9.11.05

O LITERATO

José Saramago, um escritor vagamente talentoso e uma criatura verdadeiramente insuportável, deu uma entrevista esclarecedora ao Diário de Notícias. A sua imensa vaidade - "até agora nunca escrevi nenhum livro mau" - e o seu incontornável estalinismo intelectual, sobejam no homem de oitenta e cinco anos que continua a raciocinar como o director comunista - sem ofensa aos comunistas - do DN nos idos de 75. Depois do Nobel, e mesmo antes, esta criatura tem merecido foros de "símbolo nacional". Não o bajular ou ousar criticá-lo é punível com uma espécie de opróbrio cívico. Do PR à mais remota entidade, não existe uma alma que não se babe e extasie perante tamanho vulto. Seremos saloios e saloios havemos de morrer, enquanto Saramago se torce de gozo na sua ilha, tão seca e inóspita como ele. Volta não volta, ameaça não comparecer a "actos oficiais". O pretexto desta vez é Cavaco Silva, brindado na entrevista como alguém que "não tem ideia nenhuma do que é a literatura ou a arte" ou como "génio da banalidade", a quem Saramago não tenciona conceder o "privilégio" da sua presença.Tornaram-no oficial e oficioso. Agora aturem-no. Só espero que Cavaco, uma vez presidente, não caia na vulgaridade de, apesar destes dislates, se mostrar, como os outros, atento, venerando e obrigado perante o literato.

1 comentário:

Anónimo disse...

Opiniães, meu caro ... opiniães. Não há por aí uma ponta de preconceito (político)?