24.10.10

CECI N'EST PAS UN SOULIER

Ainda não consegui decidir se Joana Vasconcelos é mais uma beneficiária de algum charlatanismo que tomou conta da chamada arte contemporânea ou se é mesmo genial. Talvez o Carlos Vidal me possa ajudar.

29 comentários:

Anónimo disse...

Aquele monstro que está a assombrar o Terreiro do Paço só incinerado.

Anónimo disse...

O Carlos Vidal e o Frei Bento Domingues equivalem-se.

Descubra outros gurus que estes já passaram à história....

De nihilo nihil disse...

Um embuste.

Anónimo disse...

É a "arte" que está reduzida ao choque.
Ou seja não é arte, é simplesmente vigarice. Vigarice política obviamente porque ninguém coloca uma coisa ali sem política.
Vamos vê-la na campanha eleitoral a preencher a cota dos "artistas".

lucklucky

Anónimo disse...

Uma coisa não excluiria a outra: há tanta gente a sorver apoios-cultrais e "encomendas", que no meio talvez um ou outro se safe como algo que valha a pena apoiar. Mas no caso desta cachopa, não. Inventou uma receita (eu próprio já inventei dúzias, e acerca de vários assuntos...) e soube puxar o badalo certo. De mulher que a sociedade nazi-bulímica-anorexica actual rejeitaria como inapresentável, passou a coquelux de apreciadores facilmente pasmáveis (como nas feiras). E acha que aparentar inteligência transbordante é o mesmo que transbordar dela. Mérito tem, isso sim, em fazer de outros uns simples - é inegável. Grande parte da arte contemporânea, tal como nos é impingida, é uma blague vácua que só sobrevive de pequeninas ideiazinhas sem alcance que os "artistas" vão espremendo: não faz frente a nada, não critica nada, não aponta para nada e não fere ninguém a sério; e apoiar Algo, muito menos! Nada de nada. Enquanto houver publicidade, grande parte da "arte contemporânea" estará sempre num terceiríssimo plano, e a precisar de glossário.

Ass.: Besta Imunda

Marota disse...

Esta Senhora é mais malabarista que artista. Deve ser amiga do autor deste mamarracho: http://pimpmyportugal.blogspot.com/2010/05/praca-25-de-abril-em-lisboa.html

Anónimo disse...

A arte de Joana Vasconcelos é sinceramente kitch: não como expressão do mau gosto mas com a metodologia e objectivaçao das suas peças.Creio que Joana não tem culpa, e acho mesmo que não necessitou de se aproveitar do sistema, pois o sistema é que se aproveita dela.

joshua disse...

Arte.

Anónimo disse...

Sempre houve dois tipos de artistas: os retratistas ao serviço da corte, e os que pintavam os fuzilamentos. Uns ao serviço do poder e outros que o denunciam. Os artistas são perigosos, quando tem a denuncia como razão maxima do seu trabalho.
O trabalho de jv é o espelho do poder, kitch, despropositado, feio, onde não é preciso pensar para entender, dirigido às camadas que pouco instruidas da sociedade, que tb tem direito à arte, à arte para as massas.

observador disse...

Caro João,

Sofre o problema estético da Arte, promovida pela fulana, não me vou pronunciar.

Mas só facto de lhe provocar a questão põe, leva-me a pensar que ela não será má de todo, dado que o põe a interrogar-se e a pensar ...

Vantagens de não ter de aturar, nem estarmos subjugados á censura de S, de que tanto gosta ...

João Gonçalves disse...

Vc., Observador, já enjoa com essa do S. Seja criativo como a artista.

Anónimo disse...

Conheço a obra da Joana Vasconcelos há alguns anos, e de facto a senhora sabe que faz! A Arte da Ideia.

Por outro lado, coloquemos a questão de outra perspectiva: quantos indivíduos com ideias brilhantes existem em Portugal que conseguem, de facto, colocar em prática ou materializa-las?

A resposta é óbvio...

Cumprimentos.
DMC

Mani Pulite disse...

O SAPATO IDEAL PARA PISOTEAR A MERDA DE CÃO QUE ENCHE AS RUAS DE LISBOA LIMPAS PELO GENIAL EDIL COSTA,ESSE UM VERDADEIRO ARTISTA DE PRIMEIRA.

Anónimo disse...

"Sempre houve dois tipos de artistas: os retratistas ao serviço da corte, e os que pintavam os fuzilamentos."

Assino por baixo! Na mosca.


Uma ultima ideia, como diria Pacheco Pereira, estamos perante o "culturalês".

Cumprimentos.
DMC

Anónimo disse...

Se seguirem com atençao as obras da artista verificaram que esta é deficitária em relação ´à representação, isto é: Não sabe desenhar. O desenho é a base de toda a arte visual. Só se engana quem não sabe...mas na literatura tb há tanta gente a ler livros de super mercado...

Anónimo disse...

Até ao fim do sex xix, toda a escultura só elogiava os mortos e os herois. Com brancusi no inicio do sec xx, a escultura desceu do pedestral com o voo de passaro.
Depois veio duchamp e lixou isto tudo abrindo as portas com o urinol a todo um exercito de artistas incapacitados, contudo pensadores virtuosos mas pouco talentosos.

Karocha disse...

Que falta de chic JG!!!

Anónimo disse...

A Joana faz umas coisas,
tipo "ó saloio olhó balão",
tipo "loiça das caldas".
Fora de escala,
fora de contexto,
conteúdo primário,
que vende ao Berardo,
como "arte".

São expostas e promovidas,
como ignóbil provocação,
em locais públicos,
em jornais e televisões,
na Casa da Cultura de Belém,
oferecida à reles especulação
do senhor comendador.

Desinteressadamente, o Berardo faz o milagre:
Compra um pedaço de lixo,
e transforma-o em "obra de arte".

O Estado paga, e promove a pouca vergonha.

Marota disse...

Também sou uma grande artista portuguesa, mas gosto mais de bordar florzinhas, porquinhos, abelhinhas, vaquinhas, gnomos e muitas outras coisinhas. Bordar sapatos só o fiz umas duas ou três vezes e foram sempre sapatinhos de gnomo pézudo. O Natal aproxima-se e se não souberem o que oferecer aos vossos mais queridos, comprem saquinhos Garota da Marota! Tudo feito à mão. Os motivos são todos de autoria da grande artista ;).
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Xico disse...

"Sempre houve dois tipos de artistas: os retratistas ao serviço da corte, e os que pintavam os fuzilamentos. Uns ao serviço do poder e outros que o denunciam."
Caro anónimo das 11.55PM
Nesta sua definição onde colocaria Goya? Pintor ao serviço da corte e portanto ao serviço do poder ou o que pinta fuzilamentos, portanto do lado dos que denunciam?
A melhor arte que temos no mundo ocidental esteve quase sempre ao serviço do poder, desde a capela sistina aos quartetos de Beethoven.

Anónimo disse...

Para o anonimo das 12.08
A arte não vive de ideias, senão todos os artistas eram idiotas. e quanto mais idiota mais artista

Anónimo disse...

para o xico das 3.00
Colocava goya na parede da minha sala.

Carlos Vidal disse...

O caso de Joana Vasconcelos é, de certo modo, didáctico, é um case study importante para estudarem-se relações entre questões "internas"/formais da obra, seu deslizamento para estruturas sem coesão (formais, de conteúdo e seu desligamento) e recepção comercial/institucional. Para já, para já, quando uma obra afrouxa dimensões a nível de conteúdos e exibe uma suposta "alegria" formal, ela torna-se querida dos poderes (e do mercado) e suspeita aos olhos da crítica. É o caso. Claramente. Mas a suspeita da crítica (quase geral) para com esta artista, por si só, não é uma coisa má para a obra, que pode sempre ser reavaliada em ciclos imprevistos. Não é tanto este caso. Vejamos. Aceitemos partir dos velhos termos forma/conteúdo. No início, quando executou trabalhos como o conhecido "Sofá Aspirina", 1997, ou a "Cama Valium", 1998, JV tentava fazer, com uma forma modesta (fazendo recordar módulos ou modulações minimais à Donald Judd), tenatava fazer uma espécie de radiografia de uma sociedade que espectacularizava (e espectaculariza) o reforço ou o emprego da droga farmacêutica para que o mundo se afigure suportável. A utilização da Aspirina em série, neste trabalho, era uma forma irónica de criticar a indústria química que vive das fragilidades humanas, digamos, fazendo-se passar por uma "indústria que vende bem-estar". Condição sine qua non do bem-estar, deste modo disponível e à venda. Esta crítica paródica da sociedade, a partir de um certo momento, encolhe, dirige-se não se sabe bem porquê, para uma brincadeira com o "kitsch luso", uma categoria problemática e sem grande fundamento (pois só é perceptível através de um estudo do kitsch e sua estrutura geral, o que não foi feito). A crítica anterior (à "química do bem-estar") foi então aplicada à portugalidade e ao que nela há de mau-gosto, depois a prática crítica desaparece de todo e torna-se pura "celebração da portugalidade", o que já se desvia das questões estéticas para passar para uma espécie de "arte" ligada à indústria do turismo (os cães de louça eram críticos, um pouco, mas as rendas de bilros são aqui "festivas" - mas atenção: as rendas não precisam desta obra para serem belas ou festivas: um equívoco da obra, portanto). Portanto, o que acontece? Um afrouxamento/desaparecimento das potencialidades críticas, um afrouxamento gradual e progressivo, e um aportar a uma "arte" de pura diversão em que o conteúdo se sacrifica à festividade formal à beira do vazio. Daí que nesta obra as questões estéticas interessem cada vez menos: o sapato Marylin de 2009,na foto, é uma ampliação escalar de um sapato, algo que Oldenburg fazia há décadas, levando a arte pop para a absurdização da escala da banalidade. Além disso, o uso das panelas é sistemático num artista indiano actual Subodh Gupta. Mas nada disso interessa, porque esses casos estão no campo da "arte" e este trabalho de JV não se interessa muito por isso: a ligação anterior e inicial forma/conteúdo (crítico) desaparece e fica só uma "arte" do conteúdo (um conteúdo "estranho": o kitsch luso, o que não sei o que é, Amália não é de certeza), e, por outro lado, uma "arte" apenas formal lúdica. Que, ao mesmo tempo, quer deixar de ser arte. De resto, entre o Sofá Aspirina, muito interessante, e o sapato (que não me parece poder vir a ter consequências) há, de permeio, várias obras interessantes. Mas essas os poderes (ao centro, à "esquerda", etc.) não pegam, não gostam.
Cumprimentos meu caro. CV

Hipercrítico (abre aos domingos) disse...

Berardo, esse cultíssimo coleccionador que Portugal começou por exportar e depois importou, é que sabe o que é ou deixa de ser arte.
Por isso, a Joana pode continuar a divertir-se à brava e a empochar à grande, tudo por obra e graça da parolice geral.

Leitor en passant disse...

V. percebeu o texto do CV? Eu também não.

joshua disse...

Quando o ilustrérrimo Carlos Vidal defende tese no Portugal dos Pequeninos, aproveito sempre para bocejar com acrescido prazer.

Anónimo disse...

percebi:"o sapato Marylin de 2009,na foto, é uma ampliação escalar de um sapato, algo que Oldenburg fazia há décadas, levando a arte pop para a absurdização da escala da banalidade. Além disso, o uso das panelas é sistemático num artista indiano actual Subodh Gupta", logo nada de original...deve ser a arte da ideia, dos outros.

nils disse...

Eu vi a exposição no CCB e para mim é arte.

Anónimo disse...

Prefiro as pequenas figurinhas metálicas de Giacometti que era, tal como Moore na grande escala, uma pessoa superior e com coisas dentro da alma para exprimir com silêncio inteligente. Além disso sabiam ambos desenhar, pensar e trabalhar com as mãos. Ambos ignoravam também tranquilamente os teóricos, os críticos e os interpretadores que escrevem ao quilograma. Vasconcelos e Vidal: podeis abraçar outro qualquer ofício.

Ass.: Besta Imunda