coisa dessas custa entre mil a mil e quinhentos euros. Há clientes que debitam praticamente a vida deles toda para a dita factura e, depois de juntarem milhares e milhares delas, "deduzem" tamanha magnificência no imposto a pagar. Como a dedução tem um limite, quer quanto às actividades dedutíveis, quer quanto ao montante a deduzir (ridículo), é mais o tempo que os comerciantes perdem a preencher os "dados" do que a trabalhar naquilo que lhes interessa, e aos clientes. Aparentemente já está destacada uma brigada - hoje é dia 3 de Janeiro - para "verificar" se as maquinetas estão todas no sítio e a cumprir a sua notável missão patriótica. Se não estiverem, a coima pode ir até 3 mil e quinhentos euros. Como o país "vive" do pequeno e do médio comércio, ça va de soi.
28.8.11
PRINCÍPIO, MEIO E FIM
Medeiros Ferreira, Córtex Frontal
«Os nossos ricos nunca se distinguiram pela sua riqueza, nem aliás (tirando meia dúzia de excepções) por qualquer virtude económica ou cívica. Não criaram empresas, não fizeram o menor gesto filantrópico (fora o velho Champalimaud), náo intervieram inteligentemente na vida do país. E, quando as coisas se tornavam complicadas, em geral fugiam.»
Vasco Pulido Valente, Público
PRINCÍPIO, MEIO E FIM
Medeiros Ferreira, Córtex Frontal
«Os nossos ricos nunca se distinguiram pela sua riqueza, nem aliás (tirando meia dúzia de excepções) por qualquer virtude económica ou cívica. Não criaram empresas, não fizeram o menor gesto filantrópico (fora o velho Champalimaud), náo intervieram inteligentemente na vida do país. E, quando as coisas se tornavam complicadas, em geral fugiam.»
Vasco Pulido Valente, Público
10.7.10
MITOLOGIAS

MITOLOGIAS

28.6.10
O PACOTE

O PACOTE

17.6.10
UM BELO SALTO
UM BELO SALTO
4.8.09
"QUE QUER ISTO SIGNIFICAR?"
"QUE QUER ISTO SIGNIFICAR?"
3.8.09
LUMINÁRIAS EXCELENTÍSSIMAS

LUMINÁRIAS EXCELENTÍSSIMAS

21.4.09
MAIS UM ABORTO

MAIS UM ABORTO
