10.8.10

DA OBESIDADE MÓRBIDA


A prosa que se segue é digna de "taberneiro", de "taxista" ou, para o opróbrio ser maior, de Medina Carreira. Mas lê-se no DN que, em apenas nove meses de legislatura "refrescada" em Setembro último, os deputados já deram, entre plenário e comissões, qualquer coisa como mil e quinhentas a duas mil faltas. O sistema eleitoral em vigor para a AR permite que se concorra por um lugar (geográfico) que nunca se visitou nem se conhece. O deputado, uma vez eleito, é da "nação" e não do distrito por onde concorreu. Em suma, não "pertence" nem se sente próximo ou obrigado a sentir próximo de uma região qualquer. Apenas os da Madeira, por razões conhecidas, estão "presos" à origem. Esta diluição da responsabilidade - política, pessoal e ética -, associada à acumulação com um sem número de actividades "circum-escolares", acaba por fazer da função de deputado, não uma honra ou um serviço público, mas mais uma coisinha para juntar às que já se faziam. Há excepções e, admito, o PC deve ser o partido que mais obriga os deputados a serem só deputados. Nenhuma, porém, justifica o elevado número de deputados em relação a um país que os ignora. Mimo que eles adequadamente devolvem ignorando o país. Qualquer revisão constitucional tem de ponderar esta obesidade mórbida do parlamento. Cinquenta a cem deputados já é muito. Todavia, sempre eram menos a faltar.

9 comentários:

Anónimo disse...

Não se confunda a quantidade com a qualidade.
Podia ser só a primeira fila, e o resultado seria igualmente corrupto e incompetente.
Se reconhecermos que a excepção à bandalheira, pela quantidade e qualidade do trabalho, se encontra no grupo parlamentar do PC, maior seria o prejuízo.
Tratem de sanear os partidos do Bloco Central, e o Parlamento será saneado.

Anónimo disse...

E quantos dos eleitos já se terão feito substituir? (Nem me refiro aos que foram para ministro e ajudante de ministro e ajudante de ajudante de ministro...)

É mesmo a pouca-vergonha instalada.

Até lá continua o larápio de gravadores, sem que nada se tenha passado...

Anónimo disse...

E ainda menos seriam necessários. As leis estão feitas - esse é até o problema da falta de utilidade da assembleia. Mais não seria necessário que um conjunto de bons juristas (alfabetizados...) a conservar e reorganizar o corpo legislativo que "está bem", e a deitar fora tudo o que está mal ou é desnecessário e redundante.
A fiscalização do governo não é verdadeiramente feita, a não ser quando este está em minoria. Mesmo assim, sócrates tem tido espaço de manobra para propagandear, encobrir, mentir, aldrabar e permitir o roubo continuado e combinado com os amigos das "parcerias". Daqui também se vê o verdadeiro empenho e competência daquela súcia de parasitas "que nos representam" - de todos os partidos.
A CPC, por exemplo, que fiscaliza as contrapartidas dos negócios de defesa, foi criada e depende do parlamento. Passados 10 anos sobre as suas "actividades", é extraordinário que todos os partidos aleguem desconhecimento acerca da baixa taxa de concretização das contrapartidas e acerca das sucessivas faltas de meios técnicos para as acompanhar e fiscalizar devidamente, denunciadas várias vezes. Até parece que habitam edifícios diferentes. Até talvez seja verdade. Se a sua verdadeira vocação é produzir falatório e emitir vulgaridades, então os deputados que mudem de ramo e peçam um subsídio ao Ministério da Cultura.

Ass.: Besta Imunda

Nuno Castelo-Branco disse...

Uma pergunta, apenas: na "ominosa monarchia" que é a Holanda e que tem mais uns milhões de habitantes do que Portugal, quantos deputados existem? E na Suécia?
Já era altura de se dar um valente estaladão no sistema eleitoral e deixar funcionar o princípio da evolução das espécies. Os melhores que sejam escolhidos e responsáveis junto dos "seus". caramba, aliados da Inglaterra desde 1372 e ainda não aprendemos o que interessa? Basta de França.

Anónimo disse...

Os partidos do bloco central não são saneáveis. Eles são o tutano deste regime degradado e o alicerce desta pobre III República. Ou saneamos tudo ou não saneamos rigorosamente nada. Simples e óbvio.

Anónimo disse...

"Cinquenta a cem deputados", diz? Qual quê! Bastavam 5, um por cada partido e já eram demais. O "trabalho" que eles desenvolvem é nenhum. Esta vergonha de termos 230 deputados é um escândalo, eles não produzem nada nem prestam para nada excepto para encherem os bolsos enquanto lá permanecerem. 'Enquanto dura vida doçura' lá diz o povo. Eles só lá estão por serem os 'boys' dos partidos do sistema, que como tal têm de ser recompensados d'alguma maneira pelos fretes que a cada quatro anos (e nos entrementes) vão prestando aos respectivos chefes e partidos. Amor com amor se paga e os anitos que são forçados a estarem sentados na Assembleia de bico calado merecem bem o sacrifício. E o melhor dos sacrifícios é que esses 8(?) anitos de pasmaceira total e de produção zero, sempre dão automàticamente direito a uma bela reforma. A seguir, toca a andar para uma qualquer administração d'empresa oferecida pelo partido. Mas se este posto já estiver preenchido ou não se coadunar com as suas ambições profissionais ou políticas, há sempre mais meia dúzia como alternativa, qual deles o mais opíparo, influente e respeitado, que logo se arranjarão nem que tenham que ser inventados, como lugares de topo em autarquias, em fundações, em bancos (está na moda...) em comissões disto ou daquilo, em gabinetes ministeriais, em assessorias da mais variada ordem, como secretário do secretário do secretário do secretário de estado, etc.
Os deputados numa "democracia", em qualquer parte do mundo, nunca ficam a perder. Quem anda a perder e muito e nunca mais se livra destes empecilhos ignorantes e vigaristas (nem o país irá jamais recuperar) e já lá vão uns longos 36 anos, é o desgraçado do povo português.
Maria

Eduardo F. disse...

Apesar de achar o número ainda excessivo, convirá recordar que não há necessidade de haver revisão constitucional para que o número de deputados se reduza a 180 (menos 50 que os actuais 230), situação que, a concretizar-se, constituiria já um avanço significativo quer na redução dos custos de funcionamento do orgão de soberania AR quer - e mais importante - na qualidade média dos deputados.

M. Abrantes disse...

"Foi você que pediu um bom exemplo dos mais velhos para os putos das escolas?"

Cáustico disse...

Perfeitamente de acordo com o Anónimo das 4.15.