11.8.08

HÁ DEMASIADO TEMPO


Enquanto por cá não se passa convenientemente nada, a Rússia, a velha Rússia que aprendemos a admirar na melancolida eslava e cruel inscrita nas entrelinhas da sua melhor literatura, demonstra ao mundo que, apesar da desagregação dos impérios (o dos czares e o do PC), é uma potência e possui um exército. Pode não ser o glorioso "exército vermelho", mas é a mesma "ideia" de exército e de poder militar independentemente da sua cor, uma coisa de que, por cá, no "ocidente", nos desabituámos por termos transformado as tropas em meritórios "exércitos de salvação"e em panfletos "humanitários". A Rússia de Putin - não vale a pena sequer mencionar o outro senhor, o presidente - tem uma noção de prestígio e de território que é impossível de entender pelos "registos" correctos em vigor. Pelo sim, pelo não, leiam os russos. Aproveitem a idiotia corrente e a modorra estúpida do verão para perceber "este" mundo. Está lá tudo dito e redito há demasiado tempo.

8 comentários:

josé cabral... disse...

Ainda bem que o Putin mostrou ao Mundo que não vai contemporizar mais com a reles diplomacia europeia do Sr.Solana e do Sr.Kourchner que criaram um grande problema nos Balcãs.

lusitânea disse...

Os EUA é que são o aliado nº1 da Georgia.Esta tentou a sua chance.Já se viu que perdeu.
O que interessa realçar é que por cá desarmaram alegadamente por "encomendarem" a segurança do país ao mesmo protector... donde passaram a dormir mais descansados e por poderem despedir "concorrentes" perigosos na disputa do poder.
Vê-se cada vez mais claro que colocaram o país tal como já fizeram com a economia na roleta do casino...

Anónimo disse...

o sujeitinho que dá pela alcunha de presidente faz os seus números dos "robertos". a imperial federação mantém-se devido ao facto das forças armadas servir de suporte às máfias igualmente saídas da urss.
a vizinhança ou tem juízo ou fode-se.
a europa rasteja o que for preciso por uma gota de petróleo.

radical livre

Cáustico disse...

Não há muito tempo atrás, era habitual ouvir-se a afirmação, feita sempre por merdas do socialismo, por quem havia de ser, "travestidos" de democratas, que os EUA provocavam as guerras por todo o lado para as suas fábricas poderem vender o material de guerra que fabricavam.
Sempre que surgia um conflito, estava atento e procurava saber que tipo de material bélico estava a ser usado pelos contendores.
O resultado da pesquisa era quase sempre o mesmo: o lado que iniciava o conflito tinha armas russas.

Anónimo disse...

Caustico,
não acredita que uma guerra a sério, no Irão,
dava um jeitão ao complexo militar industrial?
A definição de complexo não é minha, é de um antigo presidente USA.
Bravo

Anónimo disse...

A Rússia mais não faz do que imitar o Ocidente na crise dos Balcãs. A Geórgia, sustentada pelos EUA tal como o Kosovo, embandeirou em arco e chegou-se à frente, mas perdeu. Que os americanos não vão enfrentar Putin, tal como enfrentaram Milosevic. Meterão o rabo entre as pernas e ficarão pelas declarações e protestos, de parceria com Sarkozy. E afinal é muito mais lógico juntar as duas Ossétias na Federação Russa do que ter retirado o Kosovo à Sérvia. Espera-se que isto sirva de lição aos chamados democratas do neo-liberalismo, uma espécie que importaria extirpar da face da terra.

Manuel Pessanha disse...

Numas circunstâncias vagamente análogas Staline perguntava "Quantas divisões blindadas tem o Papa?". Putin acaba de perguntar com a mesma clareza."Quantas divisões blindadas tem a UE?"

Cáustico disse...

As detestadas guerras, sejam quais forem os intervenientes e o lugar onde deflagrarem, infelizmente fazem sempre um jeitão a muita gente, principalmente a quem negoceia em armas.
Também penso que aquilo que se está a passar na Geórgia é o reflexo do que se passou no Kosovo. Aqui, a Europa e os Estados Unidos erraram ao apoiar os muçulmanos, que constituem a próxima praga de que teremos de nos defender. Só que, quando atacarem, talvez jã não haja defesa possível.