13.9.08

UM HOMEM


24 comentários:

Anónimo disse...

A par de Cavaco Silva.
Até agora, no que toca aos PR eleitos depois do 25 de Abril, Portugal acertou em 50%.
Nada mau.

Anónimo disse...

Exemplar.

Anónimo disse...

Que diferença!
Por alguma razão, aqueles que aceitariam o tal milhão, não perdem uma oportunidade para denegrir um sujeito inquestionavelmente honesto. Disse honesto, não disse ernesto. Honesto, repito. Haverá outro, na política? Talvez, mas eu não encontro. Fica o desafio: quem encontrar, que avance.

excrente disse...

A HONRA é a suprema virtude de um verdadeiro Homem : pena é que, em Portugal, essa nobre qualidade seja rara e, quem sabe (?), caminhe para a extinção.

É que, por vezes, ser honrado é ser pateta, nada esperto, imbecil ; são as 'novas oportunidades' a tomarem conta da nossa sociedade ... e nem um 'plano tecnológico' encontra lógica para explicar.

Mas, contudo, fica-se na História pelas melhores razões e, também, pelas piores !

Anónimo disse...

Esta gente é ostracisada pelo sistema que os teme, evitando comparações. Mas estas, naturalmente, são inevitáveis.

v disse...

"Honra" parece-me uma ideia pouco funcional e antiquada. Diria antes, "Dignidade".

Anónimo disse...

Eu também agiria assim, mas seria chamado de estúpido. A honestidade em Portugal é confundida com estupidez.

Muito-crítico disse...

Trata-se apenas de meia honestidade porque o Senhor General Ramalho Eanes vai acumular a reforma de PR com a de General. Estas acumulações deviam ser proíbidas.
Está bem, mas já é qualquer coisa...

ushuaia disse...

Sem qualquer juizo de valor: Felizmente que a reforma do Sr. General Eanes assim como o ganho do seu trabalho pode dar-lhe a possibilidade de ter esta atitude. Quantos dão muito mais a um Estado que não os valoriza e a uma sociedade os desconhece?

Anónimo disse...

São poucos os políticos que merecem um rótulo de honestos. Factos como estes se calhar são pouco publicitados: já uma qualquer pantominice dos BE's merece TV e muitas repetições.

Anónimo disse...

inicialmente não gostava do d. antónio alcains. depois das lástimas soares e sampaio não restam dúvidas que é dos 3 o melhor. a anos luz de distância do lixo humano da politica.
quando vejo o césar penso imediatamente num macaco sem rabo

radical livre

O Psiquiatra de serviço disse...

É de recordar igualmente que o General Eanes recusou o posto de Marechal, há alguns anos atrás, além de ter encostado os otelos e os goçalves entre outros comunas à parede. Foi o General Eanes e o seu grupo que mudaram decisivamente o rumo de Abril para Novembro, em Portugal. E isso por vezes esquece-se depressa.

joserui disse...

O General Ramalho Eanes tem subido na minha consideração cada vez que se manifesta.
Apesar de fora do meu tema, aqui há uns tempos até escrevi um post com uma passagem de uma entrevista com o Mário Crespo. Diz bem da fibra de que é feito. -- JRF

Anónimo disse...

Se o gesto fica bem ao General, fica mal ao Estado abotoar-se com 1 milhão que não lhe pertence por direito. Se o General não o quis fazer - devia, não devia.. o duvida o mores - devia o Estado fazê-lo: uma doação a uma entidade carenciada, era o mínimo esperado. Já não falo na liga contra o cancro, na sol, na abraço, nas associações das crianças deficientes, nas cercis...
mas e a Fundação Mário Soares, caramba!? Não houve uma alminha no governo que se tivesse lembrado da FMS? Essa é que m'admira, nesta conversa toda.

Q disse...

Ahahah!!!
Este comentário é melhor que o post!

bravomike disse...

É assim.
Um oficial (coronel) uns anos mais novo que o general, possuidor de boa capacidade intelectual e razoável sentido crítico, sobretudo independente (por tudo isso da minha simpatia),
não admirador do antigo PR,
tem muito o hábito de se lhe referir com certa mordacidade como "O impoluto".
Presumo que mesmo sem o querer, aqui temos um óptimo adjectivo para quem o João qualifica como faz hoje: "Um homem"
Lamentavelmente, o seu exemplo tem servido de pouco. Ao regime.

Jacinto disse...

Retrato do Regime em corpo inteiro : o sentido comum da decência encarado como excepção.
Usque tandem...

Anónimo disse...

para sua informação. de 1974 a 1984 convivi muito com o Prof M Antunes.
contactava-o frequentemente um amigo que se aconselhava com ele para posteriormente aconselhar o General Eanes. um primo meu, amigo pessoal do General, pensava que Eanes desconhecia estes encontros.
o itinerário de Eanes é o de alguém sério dificil de fabricar nos nossos dias.
muito importante para ele a Senhora com quem casou

radical livre

iupi disse...

onde foi pôr o Homem: no meio do esterco...

Anónimo disse...

O General fez jus à sua condição militar.
É por isso que os militares estão impedidos, por lei, de exercerem, como políticos, os seu direitos de cidadania.
A disciplina e condição militares representam tudo o que os políticos abominam.

Anónimo disse...

Concordo com um anónimo que diz que o Estado Não Pode Ficar com uma verba que lhe não pertence. Isto não é como recusar o Prémio Pessoa como fez o Herberto Helder. Era conveniente perguntar ao sr. general a quem se podia dar essa importância. Ou será tarde? A Drª Manuela Eanes tem uma instituição de apoio às crianças do maior valor. Será que o general não pode oferecer essa verba para a instiuição? Não se lembrou ou é demasiado honesto?

Carlos Medina Ribeiro disse...

Baptista-Bastos, no «DN» de hoje, aborda este assunto, elogiando Ramalho Eanes, evidentemente. O texto está também afixado no seu blogue - [aqui]

Anónimo disse...

JOÃO GONÇALVES e o seu comentário a uma notícia de O Sol:
No meio do esterco, um Homem. "Ramalho Eanes prescindiu dos retroactivos a que tinha direito relativos à reforma como general, que nunca recebeu. O Governo diz ter sondado o ex-Presidente, que não aceitou auferir essa quantia (a qual ascenderia a mais de um milhão de euros). A reforma só começou a ser paga em Julho, mas sem qualquer indemnização relativa ao passado."

O que me incomoda nisto? O panegírico a uma atitude que, do ponto de vista político — e repito, político — tem tanto de inconsequente quanto de demagógico e covarde.

1. Se Ramalho Eanes fosse, por princípio político, contra a acumulação de pensões, devia dizê-lo de forma clara, devia ter recebido os retroactivos a que legalmente tinha direito e doá-los publicamente às instituições que bem entendesse, e deveria fazer o mesmo com a pensão que vai auferir em cada mês — isso seria uma atitude política e a defesa de princípios em que acredita.

2. Ora, Ramalho Eanes parece que não é contra a acumulação de pensões, ou se é não o disse, ou se o disse a notícia não dá conta disso. Obviamente, Ramalho Eanes tem todo o direito de não ser contra a acumulação de pensões.

3. Temos então que Ramalho Eanes começou a receber a pensão desde Julho mas não aceitou receber os retroactivos a que tinha direito — mais de um milhão de euros.

4. Eu percebo pouco de leis, mas pensava que os salários e as pensões eram um direito irrenunciável. Pelos vistos não. Pelos vistos é possível o Governo sondar um cidadão: ó se faz favor, V. Exc. sempre quer receber o salário ou a pensão que a lei obriga que se lhe pague?

5. Mas claro, eu percebo pouco de leis. Politicamente, porém, penso que não há que enganar: a atitude supostamente digna e honrada de Ramalho Eanes significa, na prática, que um cidadão que ocupa o exigente cargo simbólico de ex-Presidente da República (e que recebe uma pensão politicamente justa por isso) deixa entender que não devemos exigir ao Estado que ele cumpra a Lei, que lhe podemos perdoar uma dívida a bem da Nação ou qualquer coisa parecida.

6. Politicamente, isto é confundir desapego pessoal com relações institucionais e jurídicas. Se Ramalho Eanes entende que o momento de crise manda que os cidadãos, na medida das suas possibilidades, financiem supletivamente o Estado, deve tornar essa posição clara. Ou seja, devia receber o milhão de euros, tornando claro que o Estado de Direito é para levar a sério, e depois doar o milhão de euros ao Estado, tomando a sua posição política.

7. O problema deve estar mesmo no milhão de euros. Porque com as manchetes obscenamente populistas que denunciam as “reformas escandalosas” de funcionários públicos como professores catedráticos, juízes do supremo e demais quadros superiores, o milhão de euros ia de certeza parar à primeira página.

8. Eanes não quis enfrentar o populismo. Preferiu que se noticiasse a sua fuga política, mas vendeu-a sob a forma do lance demagógico da honra e da dignidade. Há sempre quem compre estas virtudes e relembre velhas austeridades salazaristas — mas não é preciso muito para perceber aqui a outra face da moeda populista.

9. Um milhão de euros de retroactivos devidos é sem dúvida dinheiro. Mas quando daqui por alguns anos — e humanamente só posso desejar longevidade ao Senhor General —, a soma mensal da sua pensão perfizer uma quantia semelhante, não haverá ninguém a lembrar-se de fazer as contas. Eanes sabe isto. A sua suposta inocência política tem a dimensão deste cálculo exacto, que é complexo salazarista de os outros saberem que temos dinheiro misturado com a perfídia pequena de o querer realmente, mas em segredo. (ver Luis Mourão, blog Manchas)

Anónimo disse...

Já se encontram poucos muito poucos politicos do 25 de abril, que lutaram e acreditaram nos seus ideais. O 25 de abril, supostamente iria trazer mais igualdade, fraternidade e liberdade para o povo português, e concretamente o que vemos é um Portugal desigual,obsceno até, onde os gestores publicos são pagos a peso de ouro para as empresas apresentarem prejuizos na ordem dos milhões e os governantes conseguirem, após o fim da governação, encaixarem-se nestas empresas e depois mais tarde conseguirem as tais reformas chorudas.E eis que surge um Homem sério na politica portuguesa, que lutou pelos ideais do 25 de abril e que de certeza absoluta não vê no Portugal de hoje estes mesmos ideais.É sem duvida alguma um grande português.