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<b>A CULTURA DOS PEQUENITOS</b><br /><br /><img src="http://www.hotel-dona-ines.pt/Coimbra/porta.jpg" border="0"<br /><br /><div align="justify">Pelo rádio do carro, percebi que terminava a "Coimbra Capital da Cultura 2003". Vieram às ondas radiofónicas várias "personalidades" ligadas ao evento fazer o costumado balanço. O Sr. Presidente da Câmara exultava, de um lado, o comissário da dita Capital da Cultura exultava menos, por outro lado. Lamentava este fundamentalmente a gestão financeira da coisa, presume-se que por parte do Ministério de Pedro Roseta, que também falou. Do que me foi chegando desta Coimbra 2003, parece-me que o evento ficou dentro dos padrões da "mediania baixa" em vigor para o sector, sem se que saiba se e quando se vai seguir a "nova capital". Talvez por isso se tenha optado por levar a efeito a <i>performance </i>de encerramento no "Portugal dos Pequenitos" ,de Bissaia Barreto. De alguma maneira, ficou tudo em família. A benefício de inventário simples, este ano encerra-se, no sector da cultura, sob o signo do "muito pequenito". Um orçamento "pequenito", uma gestão caseirota e merceeira "pequenita" e uma visão global da coisa tão "pequenita", tão "pequenita" que nem completamente agachados conseguimos "entrar" nela. Para quem ainda se lembra, na Lisboa 94, o responsável pela "promoção" era o agora adjunto ministro, o Dr. Arnaut, que o Dr: Barroso quer que "ajude" a "promover" o Governo. De facto, este sector - a cultura-, como tantos outros, precisa decididamente de "crescer", sem fanfarronices nem temores "anti-intelectuais". Quando escrevemos "cultura", pensamos em qualquer coisa que tem a ver com a qualidade de vida de todos e de cada um de nós, e com a maioridade cívica da comunidade. Com a mentalidade "pequenita" e saloia não vamos rigorosamente a lado nenhum, podem ficar descansados. Uma "leitora identificada", como se diz na gíria, enviou-me um <i>mail</i> do qual retiro o seguinte excerto: <i>concordo quase sempre com as suas opiniões, e lembro-me neste momento daquele em que referiu as diferenças entre as qualidades de Sá Carneiro e as de alguns de hoje!!..... Que distância.... E lembro-me também daquele em que refere Magalhães Godinho.... Sabe que, nesse dia, fui à Livraria Sá da Costa e disse à senhora que me atendeu que queria comprar os Ensaios de Magalhães Godinho. A senhora olhou para mim e perguntou: Quem é esse senhor? É português?? <br /></i> Perceberão, alguma vez, os responsáveis por esta "cultura de pequenitos", de que falamos quando falamos de cultura?
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