18.7.03

LER E ESCREVER

Não sei quem é. Trata-se de um Bicho Escala Estantes que, em meia dúzia de frases que me atrevo a reproduzir, me lembra, entre cafés e pequenas viagens de comboio, por que devo continuar a amar esses amigos silenciosos e fiéis que são os livros. E por que devo, se me apetecer, escrever.

O que me faz falta

Estou de férias.
O que mais me faz falta são as horas de almoço e as viagens de ida e de volta entre o Cacém e o Rossio.
Às horas de almoço, eu costumo pegar em dois ou três livros da livraria e levá-los comigo. Enquanto bebo o café no Suave Veneno, absorvo versos e biografias. Ninguém me interrompe, ninguém surge. Aprendo ao meu ritmo.
A maioria das vezes, porém, o que eu faço é escrever. Antes dos blogs, escrevia para os olhos de três, quatro pessoas. Hoje, com o meridiano, já há vinte que me leêm. Mas não é isso, não é isso...sei que escrevo com uma ideia fatal de necessidade de redenção absoluta. Escrevo para me redimir de nunca ter sido brilhante em nada. E isto não é grave. A maioria das pessoas é como eu. E mesmo os brilhantes, no um para um são pessoas também comuns.
Nas viagens de comboio, que duram 25 minutos, eu leio. Às vezes em posições acrobáticas, no meio de muita gente comprimida, eu arranjo uma forma de abrir o livro e continuar a história. Sinto falta desse tempo em que me levam, sem eu precisar de pensar, e em que posso mergulhar dentro de páginas.
De modo que dou por mim a vasculhar as minhas poucas prateleiras caseiras, procurando o livro comprado e esquecido sem nunca ter sido tocado.Por isso, tenho vontade de me meter no comboio e passar pela livraria, pedir para levar dois ou três livros e ir sentar-me no café, a fingir que é hora de almoço, que está tudo bem, que os carris não foram danificados...

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