15.9.06

A NATUREZA DE DEUS


Joseph Ratzinger não profere uma única palavra que não tenha um propósito muito concreto. Assim foi na Universidade de Regensburg, na passada terça-feira. Se algumas dúvidas persistissem sobre a superioridade do Ocidente sobre a barbárie intelectual e política que se instalou, por conta do Islão, em muitos países islâmicos, as palavras de Ratzinger e a reacção primitiva que já estão a gerar, acabam com elas. Num notável discurso, Bento XVI resume, recorrendo à história, o fundamental. Não existem "conversões" forçadas. E não agir de acordo com a razão é contrariar a natureza de Deus. Daqui para diante, é mais da mesma parvoíce. Pedradas, bandeiras queimadas e patéticas indignações. Vamos ver como se porta o "ocidente" desta vez.

11 comentários:

Anónimo disse...

Aos muçulmanos não é permitido analizar a credibilidade do Corão, como no Ocidente livremente se analiza a credibilidade dos Evangelhos. Por isso, não sabem argumentar,só sabem protestar irracionalmente!

Anónimo disse...

Um cristão também não pode duvidar da credibilidade dos evangelhos. Pode interpretá-los. No Islão também se pode interpretar o Corão. Há muitas escola corânicas. Esse julgo ter sido o desafio do Papa ao Islão de hoje. Seria magnifíco para todos que o Islão aceitasse o repto e iniciasse um debate teológico a sério. Porque não? Não basta ficarem que somos uma religião de paz e blá blá. Onde está a indignação das populações árabes pelo que se passa no Sudão? Onde está a indignação das populações árabes pela condenação à morte de adulteros?
O Islão não está habituado a ser contestado tal como a Igreja e o cristianismo o foram ao longo dos séculos e principalmente dos dois últimos. O confronto e a crítica só ajudam a definir melhor as nossas convicções! A Igreja só melhorou com a crítica mesmo a injusta e a negativa!

Anónimo disse...

O PAPA no fundo avisa que não é adepto de baixar a cueca...
Tudo tem que funcionar nos dois sentidos(conversões ao cristianismo darem direito a pena de morte mas a conversão forçada rien de rien...)
Os do costume já estão a dizer que foi uma infelicidade a oportunidade,etc...

Anónimo disse...

1º - O Corão foi ditado por Alá ao seu profeta Maomé, e quem somos nós, humanos, para questionar, interpretar, restruturar, etc a palvra ditada dum deus?

2º - A Bíblia, pelo contrário, foi escrita por inspiração Divina, o que é diferente dum ditado ...

3º - Mesmo assim, os Judeus ortodoxos, não gostam de mudar, nem que seja uma letra, por causa da Cabala e afins.

4º - Se a igreja tivesse um pingo de racionalidade, há muito que teria revisto e "perdoado" a Galileu, e abandonado o criacionismo, integrando o Evolucionismo na Bíblia, etc. e não faz, estando inclusivamente a voltar atrás no racionalismo.

5º - sendo assim, porque é que os outros hão de ser racionais?

Anónimo disse...

6º Por que é que as estruturas hierárquicas das religiões instituídas, não se limitam à esfera da ética e se sobrepõem permamentemente na esfera da lei e da política? É isto que é necessário para uma coexistência mais pacífica entre as pessoas.

Anónimo disse...

Oh Pagador, um pouco mais de leitura e conhecimento nunca fizeram mal a ninguém.
Há muito que a Igreja reviu e se retratou na questão de Galileu.
Quanto a inscrever na Bíblia o evolucionismo, é um absurdo, uma vez que não se trata de um tratado de ciência. Nele não está nem o criacionismo nem o evolucionismo, que aliás é só uma teoria.
Aconselho-o a ler Santo Agostinho, que no longíguo século IV respondeu às suas questões, quanto à interpretação da Bíblia versus ciência e sua interpretação sobre a criação do livro do Génesis é absolutamente surpreendente para o século XVIII quanto mais para o século IV.

Anónimo disse...

Caro Francisco Silva,

1º - Que saiba Galieu só foi "perdoado" por João Paulo II. Até lá, e perante os factos, a Igreja passou o tempo, no mínimo, a "assobiar para o lado" ...

2º - Não pertendo que se retire a Génese da Bíblia e se coloque aí a "Teoria da Evolução".

Pertendo só que se interprete o Génese à luz do Evolacionismo;

3º - Tenho ideia que, relativamente a estes 2 pontos, a Hierárquia da Igreja, se está a tornar cada vez mais conservadora, a anular os poucos passos positivos que deu;

4º - Relativamente a Santo Agostinho, tem alguma obra em português onde possa ler os seus pontos de vista, que me possa indicar? Obrigado!

Anónimo disse...

Caro pagador,
Não sou versado em filosofia nem grande leitor da mesma. Sobre Sto Agostinho sei que existem várias obras nas boas livrarias em português. A sua obra máxima, Cidade de Deus também. Possúo uma tradução brasileira (editora universitária são Francisco) de um dos seus grandes e belos livros(não fosse ele mestre de retórica) "Confissões" onde poderá ler isto "..., por meio do qual o Único Deus acomodou a Escritura Sagrada à inteligência de muitos que haviam de descobrir nela coisas verdadeiras e diferentes? Confissões, livro XII, 31"
Da sua obra sobre o Génesis, desconheço se existe em Português, mas ficam estas notas da enciclopédia católica em inglês; http://www.newadvent.org/cathen/02089a.htm : We must be on our guard against giving interpretations which are hazardous or opposed to science, and so exposing the word of God to the ridicule of unbelievers (De Genesi ad litteram, I, 19, 21, especially n. 39)..... Certainly the instantaneous act of the Creator did not produce an organized universe as we see it now. But, in the beginning, God created all the elements of the world in a confused and nebulous mass (the word is Augustine's Nebulosa species apparet; "De Genesi ad litt.," I, n. 27), and in this mass were the mysterious germs (rationes seminales) of the future beings which were to develop themselves, when favourable circumstances should permit. Is Augustine, therefore, an Evolutionist?"
Sobre Galileu muito haveria a dizer não estivesse a discussão tão azedada por pontos de vista desajustados ao tempo e ao tema!
Só uma correccção. Agostinho viveu entre os séculos IV e V.
Cumprimentos,

Anónimo disse...

O Livro do Génesis, seus caramelos, não é um livro de ciência histórica, nem de paleontologia, é um livro de Teologia! E diz verdades inacreditáveis, pelo menos para os maometanos: que os homens são todos iguais, que o macho e a fêmea têm a mesmíssima dignidade (a mulher saiu do flanco, do coração do macho), que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador (afirmação da dignidade humana que só tem paralelo, ainda que que pálido, em Sófocles), que no orgulho, na insolência, da criatura querer se tornar criador reside a sede do mal, que os homens têm de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Isto pbviamente ultrapassa a capacidade de entendimento dos sarracenos e de ignorantes como o 'pagador' (sabe lá ele a história de Galileu, se nunca ouviu falar em Roberto Bellarmino?!)

Anónimo disse...

Caro Francisco Silva

É claro que um cristão, enquanto o é, não duvida da credibilidade dos Evangelhos...
Mas isso não significa que não esteja à vontade para se debruçar sobre as razões da sua fé. Precisamente porque não teme a verdade. Nem todos recebem a graça da iluminação súbita de um S. Paulo ou, no nosso tempo, de um André Frossard (“Deus existe, eu encontrei-O”).

Não é o que fazem os catolicíssimos Jean Guitton em “O Problema de Jesus”; Vittorio Messori em “Hipóteses sobre Jesus”; Giuseppe Ricciotti em “Vida de Cristo”, Chesterton em “Ortodoxia”; o próprio Frossard em “Deus em Questões”; etc,etc ?

O que eu quis acentuar foi que os católicos ( como, aliás, os cristãos em geral...) não põem o mínimo obstáculo ao diálogo sobre o fundamento racional da sua crença, antes o estimam. Ao passo que tal não sucede com os islamitas: Maomé disse...portanto é verdade. Não há apologética maometana. Os motivos lógicos por que Maomé mereça credibilidade esgotam-se, praticamente, no facto de que...não pode duvidar-se de Maomé.

Anónimo disse...

Ao anónimo.
Concordo consigo.
Surpreende-me que nos debates em Portugal com responsáveis muçulmanos estes não se sintam ofendidos com a complacência com que são tratados. Nunca se lhes diz nada que possa ferir a sua sensibilidade. Há muito que venho esperando por debates sérios sobre o assunto onde as questões que nos preocupam como vizinhos e companheiros se tornam pertinentes. Os homens e as mulheres do Islão merecem tratamento igual e digno.