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13.10.11

A CABANA DE WITTGENSTEIN


«Dedicaré solo unas palabras al refugio que más me atrae y emociona: el de Wittgenstein, que hace 102 años, en un mundo tan patético como el actual, se fue a vivir a Skjolden, Noruega, a una barraca que se construyó él mismo en un sitio completamente aislado; allí profundizó en su pesimismo, intensificó sus sufrimientos mentales y morales, estimuló su intelecto, reflexionó sobre la necesidad de amor y también acerca de la rudeza radical con la que rechazaba esa necesidad. En Skjolden logró aislarse y oír su propia voz y confirmó que se podía pensar mejor desde la cabaña que desde la cátedra. De hecho, empezó a dirigirse desde allí muy particularmente a quienes quisieran iniciarse en un nuevo modo de ver las cosas y no a la comunidad científica ni a la ciudadanía. Para él, pensar podía llegar a ser una gesta artística. Su ideal filosófico fue la búsqueda de lucidez liberadora, de apertura de la conciencia y del mundo; no quería ofrecer verdad, sino veracidad, ejemplos y no razonamientos, motivos y no causas, fragmentos y no sistemas. Exilado de la estupidez humana, al amparo del aire espontáneo de su refugio noruego, junto al fiordo Sogne, abrió con sus actitudes hacia la filosofía un camino: trató de comprender, no de juzgar; trató de convencer, no de demostrar
Enrique Vila-Matas

A CABANA DE WITTGENSTEIN


«Dedicaré solo unas palabras al refugio que más me atrae y emociona: el de Wittgenstein, que hace 102 años, en un mundo tan patético como el actual, se fue a vivir a Skjolden, Noruega, a una barraca que se construyó él mismo en un sitio completamente aislado; allí profundizó en su pesimismo, intensificó sus sufrimientos mentales y morales, estimuló su intelecto, reflexionó sobre la necesidad de amor y también acerca de la rudeza radical con la que rechazaba esa necesidad. En Skjolden logró aislarse y oír su propia voz y confirmó que se podía pensar mejor desde la cabaña que desde la cátedra. De hecho, empezó a dirigirse desde allí muy particularmente a quienes quisieran iniciarse en un nuevo modo de ver las cosas y no a la comunidad científica ni a la ciudadanía. Para él, pensar podía llegar a ser una gesta artística. Su ideal filosófico fue la búsqueda de lucidez liberadora, de apertura de la conciencia y del mundo; no quería ofrecer verdad, sino veracidad, ejemplos y no razonamientos, motivos y no causas, fragmentos y no sistemas. Exilado de la estupidez humana, al amparo del aire espontáneo de su refugio noruego, junto al fiordo Sogne, abrió con sus actitudes hacia la filosofía un camino: trató de comprender, no de juzgar; trató de convencer, no de demostrar
Enrique Vila-Matas

7.3.11

DA PATO-LOGIA


A 48 horas da posse de Cavaco para um segundo mandato, regressa o velho ódio "politológico" contra o Chefe de Estado. Quem lesse, por exemplo, Adelino Maltez, sem saber da "estima" que o ilustre professor e politólogo nutre pelo homem, poderia pensar que, em Belém, está sentado um inconsciente irresponsável que ignora ostensivamente a realidade nacional e internacional. Todavia, se esse alguém se der ao trabalho de ler o post até ao fim, e cruzar um ou dois parágrafos, facilmente constatará que a "pato-logia" (do "pato" do título do post e não outra coisa qualquer) provém mais do enunciado do que daquilo que o enunciado pretende transmitir. Se eu escrever, de trás para diante e de diante para trás, que «o presidente, em Portugal, apenas tem poder de afinamento estratégico, mas desde que desenvolva a criatividade típica dos indisciplinadores colectivos que tenham a sabedoria da racionalidade complexa e apostem na aventura da refundação da pátria e dêem voz à tradicional engenharia dos sonhos» ou que «falta a sabedoria da racionalidade complexa, aquela que mistura a honra com a inteligência, o racionalismo finalístico dos bons economistas e da razão de Estado, os que sabem navegar nos cenários bem demarcados do planeamentismo, com o racionalismo axiológico da moral de convicção», fico mais "pato-lógico" ou menos "pato-lógico"?

DA PATO-LOGIA


A 48 horas da posse de Cavaco para um segundo mandato, regressa o velho ódio "politológico" contra o Chefe de Estado. Quem lesse, por exemplo, Adelino Maltez, sem saber da "estima" que o ilustre professor e politólogo nutre pelo homem, poderia pensar que, em Belém, está sentado um inconsciente irresponsável que ignora ostensivamente a realidade nacional e internacional. Todavia, se esse alguém se der ao trabalho de ler o post até ao fim, e cruzar um ou dois parágrafos, facilmente constatará que a "pato-logia" (do "pato" do título do post e não outra coisa qualquer) provém mais do enunciado do que daquilo que o enunciado pretende transmitir. Se eu escrever, de trás para diante e de diante para trás, que «o presidente, em Portugal, apenas tem poder de afinamento estratégico, mas desde que desenvolva a criatividade típica dos indisciplinadores colectivos que tenham a sabedoria da racionalidade complexa e apostem na aventura da refundação da pátria e dêem voz à tradicional engenharia dos sonhos» ou que «falta a sabedoria da racionalidade complexa, aquela que mistura a honra com a inteligência, o racionalismo finalístico dos bons economistas e da razão de Estado, os que sabem navegar nos cenários bem demarcados do planeamentismo, com o racionalismo axiológico da moral de convicção», fico mais "pato-lógico" ou menos "pato-lógico"?

28.9.10

LÓGICA


Wittgenstein não tinha meramente génio ou o sentido do dever do génio. Tinha dinheiro, era meticuloso e não suportava chatos: estúpidos ou intelectuais. Dava-se ao luxo de deambular, num "silêncio agitado" como um "animal selvagem", três horas seguidas diante de um Bertrand Russell perplexo e apaixonado por uma sujeita com um nome improvável (Ottoline), discorrendo. «É sobre lógica ou sobre os seus pecados que está para aí a falar?», perguntou-lhe o outro. «É sobre as duas coisas.» E com isto acordei. Tem lógica.

LÓGICA


Wittgenstein não tinha meramente génio ou o sentido do dever do génio. Tinha dinheiro, era meticuloso e não suportava chatos: estúpidos ou intelectuais. Dava-se ao luxo de deambular, num "silêncio agitado" como um "animal selvagem", três horas seguidas diante de um Bertrand Russell perplexo e apaixonado por uma sujeita com um nome improvável (Ottoline), discorrendo. «É sobre lógica ou sobre os seus pecados que está para aí a falar?», perguntou-lhe o outro. «É sobre as duas coisas.» E com isto acordei. Tem lógica.