6.10.11

DISTRAÍDOS

«Passámos a última década distraídos, muito distraídos. Primeiro, com a declamatória "estratégia de Lisboa" aprovada em 2000, que deveria ter feito da União Europeia "a economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, antes de 2010, capaz de um crescimento económico duradouro acompanhado por uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e uma maior coesão social"... Depois, arrastando os problemas institucionais da UE, de cimeira em cimeira, de tratado em tratado, só descobrindo a quase inutilidade de tudo isto quando a ratificação do último, o Tratado de Lisboa, coincidiu com o rufar dos tambores da crise, a dizer que afinal os problemas que se impunha tratar eram outros.»

Manuel Maria Carrilho, DN

3 comentários:

Anónimo disse...

É verdade e válido para a maioria; e Carrilho está incluído nessa maioria. Foi ainda nesta 'última década' ministro, candidato, enfim um político. Desde 1997-98 que no meu meio - a construção civil - era visível que para além do mega-balão de oxigénio que era a Expo e de mais alguns investimentos do Estado, tudo iria findar em holocausto - por falta de sentido, por falta de necessidade, por falta de dinheiro; e todas as actividades económicas, comerciais e industriais, ligadas ao sector também sentiam o mesmo (embora a Psiquiatria demonstre cientificamente porque razão todos estavam desejando ignorar os sinais negros...). A pergunta que qualquer pessoa com dois dedos de testa fazia e repetia nessa altura (2002) era: "do que irá este País viver agora? O que iremos fazer depois? Que actividades nos permitirão manter a ida ao supermercado? De onde virá o dinheiro quando se acabar o úbere-europeu?" Pouco tempo depois Barroso fechava a torneira concluindo que o País estava de tanga. Todavia, o "fim das ilusões" não se deu nessa altura, nem em 2007 com os bancos no vermelho, nem em 2008 com as bolhas a rebentar, nem na campanha de 2009 com os 2.9% de aumento salarial, nem com o pedido de resgate da Grécia, nem com o pedido de resgate de Portugal, nem com o discurso do 5 de Outubro de 2011. Para os optimistas inveterados, o fim da ilusão chegará apenas e só quando perderem eles próprios o emprego, as suas contas bancárias, a sua vida, os seus objectivos, a sua comida; para os políticos bem colocados haverá sempre alguma doce e suave saída - que todos os dias preparam mais estofada e rica, não vá o diabo aparecer antes de tempo. Que o povão ande uma década distraído ainda se percebe - por isso se chama 'povão'; que a casta de S. Bento - paga para trabalhar e defender os interesses do País - se distraia e seja incompetente devia levar a castigo exemplar; o tal que carrilho ainda não interiorizou ser indispensável para a "revitalização da responsabilidade".

Ass.: Besta Imunda

jlbdias disse...

Abençoado blogue que tem comentários deste teor!
João Dias

Anónimo disse...

Nenhuma palavrinha sobre o Steve Jobs, JG?