22.8.10

QUEM TEM CU DE JUDAS TEM MEDO


A única coisa interessante lida no semanário brasileiro Expresso - que decadência! - vinha na última página do 1º caderno. Alguns militares, entre os quais o antigo CEMA Morais e Silva, pretendem sovar o melancólico escritor Lobo Antunes. O termo correcto é "ir-lhe ao focinho". Parece que o nosso frustrado Nobel (e quase só compreendido lá fora apesar das "edições" e "edições" portuguesas dos seus livros) Lobo Antunes, numa entrevista em forma de livro, assestou baterias contra a guerra colonial e a tropa em geral. Deixei de ler o homem há muitos anos mas, se bem me lembro, muitos dos "romances" iniciais eram como que ditados num divã por um "stressado" da guerra. E foi esse "trauma" que lhe trouxe fama literária e, agora, eventualmente um enxerto de porrada. Lobo Antunes pelos vistos não sabe estar à altura de ex-combatente que foi, nem que tivesse sido só num escritório. E tanto assim é que ontem, invocando questões de "segurança", não apareceu num evento qualquer em Tomar porventura com medo que os outros cumprissem a ameaça. Julgo que os militares em causa deviam satisfazer-se com esta demonstração pública de coragem física e moral. Mais do que a entrevista em forma de livro, talvez seja este o verdadeiro Lobo Antunes.

15 comentários:

Anónimo disse...

Este Lobo de Antunes é um louco que disfarça bem e faz prosa de cáca. Não o entendo. Os militares que lhe querem ir ás focias talvez estejam cansados e tenham perdido sentido do socialmente correcto. Às vezes, umas bordoadas fazem bem à saúde mental.

Artur disse...

Ó JG, continua a ler o Expresso?! Assim não vale.

Ramiro Marques disse...

Nunca gostei da prosa do dito. Os últimos livros dele deprimem.

Anónimo disse...

«Não sabe estar à altura de ex-combatente».
Exactamente, é exactamente o caso deste sujeito. Assume-se como que desertor à posteriori. Tem pesar de não ter sabido trair. Com um carácter destes devem ter-lhe feito umas grandes maldades em pequenino ...

Ibn Erriq disse...

o JG és fresco és. A inveja é a arma dos incompetentes, nunca havias ouvido.

JG e quejandos, é normal que não gosteis de Lobo Antunes, não conheço ninguém que goste simultaneamente de, sei lá, MRP e Lobo Antunes, vós conheceis?

Isabel disse...

É bem verdade que , do mais recente "espesso", nada se aproveitava. As parangonas da primeira página pareceram-me, aliás, uma reedição do indisfarçado apoio a Sócrates(maioria absoluta) e do mais
subtil parti pris das últimas legislativas. Também eu li "umas coisinhas" do brasileiro,porque alguém cá de casa insiste em comprá-lo, mas mal passei das primeiras linhas. Há sempre um "fato"(sem cabide ou armário) ou uma "receção", que me nauseiam. Então parto para a net, onde encontro invariavelmente informação mais interessante e fidedigna.Quanto a Lobo Antunes,julgo que será uma pessoa pedante e irritante. Contudo, em "Memória de Elefante" e nalgumas crónicas da (extinta enquanto portuguesa)"Visão" aprecio-lhe a forma dilacerada e ao mesmo tempo contida da evocação dos seus mortos , das pequenas mortes que lhe antecedem a morte definitiva (envelhecimento, doença, perda...)e julgo descobrir-lhe algo do pessoano " No tempo em que festejavam o dia dos meus anos/ eu era feliz e ninguém estava morto".Julgo que beneficia, enquanto escritor, do conhecimento humano que a psiquiatria e a psicanálise lhe facultaram.Quanto aos livros mais recentes, sofrem o mesmo destino do "espesso":duas linhas...e já chega.

Anónimo disse...

Mas se o Sr. João Gonçalves achar que vai levar nos cornos-salvo seja- aparece na mesma?

Isabel Lucena

m.a.g. disse...

A atitude destes ex-militares apenas dá credibilidade ao que ALA escreveu, se dúvidas houvesse. E nem sequer ponho em causa qualquer relato de guerra feito pelo escritor. Já ouvi inúmeros por familiares e amigos tão semelhantes aos que ele descreve. Basta ler O Manual dos Inquisidores, O Esplendor de Portugal e Exortação aos Crocodilos, para aferir sobre a violência e o medo perante cenários atrozes de guerra, quer físicos quer psicológicos, que se instauraram em Portugal e colónias de África a maioria deles construídos e (pátrio)cionados por estes ditos "militares".
"Melancólico". É a melancolia profunda dos horrores do combate que ele vivenciou e que nele se cravaram, tornando-se difícil de esquecer, de arrancar da pele. Ele levou tudo para a escrita.
É áspero, arrogante, sobranceiro, nauseado. Outros o são também e nem por isso depreciados.

De resto, concordo em absoluto que ele queira proteger (não vejo nisto cobardia) o "cu" do linchamento destes "Judas" muito duvidosos.

Anónimo disse...

"atestou baterias"? Deve querer dizer ASSESTOU baterias.

Cáustico disse...

Tenho uma receita que uso quotidianamente e que aconselho: da gentalha que escreve livros e edita publicações torpes só se lê o que for de graça.Não vale a pena sujar as mãos.
Verão como perdem logo o vício de brincar com coisas sérias.

Anónimo disse...

Nunca gramei os manos Antunes. Para mim são uma espécie de Irmãos Karamasov da merda da democracia-de-76; e como ela pobrezinhos, mas arrogantes.
Em St.ª Maria campeia o mano neuro-cirurgião, a quem todos chamam D. Corleone - pois é ele quem de facto manda "n'aquilo"; esta luminária "social e política" (competente e sabedor na sua muito difícil área científica) é conselheiro de estado, porque Cavaco assumiu que a sua capacidade de escortanhar na caixa-dos-pirolitos fazia dele um sagaz senador (será que o conhece de facto?).
O outro, o tontinho, também é doutor mas falhou na auto-medicação e na auto-terapia. Estou farto de ouvir (não o leio porque me enfada) dizer que fala da Guerra Colonial; e mais isto e mais aquilo. E sempre em queixinha-intelecto-psicológica. O que dá ser culto!
O meu pai, todos os seus primos, todos os meus tios e enfim, todos quantos usavam calças na família, e eram homens válidos, foram à guerra - em Agola, Moçambique e Guiné (e nem todos apoiavam o regime). Alguns eram militares de carreira. Um deles foi e não veio. Minha avó teve, ao mesmo tempo, filho e sobrinhos na guerra - ela e muitas outras discretas e corajosas velhotas. Felizmente a veia literária-esquerdalhista-analista não despontou na família, e todos guardaram o melhor que puderam os seus fantasmas.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Desta vez não concordo em nada.
Lamento esse preconceito contra o homem e o escritor !... Deixou de ler há muitos anos..
Muitas saudações do G.A.B.!

Nuno Gaspar disse...

António Lobo Antunes desmentiu a notícia. Ficava-lhe bem a si pedir desculpa pelo post.

Anónimo disse...

«I have known so many people, but it seems I have known nobody at all.»

MJ

Anónimo disse...

Mas pergunto: há, ainda, em Portugal quem consiga tragar tal discurso narrativo esquizofrénico? Eu, sinceramente, quando me dei ao trabalho, desisti! Prefiro Roth ou Updike... Sempre me divirto e aprendo com verdadeiros escritores!