Inclemente, a que Vasco Pulido Valente perpetra contra o recente calhamaço de Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores, no Público de sábado. Detalhes que, decerto, escapam e não interessam nada ao «iliterado (a maioria dos leitores)» (sic) que fará do calhamaço de seiscentas e tal páginas o seu único livro de 2007. «Nada pior do que ler um livro mau, excepto escrever sobre um livro mau.»
Adenda: Na íntegra num comentário a este post.
Adenda: Na íntegra num comentário a este post.
14 comentários:
Não li o romance, nem vou ler (não aprecio o género e, sobretudo, romances com menos de 100 anos) - e portanto a minha opinião não tem valor nenhum. Deixo-a aqui mesmo assim, no anonimato. É obvio que VPV tem razão em apontar os erros crassos que informam os personagens e a trama do livro, embora eu considere que a ficção pode assumir perfeitamente o erro histórico (falsificando episódios ou mesmo eventos-chave) se obviamente não se entrar no domínio da alarvidade. Há grandes peças de literatura que se borrifam completamente na verdade histórica e continuam a ser grandes páginas. Agora, da crítica de VPV, o que me parece mais preocupante -para o livro- é de facto o estilo pobre em que está escrito - como evidenciam alguns dos exemplos mostrados. Uns chavões arrepiantes. Mas isto não me surpreende: nunca acreditei que um bom jornalista desse um grande escritor.
E pôr a crónica online? isso sim, é que seria serviço público.
Nem toda a gente tem possibilidade de passar no Continente a apanhar um exemplar à borla do pasquim do Tio Belmiro.
happy new year, jingol beles e tal...
A pedido do 2º comentador, tomem lá o texto. Não sei se não é chato disponibilizá-lo antes do fim do dia, mas faça o dono do blogue o que entender. Copiei o texto na íntegra do site:
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Rio das Flores Vale pouco ou nada como romance histórico, é pobre e vulgar como romance de família
24.11.2007
Pedimos a Vasco Pulido Valente que lesse Rio das Flores, o último livro de Miguel Sousa Tavares. O romance conta a história de uma família de latifundiários alentejanos na primeira metade do século XX. O historiador, especialista da República, não gostou e diz que o escritor não ilumina a época nem a percebe
Numa entrevista ao Expresso, Miguel Sousa Tavares contou um caso, inteiramente imaginário, da minha suposta desonestidade (teria criticado o Equador, sem o ler) e acrescentou alguns comentários desagradáveis. Como é natural, desmenti. Isto bastou para que ele anunciasse por SMS à minha mulher e, a seguir, no Diário de Notícias que "ia dar cabo de mim". Parece que, segundo o critério dele, não "deu", por esta vez, "cabo de mim". Ficou pelo insulto e pela injúria; e pela ameaça implícita de que, se quisesse, revelaria episódios da minha vida pessoal (cinco ou seis) para liquidar a minha figura pública. Nestas digressões Miguel Sousa Tavares não falou uma única vez de um livro meu ou do meu jornalismo. Excepto sobre o meu "carácter" privado, não abriu a boca. Em cinquenta anos, não me lembro de encontrar um ódio tão inexplicável. Fiquei espantadíssimo e até, num encontro de acaso, lhe tentei falar, para o ouvir e, como lhe disse, para lhe poupar no interesse dele uns tantos disparates no Rio das Flores. Não quis.
Escrevo esta crítica sem prazer. Nada pior do que ler um livro mau, excepto escrever sobre um livro mau. Mas, como se compreende, não podia deixar que a brutalidade de Miguel Sousa Tavares chegasse para me calar.
Preâmbulo
Uma ficção histórica (um romance), como a história, interpreta o passado. Ao contrário da história, pode inventar um passado, onde as fontes são omissas ou parciais. Pode deformar coerentemente o passado (dentro de limites), atribuindo, por exemplo, uma mentalidade moderna a personagens da Antiguidade ou da Idade Média. O que não pode é desconhecer e falsificar o passado ou dar dele versões falsas, simplificadoras ou propagandísticas. Convém, por isso, no caso do Rio das Flores, partir deste ponto elementar. Tanto mais que Sousa Tavares anuncia na badana que o livro assenta num "minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica".
Opiniões
Rio das Flores é a história de uma família de latifundiários do Alentejo entre 1915 e o fim da II Guerra: do pai (Manuel Custódio, que morre ao princípio do livro), da mãe (Maria da Glória), dos dois filhos (Diogo, o herói do romance, e Pedro, o seu contraponto), da mulher de Diogo (Amparo), da amante de Pedro e da segunda mulher de Diogo. Pelo livro perpassam outras criaturas, sempre de uma convencionalidade absoluta, que pouco vão além do nome, ou da etiqueta, e se esquecem imediatamente. Mesmo as personagens principais são pouco densas, sem complexidade ou interesse. Através da família dos Ribera Flores, o Rio das Flores pretende ser uma meditação política sobre a primeira metade do século XX. É bom por isso saber, um a um, o que têm dentro da cabeça e, sobretudo, o que tem dentro da cabeça Miguel Sousa Tavares: uma distinção muitas vezes difícil de estabelecer.
a. Opiniões de Manuel Custódio sobre a República - Claro que não tratarei aqui de opiniões, que servem para "caracterizar" Manuel Custódio como "personagem": uma regra que apliquei a Diogo e a Pedro. Só me interessam aquelas que revelam os conhecimentos dele ou, se preferirem, o grau de consciência da situação em que vive.
Manuel Custódio acha, por exemplo, que "as despesas da corte no tempo de Monarquia" eram ridículas comparadas com "o desperdício de dinheiros públicos do governo do dr. António José de Almeida - "o rei dos demagogos, o maior vendedor de feira que este país já conheceu"". Sendo q
Será que o Vasquinho sabe que está contribuir para o aumento das "águas" do rio, ou seja das vendas?
Verdade seja dita: também já li coisinhas melhores do Pulido Valente. Mas o meu comentário vai noutra linha: acho todo este episódio lamentável, sobretudo ficarmos a saber que um é bonzinho mas tem uns podres e o outro envia SMS ameaçadores. Poupem-nos! O que é que isso nos interessa?
Li agora no "Atlântico" um comentário de "Pitágoras" que diz isto: "As primeiras linhas de "Rio das Flores" são as primeiras linhas de "Cem anos de Solidâo",devidamente mascaradas"
É no Verão que mais daremos por "Rio das Flores". Pelas praias do país - e do mundo! - veremos a obra, primeiro a ser retirada dos sacos de praia, depois como apoio à nuca dos banhistas quando se recostam na toalha, esteira ou cadeirinhas. Uma obra terapêutica que, arrisco dizer, toda a gente quererá ter. Antecipando-me a tudo isso, sugiro-vos "Os Nomes", de Don DeLillo, que tem menos 200 páginas que "O Rio..." - mais leve, portanto - e afaga muito melhor o cerebelo.
Reconhecendo ao MST qualidades como comentarista, com análises oportunas e pertinentes sobre aquilo que cá se passa, não posso deixar de reconhecer nele alguma arrogância e snobeira por vezes irritantes como se fossse o dono da verdade e da sagesse. Tal pai, tal filho. Falta-lhe humildade e distanciamento sobretudo em relação ao Estado Novo que considerou o pior dos regimes existentes em Portugal. Banalidades destas só se combatem com críticas pertinentes e mordazes. Bem haja o VPV que, em boa hora, aceitou o desafio de criticar o último romance do "intocável".
Ariel o que eu me ri de gosto com o seu comentário. A Verdade pode ser cruel mas por vezes diverte.
Nunca li nenhum MST,nenhum MRP,nenhum JRS,nenhum RGC!
E, já agora, nenhum VPV! ía ler o "ir pró maneta" mas se calhar nem esse!
É um grupinho de gente que se odeia,sem talento e mergulhados no fazer dinheiro a qualquer custo.Não vou nessa, Vanessa!
Leiam "Milicianos -os piões das nicas" do Rui Neves da Silva.Capitão miliciano,chamado duas vezes para Angola,na frente de batalha.Ficam a conhecer a génese dos últimos 30 anos,por quem foi protagonista.É melhor escritor que essa gente toda junta.Mas como não apresenta o telejornal...
A ignorância 'do Miguel' é total, como ele muito bem sabe. Nunca podia escrever um romance histórico, um género quilhado que tem as suas regras. E o moço sabe bem isso, mas quer ganhar umas massas e épater le beótien. Já 'o Vasco' é um daqueles que tem a fama e o proveito de ter um olho em terra de cegos.
DEIXEM OS RAPAZES, ENTRE UNS COPOS, PENSAREM QUE SÃO GÉNIOS, MAS COMO DETESTAM QUE NO PORTUGAL DOS PEQUENINOS EXITA ALGUEM MAIS GENIAL DO QUE... DIRÃO EM CORO: EUGÉNIO!
DEIXEM OS RAPAZES, ENTRE UNS COPOS, PENSAREM QUE SÃO GÉNIOS, MAS COMO DETESTAM QUE NO PORTUGAL DOS PEQUENINOS EXITA ALGUEM MAIS GENIAL DO QUE... DIRÃO EM CORO: EUGÉNIO!
...MAS.....o Miguel Sousa Tavares não escreve bem, não??? Francamente! Há nas livrarias TANTOS livros medíocres e outros tantos verdadeiramente maus, tantas traduções mal feitas....e andam a "pegar-se" com MST que, pelo menos, escreve bem?? E os Portugueses que tanto precisam de ler textos bem escritos!!!!
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