Um comentador do post anterior acusa-me de contradição. Se Salazar é o que nós somos, como posso eu "defendê-lo"? No programa da D. Elisa, já no fim, quando ninguém estava a ver, disseram-se duas ou três coisas relevantes. Em primeiro lugar, tratou-se de um concurso, de um entretenimento, e não de uma revisão da história. Em segundo lugar, os 41% do Doutor Salazar, num universo de 200 mil votantes, é uma pequena mas significativa manifestação de desagrado pelo "estado da arte" democrática. Por fim - digo-o eu - Salazar foi, perante o descalabro ético deste regime, um grande visionário quando nos classificou como ingovernáveis. Não era ele anti-moderno, anti-cosmopolita e profundamente "da terra"? Em que é que nós somos diferentes desta concepção? O salazarismo limitou-se a dar sequência à saga do "Portugal dos pequeninos" que continuamos a ser às mãos do pobre ilusionista Sócrates. Salazar, o homem, esse permanece exemplar na probidade e no sentido - dele, naturalmente - do serviço público. Só para assistir ao incómodo da meia dúzia de luminárias do regime por causa do resultado de um concurso - como se eles fossem os donos das consciências dos outros graças à sua suposta "superioridade" democrática ou intelectual - já valeu a pena.
15 comentários:
Resisti todos estes meses à tentação de votar (não conheço ninguém que tenha votado, embora admita que as pessoas mentem, e muito); da maneira como as coisas iam nesta última oportunidade dada pela RTP, apeteceu-me gastar uns quantos "cêntimos de euro", mas resisti. Se decidisse fazê-lo, tentaria desencantar 9 números para maximizar o meu protesto contra aquilo que, no final, foi quase consensualmente (tirando a sensual ira da Odete Santos) considerado um voto de protesto contra... isto. Afinal, pode-se protestar o protesto, não? E, se o é (um protesto difuso, ignorantemente apoiado num pobre velhote que já nasceu assim, velhote), mais vale votar num claro exemplo de vida corriqueirinha, de funcionário público, que fez as únicas directas (entenda-se por tal noites sem dormir) a assinar papeladas que nem estavam em atraso nem sequer eram urgentes e que por acaso salvaram uma porrada de vidas. Humanas, não de portugueses. Grande Homem, grande Português. Mas não votei. No entanto, ainda há gente e coisas que me emocionam, aqui. Das gentes, ele e outros muitos enormes. Das terras, as que engolem os engolidores de uma História ainda em fogo. Maravilhas desta democracia anti-moderna, anti-cosmopolita e "da terra". Que adoro, ainda. Ainda sou muito novo. Estava algures, longe daqui, vou voltando, vou voltando... Vou podendo sair e voltar e sair de novo pela manhã. Salazar morreria sufocado num mundo tão arejado. Tão belo, em última análise. Agora. E por agora.
André Guerra
SALAZAR, se viesse ao mundo, RIR-SE-IA muito .....muito mesmo!!
Ele tinha razão e conhecia os portugueses como eu conheço as minhas mãos!!
SOMOS MESMO INGOVERNÁVIES!!!
A Odete Santos, que admiro o seu intelecto, fez uma figura rídicula......
O Prof. Rosado Fernandes e o Escritor Fernando Dacosta, na minha opinião, foram os únicos que resumiram com rigor a vitória de Oliveira Salazar neste "concurso".
E, a existirem "sinais" que dele possam deduzir-se, acho que são excelentes "sinais à navegação" ...
mandem vir outro e vão ver onde vão parar os blogs, só para dar um pequeno exemplo ...
Era claro,
desde o início deste"concurso"(OUTº/2006)q Salazar seria o vencedor.E as razões são exactamente as referidas p/2 entidades referidas no"Coment"anterior:Rosado Fernandes e Dacosta.É mesmo verdade:Os Portugueses não acreditam nos políticos de hoje e estão revoltados c/tt descaramento do uso e abuso da "coisa pública". Já dizer q os portugueses são ingovernáveis,tenho dúvidas,especialmente qdo é o próprio Salazar a dizê-lo,tendo sido Ele 1"longo" Governante: 40anos-e como tal um forte exemplo de que conseguiu GOVERNÁ-LOS como nenhum outro governante português-nem talvez Reis!!!E,a tal oposição ao regime,resumiu-se a meia dúzia de lecas:1s grupos de operários e 1s qtos estudantes,sem corpo,sem unidade,sem organização,nem número bastante!Uns presos...sim.Mas foi preciso os militares mexerem-se!?E estes eram "capitães"!!!Onde estavam os Almirantes e os Generais?Entretanto,passaram-se 30 anos pós 25Abril e o que vemos?A degradação,ano após ano,dum país-zinho(desasado d s/império)governado alternadamente p/PSD e PS,polítiqueiros,corruptos e ladrões!Agora deu-lhes p/arranjar 1culpado:o Funcionário Público,aliás,a Administração Pública!Vejam só,atacam exactamente,a tal grande manjedoura onde eles TODOS,todinhos(partidos)lhes dá geito virem sacar os MILHÕES de €€€ ds Contribuintes e Funcionários.é AQUI Q VÊM buscar o dinheirinho p/pagar os montões de estudos feitos p/amigos(mas q nunca se veem,ou q nunca se fazem, ms PAGAM-SE BEM),p/eles próprios em conluio c/Obras Públicas megalómanas q dão sp uns bónus graúdos p/respectivos Partidos(+de 40% d «trabalhos-a-mais»!E,bastava só isto,apenas esta compação destes pulhas c/Salazar:é q este Homem de StªComba não nos roubou!E,tentou até ao último dia da s/vida, manter o LEGADO,o tal Universo Mundialq outrora os N/Reis(aqueles visionários como D.JOÃOII ou INFANTE D.HENRIQUE)conquistaram p/honra de Portugal,cujos feitos gloriosos Camões tão bem cantou!
Midarte.
1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;
1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;
1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;
1944
General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Ma
Grandes portugueses são os tipos da Optimus. Lançaram um cartão, o PIONEIROS, em que falas a 0,027€ por minuto!
Batam lá este feito!
O que as pessoas não comem é como se pode ser contra Salazar e defender Estaline!
Quanto aos pelotões franquistas foram horríveis, mas não se esqueçam dos pelotões comunistas que se viraram muitas vezes contra aqueles que defendiam a república espanhola. Perguntem aos socialistas e aos anarquistas da Catalunha!
Eu vivi no regime de Salazar e vivi num país de regime comunista. Espero nunca ter que optar entre estes dois regimes, mas se a isso fosse obrigado, com mágoa é certo, mas o regime comunista é que não escolheria!
Quanto aos políticos actuais, ao menos que de Salazar e Cunhal, copiem o exemplo de honestidade e dedicação à coisa pública. Quanto ao resto estavam bem um para o outro!
O salazar fazia falta para acabar com este blog...é triste que em vez de contribuirem para o bem nação (produzindo mais e melhor nos seus postos de trabalho, pagos pelos contribuintes)venham para aqui dizer mal apenas por desporto ou então por falta de vida pessoal!
Vão mas é trabalhar...pois não tem moral para criticar ninguem, cambada de pseudo intelectuais.São, noemadamente o Srº JG, politicamente/intelectualmente desonestos.
Rui Silva Resende
Seguindo a cronologia. Centenas de milhar de inocentes são perseguidos , torturados e chacinados na sequência da exemplar descolonização que se seguiu ao 25 de Abril. E ainda não acabou!
Seguindo a cronologia. Centenas de milhar de inocentes são perseguidos, torturados, escravizados, mortos ou estropiados, na sequência da "exemplar descolonização", cuja responsabilidade justificava sobejamente que alguém sentasse na cadeira dos réus do T.P.I.
O "fascismo" é muito capcioso. Encontramo-lo frequentemente, quando não sempre, na própria topologia da sua extenssíssima de-negação soviética, com os seus (largos) milhões de mortos, "processados", e deportados. Por cá, sem prejuízo da barbárie, conseguimos contá-los quase um a um.
Cardar Monsieur !
Sendo apenas um concurso de diversão, resta destacar o dramatismo com que o mesmo se revestiu. Tentar excluir alguém que foi uma figura histórica indiscutível pelo facto de ser incómodo, provocou uma óbvia onda de indignação. Porque razão Cunhal era indiscutido e Salazar não podia constar da lista? Parece que pouca gente entendeu os grandes desafios que Portugal se defrontou no séc. XX em que Salazar, enquanto lider incontestado teve que enfrentar e decidir. O saneamneto finaceiro que resolveu bem, a guerra civil de Espanha em que evitou males maiores, a segunda guerra mundial e a aliança com a Inglaterra que permitiu a neutralidade do País em circunstâncias muito difíceis e, por último, o fim do império que havia sido a nossa referência desde o século XV. Aqui Salazar falhou, razão pela qual se deu o 25 de Abril.
A segunda figura histórica mais importante do século XX em termos políticos foi Mário Soares que, com êxito, possibilitou a entrada de Portugal na UE, findo o ciclo do império. Seriam estas duas as figuras políticas de referência da nossa história recente. Infelizmente, o PCP conseguiu substituir este último por Álvaro Cunhal o que não deixa de ser lamentável. josé rocha
Caro anónimo anterior:
Deus o livre do mau carácter de mário soares. Alvaro Cunhal era honesto, lutou por um ideal em que acreditava, desligado de honras, pompas e circunstâncias, não se acomodou ao bem-estar da família, foi COERENTE! Foi o OPOSTO desse ignóbil político m.s. que "nunca olhou a meios para alcançar os SEUS fins" e sempre se serviu (e ainda serve!!!) do povo como escadote para atingir a sua pseudo-glória. Sabe, caro anónimo, "EM TERRA DE CEGOS, QUEM TEM OLHO É REI!!"
Esta é para "desanuviar" :
«a odete santos a cair-lhe o dentinho durante a votação do salazar». (Arrebenta)
ehehehe ...
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