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<b>LER</b><br /><br /><img src="http://www.arcadepub.com/resources/persons/262.gif" border="0"<br /><b> Lawrence Durrell, autor de O Quarteto de Alexandria</b><br /><br />...Lawrence Durrell, <b>O Quarteto de Alexandria</b> (<i>Justine, Balthazar, Mountolive e Cléa</i>). Alexandria, a principal personagem dos livros, aquela Alexandria, não existe mais. Este <b>Quarteto</b> é uma das mais poderosas e belas obras literárias que jamais tive o privilégio de poder ler. Por isso, no dealbar de um ano novo, ocorreu-me a sua revisitação. As traduções portuguesas não são particularmente recomendáveis. Encontram-se na <i>Editora Ulisseia </i>(<i>Clássicos do Romance Contemporâneo</i>). Será sempre preferível qualquer edição original de bolso, que inclua todos os livros, e que se acha com facilidade nas lojas da FNAC, passe a publicidade. Há uma figura recorrente no <b>Quarteto</b>, o do "velho poeta" de Alexandria, Konstandinos Kavafis. Nestes tempos de erradas percepções, de má-fé impune e de profundas ignorâncias, deixo um poema seu, traduzido por Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis. O poema de Kavafis, como qualquer poema, é um mundo que literalmente não reenvia para lado nenhum, como lembra Eduardo Lourenço num dos seus ensaios. À semelhança dos livros de Durrell, o poema diz-nos de um mundo já desaparecido, a que os eventuais leitores emprestam as cores, os aromas e os sentidos que a obra de arte consente, partindo do princípio que são realmente "bons leitores".<br /><br /><img src="http://cavafis.compupress.gr/kavafis.jpg" border="0"<br /><b> Konstandinos Kavafis</b><br /><br /><b>NUM LIVRO VELHO <br /><br />Num livro velho - mais ou menos de há cem anos - <br />por entre as suas folhas esquecida, <br />encontrei uma aguarela sem assinatura. <br />Devia ser a obra de artista assaz forte. <br />Levava por título, «Apresentação do Amor». <br />Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas». <br />Pois era evidente quando se via a obra <br />(com facilidade se sentia a ideia do artista) <br />que para quantos amam um tanto higienicamente, <br />mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras, <br />não era destinado o adolescente <br />da pintura - com olhos castanhos de cor profunda; <br />com a beleza selecta do seu rosto, <br />a beleza das atracções perversas; <br />com os seus lábios ideais que levam <br />o prazer a um corpo amado; <br />com os seus membros ideais moldados para leitos <br />a que chama depravados a moral corrente. <br /></b>
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