7.7.11

«NADA ME FALTARÁ»


«Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções. Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos. Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou - mesmo quando faltava tudo. (...) Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé. (...) Como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.»

22 comentários:

floribundus disse...

desaparecem facilmente as boas pessoas que nos habituamos a apreciar.
ficámos mais pobres.
até ao dia da Ressurreição

João Távora disse...

Uma crónica impressionante. Fica-nos a saudade ... "até ao dia da ressurreição".

Anónimo disse...

Curvo-me perante exemplos de vida como este, que nos é oferecido, tentando fazer tb o meu caminho com sentido.

Renato P M Ribeiro disse...

Estas pessoas fazem-me "mal",
fazem-me sentir medíocre perante o vislumbre da sua história e vontade!

Anónimo disse...

"... Graças a Deus nunca tive medo. [...]"
Grande mulher! Eu que não tenho Deus nem estou livre do medo sinto uma genuína inveja destas pessoas raras. São as que mais fazem falta ao país

Karocha disse...

Que descanse em paz.

Anónimo disse...

A qualidade que em vós mais aprecio, além da das convicções, é a resistência dos exilados e dos emigrantes-retornados. Ao Dr. Jaime Nogueira Pinto, as minhas sinceras condolências pelo desaparecimento da companheira de décadas e Mãe dos seus filhos.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Só Deus tem os que mais ama.

Anónimo disse...

Mulher admirável!

Isabel disse...

Admirável é o termo. E nada lhe faltará, estou certa disso.

Anónimo disse...

até ao fim,um exemplo para todos os portugueses: cristãos e não-cristãos. fantástica mulher esta.

Cáustico disse...

É hora

É hora de mostrarmos o que somos, se realmente somos, e o que valemos, se, de facto, valemos alguma coisa.
O país está em crise, criada por uns tantos imbecis mas com a condescendência de todos nós, pois da nossa culpa não podemos fugir por não termos dado ouvidos a quem nos alertou a tempo e horas.
A classe trabalhadora e os pensionistas estão a sofrer, presentemente, uns mais do que outros, os efeitos da sua passividade perante os desmandos resultantes da incompetência, da incapacidade política de Guterres, de Sócrates e dos restantes membros da quadrilha a que pertencem.
Os rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas, apesar de estarem, em grande parte, nos limites inferiores, continuam a sofrer constantes reduções em consequência da necessidade imperiosa do saneamento financeiro.
Em 1871, no termo da guerra franco-prussiana, que a Prússia venceu, Bismarck impôs à França uma pesada dívida de guerra que ela não tinha possibilidade imediata de satisfazer. O patriotismo de povo francês levou-o a despojar-se do ouro, de jóias e de outros valores que possuía para ajudar o seu país na crise que a guerra perdida provocara.
Em Portugal haverá muito quem se julgue patriota pelos sacrifícios que está a fazer. Também estou a sofrer contínuos cortes no meu rendimento e não me considero como tal. Apenas pago porque sou obrigado. O sacrifício, para ter o mínimo laivo de patriotismo, tem de ser voluntário, não pode resultar de uma imposição
No entanto, chegou ao meu conhecimento através dos média, que o ministro da saúde deixa de ganhar 34 000 contos por mês, por ter aceite o encargo de dirigir o ministério que trata da saúde dos portugueses, na sua maioria carregados de maleitas. A ser verdade o que vinha na notícia, não posso deixar de saudar o ministro da saúde pela decisão que tomou. A sua atitude é, sim, de patriota, é de português de lei..
O grande canalha também falava muito de patriotismo enquanto não foi chegada a hora. Porque, quando esta chegou, decidiu ir para França estudar filosofia, desejoso, talvez, pobre patarata, de não ter apenas semelhança de nome, e para gastar o que ganhou honestamente e talvez o que muito acumulou percorrendo ínvios caminhos. Fica-se na expectativa do efeito da cicuta.
Os cortes que estão a ser feitos nos rendimentos inferiores a 1500 euros dos trabalhadores e pensionistas, por força dos impostos a que estão sujeitos, impõem-lhes dificuldades na satisfação das suas necessidades básicas de alimentação, de vestuário, de casa e de saúde. Degrada-se a alimentação, com consequências trágicas na saúde, que não pode merecer os cuidados indispensáveis, quando falta, pois o que recebem mal dá para comer. Não é legítimo esperar deles qualquer arremedo de patriotismo.
,/..

Cáustico disse...

E que dizer, daqueles que ganham mais de 5000 euros por mês? Não podem fazer sacrifícios pelo país?
Claro que podem mas não querem. Alegam que não podem baixar o seu nível de vida. Mas estão-se borrifando para o abaixamento do nível de vida dos trabalhadores e dos pensionistas para um nível insuportável.
Recordo a propósito a afirmação feita há já uns anos por um ministro: o que recebo como ministro não dá para pagar os charutos que fumo.
E se fumasse Provisórios ou barba seca de milho não ficava mais barato. E se não fumasse a economia não seria ainda maior e com a vantagem acrescida de não poluir o ar que tenho de respirar?
Os milhares de gananciosos que temos neste país, a ganhar 10, 20 ou 30 vezes mais do que os míseros 1500 euros, não podem prescindir de uma parte do seu rendimento para ajudar o país na hora crítica que atravessa, como fizeram os franceses da segunda metade do século XIX.
Pense-se nos bem-aventurados que têm já uma ou mais reformas que lhe possibilitam um nível de vida desafogado, mas que ainda conseguiram um tachito em lugar cimeiro. Não poderiam tais gananciosos prescindir da remuneração do tachito para ajudar o país? Tal decisão seria de uma nobreza, de um patriotismo inigualável e de esquecimento impossível.

Karocha disse...

Cáustico

Ou tabaco de enrolar, como eu fumo e, com uma vantagem, estou a fumar cada vez menos!

joshua disse...

Um exemplo a seguir quer no serviço a Portugal, quer na morte que enfrentou com a fortaleza de Cristo.

António Viriato disse...

Belo depoimento, sem dúvida, superior à sua concretização pessoal.

Mas isso é tão-só uma contingência do ser humano: raramente conseguir erguer-se à altura dos seus ideais, dos seus valores mais exaltados.

De qualquer forma, perdeu-se uma mulher decidida, denodada na luta daquilo em que acreditava.

No nosso acabrunhado Portugal, não restam muitas de igual calibre.

Paz à sua alma e condolências à família enlutada.

Anónimo disse...

Eu não estava a acreditar quando vi esta Senhora há duas ou três semanas no jornal das nove da SIC-N. Liguei a TV apenas uns segundos antes de terminar o dito jornal, infelizmente. Primeiro pensei que era outra pessoa, porém ainda tive tempo, um ou dois segundos, para verificar que era de facto a Doutora Maria José N.P. Fiquei impresionadíssima com o seu aspecto físico. Pensei logo que tinha que estar muito doente, mas nunca que estivesse tão mal.
Sente-se uma imensa tristeza pelo seu precoce desaparecimento. Sempre apreciei a sua personalidade vincada mas calma e educada de se expressar, as suas firmes convicções (contrariando uma fragilidade que não seria só aparente e uma coerência, delicadeza e simpatia intrínsecas nos debates televisivos que atraíam de imediato o telespectador), a sua formação moral superior e a sua verticalidade política. Justamente o oposto da irmã, que é simplesmente detestável - como pessoa, como comentadora e como jornalista

Aqui há uns anos escrevi vários poemas dedicados à política caseira e mais concretamente aos 'nossos' políticos e à "democracia" deles. Há uma sextilha 'dedicada' especìficamente à irmã jornalista e comentadora, mas em que, de passagem e em contraposição, saliento a categoria e rectidão de carácter de Maria José Nogueira Pinto como mulher e como política. Talvez um dia a transcreva aqui.

Esta Senhora tinha efectivamente uma classe à parte. Já há poucas mulheres e menos ainda homens assim. Que Deus a tenha em eterno descanso.
Maria

bluegirl disse...

Felizes os que têm fé ou Deus!
Não é necessário desejar que descanse em paz, pois quem assim enfrenta a morte (e porventura a vida) só pode descansar em paz. Mesmo que isso (uma outra vida?) não exista, como sou tentada a acreditar e, sobretudo, a desejar (basta o inferninho por cá).
Quanto ao resto, tenho para mim que há muito boa gente anónima (certamente, mulheres e homens) que levam a coerência e a força moral às suas últimas consequências, mantendo, muitas vezes a elevado preço, a verticalidade que muitos outros não mostram. Nisto já acredito. E digo-o para contrariar a mania que, entre nós, existe de endeusar os mortos, como se não tivessem sido como todos nós ... simples mortais.
Por fim e para todos nós, desejo que uma (eventual) má morte não seja uma morte má ...

Pensamento em revoluçao... disse...

Aqui está uma MULHER!!!
Lutadora incansável pelas suas convicções independentemente do seu credo político!!
Até sempre!!!!

Anónimo disse...

Quando recorda que um dia lhe chamou "mulherzinha" não pensa-por um segundo, vá- que insultou, que foi injusto?

João Gonçalves disse...

Penso. Fui.

Paulo Lisboa disse...

Acima de tudo o que eu gostava na Maria José Nogueira Pinto, era a sua forma frontal e desassombrada como se assumia de direita. Num país cheio de complexados de esquerda, sempre admirei quem sem qualquer tibieza se afirma como de direita. Só por isso merece o meu respeito e homenagem.
Claro que irá fazer falta, nem que fosse só para «violentar» os esquerdistas da praxe.
Obrigado Maria José! Até sempre!