6.9.09

A "MORAL"


A "direita" não tem "moral" para criticar o "caso Moura Guedes" por causa de Marcelo em 2004. Ou seja, o autor do argumento não está um átomo preocupado com nenhum dos casos quando ambos relevam da liberdade de expressão (podemos não gostar de ver e ouvir Marcelo ou Moura Guedes* mas não é suposto calá-los gratuitamente). A preocupação dele é a "moral". «Se eles não tiveram "moral", nós também não temos de ter.» Foi o que ele quis dizer.

*Por falar em Moura Guedes. Enquanto o marido dela foi director-geral TVI e ela era conhecida como a "generala", vigorava o velho e sonso respeitinho português em Queluz. Poucos gostariam de Manuela, do seu "estilo", do seu "jornal", mas poucos se atreviam a dizer-lho na cara. Havia "os dela" e havia "os outros". Por isso, passada a necessária fase de nojo Freud aterrou de cabeça em Queluz. Mesmo que o divã seja uma nulidade jornalística como Paula Magalhães (quem é?) em boa hora "recuperada" como "porta-voz" da indignação contra Moura Guedes. Não interessa a esta gente o acto que retirou de emissão um produto deles. Algo que, de acordo com as audiências, ajudava bastante a pagar-lhes o ordenado. Não. Interessa apenas lançar as velhas pedras do deserto para cima de quem passou para baixo. De bestial a besta, um "número" gasto mas sempre recorrente. Devidamente aproveitado, aliás, pelos friendly do poder nos media tradicionais e nos blogues. É da natureza humana e da portuguesa, em particular. Que lhes faça a todos bom proveito.

14 comentários:

Anónimo disse...

A Paulinha é uma miúda que era (sublinho, era) muito girinha e agora dá uns chás de canasta com presidentes de câmara na TVI24. Já vi uns bocados... Aquilo é que é programa de qualidade... E deve ter muita audiência.

PC

João António disse...

«Se eles não tiveram "moral", nós também não temos de ter.» Democracia Socrática !

Anónimo disse...

Ponha os olhos nesta lição: os tiranetes, os estupores, têm um prazo limitado. Foi assim para MMG e será assim para os que, como você, utilizam a blogosfera para atirar lama a todos.

A. Pinto Pais disse...

Até um ex-editor, afastado da estação há 9 meses (parto perfeito!), se encheu agora de "coragem" e veio a público denunciar o clima ditatorial em que se vivia na TV...
Há gente assim. É com ela que contam todos os falsos engenheiros deste mundo que se alcandoram a lugares para os quais não reúnem os requisitos mínimos de seriedade e competência.

Anónimo disse...

A Manuela poderia ter muitos defeitos mas ela e a sua brava equipa destaparam muita porcaria e retiraram muitos esqueletos dos armários. Eu inclusivamente (também) não gostava do seu modo histriónico, muitas vezes agressivo e mesmo um pouco disparatado de ler as notícias. Mas diga-se em abono da verdade que nas últimas semanas, meses talvez, mudou para uma postura mais discreta e razoável de comunicar com os telespectadores, perfeitamente aceitável. Mas não reside aqui o problema da Manuela. O seu grande pecado mortal foi o facto de revelar com objectividade, após investigações sérias e cuidadas e sem desmentidos do poder, verdades que doíam como punhais e que nenhum outro canal, salvo a SIC inicialmente e posteriormente a reboque da TVI, revelou. Verdades insofismáveis que a colocaram na lista negra a abater mais tarde ou mais cedo. E não se pense que essas revelações sobre o caso Freeport, sem dúvida alguma importantíssimas - cuja investigação começou em Inglaterra e por conseguinte saber-se-ia algum dia e de uma maneira ou de outra, o inacreditável imbróglio em que que o primeiro ministro em particular e o poder no geral (sem a aprovação deste e quase de certeza a seu mando, aquele não poderia ter cometido os crimes que lhe são atribuídos) estão metidos até ao pescoço - estão por detrás deste silenciamento do jornal da MMG, embora também (duma cajadada matam-se dois coelhos). Este é ùnicamente um pretexto para desviar as atenções doutro caso bem mais grave e que está verdadeiramente por detrás deste acto prepotente: o caso Casa Pia e as completas bombas-relógio reveladas por ela e a sua equipa e nunca desmentidas. É exclusivamente neste ponto que reside toda a história que ditou o seu silenciamento a prazo, que aliás vem a ser pensado desde esse preciso momento, ou seja desde Novembro de 2002. Eles, toda a seita, são vingativos e estão protegidos e nunca dão ponto sem nó. Finalmente havia chegado o momento aprazado. Após o afastamento do marido (muito bem engendrado, diga-se, porque sob proposta irrecusável, é assim que eles trabalham, compram indirectamente as pessoas incómodas com muitos milhões, seguindo a prática usual do poder americano de quem afinal beberam os ensinamentos; já muitos anos antes havia sido afastado especiosamente do poder Durão Barroso (e igualmente para um cargo irrecusável) quando afirmou em directo e por diversas vezes nas televisões, que o escândalo ia ser investigado até ao fim, doesse a quem doesse, foi neste exacto minuto que soou o primeiro sinal d'alarme e as medidas de contra-ataque começaram imediatamente a ser estudadas e quase logo a serem postas em prática; o mesmo aconteceu a Santana Lopes, afastado do poder depois de vergonhosíssimas partes gagas do senhor Sampaio e exclusivamente pelas mesmas razões) só restava a Manuela e momento ideal - após o prévio afastamento do marido, caso contrário era-lhes impossível - antes de duas eleições importantes. As desculpas hipócritas à mistura com mentiras grosseiras que debitam diàriamente sobre o assunto só vêem justificar o acto despótico tomado, afundando-os mais e mais. Esperemos contudo, para benefício dos portugueses e da verdade, que caso se dê o afastamento definitivo de MMG, não aconteça o mesmo
à sua valente equipa d'investigação. Equipa que nos vem revelando preto no branco e sem peias, casos escandalosos e mega corrupções em que o poder se move como peixe na água praticando-os à luz do dia inacreditàvelmente há mais de três décadas. E o pior, se tal é sequer ainda possível admitir-se, estaria para vir. E é ùnicamente deste advir e principalmente da reacção e subsequente revolta, necessàriamente violenta, dos portugueses perante aquilo que para estes é decididamente impensável e definitivamente intolerável vindo de quem detém os mais altos cargos da Nação, que o poder tem um pavor atroz. De facto as duas únicas coisas que este realmente teme são: que os portugueses venham a saber a verdade dos factos e quem são os seus genuínos autores e que ele, poder, tenha que arrostar com um povo inteiro em fúria.
Maria

ferreira disse...

"Homogeneização"?
Contributo para a sua compreensão, as
declarações desse passarão que dá pelo nome de Paes do Amaral:
Dizia ele "Não podemos ter 50% de share num dia e 13% no outro.
Claro.
Então "homogeneiza-se" a coisa.
Acaba-se com os 50% de share e fica-se com os 13%.
Uma empresa dá lucros de 13% e por vezes 50%?
Coisa horrível! Acabe-se já com os lucros de 50%!

Anónimo disse...

Não foi a apresentadora do primeiro Telejornal da TVI, ainda na "versão Igreja"?

José Bernardino disse...

TVI??? Nunca mais!

fado alexandrino. disse...

Acho muito forçada esta comparação.
Marcelo era e é um comentador, deve por isso introduzir um ruído pessoal naquilo que diz.
Manuela Guedes era e é jornalista. Deve dar notícias e não ser ela a notícia.

Henrique Maia disse...

Fácil de entender. Enquanto o "ditadorzinho" esteve presente tudo comeu e calou. Agora que a "vespa" ficou desamparada os ódio e desdém acumulados vêm ao de cima. A MMG não é flor que se cheire desde os velhos tempos da RTP. Não há que culpar quem depende do ordenado no fim do mês antes há que verberar a velha e relha técnica de direcção destes ditadorzecos de merda que não valendo um caracol subjugam os funcionários com o "quero, posso e mando". Os Monizes "morrerão" vítimas do seu próprio veneno. Aguardemos.

NÃO VENHAS TARDE... disse...

Com ou sem caso TVI, zézito já era.
Estão todos fartos dele.
A abstenção, dentro do próprio ps, dár-lhe-à cabo do canastro.

Tanto faz que esperneie, como não: é tarde

Voador disse...

Há também uma diferença fundamental é que no PSD ouviram-se vozes muito críticas da atitude de Gomes da Silva, como a de Pacheco Pereira e agora no PS, nada. Tudo engole.

Anónimo disse...

Discordo da ideia de que isto é muito "português"... Como diz, é da natureza humana. O que diz também é muito "americano", "inglês" e "alemão".

manuel gouveia disse...

O 27 de Setembro mataria muito provavelmente este Jornal Nacional... saíram de cena derrubando o cenário!