19.9.06

A VERDADE DA MENTIRA

Na Hungria, decorrem violentas manifestações nas ruas destinadas a correr com o primeiro-ministro. Não se percebe a fúria dos manifestantes. Numa entrevista, o homem confessou que tinha mentido para ganhar as eleições e para se manter no poder. Ou seja, disse a verdade. Queixam-se de quê?

7 comentários:

nohexagono@gmail.com disse...

E sobre que mentiu?

Anónimo disse...
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luisnaves disse...

o primeiro-ministro húngaro mentiu sobre o estado da economia, mas as coisas são um pouco mais complicadas. Isto tem também a ver com o desencanto da integração europeia, as relações com a eslováquia e até existem factos mais antigos, relacionados com a revolução de 56. A transição para o capitalismo beneficiou os do costume e quem sofreu no regime anterior também pagou na transição. O primeiro-ministro é um milionário (por causa das privatizações cirúrgicas, na realidade uma apropriação dos bens públicos) e não vai sentir a austeridade. Os socialistas mentiram e a população percebe agora que a oposição conservadora estava a dizer a verdade. Mais, o primeiro-ministro mentiu à sua base eleitoral. Mas, enfim, também há aqui questões de nacionalismo e de cultura política. Em Portugal, nomeavam-se quatro comissões independentes e faziam-se seis debates na televisão, de preferência com toda a gente a falar ao mesmo tempo. Depois, logo viria um caso mateus para distrair a malta. Na Hungria, um mentiroso é um mentiroso.

Anónimo disse...

Também chamei a atenção a isto no meu blog, pelo paralelo - até certo ponto! - com o que se passa em Portugal. Claro que aqui já estamos tão habituados à mentira que ninguém se lembraria de vir para a rua protestar...

Anónimo disse...

Algumas correcções ao Luis Naves:
1. As manifestações tem sido pacificas - os manifestantes violentos são uma minoria. É uma sorte que em Portugal estas bestas sejam ainda mais minoritárias.
2. Quem se manifesta nas ruas é sobretudo a oposição - facto majorado por haver campanha eleitoral - e não quem vota socialista.
3. É precisamente o contrário: Em Portugal o PM já se tinha demitido (quanto mais não seja pela pressão dos média). Na Hungria, o PM continua como se nada fosse. Em Portugal os média fazem o papel da "Rua" de forma muito mais eficaz.
4. Na Hungria, um mentiroso é um mentiroso - desde que seja da oposição.

Anónimo disse...

http://www.caboodle.hu/nc/news/news_archive/single_page/article/11/politicians-1/?cHash=b6698b61fd

Anónimo disse...

O piedoso comentário anterior foi excluido por erro gramatical e não quero nivelar por baixo...
Bem o primeiro ministro socialista da hungria está feito de certeza, contrariamente ao que se passa aqui pois que temos organizações do estado que têm a sua utilidade nestes momentos.Os conselhos do SOS, do ACIME, do BE , do PCP , do PS? e dos milhentos interpretes e analistas que dão a volta a qualquer tipo de texto ( o papa não os tem lá...) ressoam na mente e fazem um touro num cordeirinho de lã branquinha(porra esta parte não é racista) pronta aser consumido quando se quiser e como se quiser.
Que a paz seja convosco pois que os expoliados têm direito ao reino dos céus...