6.10.10

UM ESCLARECIMENTO

Em comentário a este post, José Manuel Fernandes escreve o seguinte:

«Caro João Gonçalves,
Permito-me corrigi-lo: eu não acenei com a cabeça. É verdade que não contrariei essas afirmações, pois tinha outros assuntos para falar, mas se por acaso lê o que escrevo deverá saber que defendo a ADSE como modelo complementar/alternativo ao SNS. Se não lê, posso-lhe mandar os textos.
José Manuel Fernandes»
Agradeço penhoradamente ao JMF a atenção mas sugiro que, da próxima vez que ouvir baboseiras das do género que o não sei quem perpetrou ao pé de si, as corrija imediatamente. É tempo - sobretudo neste em que abriram as barraquinhas de feira de tiro ao alvo na função pública - de alguma "tudologia" saber, pelo menos, ler, escrever e contar. Como não disponho dos seus acessos (estou banido por natureza), fico-lhe grato. Quanto a outros leitores que comparam os descontos para a Segurança Social com "descontos" para o SNS, nem vale a pena perder tempo. Mesmo que não percebam nada de impostos e de finanças públicas, ao menos entenderão que, entre outras coisas (e, sim, os malditos funcionários públicos, no activo ou aposentados, pagam IRS como as pessoas "normais" e descontam para a ADSE), servem para subsidiar o SNS dentro de um princípio (que não me apetece explicar) de não consignação da receita pública.

Adenda: (de JMF):

«No Público, a 23 de Julho passado, escrevi o seguinte:
"Um primeiro exemplo é o do estatuto da ADSE, o sistema de saúde dos funcionários do Estado. Qualquer cidadão que já tenha contactado com os benefícios desse sistema gostaria de estar inscrito na ADSE. E é fácil perceber porquê: o utente pode escolher livremente entre serviços públicos e privados e as taxas que tem de pagar são muitas vezes menores do que as do SNS. Pode-se, por exemplo, ir ao seu médico e não ao médico que o Estado escolhe. Mais: de acordo com um estudo divulgado há um ano e publicado em livro (Saúde: A Liberdade de Escolher, de José Mendes Ribeiro), o custo deste sistema para o Estado é menor, por utente, do que o custo do SNS. Ou seja, temos em Portugal, há muitas décadas, um sistema público de saúde que os nossos bonzos talvez classifiquem de “neoliberal” e feito para “encher os bolsos dos privados”, mas que é eficiente sem deixar de consagrar a liberdade de escolha a que aspiram milhões de utentes."
Não mudei de opinião.
José Manuel Fernandes

13 comentários:

joshua disse...

Tudo esclarecido, parece-me.

Anónimo disse...

continuamos sem saber se a ADSE se financia apenas com as contribuições dos seus próprios beneficários ou se tem de recorrer também ao Orçamento do Estado...

Anónimo disse...

Vá lá João diga-me como eu, assalariado do sector privado e que não pago um cêntimo para o SNS, embora de um ordenado mínimo e meio contribua eu e entidade patronal com mais de 220,oo€/mês para a SS, posso pertencer ao "clube" da ADSE? Não me importava nada... Agora, se não posso, então não venham com tretas e assegure o estado a todos um mínimo de protecção na doença e depois quem quizer e puder terá o seu seguro de saúde.
Por aqui se vê que a retirada de privilégios causa logo uma reacção, um pouco tonta, diga-se, de quem deles beneficia. Também e cada vez mais, considero que não será possível, em democracia, reformar em tempo útil o estado muito embora seja visceralmente contra qualquer ditadura.
Não temos nem a cultura nem a educação cívicas e muito menos a noção do bem comum que outros povos têm. Não vamos longe...

João Gonçalves disse...

Os preclaros comentadores são pessoas "normais" que devem pedir essas explicações aos seus semelhantes, não acham? Eu sou o menos indicado para os esclarecer porque não fui tocado pela graça da "normalidade" e da "noção do bem comum". Um tonto, em suma.

Traque Back disse...

"dentro de um princípio (que não me apetece explicar)"

Se fizesse um esforço para explicar talvez um de nós percebesse o completo equívoco do outro.

João Gonçalves disse...

Vá ler um manual de finanças públicas. Na parte sobre o orçamento. Imagino que saiba o que é. Pelo menos isso.

Helder Ferreira disse...

Caro João,

o IRS dos funcionários é um fenómeno puramente contabilístico, não pagam impostos directos, o que em si mesmo não tem mal nenhum. Se não se sentir ofendido posso explicar-lhe. Pense na reforma fiscal de Miguel Cadilhe e como passaram a "pagar" IRS.

Eduardo F. disse...

Bem, embora eu me tenha tornado, com os anos, um perigosíssimo ultra-neoliberal, não queria deixar de acompanhar o João Gonçalves na sua indignação contra a inanidade.

Para os que não percebem de finanças públicas, pede-se-lhes apenas que apliquem, se puderem, as regras do bom senso. Bastará para afastar as erupções de idiotismo.

Lucca disse...

AH!AH!AH!AH!

Boa,caro J.Gonçalves!!!

Anónimo disse...

O português, por regra, é invejoso. Em vez de reinvindicar para si o melhor, tenta destruir o que o outro tem ou fez por conseguir.

Exemplo. Os bancários tiveram (têm?) um sistema de garantias sociais de excelentíssima qualidade. Eram (são?) um modelo a seguir e a reinvindicar. Correcto?

Nunca quis que o deixassem de ter, bem pelo contrário EVIDENTEMENTE.

O que gostaria era que outros seguissem o modelo dos bancários (outros grupos profissionais/empresas), que o reivindicassem.

Nada de comparar o regime da ADSE com os regimes de protecção na Saúde dos bancários ou dos trabalhadores da ex-EDP. Sei do que falo.

A

Traque Back disse...

Estou a ser mal compreendido.
Nunca disse mal da ADSE. Para mim, hoje reformado da Segurança Social, a ADSE só me causa inveja.
Paguei 34,75% do meu salário para a SS, para além dos descontos unversais, como o IRS. O meu sentimento perante a Função Pública é de pura inveja. Se tivesse sido FP c/ ADSE teria descontado muito menos, podia escolher o médico em vez de me ser imposto um "médico da caixa", estaria hoje a receber o dobro da reforma que recebo, teria, eventualmente, trabalhado muito menos, e sem o stress do despedimento iminente.

Anónimo disse...

Meu caro Traque Back,
não percebo nada de ADSE nem de FP. Nem quero perceber. Apenas quero apoiar as suas palavras, cujo significado para nós (o "nós" aqui não significa que tenha de haver um "eles") é bem conhecido: "...o stress do despedimento iminente". Trata-se justamente disso, ou para mim "o stress quando não há trabalho"; e é uma coisita que os FP's só podem imaginar (e ainda bem). Ainda por cima, 'parece' que na actividade privada só se ganha fortunas! Parece; sabemos bem que é tanga: hoje ganha-se X, amanhã ganha-se 0xX, ou seja 0. Cumprimentos.

Ass.: Besta Imunda

M. Abrantes disse...

Helder Ferreira,

Os funcionários públicos têm um salário base, entendido como a recompensa do seu trabalho - tal como os trabalhadores de qualquer empresa subcontratada pelo estado. Sobre esse salário base pagam impostos, à cabeça.

Designar por "fenómeno puramente contabilístico" este desconto, é achar que os funcionários públicos são propriedade do estado. Ora bem, como é mesmo o emoticon para manguito?