14.9.06

REGRESSO ÀS CAVERNAS

Não chegavam os alunos: feios, porcos, maus, burros e indisciplinados. Agora juntaram-se a eles os pais que impedem escolas de abrir, que querem escolas fechadas ou que não querem que elas fechem. Há para todos os gostos. Ainda há pouco, no rádio do carro, uma senhora de uma aldeia de Ponte de Lima nem sequer o sr. Campelo poupou. E prometeu reunião nocturna dos paizinhos para decidir "formas de luta" que, se bem percebi, podem passar por uma "greve de fome". Extraordinário. Antes do ano lectivo encerrar, tivemos aquelas edificantes manifestações de zelo paternal - que não praticam em casa, deixando crescer pequenos monstros que a sociedade tem de apascentar - contra professores em plena aula. Os flhos desta gente, apelidados pelo sistema de "alunos", não merecem que os nossos impostos sejam canalizados para uma instrução que nitidamente rejeitam. Aos esforços de racionalização das coisas por parte de Maria de Lurdes Rodrigues, respondem os "operadores" deste "sistema" (pais, professores e alunos)- não sei como é que ainda não se lembraram de um "pacto" para a educação - com a raivinha e a ignorância nos dentes. E começam logo pelo primeiro ciclo. Nos países civilizados, esta é a época do regresso às aulas. Por cá, é mais o regresso às cavernas.

8 comentários:

Anónimo disse...

Um dos encarregados de educação afirmava que se a filha não frequentasse a Escola este ano, não fazia mal!

O povinho não quer instrução, mas sim reforma antecipada, ou subsídio. Eu sei do que falo, porque vivo numa terrinha típica.

O resto é discurso teórico de burocrata que nunca se misturou...

Anónimo disse...

Ena, que mau humor! Assim não consigo comentar coisa nenhuma.Só não resisto a dizer-lhe que tanto quando me parece diz-se "a rádio" - assim, substantivo de género feminino - e não "o rádio" mas confirme, confirme num dicionário que de momento não o tenho à mâo.

João Villalobos disse...

Ò segundo anonymnous, o que você quer dizer é «na telefonia». O Rádio, o descoberto pelo Casal Curie, nunca foi fêmea. Pelo menos que eu saiba.

Anónimo disse...

Porque não há dinheiro para ter as escolas em melhores condições, em Setembro:
Viana do Castelo:

«Prédio Coutinho (13 andares, 300 moradores, 13.5 milhões de euros para deitar fora), a comprovar como é fácil em Portugal gerir o dinheiro alheio, público»
Graças a um dos extraordinários autarcas da raça.
Um tal Defensor de Moura, socialista.
Z

Anónimo disse...

Eu já aconselhei, entre sorrisos sérios, a que mandasses a democracia fornicar outros.

Unknown disse...

Eu bem digo: uma sociedade que alimenta os filhos a Ervibelas e Morranhos é uma sociedade que não precisa da escola para nada!

Anónimo disse...

Ó Sr. Villalobos, mais uma achega já agora que está a regressar ao tempo dos Curie, Telefonia sem fios! T.S.F. Estas iniciais são muito anteriores á estação homonima...

Anónimo disse...

Pela segunda vez em poucos dias, utiliza a classificação de «feios, porcos e maus». Utilizou-a num post de 7.8.06 a respeito dos incêndios, e agora novamente a respeito do ensino. Não especifica a quem se aplica a classificação, será aos pobres? ao povinho, como o primeiro comentário anónimo (não da sua responsabilidade) sugere?

Se me permite a opinião, a classificação de «feios, porcos e maus» assenta também que nem uma luva a quem nos establecimentos de ensino destrói para sempre o sentimento natural de curiosidade de quem aprende. Ou não faz parte da experiência comum o sentimento de desprezo que nos ficou da generalidade daqueles que nos ensinaram no secundário ou na faculdade? Não estão no ensino 90% dos professores apenas pelo cheque mensal e pelos epítetos de Professor Doutor? É natural que muitos dos (estou certo que conhece alguns) que deixam a Universidade nunca mais leiam um livro?

Não posso falar pelos outros, mas pelo que me toca, licenciado pela faculdade que ministra o mais prestigiado curso da especialidade, do ensino em Portugal ficou-me principalmente um sentimento de nojo. Ainda hoje leio mal os posts do Medeiros Ferreira no blog que assina pelo abjecto das aulas por ele ministradas a que assisti. Só leio em português o absolutamente necessário.

Dei por mim recentemente a comprar o "sentimento trágico da vida" de Unamuno em dinamarquês porque em portugês ou espanhol sempre me cheirou a abjecto ou a falso. Acho que serei sempre um dos tais « feios, porcos e maus»! Aos que compartilham tal sorte dou um conselho: passem para norte dos Pirinéus! Para lá desse paralelo existe Cultura; está disponível a todos e faz sentido!