21.10.10

ELEIÇÃO E ACÇÃO QUANDO AMBAS JÁ NÃO CHEGAM

«O "mal português" tem sido, em boa medida, o de se continuar a fazer política como se a escolha eleitoral fosse tudo. Mesmo quando ela castiga os vencedores, diminuindo-lhes significativamente o apoio, e mesmo quando ela apenas conduz a formas de poder minoritárias. Para já não falar de situações - como a actual! - em que esses dois factores convergem, numa rota potencialmente explosiva. É fundamental, nas democracias contemporâneas, distinguir e respeitar as duas formas de legitimidade, a da eleição e a da acção. A primeira dá, conforme o regime constitucional em vigor, origem designação de um governo. A segunda decorre das decisões que se tomam, do seu conteúdo, da sua coerência e das suas consequências.»

11 comentários:

Anónimo disse...

A legitimidade da acção é a do PCP.

floribundus disse...

«un pied sur la rive droite,un pied sur la rive gauche et un troisième au derrière des imbéciles»
Jacques Prevert; Paroles

Anónimo disse...

Como o anónimo diz. Só o PCP pode ir para a Rua.

O PSD quando chegou ao poder após Guterres nada fez porque deixou-se destruir. É um partido não existente.

Foi o reformador Cavaco Silva que teve legitimidade que tornou o PSD num partido inexistente.

Esta desistência da narrativa
parte de o princípio que os Portugueses são burros para todo o sempre e nunca entenderão o que é um défice e a dívida.

E que tais termos não são possíveis de entrar numa narrativa.

lucklucky

Anónimo disse...

A segunda "forma de legitimidade" de que fala Carrilho, é um mero processo de intenções. Uma enorme fantasia num país como Portugal. Depois da eleição livre, o que existe - e apenas o que existe - é a ditadura da acção, razoável ou péssima como a que nos fodeceu, digo, feneceu. Arranjem outra coisa.

Nelson Marques disse...

Um pensador de facto, contrastante com o mar de inanidades que nos afoga - se deixarmos, e eu não deixo! - apenas e só pela sua espuma, dos dias.

Paz, se possível.

Anónimo disse...

O país é como uma empresa em crise à beira da falência por manifesta incompetência (e alegadas fraudes): os principais accionistas (Salgado, Mota e demais companhia), o Chairman Cavaco, o CEO Sócrates, os gestores, os inúmeros chefes de divisão, os aspirantes a chefe, os sabujos lambe-botas, os grandes credores da banca todos acham que cortando os salários, pondo os trabalhadores/operários a trabalhar de sol a sol e aumentando os preços resolvem o problema. Já não se viam empresas destas desde o tempo da outra senhora!

Anónimo disse...

Dr. Gonçalves; Carrilho é inteligente, professoral, culto, esclarecido e viajado. E parece honesto. Mas não tem capacidade para verbalizar ou escrever com simplicidade - como urge nestes tempos selváticos - que o sistema político "de cá" (que é o que nos interessa) não funciona; e foi deliberada e meticulosamente desenhado para não funcionar pelos artistas de 1976. Um outro professor, e ex-diplomata, que o Sr. Dr. também admira é José Medeiros Ferreira; também ele omite sistematicamente o facto (quando é chamado a comentar) de que toda a Constituição e poderes descritos, escritos e previstos na Lei não passam duma chafurdice teórica e desactualizada; e que não têm em conta o factor "cidadão português". Aliás, todos os senadores e personagens cá do burgo são teóricos e desprovidos de capacidade de acção. É impossível falar de um "mal português" sem lhe atribuir nomes, estirpes, tribos, castas e modos-de-proceder. E referir o cidadão médio, que é o material genético de que se dispõe. O "Grande Morto" da fotografia que ilustra o "post" de baixo era, comparado com estes professores-supra, um omnisciente.

Ass.: Besta Imunda

S.C. disse...

Não se confunda simplicidade com uso e abuso de vocabulário básico, feito de chavões e de vocábulos em moda. Fosse o ensino (de Português, claro, mas também de disciplinas como a Filosofia) coisa decente, que não é há largos anos, e os textos de M.M. Carrilho seriam, seguramente, mais acessíveis a qualquer cidadão.

Anónimo disse...

Exactamente S.C.: "fosse". E nem sequer se trata do vocabulário...(Deus meu), mas afinal de se fazer entender e passar informação e propósitos (já agora exequíveis). E se necessário chamar ao povo ou aos políticos os devidos nomes, em cada instante. Não há maneira de fazer uma análise correcta e lógica sem sinceridade brutal: "se a situação é péssima alguém, ou muitos alguens, fizeram merda. Não vamos repetir as cavalidades". Sugerido este modestíssimo e primitivo arranque, poder-se-ia chegar a algo quase fino, mas escaparia aos intelectos alvares dos deputados e das "distritais". Não esquecer que a maior parte dos receptores das mensagens são gente de bola e imperial; muitos deles votam. A alternativa a falar claro e seco, é a compra infame de votos ou a burla-enfeitada como fazem pinto-de-sousa e os seus algozes. Mas como Carrilho e outros são doutos e têm capacidades, deveriam ser capazes de redigir textos diferenciados para consumo em cimeiras, conselhos, assembleias, comícios, 'arruadas' e visitas a infantários. Sob pena de ficarem os intelectuais eternamente a falar de uns para os outros, ou em circunferências.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Besta imunda, não tens que fazer?

Anónimo disse...

o Medeiros Ferreira é um homem deste regime e deste sistema. Não os poria nunca em causa, tanto quanto já uma vez declarou publicamente em tom elogioso (e eu ouvi) que esta Constituição foi até agora a que mais tempo durou depois da Carta.
Está muito bem o que está muito bem ... não é verdade ?