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12.2.07

LER OS OUTROS

Escrever isto, em 2007:

"Acordar

com a sensação de que a longa noite obscurantista chegou ao fim."

Nem dois pares de estalos serviam para a acordar da "longa noite" que vagueia na cabeça dela, se é que a tem. Outro a precisar de duas bofetadas - estas posso dar-lhas porque é meu amigo - é este. Oh rapaz, a "formiga branca" e a "carbonária", só mesmo nos livros de história. E a um cosmopolita como tu fica mal tanto jacobinismo demodée.

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Escrever isto, em 2007:

"Acordar

com a sensação de que a longa noite obscurantista chegou ao fim."

Nem dois pares de estalos serviam para a acordar da "longa noite" que vagueia na cabeça dela, se é que a tem. Outro a precisar de duas bofetadas - estas posso dar-lhas porque é meu amigo - é este. Oh rapaz, a "formiga branca" e a "carbonária", só mesmo nos livros de história. E a um cosmopolita como tu fica mal tanto jacobinismo demodée.

29.1.07

TÃO COISA NENHUMA

Há muitos anos, num livrinho da maior utilidade para percebermos com que raça lidamos, Jorge Dias definiu, tanto quanto pôde, "o carácter nacional português". Chamou à raça "contraditória e paradoxal", a querer sempre o mesmo e o seu contrário. Se ele cá voltasse, andaria por aí a rir-se, pelo menos, durante quinze dias. Vejam-se, por exemplo, as sondagens, as "honestas" e as outras, ou os "movimentos de opinião". O tuga quer o aborto liberalizado até às dez semanas de gestação, mas acha que as mulheres não devem ter a última palavra e que, a final, a coisa é mesmo crime. O tuga detesta o governo e as suas "medidas", mas acha sublimes o senhor engenheiro e o PS. O tuga abomina o antigo regime e o PC, mas está à beira de eleger Salazar e Cunhal como dois "grandes portugueses". O tuga derrama honestas lágrimas pelo destino da Esmeraldinha, mas aprecia o respeitinho togado. O tuga é muito dado aos direitos humanos, desde que não seja nada com ele. O tuga baba-se de gozo quando vê uma "corporação" a ser atacada (nem que sejam as mulheres da limpeza) e rosna quando é a sua. E por aí fora. Chama-se a isto esquizofrenia. Só um país de esquizofrénicos, a caminhar rapidamente para a oligofrenia, pode ser tão coisa nenhuma.

TÃO COISA NENHUMA

Há muitos anos, num livrinho da maior utilidade para percebermos com que raça lidamos, Jorge Dias definiu, tanto quanto pôde, "o carácter nacional português". Chamou à raça "contraditória e paradoxal", a querer sempre o mesmo e o seu contrário. Se ele cá voltasse, andaria por aí a rir-se, pelo menos, durante quinze dias. Vejam-se, por exemplo, as sondagens, as "honestas" e as outras, ou os "movimentos de opinião". O tuga quer o aborto liberalizado até às dez semanas de gestação, mas acha que as mulheres não devem ter a última palavra e que, a final, a coisa é mesmo crime. O tuga detesta o governo e as suas "medidas", mas acha sublimes o senhor engenheiro e o PS. O tuga abomina o antigo regime e o PC, mas está à beira de eleger Salazar e Cunhal como dois "grandes portugueses". O tuga derrama honestas lágrimas pelo destino da Esmeraldinha, mas aprecia o respeitinho togado. O tuga é muito dado aos direitos humanos, desde que não seja nada com ele. O tuga baba-se de gozo quando vê uma "corporação" a ser atacada (nem que sejam as mulheres da limpeza) e rosna quando é a sua. E por aí fora. Chama-se a isto esquizofrenia. Só um país de esquizofrénicos, a caminhar rapidamente para a oligofrenia, pode ser tão coisa nenhuma.