4.8.10

O DIA EM QUE GOSTEI DE SÓCRATES


A foto é do Correio da Manhã. Nela um conhecido cidadão em férias no Algarve lê Gore Vidal. Trata-se do segundo livro de memórias do autor norte-americano que serve de epígrafe a este blogue. Não tem o interesse do primeiro, Palimpsest (não há tradução mas o leitor em causa pode sempre adquirir e ler no original: não lhe empresto o meu porque está autografado pelo autor). Todavia tem capítulos que só uma vida cheia como a de Vidal poderia produzir. A tradução que o veraneante está a ler é muito má. O livro começa com uma frase - e um capítulo - acerca do cinema, um belo fantasma que sempre perseguiu Vidal. E prossegue com o melhor momento, literariamente falando, que descreve a doença e morte do seu companheiro de cinquenta anos, Howard Auster. Quase no fim, este pergunta a Vidal: «Didn't it go by awfully fast?» E Vidal responde: «We had been happy and the gods cannot bear the happiness of mortals.» É isso, a velha frase. Aos mortais nada é dado de graça. Medite nela.

12 comentários:

João Sousa disse...

Ora, o truque é velho como o mundo. Coloca-se a capa de um livro que fica bem na fotografia e dá ao povoléu a ideia de o retratado ser homem culto e inteligente. Mas as páginas, essas, devem ser de algo ao nível do intelecto da pessoa: talvez o épico "Sandálias de Prata"; talvez o último número do Zé Carioca - em português do Brasil.

Anónimo disse...

Dâmaso Salcede também andava "às voltas com Daudet"; e tal como sócrates "ninguém o pilhava sem livros à cabeceira". Felizmente a contra-capa tem uma fotografia, que o orienta quanto à posição do livro. Planeada que foi esta "fotografia furtiva" e cumprida a parte do rapaz do CM, sócrates voltou à sua leitura preferida dos catálogos Armani e da "Activa". Ele bem sabe que nada é dado de graça aos mortais; estas coisas todas estão pela hora da morte!

Ass.: Besta Imunda

Jorge Diniz disse...

Confesso, já gostei de Sócrates, por isso votei nele quando obteve a maioria absoluta.
Deixei de gostar pelas suas constantes faltas ao prometido, por isso votei (nas ultimas legislativas) no partido vencedor (CDS, que contrariou ABSOLUTAMENTE todas as sondagens).

Hoje, com Pedro Reis (sob o "manto protector" de PPC) a dizer o que disse, começo a ter inclinação para aquele velho ditado popular: "DEPOIS DE MIM VIRÁ QUEM DE BOM DE MIM FARÁ".

Por isso, "para pior, já basta assim". Pense seriamente nisto, caro Pedro Passos Coelho. Assim não não!!!

carol disse...

Como de costume, o autor deste blog mostra toda a sua arrogância e imodéstia ... e os seus comentadores estão bem na sua linha. Ainda bem que vivemos em Democracia!

Daniel Gonçalves disse...

Estou surpeendido mas, simultâneamente, desconfiado, o nosso PM terá comprado a obra em questão (reconheço que ainda não a li) nalguma FNAC ou num "supermercado" livreiro porque achou tratar-se de algo "chique", mas desconfio que o PM não tenha "calibre" intelectual para ler e entender Gore Vidal. A "Alta Literatura" de que nos fala Harold Bloom não está acessível ao comum dos mortais, sobretudo alguém como o nosso PM que considerou o livro de puro "eduquês" da anterior Ministra Lurdes Rodrigues uma obra de grandeza e superioridade.

Karocha disse...

Ainda bem, que alguém ache, que vive em democracia!

Jacinto disse...

Mas o Doc (refiro-me a vossência)não prima(va?), exactamente, pela ingenuidade...

Ana Cristina Leonardo disse...

Comentário imodesto (na linha Boris Vian).
Estou sem óculos. Não consigo identificar o Gore Vidal (que por acaso não aprecio). A única coisa na foto que me despertou a atenção foram as peúgas brancas.

VF disse...

Com sapatilhas de ténis não faz mal, Aninhas...

Ana Cristina Leonardo disse...

Já encontrei os óculos mas, além de continuar a não identificar o Vidal, tb. não vejo sapatilhas. Bom, talvez um resto de atacadores junto ao crédito da foto...

Anónimo disse...

A sapatilha ilusiva, a meia branca, o calção vermelho e a expressão. Comodamente deitado enquanto o país arde, aguardando as Erínias. Pode até ser o Zé Carioca mas quanto à tradução o inglês técnico não pode dar para tudo.

Merkwürdigliebe

carol disse...

A Karocha viveu no tempo do ditador Salazar? Dá-me ideia que não...