Enquanto me deliciava com uma espetada de tamboril, apareceu, numa televisão por cima da minha cabeça, o "patrão" do Hezbollah, cujo nome me escapa. Pareceu-me luzidio, tranquilo e bem dispostinho, por debaixo daqueles óculos bestialmente ocidentalizados e daquela barba hirsuta. Pela legendagem, percebi que o referido senhor pretende ir mais além de Haifa, uma cidade israelita que os seus petardos têm atingido. Do lado contrário, deu-se o caso de os respectivos petardos terem ido de encontro a quatro observadores da ONU, em território libanês, cada vez mais primitivo. Também, ainda a espetada ia a meio, vi um simpático porta-voz do governo de Israel a prometer um inquérito "e tal, e que talvez não tivesse sido bem assim, e tal". Apesar de os israelistas terem melhor aspecto que o senhor do Hezbollah, a digestão do tamboril inflamou as minhas brechas anti-semitas (atenção Eduardo: eu sou daqueles que não têm medo da expressão) que, já de si, são bastante frágeis. À medida que a guerra avança, dá-me ideia que o senhor do Hezbollah e os senhores do lado contrário se aproximam cada vez mais. Epistemologicamente falando, digo eu, quais "gémeos" guerrilheiros e políticos, uma coisa que consta estar na moda. Todavia, perdoe-se-me a pergunta, mas o que é que aqueles "líderes" atarantados (de quê e de quem?) foram fazer a Roma? Para a coisa ter sido perfeita, só faltou mesmo o dr. Barroso e a sua sempre preclara "visão" sobre a "vida internacional". Mandou o eterno valet de chambre Solana que equivale a pouco mais que nada. Isto promete. Pode ser que o Paulo Gorjão - que é "especialista" - me possa esclarecer.
9 comentários:
Até parece que D. Margarida de Sousa Banana e D. Leonor Ribeiro de Sivah, permitiam que o Zé Manel tivesse um valet de chambre.
Impensável.
O Gorjão n percebe nada de Médio-Oriente.
Peça esclarecimentos a Jose Manuel Pureza e a Miguel Monjardino. Deixe-se de fantasias.
Espeto mais em carnes tenras do que em peixes gelatinosos...
Acertadíssimo o tom e o conteúdo do post:tragi-comédia. O espectáculo trágico a que estamos a assistir não se podia eternizar.É preciso aliviar um pouco para bem da nossa sanidade mental.
Afirmativo, JG:
Estão bem uns para os outros e cada vez mais semelhantes.
Qualificação que já há tres anos, me ocorreu atribuir a dois grandes lutadores pela democracia. E pela verdade.
Bush & Sadam.
Ainda estamos para ouvir dizer que um qq movimento terrorista da região, está dotado de ADM´s.
Para estimular as nossas cruzadas pós-modernas.
Extraído do blog CADERNO DE VERÃO:
O caso Helena Matos
A minha boa amiga Ana R. enviou-me a carta que segue, que se bem percebi é uma espécie de carta aberta, em circulação na net. Se posso perceber o que motivou os seus autores a escrevê-la, não posso concordar com ela, por razões de forma e de fundo.
As primeiras são as mais fáceis de explicar: todo o parágrafo que começa com a frase "Os comentários de Helena Matos são uma espécie de João Carlos Espada de latrina..." é para esquecer, e não há boas causas que justifiquem tão más maneiras.
Quanto às de fundo, começam com a invocação, que me parece a despropósito, do "pós-fascismo" de H.M. e/ou da sua "ideologia" (seja lá o que isso é); ora pós-fascistas somos todos nós, felizmente, porque o fascismo foi vencido em 45 no coração da Europa e em 74/75 na sua periferia, Portugal incluído, e o seu regresso não está na ordem do dia; o fascismo é hoje entre nós uma memória histórica necessária e insubstituível - mas referi-lo assim descontextualizado abre precedentes perigosos, como ilustra a recente invenção de um tal de "fascismo islâmico", um conceito que apesar da sua evidente estupidez vai fazendo o seu caminho.
H.M. será pois "conservadora", no sentido de defender com um zelo que me parece meta-jornalístico o status quo (e, logo, os privilégios dos mais poderosos) na base de um raciocínio lógico verum-factum, segundo o qual, se os mais fortes - no caso, os EUA e Israel - são efectivamente mais fortes, é porque tal deveria necessariamente acontecer (ou seja, como diz o povo, porque o que tem de ser tem muita força...). Eu nunca vi a Senhora, nem faço questão, mas a avaliar pelo estilo, deve ter passado os seus melhores anos na meritória e utilíssima tarefa de "reconstruir o Partido"...
Mas se H.M. é conservadora, liberal é que eu não aceito que seja, porque o liberalismo (de Locke a Stuart Mill) implica uma crença fundamental na igualdade do género humano e na existência de direitos de que todo a humanidade deve beneficiar por igual, isto é, a compreensão de que uma vida na "tolerante Haifa" vale tanto como na (intolerante, supõe-se) Beirute ou Sídon - e é precisamente isso que está em causa no apoio a esta gritantemente desproporcionada reacção militar do Estado de Israel: o que une neste particular personagens como o Papa Bento XVI ou o responsável pela ajuda humanitária da ONU (além de, muito mais modestamente, eu próprio) é o repúdio por uma táctica militar desumana e finalmente - porque não dizê-lo? - racista, que leva a considerar a vida de civis (árabes, neste caso) como simples meio para alcançar objectivos militares e políticos de Israel e dos EUA.
Há, obviamente, sobre o conflito do Médio Oriente muito mais a dizer: a sua génese neo-colonial, a tentativa de perenizar a "limpeza étnica" de que a Palestina foi objecto no passado, o estatuto dos árabes no Estado judaico, a constante violação das Resoluções da ONU por parte de Israel, a situação abjecta em que vivem os habitantes dos territórios ocupados, as questões relativas à partilha de recursos fundamentais, etc...; tudo isso, porém, eu deixo entre parêntesis, porque o que está em questão, hic et nunc, é o mais fundamental dos direitos das populações do Líbano e da Palestina - o seu direito à vida.
Ora a este propósito existem - em Portugal, na Europa, no Ocidente, no Mundo - duas linhas, duas tradições políticas fundamentais: uma acredita na igualdade do género humano, homens e mulheres, pretos e brancos, árabes, judeus ou seja o que for; a outra acredita no direito do mais forte e na inferioridade intrínseca de alguns povos; à primeira pertencem liberais, democratas, católicos engagés, socialistas, comunistas - o histórico consenso anti-fascista; à segunda, pertencem os veneradores dos preconceitos, os que acham que os mais fortes têm ipso facto razão, que a humanidade não é uma única e nem todos têm igual direito a viver em paz.
H.M. não é fascista coisa nenhuma; será uma conservadora, se quiserem, mas nunca uma liberal, no sentido radical do termo - n
Bem, já agora, perdoe-se-me a pergunta, mas o que é que aqueles observadores atarantados andavam a fazer no Líbano?
Estavam mesmo a pedí-las, não estavam?
mais uma vez um texto fantástico...
quem não deve gostar nada do fracasso de roma é o "engenheiro" mais o seu lacaio dos NEGÓCIOS estrangeiros....
estão em pulgas para mandar para o líbano tropa do rectângulo..............
E porque é que vai a tropa do rectângulo,se fôr:
3 a 4 mil euros mes limpos.
Juntem custos transportes, alimentação, despesas funcionamento.
Talvez 5.000 euros homem mês.
A bem do défice, a bem da dívida pública.
JG
De facto as forças da ONU não estavam lá a fazer nada.Primeiro não evitaram ataque nenhum por parte do hizbullah depois os aguerridos leões deste movimento terrorista "chegam-se" tanto aos ditos postos da ONU que ficam a metros medidos pelos dedos duma mão, de onde atacam e se defendem usando os da ONU como escudos humanos... Antes nunca houve notícias nem condenações disso... agora que um projéctil desviou lá se foram 4 da ONU mas também e de certeza alguns hizbullah´s...
Neste mundo a preto e branco cada um escolhe o tom que quer mas que cinzentões são oa mais numerosos não existem dúvidas.
Eu acho que Israel deve destruir aquilo tudo pois que não existe população civil nenhuma é tudo guerrilheiros que começam logo de pequeninos a aprender o ofício de martir e de bombistas.É pena que assim seja mas vendo as coisas á ocidental já Israel não existia.
Com tanta tolerância cada vez vejo a Europa mais "cercada" por dentro...
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