31.5.09

HÁ REFERENDOS MAIS REFERENDOS DO QUE OS OUTROS


Com o país neste estado, um grupinho da pequena, média e alta burguesia urbanas - quase todos, aliás, "intelectuais" como Marinho Pinto, Capoulas Santos, António Costa, Lili Caneças, José João Zoio, Marta Crawford, Marta Rebelo, Piet Hein Bakker, Sofia Aparício, Teresa Guilherme ou Wanda Stuart - decidiu que o casamento same sexer era uma prioridade nacional. Como foi o Euro 2004 ou ainda é o dr. Durão Barroso, presumo. A lista de assinantes do "manifesto" inclui gente que, até há alguns anos (poucos) atrás, era genuinamente homófoba embora agora dêem muitas alegrias à D. Câncio. E também inclui gente que assina qualquer coisa que lhe metam à frente dos olhos desde que cheire a "modernidade", a "progresso" e a aparecer. Até a D. Edite Estrela deu um ar da sua falta de graça no "lançamento" do "manifesto", certamente por acaso e não por causa da campanha em curso onde ela é concorrente. Os "cabeças de lista" desta sublime iniciativa são também sempre os mesmos e as mesmas. É como escreve o Filipe Nunes Vicente. «Um dos subscritores - Miguel Vale de Almeida - deu, na televisão, uma curiosa justificação para fugir ao referendo: "Os direitos das minorias não podem ficar sujeitos à vontade da maioria". Até fez o gestinho das aspas com os dedinhos para sublinhar a justificação. Um tipo fica a pensar: então os referendos sobre a legalização do aborto até às doze semanas foram feitos para defender a ditadura da maioria? O que se aprende a tirar castanhas do lume.»

HÁ REFERENDOS MAIS REFERENDOS DO QUE OS OUTROS


Com o país neste estado, um grupinho da pequena, média e alta burguesia urbanas - quase todos, aliás, "intelectuais" como Marinho Pinto, Capoulas Santos, António Costa, Lili Caneças, José João Zoio, Marta Crawford, Marta Rebelo, Piet Hein Bakker, Sofia Aparício, Teresa Guilherme ou Wanda Stuart - decidiu que o casamento same sexer era uma prioridade nacional. Como foi o Euro 2004 ou ainda é o dr. Durão Barroso, presumo. A lista de assinantes do "manifesto" inclui gente que, até há alguns anos (poucos) atrás, era genuinamente homófoba embora agora dêem muitas alegrias à D. Câncio. E também inclui gente que assina qualquer coisa que lhe metam à frente dos olhos desde que cheire a "modernidade", a "progresso" e a aparecer. Até a D. Edite Estrela deu um ar da sua falta de graça no "lançamento" do "manifesto", certamente por acaso e não por causa da campanha em curso onde ela é concorrente. Os "cabeças de lista" desta sublime iniciativa são também sempre os mesmos e as mesmas. É como escreve o Filipe Nunes Vicente. «Um dos subscritores - Miguel Vale de Almeida - deu, na televisão, uma curiosa justificação para fugir ao referendo: "Os direitos das minorias não podem ficar sujeitos à vontade da maioria". Até fez o gestinho das aspas com os dedinhos para sublinhar a justificação. Um tipo fica a pensar: então os referendos sobre a legalização do aborto até às doze semanas foram feitos para defender a ditadura da maioria? O que se aprende a tirar castanhas do lume.»

TANGO



Daniel Barenboim dirige Piazzolla. Orquestra Filarmónica de Buenos Aires. Buenos Aires, 2006.

TANGO



Daniel Barenboim dirige Piazzolla. Orquestra Filarmónica de Buenos Aires. Buenos Aires, 2006.

DO PÓS-BLAIRISMO AO PÓS-SOCRETISMO


O que se está a passar com os Trabalhistas ingleses do sr. Brown - uma sondagem remete o partido do governo para um desgraçado terceiro lugar nas eleições europeias atrás de um partido antieuropeu e dos conservadores - é, mais ou menos, o que vai acontecer ao PS quando se livrar do pesadelo "socrático". Apesar dos ingleses serem aparentemente mais implacáveis para com a miséria moral, intelectual e política das nomenclaturas do que nós, o PS que se seguir ao absolutismo medíocre e autoritário de Sócrates vai passar as passas do Algarve. As peripécias do PSD ao pé disso parecerão pequenos divertimentos de ocasião. Blair - o Tony da "esquerda moderna" e milionário conferencista mundial de opereta - deu o mote para o anunciado descalabro. Depois de mim, o dilúvio, terá pensado o sorriso mais idiota da ilha de Sua Majestade. Brown porventura não merecia esta humilhação. Quem serve Tony Blairs anos a fim quando, na verdade, são os Tony Blairs quem se serve deles, arrisca-se a vexames destes. É bem feito.

DO PÓS-BLAIRISMO AO PÓS-SOCRETISMO


O que se está a passar com os Trabalhistas ingleses do sr. Brown - uma sondagem remete o partido do governo para um desgraçado terceiro lugar nas eleições europeias atrás de um partido antieuropeu e dos conservadores - é, mais ou menos, o que vai acontecer ao PS quando se livrar do pesadelo "socrático". Apesar dos ingleses serem aparentemente mais implacáveis para com a miséria moral, intelectual e política das nomenclaturas do que nós, o PS que se seguir ao absolutismo medíocre e autoritário de Sócrates vai passar as passas do Algarve. As peripécias do PSD ao pé disso parecerão pequenos divertimentos de ocasião. Blair - o Tony da "esquerda moderna" e milionário conferencista mundial de opereta - deu o mote para o anunciado descalabro. Depois de mim, o dilúvio, terá pensado o sorriso mais idiota da ilha de Sua Majestade. Brown porventura não merecia esta humilhação. Quem serve Tony Blairs anos a fim quando, na verdade, são os Tony Blairs quem se serve deles, arrisca-se a vexames destes. É bem feito.

A FAMÍLIA ADAMS



«A entrevista da Ana Gomes, emitida ontem no Radio Clube, pode ser um bom trunfo para a campanha de Paulo Rangel. Repetir muitas vezes algumas partes daquela entrevista é um processo barato para o PSD roubar votos fáceis do centrão ao PS. Ana Gomes situa-se politicamente numa zona que fica algures entre o MRPP e o POUS, o que é o mesmo que dizer que Ana Gomes é a típica Bloquista a quem falta treinar a moderação linguística artificial que os actuais dirigentes do Bloco usam para conseguirem mais votos. Ana Gomes só estará no PS por acidentes de percurso e, provavelmente, porque paga melhor. Quando se excita, AG não consegue parar de expor em cada frase as suas raivinhas e os seus inúmeros ódios de estimação.»

jcd, Blasfémias

«Desde o princípio que [Vital Moreira] passa o tempo a dizer que não disse exactamente o que disse ou a explicar que, se por acaso disse, o que disse não queria dizer o que parecia. Toda a gente via com complacência a irremediável confusão daquela cabeça coimbrã e o zelo sempre extravagante do convertido. Coitado, não era. Mas, no caso do BPN, as coisas não se podem tomar com tanta ligeireza (...) Nunca ninguém se atreveu a ir tão longe na demagogia eleitoral. No próprio PS houve quem se espantasse com este delírio, que, tratando o PSD como uma associação criminosa, ignora militantemente as regras básicas da democracia. Maria de Belém (presidente da comissão parlamentar de inquérito ao BPN) protestou. E, como se calculará, José Lello correu a criticar Belém e a confortar Vital. É agora decisivo que se saiba - e se saiba com muita clareza - para que lado Sócrates se vai inclinar. Manuela Ferreira Leite já lhe exigiu, como é óbvio, uma declaração inequívoca. Inequívoca e, convém acrescentar, indispensável, porque se o secretário-geral do PS (e, além disso, primeiro-ministro) aprova, ou tolera, os métodos de Vital Moreira por uns votos numa eleição secundária, tudo é de facto permitido - e tudo inevitavelmente se pagará mais tarde.»

Vasco Pulido Valente, Público

«Em se tratando da incomensurável responsabilidade do cargo de conselheiro de Estado, a suspeita chega e sobra para, a bem do prestígio institucional, condenar politicamente um sujeito e empurrá-lo rumo à porta, ou, nas palavras oficiais do PS, constatar com "satisfação" que "a democracia funcionou". Já quando o sujeito ocupa cargos irresponsáveis e integra instituições desprestigiadas, nenhuma suspeita importa: a democracia pode seguir disfuncional à vontade que o PS e pelos vistos o país também ficam satisfeitos. Seria pois ridículo enxotar um primeiro-ministro, digamos, a partir de julgamentos de carácter. Embora a continuidade do eng. Sócrates no eminente Conselho de Estado me pareça motivo para um mal-estar generalizado que, talvez por distracção, ainda não notei.»

Alberto Gonçalves, Diário de Notícias


A FAMÍLIA ADAMS



«A entrevista da Ana Gomes, emitida ontem no Radio Clube, pode ser um bom trunfo para a campanha de Paulo Rangel. Repetir muitas vezes algumas partes daquela entrevista é um processo barato para o PSD roubar votos fáceis do centrão ao PS. Ana Gomes situa-se politicamente numa zona que fica algures entre o MRPP e o POUS, o que é o mesmo que dizer que Ana Gomes é a típica Bloquista a quem falta treinar a moderação linguística artificial que os actuais dirigentes do Bloco usam para conseguirem mais votos. Ana Gomes só estará no PS por acidentes de percurso e, provavelmente, porque paga melhor. Quando se excita, AG não consegue parar de expor em cada frase as suas raivinhas e os seus inúmeros ódios de estimação.»

jcd, Blasfémias

«Desde o princípio que [Vital Moreira] passa o tempo a dizer que não disse exactamente o que disse ou a explicar que, se por acaso disse, o que disse não queria dizer o que parecia. Toda a gente via com complacência a irremediável confusão daquela cabeça coimbrã e o zelo sempre extravagante do convertido. Coitado, não era. Mas, no caso do BPN, as coisas não se podem tomar com tanta ligeireza (...) Nunca ninguém se atreveu a ir tão longe na demagogia eleitoral. No próprio PS houve quem se espantasse com este delírio, que, tratando o PSD como uma associação criminosa, ignora militantemente as regras básicas da democracia. Maria de Belém (presidente da comissão parlamentar de inquérito ao BPN) protestou. E, como se calculará, José Lello correu a criticar Belém e a confortar Vital. É agora decisivo que se saiba - e se saiba com muita clareza - para que lado Sócrates se vai inclinar. Manuela Ferreira Leite já lhe exigiu, como é óbvio, uma declaração inequívoca. Inequívoca e, convém acrescentar, indispensável, porque se o secretário-geral do PS (e, além disso, primeiro-ministro) aprova, ou tolera, os métodos de Vital Moreira por uns votos numa eleição secundária, tudo é de facto permitido - e tudo inevitavelmente se pagará mais tarde.»

Vasco Pulido Valente, Público

«Em se tratando da incomensurável responsabilidade do cargo de conselheiro de Estado, a suspeita chega e sobra para, a bem do prestígio institucional, condenar politicamente um sujeito e empurrá-lo rumo à porta, ou, nas palavras oficiais do PS, constatar com "satisfação" que "a democracia funcionou". Já quando o sujeito ocupa cargos irresponsáveis e integra instituições desprestigiadas, nenhuma suspeita importa: a democracia pode seguir disfuncional à vontade que o PS e pelos vistos o país também ficam satisfeitos. Seria pois ridículo enxotar um primeiro-ministro, digamos, a partir de julgamentos de carácter. Embora a continuidade do eng. Sócrates no eminente Conselho de Estado me pareça motivo para um mal-estar generalizado que, talvez por distracção, ainda não notei.»

Alberto Gonçalves, Diário de Notícias


A HISTÓRIA DE PORTUGAL NUMA ENTREVISTA



Notável e serena reflexão sobre Portugal. De ontem e de hoje. O mesmo. O dos pequeninos. Nesta entrevista de António Ribeiro Ferreira a Vasco Pulido Valente. Aprendam, de um vez, "liberais" portugueses. «Não faz sentido ser liberal em Portugal. A gente vai libertar o quê? Onde estão os grandes empresários portugueses, como se estivesse aí uma multidão de empresários a querer livrar-se do Estado e das restrições que o Estado lhe impunha. Mas não está. O que está é um pequeno grupo de empresários que se quer encostar ao Estado. E depois um ou dois que são verdadeiramente independentes. Ou meia dúzia, ou se quiser uma dúzia (...). Ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora. Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou (...) Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso..»

A HISTÓRIA DE PORTUGAL NUMA ENTREVISTA



Notável e serena reflexão sobre Portugal. De ontem e de hoje. O mesmo. O dos pequeninos. Nesta entrevista de António Ribeiro Ferreira a Vasco Pulido Valente. Aprendam, de um vez, "liberais" portugueses. «Não faz sentido ser liberal em Portugal. A gente vai libertar o quê? Onde estão os grandes empresários portugueses, como se estivesse aí uma multidão de empresários a querer livrar-se do Estado e das restrições que o Estado lhe impunha. Mas não está. O que está é um pequeno grupo de empresários que se quer encostar ao Estado. E depois um ou dois que são verdadeiramente independentes. Ou meia dúzia, ou se quiser uma dúzia (...). Ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora. Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou (...) Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso..»

EFÉMERA


... a política. O cartaz da foto recorda a extraordinária campanha de Lucas Pires nas primeiras "europeias" nacionais, em 1987. Cavaco arrebatou uma maioria absoluta no mesmo dia em que Pires, pelo CDS, obtinha um excelente resultado. Tudo o que não existe nesta campanha, passou-se nesse longínquo mês de Julho de 87. Rua, alegria, bons tempos de antena, debate, festa, multidões, punch. Agora quase toda a gente parece andar a fazer um enorme frete, um frete a que, muito apropriadamente, pouca gente liga. O calor não ajuda. Os protagonistas não ajudam. As ideias não abundam. A Europa é um pretexto num país onde nunca chegou a ser "texto". Veja-se, por exemplo, de que é que a inverosímil dupla Vital/Sócrates - a do shallow absolutismo democrático que se deseja perpetuar - fala. Será para que o pobre do eleitor não perceba que, atrás de Vital (já de si péssimo), vêm a D. Edite, o sr. Capoulas, as dúplices Elisa e Ana Gomes e o despedido Correia de Campos? Que saudades de Lucas Pires.

Foto: Ephemera

EFÉMERA


... a política. O cartaz da foto recorda a extraordinária campanha de Lucas Pires nas primeiras "europeias" nacionais, em 1987. Cavaco arrebatou uma maioria absoluta no mesmo dia em que Pires, pelo CDS, obtinha um excelente resultado. Tudo o que não existe nesta campanha, passou-se nesse longínquo mês de Julho de 87. Rua, alegria, bons tempos de antena, debate, festa, multidões, punch. Agora quase toda a gente parece andar a fazer um enorme frete, um frete a que, muito apropriadamente, pouca gente liga. O calor não ajuda. Os protagonistas não ajudam. As ideias não abundam. A Europa é um pretexto num país onde nunca chegou a ser "texto". Veja-se, por exemplo, de que é que a inverosímil dupla Vital/Sócrates - a do shallow absolutismo democrático que se deseja perpetuar - fala. Será para que o pobre do eleitor não perceba que, atrás de Vital (já de si péssimo), vêm a D. Edite, o sr. Capoulas, as dúplices Elisa e Ana Gomes e o despedido Correia de Campos? Que saudades de Lucas Pires.

Foto: Ephemera

30.5.09

TALVEZ SÓ À DIREITA


«Os caminhos da liberdade são muitos e misteriosos. Mas talvez só à direita se possa perceber isso.»

Rui Ramos, i

TALVEZ SÓ À DIREITA


«Os caminhos da liberdade são muitos e misteriosos. Mas talvez só à direita se possa perceber isso.»

Rui Ramos, i

PONTO FINAL


Os partidos - com a excepção do PS pela "boca" meio alarve do António Costa que falou das acções dele no Benfica que nem sabe quantas são mas que as possui por mero "carinho" e quer "lá saber das dos outros" - reagiram como lhes competia à insidiosa notícia do Expresso. Rasca, de facto. Louçã, Portas, Jerónimo e Rangel reduziram o assunto a uma merecida insignificância. E Vital, o malcriado interessado na exploração política e pessoal do tema, foi aconselhado a dizer que nem sequer tinha lido o hebdomadário depois dos disparates dos últimos dias. Ponto final.

PONTO FINAL


Os partidos - com a excepção do PS pela "boca" meio alarve do António Costa que falou das acções dele no Benfica que nem sabe quantas são mas que as possui por mero "carinho" e quer "lá saber das dos outros" - reagiram como lhes competia à insidiosa notícia do Expresso. Rasca, de facto. Louçã, Portas, Jerónimo e Rangel reduziram o assunto a uma merecida insignificância. E Vital, o malcriado interessado na exploração política e pessoal do tema, foi aconselhado a dizer que nem sequer tinha lido o hebdomadário depois dos disparates dos últimos dias. Ponto final.

UMA NOVA LEGITIMIDADE

«Perante a falência possível do Estado acusador algo terá de ser feito, e, embora a solução comporte riscos de justicialismo, é de encarar a hipótese de o Procurador-Geral da República passar a ser eleito directamente pelos cidadãos. Isso traria maior legitimidade, autonomia e unidade à acção da PGR.»

José Medeiros Ferreira, Correio da Manhã

UMA NOVA LEGITIMIDADE

«Perante a falência possível do Estado acusador algo terá de ser feito, e, embora a solução comporte riscos de justicialismo, é de encarar a hipótese de o Procurador-Geral da República passar a ser eleito directamente pelos cidadãos. Isso traria maior legitimidade, autonomia e unidade à acção da PGR.»

José Medeiros Ferreira, Correio da Manhã

PARA ONDE DESCE HANS CASTORP

Traduzido directamente do alemão por Gilda Lopes da Encarnação (Dom Quixote). «A crise do futuro» está em nós. Houve demasiados mortos no século XX para qualquer conforto ou optimismo resistirem. Dificilmente podíamos ter o entusiasmo optimista do Sr. Settembrini, pela força luminosa da razão que atravessa metade da Montanha Mágica, querendo teimosamente iluminar o Sr. Naphta, levar a luz do Supremo Arquitecto às catedrais obscuras da Idade Média, onde o socialismo colectivista e anónimo trabalhava para Deus ou para o comunismo. É para os campos de matança do Norte de França que Hans Castorp desce quando vem da Montanha. E é para a morte que toda a grande literatura do século XX desce.» (José Pacheco Pereira, Desesperada Esperança, Notícias Editorial, 1999)

PARA ONDE DESCE HANS CASTORP

Traduzido directamente do alemão por Gilda Lopes da Encarnação (Dom Quixote). «A crise do futuro» está em nós. Houve demasiados mortos no século XX para qualquer conforto ou optimismo resistirem. Dificilmente podíamos ter o entusiasmo optimista do Sr. Settembrini, pela força luminosa da razão que atravessa metade da Montanha Mágica, querendo teimosamente iluminar o Sr. Naphta, levar a luz do Supremo Arquitecto às catedrais obscuras da Idade Média, onde o socialismo colectivista e anónimo trabalhava para Deus ou para o comunismo. É para os campos de matança do Norte de França que Hans Castorp desce quando vem da Montanha. E é para a morte que toda a grande literatura do século XX desce.» (José Pacheco Pereira, Desesperada Esperança, Notícias Editorial, 1999)

VITAL, O ORDINÁRIO CANDIDATO


Num jantar na Marinha Grande - no tempo em que Soares lá foi agredido, Vital ainda estava ao lado dos que o agrediram - o candidato Vital dirigiu-se à presidente do PSD como a "ela". "Ela" para cá, "ela" para lá «tem» de dar explicações ao candidato Vital sobre o BPN. Para além de ordinário - Ferreira Leite é uma senhora e um professor de Coimbra tem obrigação de distinguir uma senhora de, por exemplo, uma Ana Gomes - Vital não parece estar à altura do cargo cosmopolita a que se candidata. Para secundar Vital, o invisível presidente da CML fez uma gracinha sugerindo que o PS não tem vergonha, nem do seu admirável líder nem do seu improvável candidato. Nem na cara, acrescento eu. Um bimbo será sempre um bimbo. Mesmo que lhe tenham colocado o António Manuel (ex-assessor de Sampaio em Belém) por perto para controlo imediato de danos.

VITAL, O ORDINÁRIO CANDIDATO


Num jantar na Marinha Grande - no tempo em que Soares lá foi agredido, Vital ainda estava ao lado dos que o agrediram - o candidato Vital dirigiu-se à presidente do PSD como a "ela". "Ela" para cá, "ela" para lá «tem» de dar explicações ao candidato Vital sobre o BPN. Para além de ordinário - Ferreira Leite é uma senhora e um professor de Coimbra tem obrigação de distinguir uma senhora de, por exemplo, uma Ana Gomes - Vital não parece estar à altura do cargo cosmopolita a que se candidata. Para secundar Vital, o invisível presidente da CML fez uma gracinha sugerindo que o PS não tem vergonha, nem do seu admirável líder nem do seu improvável candidato. Nem na cara, acrescento eu. Um bimbo será sempre um bimbo. Mesmo que lhe tenham colocado o António Manuel (ex-assessor de Sampaio em Belém) por perto para controlo imediato de danos.

DIZ-ME COM QUEM NÃO FALAS E COM QUEM FALAS, DIR-TE-EI QUEM ÉS

«Estive dois anos e meio sem apresentar o "Jornal Nacional" e tem alguma graça ver que a estratégia do governo, na altura em que reapareci, passou por tentarem não dar importância a este jornal. Convidei ministros e o primeiro-ministro e descobri essa estratégia: ninguém aceitou os convites.»

Manuela Moura Guedes, i


Adenda: Com amigos destes...

DIZ-ME COM QUEM NÃO FALAS E COM QUEM FALAS, DIR-TE-EI QUEM ÉS

«Estive dois anos e meio sem apresentar o "Jornal Nacional" e tem alguma graça ver que a estratégia do governo, na altura em que reapareci, passou por tentarem não dar importância a este jornal. Convidei ministros e o primeiro-ministro e descobri essa estratégia: ninguém aceitou os convites.»

Manuela Moura Guedes, i


Adenda: Com amigos destes...

DOS SETE AOS SETENTA E SETE

Por falar em regime, o dr. Silva Lopes - uma eminência eterna da economia nacional que prefigura o que vai acontecer a Constâncio quando for finalmente removido do BP a bem da nação - mal saiu do Montepio Geral , foi nomeado administrador da EDP Renováveis, uma empresa do luzidio Grupo EDP que, pelos vistos, acolhe - tal como a GALP ou a CGD - os servidores do regime entre os 7 e os 77 anos. Tudo gente que "faz bem a Portugal", naturalmente.

DOS SETE AOS SETENTA E SETE

Por falar em regime, o dr. Silva Lopes - uma eminência eterna da economia nacional que prefigura o que vai acontecer a Constâncio quando for finalmente removido do BP a bem da nação - mal saiu do Montepio Geral , foi nomeado administrador da EDP Renováveis, uma empresa do luzidio Grupo EDP que, pelos vistos, acolhe - tal como a GALP ou a CGD - os servidores do regime entre os 7 e os 77 anos. Tudo gente que "faz bem a Portugal", naturalmente.

«FAZ BEM A PORTUGAL?» - 2

É óbvio que a conversa entre Cavaco Silva e Dias Loureiro, no dia seguinte ao talk show de Oliveira e Costa, só podia ter corrido mal. Imagino que o Presidente tenha chamado a atenção de Loureiro para as posições de conselheiros de Estado tão insuspeitos como Eanes, Sampaio ou Lobo Antunes. Sem ser preciso dizer mais nada. E também imagino que Loureiro tenha saído de Belém a ruminar qualquer coisa como "não perdes pela demora", dada aquela "problemática do ego" apontada pelo homem que já leu sessenta livros numa cela solitária da PJ. Nada, repito, nada aconselhava Cavaco a escolher pessoalmente Loureiro - a par de Marcelo, Ferreira Leite, Leonor Beleza ou João Lobo Antunes - para o CE. Pelo contrário, quando o Presidente o escolheu já não estava a seleccionar o político ou o "interventor" cívico mas um bem conhecido homem de negócios do regime que só o é porque, intermitentemente, exerceu cargos públicos nesse mesmo regime. Aceitou correr o risco. Pois bem. A manchete do Expresso - basta atentar nos redactores da notícia, um deles director-adjunto do jornal de Balsemão (Nicolau Santos: "mais" porta-voz do regime não há...) - é o "à volta cá te espero" de Dias Loureiro. Nada, repito, nada naquela notícia - um pequeno accionista no meio de 400 que comprou e vendeu umas quantas acções da SLN há seis anos - permite retirar ilações contra o Chefe de Estado embora vá dar azo a que os seus adversários dentro do regime (muitos deles amigos uns dos outros apesar de uns serem do actual poder absoluto e outros do maior partido da oposição) passem uns dias entretidos. Sempre são dias em que não se repara nessa nulidade eleitoral que é Vital Moreira, em que não se mexe na biografia irreal de Sócrates (sim, essa mesmo, a que começa na licenciatura, que passa pela Cova da Beira e que não acaba em Alcochete) e em que, por força do calor, vamos a banhos. Percebem agora por que é que o optimismo que o dr. Loureiro vê em Sócrates "faz bem a Portugal»?

«FAZ BEM A PORTUGAL?» - 2

É óbvio que a conversa entre Cavaco Silva e Dias Loureiro, no dia seguinte ao talk show de Oliveira e Costa, só podia ter corrido mal. Imagino que o Presidente tenha chamado a atenção de Loureiro para as posições de conselheiros de Estado tão insuspeitos como Eanes, Sampaio ou Lobo Antunes. Sem ser preciso dizer mais nada. E também imagino que Loureiro tenha saído de Belém a ruminar qualquer coisa como "não perdes pela demora", dada aquela "problemática do ego" apontada pelo homem que já leu sessenta livros numa cela solitária da PJ. Nada, repito, nada aconselhava Cavaco a escolher pessoalmente Loureiro - a par de Marcelo, Ferreira Leite, Leonor Beleza ou João Lobo Antunes - para o CE. Pelo contrário, quando o Presidente o escolheu já não estava a seleccionar o político ou o "interventor" cívico mas um bem conhecido homem de negócios do regime que só o é porque, intermitentemente, exerceu cargos públicos nesse mesmo regime. Aceitou correr o risco. Pois bem. A manchete do Expresso - basta atentar nos redactores da notícia, um deles director-adjunto do jornal de Balsemão (Nicolau Santos: "mais" porta-voz do regime não há...) - é o "à volta cá te espero" de Dias Loureiro. Nada, repito, nada naquela notícia - um pequeno accionista no meio de 400 que comprou e vendeu umas quantas acções da SLN há seis anos - permite retirar ilações contra o Chefe de Estado embora vá dar azo a que os seus adversários dentro do regime (muitos deles amigos uns dos outros apesar de uns serem do actual poder absoluto e outros do maior partido da oposição) passem uns dias entretidos. Sempre são dias em que não se repara nessa nulidade eleitoral que é Vital Moreira, em que não se mexe na biografia irreal de Sócrates (sim, essa mesmo, a que começa na licenciatura, que passa pela Cova da Beira e que não acaba em Alcochete) e em que, por força do calor, vamos a banhos. Percebem agora por que é que o optimismo que o dr. Loureiro vê em Sócrates "faz bem a Portugal»?

29.5.09

«FAZ BEM A PORTUGAL?»


Quando apresentou a hagiografia de Sócrates, O Menino de Ouro, da jornalista Eduarda Maio, Manuel Dias Loureiro afirmou que o optimismo de Sócrates "faz bem a Portugal." Pelo contrário, este livro procura demonstrar que se há coisa que justamente esse "optimismo" não faz, de todo, é bem a Portugal.

«FAZ BEM A PORTUGAL?»


Quando apresentou a hagiografia de Sócrates, O Menino de Ouro, da jornalista Eduarda Maio, Manuel Dias Loureiro afirmou que o optimismo de Sócrates "faz bem a Portugal." Pelo contrário, este livro procura demonstrar que se há coisa que justamente esse "optimismo" não faz, de todo, é bem a Portugal.

IRRECOMENDÁVEIS

Lello - sempre essa patética figura que passou de "gamista" entusiasmado a "socrático" primitivo - atacou a sua camarada Maria de Belém por esta ter criticado isto, salientando, enquanto sua presidente, o papel positivo do PSD na comissão de inquérito sobre a "roubalheira". Sucede que foi o partido dele e do candidato Vital quem nacionalizou a "roubalheira", ou seja, quem colocou os contribuintes a subsidiar uma trapalhada privada, de cariz policial, cujos contornos totais ainda estão por apurar. Lello é uma espécie de Ana Gomes de fato e gravata. Ambos irrecomendáveis.

IRRECOMENDÁVEIS

Lello - sempre essa patética figura que passou de "gamista" entusiasmado a "socrático" primitivo - atacou a sua camarada Maria de Belém por esta ter criticado isto, salientando, enquanto sua presidente, o papel positivo do PSD na comissão de inquérito sobre a "roubalheira". Sucede que foi o partido dele e do candidato Vital quem nacionalizou a "roubalheira", ou seja, quem colocou os contribuintes a subsidiar uma trapalhada privada, de cariz policial, cujos contornos totais ainda estão por apurar. Lello é uma espécie de Ana Gomes de fato e gravata. Ambos irrecomendáveis.

UMA CASA PORTUGUESA

Os deputados não se dão conta do ridículo que representa a persistente não eleição do Provedor de Justiça. Duas pessoas dignas e prestigiadas como Jorge Miranda e Maria da Glória Garcia não mereciam este vexame. No lugar deles, desistia definitivamente de os aturar.

UMA CASA PORTUGUESA

Os deputados não se dão conta do ridículo que representa a persistente não eleição do Provedor de Justiça. Duas pessoas dignas e prestigiadas como Jorge Miranda e Maria da Glória Garcia não mereciam este vexame. No lugar deles, desistia definitivamente de os aturar.

O LÁPIS DO LOPES


«O Jornal Nacional de 6ª motivou 48 páginas à ERC, divididas por um relatório da Unidade de Análise de Media e uma deliberação do Conselho Regulador. Ambos os documentos estão construídos do primeiro ao último parágrafo para condenar a estação que tem a intolerável ousadia, no reino de Kim-Il Sócrates, de escrutinar sistematicamente os “casos” do grande líder. O relatório da Unidade de Análise da ERC faz decorrer conclusões subjectivas da análise objectiva das notícias que realizou. Poderia ter tirado as conclusões contrárias da mesma análise. Daí que relatório e deliberação sofram do enviesamento que atribuem à TVI. A ERC bem tentou, mas não conseguiu provar que a TVI tenha errado num único facto noticiado; e omitiu que ninguém, nem mesmo os visados nas notícias, as contestou nos factos. Apesar disso, condena a estação em generalidades que são aplicáveis a todos, repito, a todos os noticiários televisivos portugueses (RTP, SIC, TVI): a falta de rigor e a mistura entre opinião e informação. Quanto ao rigor, as notícias da TVI analisadas pela ERC apenas falhavam em rigor linguístico e nalgum aspecto secundário sem gravidade; não foram apontadas falhas de rigor factual. Quanto ao jornalismo opinativo, ele é hoje prática generalizada em quase toda a imprensa e em todos os tipos de notícias de todo os telenoticiários, sejam sobre bola, justiça ou política. Não cabe à ERC condenar um órgão de informação por uma prática generalizada de todos e aceite pela sociedade. Não havendo factos enviesados, o jornalismo opinativo não é uma prática condenável por um regulador, tanto mais que o Jornal Nacional de 6ª é um espaço próximo do que os semanários de fim de semana em papel sempre pretenderam ser. Pode ser criticável (o que é diferente de condenável), mas o regulador não tem que criticar o jornalismo opinativo sob risco de se imiscuir na liberdade profissional dos jornalistas e, por extensão, na liberdade de informação e de expressão, o que é mais um atentado da ERC contra as liberdades, usando argumentação subjectiva. Condenou uma linha editorial que não agrada ao governo por não agradar ao governo. A ERC cumpriu de novo a sua função pró-governamental. Sem surpresas, portanto. Já ninguém lhe dá crédito. Mas há uma nota grave no caso: o membro do Conselho Regulador que votou contra a deliberação afirma que os ofícios que a ERC enviou à TVI “contêm afirmações genéricas e abstractas, o que impossibilitou o operador de contraditar os factos que lhe foram atribuídos" (PÚBLICO online, 28.05). “Houve desrespeito do princípio do contraditório”, afirma. Isto é, poderemos estar perante um caso de desonestidade processual.»

Eduardo Cintra Torres

O LÁPIS DO LOPES


«O Jornal Nacional de 6ª motivou 48 páginas à ERC, divididas por um relatório da Unidade de Análise de Media e uma deliberação do Conselho Regulador. Ambos os documentos estão construídos do primeiro ao último parágrafo para condenar a estação que tem a intolerável ousadia, no reino de Kim-Il Sócrates, de escrutinar sistematicamente os “casos” do grande líder. O relatório da Unidade de Análise da ERC faz decorrer conclusões subjectivas da análise objectiva das notícias que realizou. Poderia ter tirado as conclusões contrárias da mesma análise. Daí que relatório e deliberação sofram do enviesamento que atribuem à TVI. A ERC bem tentou, mas não conseguiu provar que a TVI tenha errado num único facto noticiado; e omitiu que ninguém, nem mesmo os visados nas notícias, as contestou nos factos. Apesar disso, condena a estação em generalidades que são aplicáveis a todos, repito, a todos os noticiários televisivos portugueses (RTP, SIC, TVI): a falta de rigor e a mistura entre opinião e informação. Quanto ao rigor, as notícias da TVI analisadas pela ERC apenas falhavam em rigor linguístico e nalgum aspecto secundário sem gravidade; não foram apontadas falhas de rigor factual. Quanto ao jornalismo opinativo, ele é hoje prática generalizada em quase toda a imprensa e em todos os tipos de notícias de todo os telenoticiários, sejam sobre bola, justiça ou política. Não cabe à ERC condenar um órgão de informação por uma prática generalizada de todos e aceite pela sociedade. Não havendo factos enviesados, o jornalismo opinativo não é uma prática condenável por um regulador, tanto mais que o Jornal Nacional de 6ª é um espaço próximo do que os semanários de fim de semana em papel sempre pretenderam ser. Pode ser criticável (o que é diferente de condenável), mas o regulador não tem que criticar o jornalismo opinativo sob risco de se imiscuir na liberdade profissional dos jornalistas e, por extensão, na liberdade de informação e de expressão, o que é mais um atentado da ERC contra as liberdades, usando argumentação subjectiva. Condenou uma linha editorial que não agrada ao governo por não agradar ao governo. A ERC cumpriu de novo a sua função pró-governamental. Sem surpresas, portanto. Já ninguém lhe dá crédito. Mas há uma nota grave no caso: o membro do Conselho Regulador que votou contra a deliberação afirma que os ofícios que a ERC enviou à TVI “contêm afirmações genéricas e abstractas, o que impossibilitou o operador de contraditar os factos que lhe foram atribuídos" (PÚBLICO online, 28.05). “Houve desrespeito do princípio do contraditório”, afirma. Isto é, poderemos estar perante um caso de desonestidade processual.»

Eduardo Cintra Torres

DEMASIADO PEQUENINO

Depois da pequena Esmeralda, a pequena Alexandra. Na pátria de Putin, a mãe biológica arreia-lhe forte e feio à frente da televisão. Na nossa, o juiz (não é um básico, é um desembargador, tenham muito medo ...) que a entregou a esta extraordinária pedagoga russa afirma que só decidiu com base em papéis e que nunca falou com ninguém. Não sei o que é pior. Só sei que é tudo demasiado pequenino.

DEMASIADO PEQUENINO

Depois da pequena Esmeralda, a pequena Alexandra. Na pátria de Putin, a mãe biológica arreia-lhe forte e feio à frente da televisão. Na nossa, o juiz (não é um básico, é um desembargador, tenham muito medo ...) que a entregou a esta extraordinária pedagoga russa afirma que só decidiu com base em papéis e que nunca falou com ninguém. Não sei o que é pior. Só sei que é tudo demasiado pequenino.

NÓS, EUROPEUS?


A empresa de sondagens do sr. Costa, do PS, a «Eurosondagem», já a "contar" com as ilhas, "sobe" um bocadinho (0,8%) o partido dele e também o PSD (0,2%, se não me engano) para as eleições de dia 7. E a CDU passa para terceiro lugar em vez do BE. Vital, o candidato improvável, regozijou-se imediatamente com esta "garantia" de vitória o que, na cabeça dele, quer dizer que está no bom caminho. Não está evidentemente. Num acesso de mau gosto, associou o caso BPN ao PSD (a algum, pelo menos), o que, apesar do sr. Costa da sondagem, significa que a Vital está a puxar-lhe o pé para baixo (a chinela) e não para cima. É que ainda não vi ninguém do PSD "associar" o "caso Freeport" ao admirável líder sem o qual, aliás, Vital não existia com se tem notado. E o admirável líder também. Nós, europeus? Pois.

NÓS, EUROPEUS?


A empresa de sondagens do sr. Costa, do PS, a «Eurosondagem», já a "contar" com as ilhas, "sobe" um bocadinho (0,8%) o partido dele e também o PSD (0,2%, se não me engano) para as eleições de dia 7. E a CDU passa para terceiro lugar em vez do BE. Vital, o candidato improvável, regozijou-se imediatamente com esta "garantia" de vitória o que, na cabeça dele, quer dizer que está no bom caminho. Não está evidentemente. Num acesso de mau gosto, associou o caso BPN ao PSD (a algum, pelo menos), o que, apesar do sr. Costa da sondagem, significa que a Vital está a puxar-lhe o pé para baixo (a chinela) e não para cima. É que ainda não vi ninguém do PSD "associar" o "caso Freeport" ao admirável líder sem o qual, aliás, Vital não existia com se tem notado. E o admirável líder também. Nós, europeus? Pois.

28.5.09

AS TRASEIRAS E A PORTA DA FRENTE


«Um pedido ao primeiro-ministro: não saia mais pela porta das traseiras. Quando for apenas um cidadão, saia como quiser e por onde quiser. Enquanto for primeiro-ministro, coisa que eu espero ansiosamente que finde, saia pela porta da frente. Ao menos isso. Não envergonhe a democracia. Como assinala o blogger Nuno Nogueira Santos, o último primeiro-ministro da ditadura, Marcello Caetano, quando, no Quartel do Carmo, lhe foi proposto que saísse pelas traseiras respondeu: "Não! Só saio daqui pela porta por onde entrei. A porta da frente." Salgueiro Maia percebeu como sair pela porta da frente era importante para a dignidade de Marcello Caetano, dos militares que o depunham e do regime que dali nasceria. Com poucos homens e muita coragem Salgueiro Maia levou Marcello Caetano pela porta da frente. É nestas coisas que as pessoas se distinguem.»

Helena Matos, Público

AS TRASEIRAS E A PORTA DA FRENTE


«Um pedido ao primeiro-ministro: não saia mais pela porta das traseiras. Quando for apenas um cidadão, saia como quiser e por onde quiser. Enquanto for primeiro-ministro, coisa que eu espero ansiosamente que finde, saia pela porta da frente. Ao menos isso. Não envergonhe a democracia. Como assinala o blogger Nuno Nogueira Santos, o último primeiro-ministro da ditadura, Marcello Caetano, quando, no Quartel do Carmo, lhe foi proposto que saísse pelas traseiras respondeu: "Não! Só saio daqui pela porta por onde entrei. A porta da frente." Salgueiro Maia percebeu como sair pela porta da frente era importante para a dignidade de Marcello Caetano, dos militares que o depunham e do regime que dali nasceria. Com poucos homens e muita coragem Salgueiro Maia levou Marcello Caetano pela porta da frente. É nestas coisas que as pessoas se distinguem.»

Helena Matos, Público

SEPULTAR LISBOA


Quem lá passa todos os dias, como eu, não pode deixar de subscrever esta medonha evidência: «Os intentos de António Costa, Manuel Salgado e Sá Fernandes em relação ao Terreiro do Paço suscitam profunda preocupação e enorme indignação. Na verdade, aproveitar o balanço e os movimentos de terras de umas obras de saneamento para intervir na principal Praça da Cidade e do País é um abuso inqualificável.» Estas criaturas montaram um sarilho no trânsito e na qualidade de vida de uma das zonas mais "nobres" e bonitas da capital. E tornaram Lisboa insuportável. Não se esqueçam, pois, de os reeleger.

SEPULTAR LISBOA


Quem lá passa todos os dias, como eu, não pode deixar de subscrever esta medonha evidência: «Os intentos de António Costa, Manuel Salgado e Sá Fernandes em relação ao Terreiro do Paço suscitam profunda preocupação e enorme indignação. Na verdade, aproveitar o balanço e os movimentos de terras de umas obras de saneamento para intervir na principal Praça da Cidade e do País é um abuso inqualificável.» Estas criaturas montaram um sarilho no trânsito e na qualidade de vida de uma das zonas mais "nobres" e bonitas da capital. E tornaram Lisboa insuportável. Não se esqueçam, pois, de os reeleger.

NOSSA SENHORA ELECTRICIDADE DE PORTUGAL


«O anúncio, sem o querer, desvenda o sentido da campanha da EDP: é mais imagem do que paisagem, mais barragem do que a alardeada protecção de espécies em extinção. Como referia o blogue Estrago da Nação, para nos vender barragens, os publicitários tiveram de alugar serviços de animais amestrados (lobos, aves de rapina), de filmar em ribeiros e quedas de água que deixariam de existir se ali houvesse barragens. E maquilharam a rapariga para ela parecer natural, recorreram à mangueirada para simular chuva; e a rapariga bebe água da ribeira, o que nunca faria numa barragem. A publicidade, como o cinema, é uma fábrica de sonhos: o objectivo é que não se veja a fábrica, mas o “making of” mostra-a enquanto o anúncio fornece o sonho. Se Freud voltasse, diria que o sonho dos publicitários revela a realidade: no anúncio, a natureza selvagem acaba encapsulada num outro filme, projectado do rio sobre a parede de betão. A natureza selvagem não existe, ou deixa de existir: transfere-se de ribeiros intocáveis para simulacros numa parede de betão. As barragens têm tremendos efeitos ecológicos, destroem, por exemplo, o ambiente das aves de rapina que se mostram no anúncio. Tal como são precisos lobos amestrados para fazer o anúncio, também a real e verdadeira natureza dos últimos santuários é nele aprisionada em imagens que vemos fugazmente projectadas em betão, à noite, para nos descansar as consciências. Enquanto a EDP destrói natureza selvagem construindo barragens e substituindo-a por uma natureza humanizada, nós olhamos para o boneco —na parede de betão, ou no ecrã do televisor, ou no jornal ou no outdoor urbano.»

Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios

NOSSA SENHORA ELECTRICIDADE DE PORTUGAL


«O anúncio, sem o querer, desvenda o sentido da campanha da EDP: é mais imagem do que paisagem, mais barragem do que a alardeada protecção de espécies em extinção. Como referia o blogue Estrago da Nação, para nos vender barragens, os publicitários tiveram de alugar serviços de animais amestrados (lobos, aves de rapina), de filmar em ribeiros e quedas de água que deixariam de existir se ali houvesse barragens. E maquilharam a rapariga para ela parecer natural, recorreram à mangueirada para simular chuva; e a rapariga bebe água da ribeira, o que nunca faria numa barragem. A publicidade, como o cinema, é uma fábrica de sonhos: o objectivo é que não se veja a fábrica, mas o “making of” mostra-a enquanto o anúncio fornece o sonho. Se Freud voltasse, diria que o sonho dos publicitários revela a realidade: no anúncio, a natureza selvagem acaba encapsulada num outro filme, projectado do rio sobre a parede de betão. A natureza selvagem não existe, ou deixa de existir: transfere-se de ribeiros intocáveis para simulacros numa parede de betão. As barragens têm tremendos efeitos ecológicos, destroem, por exemplo, o ambiente das aves de rapina que se mostram no anúncio. Tal como são precisos lobos amestrados para fazer o anúncio, também a real e verdadeira natureza dos últimos santuários é nele aprisionada em imagens que vemos fugazmente projectadas em betão, à noite, para nos descansar as consciências. Enquanto a EDP destrói natureza selvagem construindo barragens e substituindo-a por uma natureza humanizada, nós olhamos para o boneco —na parede de betão, ou no ecrã do televisor, ou no jornal ou no outdoor urbano.»

Eduardo Cintra Torres, Jornal de Negócios

ZOO

Num momento pouco feliz, Cavaco Silva referiu-se aos dezanove conselheiros de Estado como se fossem todos iguais. Não são. Nem de longe, nem de perto. Por isso, quando falou do Jardim Zoológico e na sua «renovação», em que é que estaria verdadeiramente a pensar?

ZOO

Num momento pouco feliz, Cavaco Silva referiu-se aos dezanove conselheiros de Estado como se fossem todos iguais. Não são. Nem de longe, nem de perto. Por isso, quando falou do Jardim Zoológico e na sua «renovação», em que é que estaria verdadeiramente a pensar?

AO MESMO


A ERC, um corpo esquisito criado pelo governo e pelo dr. Santos Silva, "considerou" que o Jornal das Sextas, da TVI, violou "normas ético-legais". Sempre aqui se escreveu que esta ERC é a ASAE dos jornalistas, uma coisa asséptica destinada a "purificar" a mensagem e a punir o mensageiro. O presidente da dita, aliás, podia perfeitamente ter servido o Estado Novo. Tiques como aquele de rejeitar um determinado profissional para lhe fazer uma entrevista suponho que nem ao Dutra Faria devia ocorrer. A ERC não tem autoridade moral para fazer recomendações éticas. É uma excrecência política do PS escondida sob a capa de "entidade reguladora". Mais valia ter o Arons de Carvalho - essa velha raposa controleira da comunicação social, agora armada em "queixinhas" - como porta-voz. Ia dar ao mesmo.

Foto: Nuno Ferreira Santos, Público

AO MESMO


A ERC, um corpo esquisito criado pelo governo e pelo dr. Santos Silva, "considerou" que o Jornal das Sextas, da TVI, violou "normas ético-legais". Sempre aqui se escreveu que esta ERC é a ASAE dos jornalistas, uma coisa asséptica destinada a "purificar" a mensagem e a punir o mensageiro. O presidente da dita, aliás, podia perfeitamente ter servido o Estado Novo. Tiques como aquele de rejeitar um determinado profissional para lhe fazer uma entrevista suponho que nem ao Dutra Faria devia ocorrer. A ERC não tem autoridade moral para fazer recomendações éticas. É uma excrecência política do PS escondida sob a capa de "entidade reguladora". Mais valia ter o Arons de Carvalho - essa velha raposa controleira da comunicação social, agora armada em "queixinhas" - como porta-voz. Ia dar ao mesmo.

Foto: Nuno Ferreira Santos, Público

ESPERA



José Carreras canta Manuel de Falla, Salzburgo. 1989

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade

ESPERA



José Carreras canta Manuel de Falla, Salzburgo. 1989

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade

27.5.09

DANTAS OU A CONSPIRAÇÃO DE SILÊNCIO


Notável "retrato" de Júlio Dantas, um tão injustamente mal compreendido homem de letras que, no dizer de António José Saraiva e Óscar Lopes, escrevia «num estilo de influência queizoziana". Nas suas "Páginas de Memórias" (Portugália Editora, 1968), ao falar de Oscar Wilde, escreve: «relendo mais tarde algumas páginas do De Profundis - livro cruciante e perturbador! -, pensei nos destinos, às vezes tão diferentes, que a intolerância e a maldade humana reservam aos grandes sacrificados da ciência e da beleza.» Se isto aparecesse no Jugular, por exemplo, alguém se ia lembrar do Dantas? O "pim" de Almada liquidou-o aos olhos da parola intelectualidade indígena. Não merecia.

DANTAS OU A CONSPIRAÇÃO DE SILÊNCIO


Notável "retrato" de Júlio Dantas, um tão injustamente mal compreendido homem de letras que, no dizer de António José Saraiva e Óscar Lopes, escrevia «num estilo de influência queizoziana". Nas suas "Páginas de Memórias" (Portugália Editora, 1968), ao falar de Oscar Wilde, escreve: «relendo mais tarde algumas páginas do De Profundis - livro cruciante e perturbador! -, pensei nos destinos, às vezes tão diferentes, que a intolerância e a maldade humana reservam aos grandes sacrificados da ciência e da beleza.» Se isto aparecesse no Jugular, por exemplo, alguém se ia lembrar do Dantas? O "pim" de Almada liquidou-o aos olhos da parola intelectualidade indígena. Não merecia.

DE VEZ

O Parlamento ouviu, pela enésima vez, o governador do Banco de Portugal, o constante Constâncio. Constâncio disse o mesmo que anda a dizer há sensivelmente quatro anos. Tal como a legislatura, estava na hora de Constâncio e as suas "previsões" terminarem. De vez.

DE VEZ

O Parlamento ouviu, pela enésima vez, o governador do Banco de Portugal, o constante Constâncio. Constâncio disse o mesmo que anda a dizer há sensivelmente quatro anos. Tal como a legislatura, estava na hora de Constâncio e as suas "previsões" terminarem. De vez.

ENTRADA POR SAÍDA

Dias Loureiro, ex-conselheiro de Estado, foi ao telejornal de Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC. A coisa não durou dez minutos. Loureiro limitou-se a não querer comentar Oliveira e Costa e a "explicar" que saiu hoje, não por ser o dia depois de ontem, mas sim porque, em Belém, não havia nenhum pedido para ser ouvido designadamente por órgãos de investigação criminal. Mesmo assim, mandou uma cartinha ao PGR para ser recebido. E foi-se embora. Em que é que isto contribui para a prova de Deus?

ENTRADA POR SAÍDA

Dias Loureiro, ex-conselheiro de Estado, foi ao telejornal de Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC. A coisa não durou dez minutos. Loureiro limitou-se a não querer comentar Oliveira e Costa e a "explicar" que saiu hoje, não por ser o dia depois de ontem, mas sim porque, em Belém, não havia nenhum pedido para ser ouvido designadamente por órgãos de investigação criminal. Mesmo assim, mandou uma cartinha ao PGR para ser recebido. E foi-se embora. Em que é que isto contribui para a prova de Deus?

NEM UM

À D. Elisa já não lhe bastava estar com um pé numa eleição - europeias - e o outro noutra, as autárquicas, no Porto, onde deverá ser adequadamente humilhada. Mas também não está bem na lista do candidato Vital. Ou, pelo menos, não está bem com o que ele pensa. Não admira, pois, que o admirável líder vá a correr a um comício nas suas berças para "equilibrar" tão desequilibrada lista. Nem sequer se trata da velha questão do pensamento único, tão cara ao dr. Soares. É mesmo ausência de um.

NEM UM

À D. Elisa já não lhe bastava estar com um pé numa eleição - europeias - e o outro noutra, as autárquicas, no Porto, onde deverá ser adequadamente humilhada. Mas também não está bem na lista do candidato Vital. Ou, pelo menos, não está bem com o que ele pensa. Não admira, pois, que o admirável líder vá a correr a um comício nas suas berças para "equilibrar" tão desequilibrada lista. Nem sequer se trata da velha questão do pensamento único, tão cara ao dr. Soares. É mesmo ausência de um.

FORA DA QUADRÍCULA

Há sensivelmente três dias, Paulo Rangel - aliás, já o tinha feito anteriormente - alertou Dias Loureiro para a necessidade de mostrar «desprendimento suficiente para (...) deixar as funções.» É outra das vantagens de Rangel. Está fora da quadrícula.

FORA DA QUADRÍCULA

Há sensivelmente três dias, Paulo Rangel - aliás, já o tinha feito anteriormente - alertou Dias Loureiro para a necessidade de mostrar «desprendimento suficiente para (...) deixar as funções.» É outra das vantagens de Rangel. Está fora da quadrícula.

DEVERES PATRIÓTICOS E CABALAS


Estou como o mandatário nacional da candidatura do actual PR e membro do Conselho de Estado. É um dever patriótico Dias Loureiro sair pelo seu próprio pé e falar do que tem a falar livremente. Loureiro é, desde o primeiro dia, um erro de casting de Cavaco apesar de ser um "homem de afectos" dirigidos a gente tão distinta como o Presidente ou Sócrates que, por acaso, mandou nacionalizar o BPN. Mas há mais. O sr. Joaquim Coimbra, amplamente vergastado por Oliveira e Costa, falou em "cabala". Loureiro também já a sugeriu quando disse que Oliveira e Costa nunca gostou dele. Onde é que nós já ouvimos isto?

Adenda: Custou a perceber. Só não se percebe o que é que vai fazer ao PGR. E muito menos se percebe se o PGR o receber.

DEVERES PATRIÓTICOS E CABALAS


Estou como o mandatário nacional da candidatura do actual PR e membro do Conselho de Estado. É um dever patriótico Dias Loureiro sair pelo seu próprio pé e falar do que tem a falar livremente. Loureiro é, desde o primeiro dia, um erro de casting de Cavaco apesar de ser um "homem de afectos" dirigidos a gente tão distinta como o Presidente ou Sócrates que, por acaso, mandou nacionalizar o BPN. Mas há mais. O sr. Joaquim Coimbra, amplamente vergastado por Oliveira e Costa, falou em "cabala". Loureiro também já a sugeriu quando disse que Oliveira e Costa nunca gostou dele. Onde é que nós já ouvimos isto?

Adenda: Custou a perceber. Só não se percebe o que é que vai fazer ao PGR. E muito menos se percebe se o PGR o receber.

O LIVRO


Brevemente, nas livrarias no dia 5 de Junho. Prefácio de José Medeiros Ferreira. Porquê? Há trinta anos, perto da Pastelaria Cister, Medeiros Ferreira saía de uma tabacaria com o filho Miguel pela mão. Abordei-o por causa do "Manifesto Reformador" que tinha sido divulgado pouco tempo antes. Aos dezoito anos, não olhava para a política com a ironia e o desconforto com que a olho hoje. Os Reformadores, em 1979, romperam com a "língua de pau" do dr. Soares e defenderam (como continuo a defender) a liderança institucional do PR. Coligaram-se com Sá Carneiro por causa da flexibilização do sistema económico apesar da Constituição. Como é fácil ser "liberal" agora, em 2009. Mas regresso à Calçada Eng.º Miguel Pais onde mora o Medeiros Ferreira. Deu-me imediatamente um "molho" de Manifestos para distribuir. Ainda fizemos um segundo, o da "juventude reformadora", que redigi. Propusemos, em Abril de 1980, a "elevação" do General António de Spínola a Marechal. Também escrevi essa "proposta" - agora já se pode dizer - "combinada", suspeito, com o Presidente Eanes. Estivemos juntos na CNARPE que ajudou a manter Eanes em Belém depois de uma ruptura do acordo com o PSD. Nos anos oitenta, o Medeiros Ferreira esteve com o PRD e eu entrei no PSD. Acompanhou Zenha, eu fui para o MASP -1 a que ele se juntou na "2ª volta". Ele regressou ao PS e eu deixei o PSD em 2004. Foi dos primeiros a defender o "terceiro Soares" quando Cavaco, o meu candidato, ganhou às esquerdas todas. Nada disto, porém, é importante. Importante é o Medeiros Ferreira ser um espírito livre e independente das baias partidárias. Aceitou, sem hesitações pueris, prefaciar este livro com um texto magnífico. O resto é meu e procura, neste ano de tantos votos e de fim de legislatura absolutista, responder a uma pergunta muito básica: estamos melhor em 2009 do que estávamos em 2005? Ou, como se lê na capa, por que é que estamos como estamos?

Nota: Nada disto teria sido possível sem a iniciativa do Francisco José Viegas, o profissionalismo da Teresa Loureiro e o empenho da Bertrand Editora que aceitaram correr o risco de (me) publicar.

O LIVRO


Brevemente, nas livrarias no dia 5 de Junho. Prefácio de José Medeiros Ferreira. Porquê? Há trinta anos, perto da Pastelaria Cister, Medeiros Ferreira saía de uma tabacaria com o filho Miguel pela mão. Abordei-o por causa do "Manifesto Reformador" que tinha sido divulgado pouco tempo antes. Aos dezoito anos, não olhava para a política com a ironia e o desconforto com que a olho hoje. Os Reformadores, em 1979, romperam com a "língua de pau" do dr. Soares e defenderam (como continuo a defender) a liderança institucional do PR. Coligaram-se com Sá Carneiro por causa da flexibilização do sistema económico apesar da Constituição. Como é fácil ser "liberal" agora, em 2009. Mas regresso à Calçada Eng.º Miguel Pais onde mora o Medeiros Ferreira. Deu-me imediatamente um "molho" de Manifestos para distribuir. Ainda fizemos um segundo, o da "juventude reformadora", que redigi. Propusemos, em Abril de 1980, a "elevação" do General António de Spínola a Marechal. Também escrevi essa "proposta" - agora já se pode dizer - "combinada", suspeito, com o Presidente Eanes. Estivemos juntos na CNARPE que ajudou a manter Eanes em Belém depois de uma ruptura do acordo com o PSD. Nos anos oitenta, o Medeiros Ferreira esteve com o PRD e eu entrei no PSD. Acompanhou Zenha, eu fui para o MASP -1 a que ele se juntou na "2ª volta". Ele regressou ao PS e eu deixei o PSD em 2004. Foi dos primeiros a defender o "terceiro Soares" quando Cavaco, o meu candidato, ganhou às esquerdas todas. Nada disto, porém, é importante. Importante é o Medeiros Ferreira ser um espírito livre e independente das baias partidárias. Aceitou, sem hesitações pueris, prefaciar este livro com um texto magnífico. O resto é meu e procura, neste ano de tantos votos e de fim de legislatura absolutista, responder a uma pergunta muito básica: estamos melhor em 2009 do que estávamos em 2005? Ou, como se lê na capa, por que é que estamos como estamos?

Nota: Nada disto teria sido possível sem a iniciativa do Francisco José Viegas, o profissionalismo da Teresa Loureiro e o empenho da Bertrand Editora que aceitaram correr o risco de (me) publicar.

26.5.09

VITAL, O COBRADOR DO FRAQUE

Falar na criação de um imposto europeu nesta altura do campeonato e, pior do que isso, remeter a coisa para uma nebulosa a explicitar devidamente quando for membro do PE, dá bem a dimensão lunática da aposta num cabeça de lista como Vital Moreira. Depois não se queixem.

VITAL, O COBRADOR DO FRAQUE

Falar na criação de um imposto europeu nesta altura do campeonato e, pior do que isso, remeter a coisa para uma nebulosa a explicitar devidamente quando for membro do PE, dá bem a dimensão lunática da aposta num cabeça de lista como Vital Moreira. Depois não se queixem.

O FIO DE ARIADNE


A prestação do dr. Oliveira e Costa, a "estrela" do dia, revela-nos um homem que já não tem nada a perder. E também - ou sobretudo - revela o regime. O dr. Oliveira e Costa não existiu sozinho. Não existe sozinho. A comissão parlamentar - salvo dois ou três deputados - não está à altura daquilo que ele pode contar sobre o regime e que certamente não deixará de contar a quem de direito. Veja-se a pressa em acabar com os seus trabalhos por parte do PS. Que belo fio de Ariadne.

O FIO DE ARIADNE


A prestação do dr. Oliveira e Costa, a "estrela" do dia, revela-nos um homem que já não tem nada a perder. E também - ou sobretudo - revela o regime. O dr. Oliveira e Costa não existiu sozinho. Não existe sozinho. A comissão parlamentar - salvo dois ou três deputados - não está à altura daquilo que ele pode contar sobre o regime e que certamente não deixará de contar a quem de direito. Veja-se a pressa em acabar com os seus trabalhos por parte do PS. Que belo fio de Ariadne.

OLIVEIRA E COSTA OU OS INFORTÚNIOS DA FORTUNA - 2

São cerca das 18:10. Há pelo menos dez minutos que o dr. Dias Loureiro devia ter pedido a suspensão das suas funções no Conselho de Estado.

OLIVEIRA E COSTA OU OS INFORTÚNIOS DA FORTUNA - 2

São cerca das 18:10. Há pelo menos dez minutos que o dr. Dias Loureiro devia ter pedido a suspensão das suas funções no Conselho de Estado.

OLIVEIRA E COSTA OU OS INFORTÚNIOS DA FORTUNA


Oliveira e Costa, o velho chefe do BPN, regressa à comissão parlamentar presidida pela improvável Maria de Belém. Parece que pretende falar sem comprometer o segredo de justiça. Faz bem. Senão qualquer dia acontece-lhe como àquele comerciante que, no "antigamente", estava numa "casa de meninas" quando houve uma rusga. Pedida a identificação dos presentes, o pobre homem constata, estupefacto, que as "meninas" se declaram cabeleireiras, recepcionistas, manicures, vendedoras, etc., etc. Quando chegou a sua vez, virou-se para os polícias e disse: "Olha-me esta, querem ver que agora a puta sou eu?"