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13.10.13

Apelo à seriedade

 



 






«Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã.»


 


Joseph Ratzinger, Diálogos sobre a Fé

12.5.10

TORNAR DEUS PRESENTE


«No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor em vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)! Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a Igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus. Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço, deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo, os mistérios do Rosário de Maria. A oração do Terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho. Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das «Ave Marias», contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida de modo a poder proclamar com São Paulo: «Para mim viver é Cristo» (Fil 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo. Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro. Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho colocá-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima.»


Bento XVI, Fátima

TORNAR DEUS PRESENTE


«No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor em vossos corações (cf. 1 Ped 3, 15)! Não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo, tal como a Igreja canta na noite da Vigília Pascal que gera a humanidade como família de Deus. Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço, deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo, os mistérios do Rosário de Maria. A oração do Terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho. Ao meditar os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das «Ave Marias», contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida de modo a poder proclamar com São Paulo: «Para mim viver é Cristo» (Fil 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo. Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro. Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho colocá-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima.»


Bento XVI, Fátima

13.5.09

FÁTIMA, NOSSA SENHORA - 2


Passei o fim do dia de ontem e parte da noite em boa companhia. E, juro, rezei muito pelos pobres em espírito e pelos eternos fariseus. Que Jesus e sua Mãe, Maria Santíssima, os ajude.

FÁTIMA, NOSSA SENHORA - 2


Passei o fim do dia de ontem e parte da noite em boa companhia. E, juro, rezei muito pelos pobres em espírito e pelos eternos fariseus. Que Jesus e sua Mãe, Maria Santíssima, os ajude.

12.5.09

FÁTIMA, NOSSA SENHORA


"João Paulo II tem tido a coragem de dizer que não há "direito à felicidade", sendo esta a consequência dos nossos comportamentos e não a consequência dos nossos "desejos" e inclinações", escreveu Vitor Cunha Rego em Os Dias de Amanhã. E continuava. "João Paulo II continua a pregar no meio do barulho ensurdecedor do materialismo de tantos chefes de Estado e de Governos e que procuram dar-nos deste mundo a imagem do sucesso e da Disneylândia. João Paulo II é para os leigos e laicos, uma personagem histórica discutível. Mas ninguém ousará negar que traz no rosto as marcas da luta pelas suas ideias de salvação do mundo. O Papa defende, em muitos casos, valores absolutos e dogmas. O tempo dirá se seria essa a sua obrigação". É, na minha modesta opinião. Conhecemos a devoção que Wotjila dedicava a Fátima e ao culto mariano. Os livros da Aura Miguel explicam-no perfeitamente tal como as suas três visitas a Portugal, nesta ocasião, como "peregrino entre peregrinos". Daquela terrível fragilidade humana dos últimos anos sobrou uma força interior que perdura e a que os milhares de peregrinos de Fátima continuam a dar um sentido inexplicável. "Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã." A reflexão do então cardeal Ratzinger, e hoje Papa Bento XVI, acerca de Fátima significa que, no meio das "multidões de solitários mergulhados num barulho apregoado de progresso", persiste uma luz que brilha e que vence o mundo.

FÁTIMA, NOSSA SENHORA


"João Paulo II tem tido a coragem de dizer que não há "direito à felicidade", sendo esta a consequência dos nossos comportamentos e não a consequência dos nossos "desejos" e inclinações", escreveu Vitor Cunha Rego em Os Dias de Amanhã. E continuava. "João Paulo II continua a pregar no meio do barulho ensurdecedor do materialismo de tantos chefes de Estado e de Governos e que procuram dar-nos deste mundo a imagem do sucesso e da Disneylândia. João Paulo II é para os leigos e laicos, uma personagem histórica discutível. Mas ninguém ousará negar que traz no rosto as marcas da luta pelas suas ideias de salvação do mundo. O Papa defende, em muitos casos, valores absolutos e dogmas. O tempo dirá se seria essa a sua obrigação". É, na minha modesta opinião. Conhecemos a devoção que Wotjila dedicava a Fátima e ao culto mariano. Os livros da Aura Miguel explicam-no perfeitamente tal como as suas três visitas a Portugal, nesta ocasião, como "peregrino entre peregrinos". Daquela terrível fragilidade humana dos últimos anos sobrou uma força interior que perdura e a que os milhares de peregrinos de Fátima continuam a dar um sentido inexplicável. "Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã." A reflexão do então cardeal Ratzinger, e hoje Papa Bento XVI, acerca de Fátima significa que, no meio das "multidões de solitários mergulhados num barulho apregoado de progresso", persiste uma luz que brilha e que vence o mundo.

14.10.07

FÁTIMA


Peço desculpa aos amáveis leitores que "comentaram" os posts sobre Fátima. Os posts sobre a fé são os únicos que são verdadeiramente pessoais. O teor de alguns desses comentários vulgarizam um tema que não aprecio vulgarizar. Nesta matéria sigo intransigentemente o Papa. Sou um humilde servo na vinha do Senhor que não aprecia que espezinhem a vinha.

FÁTIMA


Peço desculpa aos amáveis leitores que "comentaram" os posts sobre Fátima. Os posts sobre a fé são os únicos que são verdadeiramente pessoais. O teor de alguns desses comentários vulgarizam um tema que não aprecio vulgarizar. Nesta matéria sigo intransigentemente o Papa. Sou um humilde servo na vinha do Senhor que não aprecia que espezinhem a vinha.

13.10.07

«EU VENCI O MUNDO» - 2


Excelente homilia do Cardeal Bertone, hoje, em Fátima. Contra "os senhores destes tempos", os da retórica da "sociedade aberta". "Face aos pretensos senhores destes tempos - acham-se no mundo da cultura e da arte, da economia e da política, da ciência e da informação - que exigem e estão prontos a comprar, se não mesmo a impor, o silêncio dos cristãos invocando imperativos de uma sociedade aberta", face aos que, "em nome de uma sociedade tolerante e respeitosa, impõem como único valor comum a negação de todo e qualquer valor real e permanentemente válido, face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos.» Contra aqueles que julgam "que a vitória depende essencialmente do talento, da habilidade, do valor dos que escrevem nos jornais, dos que falam nas reuniões, dos que têm um papel mais visível e que seria suficiente animar e aplaudir estes chefes como se anima e aplaude os jogadores no estádio", Bertone explica que "não existe erro mais temível e desastroso" e que "se os soldados algum dia chegassem a pensar que a vitória já não dependia deles, mas somente do Estado-Maior, esse exército marcharia de desastre em desastre". E para evitar este desastre, conta o esforço do "mais insignificante, dos servos mais humildes, dos servos de um só talento". Por isso Fátima é "conversão, emenda de vida, deixar de pecar, reparar a Deus ofendido no irmão", em suma, "a aceitação submissa da vontade de Deus".

«EU VENCI O MUNDO» - 2


Excelente homilia do Cardeal Bertone, hoje, em Fátima. Contra "os senhores destes tempos", os da retórica da "sociedade aberta". "Face aos pretensos senhores destes tempos - acham-se no mundo da cultura e da arte, da economia e da política, da ciência e da informação - que exigem e estão prontos a comprar, se não mesmo a impor, o silêncio dos cristãos invocando imperativos de uma sociedade aberta", face aos que, "em nome de uma sociedade tolerante e respeitosa, impõem como único valor comum a negação de todo e qualquer valor real e permanentemente válido, face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: «Não podemos calar o que vimos e ouvimos.» Contra aqueles que julgam "que a vitória depende essencialmente do talento, da habilidade, do valor dos que escrevem nos jornais, dos que falam nas reuniões, dos que têm um papel mais visível e que seria suficiente animar e aplaudir estes chefes como se anima e aplaude os jogadores no estádio", Bertone explica que "não existe erro mais temível e desastroso" e que "se os soldados algum dia chegassem a pensar que a vitória já não dependia deles, mas somente do Estado-Maior, esse exército marcharia de desastre em desastre". E para evitar este desastre, conta o esforço do "mais insignificante, dos servos mais humildes, dos servos de um só talento". Por isso Fátima é "conversão, emenda de vida, deixar de pecar, reparar a Deus ofendido no irmão", em suma, "a aceitação submissa da vontade de Deus".

«EU VENCI O MUNDO»




A mensagem de Nossa Senhora - afinal, a mensagem do Senhor que pode ser escutada num dos mais belos monumentos que celebra a unidade trinitária em Fátima - é de uma clareza insuperável. «No mundo tereis aflições, mas tende confiança. Eu venci o mundo.»

«EU VENCI O MUNDO»




A mensagem de Nossa Senhora - afinal, a mensagem do Senhor que pode ser escutada num dos mais belos monumentos que celebra a unidade trinitária em Fátima - é de uma clareza insuperável. «No mundo tereis aflições, mas tende confiança. Eu venci o mundo.»

31.8.07

FÁTIMA LOW COST


Vasco Pulido Valente - ainda não foi descoberto outro mais estimulante - é ateu. E está preocupado com a hipótese de o Vaticano, de mãos dadas com o governo português, criar um trajecto de voos "low cost" entre Fátima e o dito Vaticano, à semelhança do que parece que já acontece, ou vai acontecer, com Lourdes. Daí o perigo de alguém se lembrar de mais um aeroporto para "servir" Fátima, algo que muito legitimamente não deve ser exigido à cidadania. Não há nada a opor a isto. Segundo VPV, tivessem os pastorinhos nascido em Bragança e Fátima nunca teria acontecido. As circunstâncias ocorrentes, como diria Salazar, propiciaram Fátima. A República, a guerra e a localidade do Entroncamento para os comboios, foram determinantes no "fenómeno". Todavia, em nenhum momento do seu texto, VPV fala da fé. Não a dele, naturalmente, que é nula. Mas na fé que tem levado, ao longo dos anos, milhares de peregrinos àquele vale, entre burgessos e gente perfeitamente esclarecida. Mesmo que passasse pela vaticanal cabeça um "sistema" idêntico ao de Lourdes, já lá está a base aérea de Monte Real para tratar disso. Aliás, foi aí que aterrou, em Maio de 1967, o Papa Paulo VI quando visitou o Santuário. Não precisou vir a Lisboa para nada. Sem querer, VPV acabou por dar voz a uma boa ideia. Se a fé move montanhas, por que é que não há-de mover aviões?

FÁTIMA LOW COST


Vasco Pulido Valente - ainda não foi descoberto outro mais estimulante - é ateu. E está preocupado com a hipótese de o Vaticano, de mãos dadas com o governo português, criar um trajecto de voos "low cost" entre Fátima e o dito Vaticano, à semelhança do que parece que já acontece, ou vai acontecer, com Lourdes. Daí o perigo de alguém se lembrar de mais um aeroporto para "servir" Fátima, algo que muito legitimamente não deve ser exigido à cidadania. Não há nada a opor a isto. Segundo VPV, tivessem os pastorinhos nascido em Bragança e Fátima nunca teria acontecido. As circunstâncias ocorrentes, como diria Salazar, propiciaram Fátima. A República, a guerra e a localidade do Entroncamento para os comboios, foram determinantes no "fenómeno". Todavia, em nenhum momento do seu texto, VPV fala da fé. Não a dele, naturalmente, que é nula. Mas na fé que tem levado, ao longo dos anos, milhares de peregrinos àquele vale, entre burgessos e gente perfeitamente esclarecida. Mesmo que passasse pela vaticanal cabeça um "sistema" idêntico ao de Lourdes, já lá está a base aérea de Monte Real para tratar disso. Aliás, foi aí que aterrou, em Maio de 1967, o Papa Paulo VI quando visitou o Santuário. Não precisou vir a Lisboa para nada. Sem querer, VPV acabou por dar voz a uma boa ideia. Se a fé move montanhas, por que é que não há-de mover aviões?

13.5.07

ESPERANÇA CONTRA TODA A ESPERANÇA


Como reagirão os bastardos de Afonso Costa e os polícias do espírito à extrordinária manifestação de fé a que acabámos de assistir nas três televisões generalistas que prestaram o público serviço de nos afastar, por umas horas, das nossas misérias colectivas, do nosso egoísmo, da nossa mediocridade e da nossa solidão radical, colocando-nos em comunhão com a Mãe e com o Filho do Homem, a "raínha de Portugal" que, desde sempre e em Fátima, dá corpo à expressão de João Paulo II, "tenho esperança contra toda a esperanaça"?

ESPERANÇA CONTRA TODA A ESPERANÇA


Como reagirão os bastardos de Afonso Costa e os polícias do espírito à extrordinária manifestação de fé a que acabámos de assistir nas três televisões generalistas que prestaram o público serviço de nos afastar, por umas horas, das nossas misérias colectivas, do nosso egoísmo, da nossa mediocridade e da nossa solidão radical, colocando-nos em comunhão com a Mãe e com o Filho do Homem, a "raínha de Portugal" que, desde sempre e em Fátima, dá corpo à expressão de João Paulo II, "tenho esperança contra toda a esperanaça"?

12.5.07

MARIA, NOSSA SENHORA DE FÁTIMA


"João Paulo II tem tido a coragem de dizer que não há "direito à felicidade", sendo esta a consequência dos nossos comportamentos e não a consequência dos nossos "desejos" e inclinações", escreveu Vitor Cunha Rego em Os Dias de Amanhã. E continuava. "João Paulo II continua a pregar no meio do barulho ensurdecedor do materialismo de tantos chefes de Estado e de Governos e que procuram dar-nos deste mundo a imagem do sucesso e da Disneylândia. João Paulo II é para os leigos e laicos, uma personagem histórica discutível. Mas ninguém ousará negar que traz no rosto as marcas da luta pelas suas ideias de salvação do mundo. O Papa defende, em muitos casos, valores absolutos e dogmas. O tempo dirá se seria essa a sua obrigação". Conhecemos a devoção que Wotjila dedicava a Fátima e ao culto mariano. Os livros da Aura Miguel explicam-no perfeitamente. E lembramo-nos das suas três visitas a Portugal, nesta ocasião, como "peregrino entre peregrinos". Daquela terrível fragilidade humana dos últimos anos sobrou indiscutivelmente uma força interior que perdura e a que os milhares de peregrinos de Fátima continuam a dar um sentido inexplicável. Se substituir o nome de João Paulo II pelo de Bento XVI, as palavras de Cunha Rego permanecem ferozmente válidas. A reflexão de Ratzinger acerca de Fátima significa que, no meio das "multidões de solitários mergulhados num barulho apregoado de progresso", persiste uma ténue luz que brilha. "Desse lugar foi lançado um sinal severo, que investe contra a falta de reflexão reinante, um apelo à seriedade da vida e da história, uma recordação dos perigos que pairam sobre a humanidade. É o que o próprio Jesus lembra muitíssimas vezes, não temendo dizer: "Se não vos converterdes, perecereis todos" (Lc 13,3). A conversão - e Fátima recorda-o plenamente - é uma exigência perene da vida cristã." A presença de uma multidão em Fátima - este ano associada à passagem do 90º aniversário das aparições - indistinta na sua composição social, política ou cultural, corresponde a uma atracção sem nome. Ela confere, no entanto, um sentido permanente às primeiras palavras do pontificado de João Paulo II: "não tenhais medo, abri o vosso coração a Cristo". E a Sua Mãe, Maria, Nossa Senhora de Fátima.