18.11.05

HOMEM COM OPINIÕES

Esta semana, pelos mais desvairados motivos, vários prosélitos recorreram a Vasco Pulido Valente. Fosse por causa do dr. Soares, fosse por causa do dr. Cavaco, Pulido Valente foi invocado alternadamente como "apoiante" e "crítico" do primeiro e, com maior constância, como impiedoso "desmistificador" do segundo. Até VPV, por fim, recorreu a ele mesmo. Pela natureza das coisas, a começar pela dele, Pulido Valente não pode "gostar" do dr. Cavaco, pese a circunstância de achar que ele deve ganhar. Numa prosa reproduzida na Grande Loja, VPV opina sobre o "homem sem opiniões" que supostamente seria Cavaco Silva. O "mote" é a entrevista da TVI que eu, numa escala de 0 a 20, classificaria com um 12/13. Já pouca gente se deve lembrar dela mas, por exemplo, não custava nada ao dr. Cavaco ter admitido que a dissolução do Parlamento foi correcta e que a emergência do austero Sócrates não fez mal a ninguém. O eleitorado da "direita" sabe isso perfeitamente e não era por lho ouvir de viva voz que ia agora fugir, indignado com a evidência. Quanto ao resto, Cavaco fez bem em evitar a pequena peripécia e em centrar a sua "mensagem" como "pré-presidente", a concorrer para os 51%, como disse Pacheco Pereira na SIC Notícias, e não em masssajar o ego de oponentes que concorrem para os 20 ou para os 30, ou, de resto, para defenderem "territórios". Para não destoar e a benefício de inventário, eu também recorro a VPV, a um VPL de 19 de Julho de 1991, em O Independente, a título meramente ilustrativo de uma "opinião" como outra qualquer. "Os inimigos do dr. Cavaco nunca perceberam que a obstinação dele o punha firmemente no centro das coisas e os podia coagir, como coagiu, a tomá-lo como único ponto de referência. Cavaco sabia o que queria; os inimigos de Cavaco limitavam-se a saber que não queriam Cavaco."

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