27.2.04

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A UBIQUIDADE NA CULTURA


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<strong>A UBIQUIDADE NA CULTURA</strong><br /><br /><br /><img src="http://www.fenacerci.pt/Canal2/expo_meyou/fotoRoseta.gif" border="0"<br /><br /><br /><strong>1.</strong> Pelos noticiários da SIC, bem como <a href="http://sic.sapo.pt/article29529visual4.html">aqui</a>, o País ficou a saber que, no precário reino do Ministério da Cultura, o de Pedro Roseta e do seu poderoso "ajudante" Amaral Lopes, existe uma espécie de "governanta geral" da casa que foi nomeada sucessivamente para três cargos. <a href="http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2003_06_01_portugaldospequeninos_archive.html">Noutra ocasião</a>, no "post" <em>Anel da Cultura III</em>, eu já tinha mencionado esta originalidade. Começou por ser "adjunta" do Ministro para as "questões financeiras", razão pela qual, enquanto fui membro do conselho directivo do Teatro Nacional de São Carlos, com a senhora falei e me reuni várias vezes. Depois, tendo em consideração que a senhora é uma técnica, presumo que superior, do Ministério da Agricultura, (porque é, se a memória me não falha, licenciada em "Relações Internacionais"), e para acautelar o seu futuro, foi nomeada secretária-geral adjunta da Secretaria Geral do Ministério da Cultura. Trata-se de um cargo dirigente, de nomeação "política", equivalente a sub-director-geral que, após três anos consecutivos de exercício, dá direito a "subida" automática na carreira de origem. O curioso nesta "nomeação", é que a senhora nunca ocupou verdadeiramente o seu cargo (haveria aqui matéria de sobra para a doutrina administrativista se pronunciar acerca de "posse e ocupação" de cargos públicos...) de sub-directora-geral, permanecendo "fisicamente" junto dos seus mentores políticos, Roseta e Amaral Lopes. Eventualmente por qualquer tipo de temor reverencial, a secretária - geral, pessoa que muito estimo, jamais ousou fazer o óbvio: "obrigar" a senhora a ocupar o seu lugar de dirigente na secretaria-geral. Finalmente, ainda arranjou tempo para a Casa da Música do Porto e - isto não vem na notícia - para "presidir" ao organismo que antecedeu o actual Instituto das Artes, aquando do falecimento súbito do seu presidente no Verão passado. O que é que justifica este extravagante dom da ubiquidade? Três coisas muito simples. A primeira, a incapacidade dos gabinetes do ministro e do secretário de Estado da Cultura em "recrutar" pessoas habilitadas para a assessoria na área financeira, permitindo este domínio despropositado que a referida senhora exerce sobre todos os organismos "tutelados", pela forma que os respectivos dirigentes certamente conhecem. A segunda, o desconforto que desde o primeiro minuto esta "situação" política do Palácio da Ajuda sente em relação à gestão do orçamento que consentiu que lhe fosse atribuído. A terceira, a inevitável e nem sempre avisada "via partidária", que tem sempre mais razões que a razão desconhece. <br /><br /><strong>2.</strong> No Teatro de São Carlos estreia o <strong>Werther</strong> , de Jules Massenet. Para o público tradicional do Teatro, que não se confunde definitivamente com o novo-riquismo dominante, em geral ignorante e quase sempre "convidado", o <strong>Werther</strong> "é" e será sempre o de Alfredo Kraus. Em diferentes temporadas do São Carlos, Kraus - que soube manter praticamente intacta até ao fim a elegância segura do seu timbre, graças a uma rara inteligência interpretativa de um repertório adequado - ,ofereceu ao então exigente público do nosso teatro lírico, versões inesquecíveis desta ópera. Como os tempos vão tristes para cultura e particularmente para o São Carlos, é razoável lembrar as palavras do jovem Werther no libreto inspirado na obra de Goethe:<em> Warum weckst du mich, Frühlings' Luft ? Die Zeit meines Wegens ist nah...</em><em>Pourquoi me rêveiller, o souffle du printemps, porquoi me rêveiller?</em>. Mas nada disto será relevante para aqueles que, no fim da récita, irão cear a convite do Teatro. Entre bolinhos e vinhos suaves, lá se devem encontrar as "boas almas" do costume, desde a "generosa" Ajuda que, como vimos, premeia os seus fiéis, a outras paragens "situacionistas". Por mais quanto tempo os vamos ver a cear todos juntos?<br /><br /><img src="http://www.ctv.es/USERS/pdgm/werther.jpg" border="0"<br /><br /><br /><strong>Alfredo Kraus (1927-1999)</strong><br /><br />

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