1.3.10

CONTRA A LULIZAÇÃO DA LÍNGUA


Depois de ler o livro mais recente de um dos meus poetas preferidos (e do desgosto que me provocou por diversos motivos) já "adaptado" ao maldito acordo ortográfico, esta "iniciativa legislativa de cidadãos" faz ainda mais sentido e folgo em saber que já conta com mais de 47 mil assinaturas. Tudo o que sirva para evitar a entrada em vigor dessa solene merda lulizada, é bem vindo.

Adenda: (daqui)«O "acordo" não uniformiza nada: há duplas grafias e pelos critérios do acordo pode haver palavras com 32 (sic) grafias legais. O "acordo" é uma mera degradação da língua, uma ideia de palermas que em qualquer país do mundo seria arrumado em 5 minutos e proporcionaria umas boas gargalhadas. Um exemplo típico de uma daquelas medidas de futuro que nos trouxeram ao ridente lugar onde nos encontramos.»

48 comentários:

disse...

Haja rigor -- outro post meu que não publicará --. Sabe muitíssimo bem que o Acordo é bem anterior ao Lula. Se alguma coisa em "ão" o Acordo é, será a "Malaca-Casteleirização" da língua escrita, porque para a oral não há acordo nem desacordo.

Francisco Castelo Branco disse...

Confesso que com o tempo até acho que foi uma coisa bem feita.
Ha que uniformizar a lingua portuguesa.
Nao vejo escandalo nisso

Abr

impensado disse...

Francisco Castelo Branco: acontece que o "acordo" não uniformiza nada: há duplas grafias e pelos critérios do acordo podem haver palavras com 32 (sic) grafias legais.
O "acordo" é uma mera degradação da língua, uma ideia de palermas que em qualquer país do mundo seria arrumado em 5 minutos e proporcionaria umas boas gargalhadas.
Um exemplo típico de uma daquelas medidas de futuro que nos trouxeram ao ridente lugar onde nos encontramos.

candida disse...

o acordo é uma patetice de quem não tem mais nada para fazer.

javali disse...

Já deixei de ler algumas coisas e pessoas por causa disso. O Expresso, o ionline, etc, etc... Qual será o próximo? Tenho pena d'A Origem do José Viegas: gostava de lê-lo no blog mas parece que a "edição" fala mais alto. É assim a vida.

Do Médio-Oriente e afins disse...

Este acordo é um acto de infâmia e não há palavras para dsscrever como foi possível atingir tal grau de degradação.

Não só nunca o utilizarei mas tentarei ler apenas o que estiver escrito em português autêntico. E lerei cada vez mais em inglês e francês e também em espanhol e italiano e se em mais línguas fosse fluente também as utilizaria.

impensado disse...

Agradeço o seu «link».

Francisco Castelo Branco disse...

Caro Impensado

O acordo torna a comunicaçao mais simples.
Tanto a escrita como a oral.

ja repararam o tempo que demoram a escrever "bicho-de-pau."? e a preocupação em meter os ifens?
E aquilo le-se? nada...

E facto? porque razão está lá o c?

São dispensaveis. Porque a escrita tem se adequar á forma de falar.
E a verdade é que o nosso portugues pode vir a ser melhorado com estas introduções.

Não percebo o vosso cepticismo......
La está o p a confundir tudo....

Tenho 25 e é obvio que nunca vou mudar a minha forma de escrever.
Só que para as gerações mais novas é mais facil de aprender..

Martinis disse...

hahahahahah, querias tu ter um presidente como o Lula. Querias tu, ter um país e não uma cidade estado. Querias tu ter um país, que fosse algo de importante e relevante. Achas mesmo que alguém no Brasil ta preocupado com a vossa reforma. E achas mesmo que vai voltar para trás. hahahahahaha. Nunca na vida. Come e cala!

JPG disse...

Obrigado pela referência à nossa Causa.

Se me permite, e apenas porque é importante não confundir uma coisa com a outra, gostaria de deixar claro que o que estamos a promover - e aquilo de que fala o artigo de jornal aqui referido - é uma ILC (Iniciativa Legislativa de Cidadãos) e não uma "petição". É que são realmente coisas muito distintas.

Cumprimentos.

De nihilo nihil disse...

«As geraxões - kotas kurtem bué eça ssena. du akordo, fixe tásse. Não kaptei essa malha du bixodupau?»

Anónimo disse...

Caro Francisco Castelo Branco,

Tem vinte e cinco anos, é isso? Um dia, passadas as absolutas, mas efémeras, certezas da juventude, perceberá, espero, que a sua - a sua, não esqueça, antes de o ser, eventualmente, dos brasileiros e africanos de várias paragens - língua-mãe é muito mais do que uma mera ferramenta de comunicação, puramente instrumental, como o telemóvel (e quem quer já saber do telefone fixo?), o ou computador.

Então, se esse dia chegar, terá orgulho em cultivar a sua língua, falada ou escrita. A sua língua: o tal "português europeu". Que nem que falado por uma minúscula minoria, é A Língua Portuguesa.

Quanto às "gerações mais novas", seria bom que aceitassem uma coisa: aprender (aprender mesmo; não apenas essa aberração contemporânea designada como "adquirir competências"), custa. É trabalhoso, por vezes penoso, implica enfrentar e ultrapassar o insucesso, falhar e insistir até conseguir.

Implica gastar tempo (coisa horrenda para si, julgo perceber) a escrever. E usar ífens e consoantes mudas.

Coisas que nem todos, inevitavelmente, conseguem.

Costa

radical livre disse...

prefiro as grafias do passado em que cada um escrevia como queria e entendia:
Nizamaluco etc.

prefiro a língua de porco bem estufada
ou a de bacalhau cozida com couves tronchas

"nois por cá todos bein"

Anónimo disse...

"podem haver"!!! O acordo é um acordo. Se alguns estão fora, como o autor deste blog terão as suas razões, não há drama nisso. Não tenho conhecimentos para dizer se é bom ou mau. Mas não foram consultados especialistas?!! Não há acordo entre eles, então?!!
Penso que "puxar" pelas questões ideológicas, em demasia, faz mal a todos. Talvez dialogar até termos alguns consensos. Haverá sempre alguém contra...Há sempre alguém que diz não.É a riqueza da vida e do Ser Humano.

impensado disse...

A ortografia não é uma transcrição fonética.
O "c" está em "facto" pelo mesmíssimo motivo que está em "fact". Esse "acordo" iria, entre outras coisas, afastar-nos das línguas cultas. As criancinhas que o PS quer pôr a falar e supõe-se que a ler inglês terão de se conformar com esses «facts of life», já que os povos de língua inglesa (talvez por falta de rasgo, de visão) não parecem estar a considerar alterações na ortografia.

Prof.-Doutor disse...

Francisco Castelo Branco,

Penso que há lugares melhores para V. mostrar a sua consabida ignorância crassa em todas as matérias sobre as quais vem aqui pronunciar-se.
Veja lá isso.

Anónimo disse...

«(...)E facto? porque razão está lá o c?».

Porque razão está lá o "c" ?! Ómessa. Até no português oral dizemos "facto" ! Alguma vez se dirá que «o fato de ter vestido um fato não interessa» ? Por Deus ...

impensado disse...

Caro Franscisco, abusando deste espaço de comentários: a aprendizagem é feita globalmente, por isso, se uma palavra tiver 3 ou 4 consoantes mudas ou nenhuma é igual. Isto é, para uma criança que aprende a ler, "filosofia" tem o mesmo grau de dificuldade de "philosophy".
E o corte, pelo Brasil, das consontes mudas não se traduziu em qualquer vantagem. Pelo contrário, o país situa-se perto no último lugar nos testes do PISA, atrás de países muito mais pobres e destituídos e com línguas difíceis (por vezes, o inglês e o francês, línguas oficiais) - repetindo-se essa triste situação, com a companhia de Portugal, na matemática.
Há, por isso, que procurar a razão de tanta inépcia noutro motivo.
Talvez no que leva a que se leve a sério estas «reformas» e «acordos».

javali disse...

Mas é o princípio que está errado. A ortografia não tem que acompanhar a fala. Por exemplo, escreve-se "ministro" mas em Portugal tende a dizer-se "menistro", "riu" (no Sul) em vez de rio... Ou seja, adoptar o princípio da fala para registar a língua (que ainda por cima se divide em dois registos distintos - precisamente o "falado" e o "literário") é uma burrice extraordinária. Essa regra é de um fascismo absoluto que apenas impõe a dicção coloquial (e o seu volume de falantes) sobre o registo erudito, que tende a preservar as etimologias como estratégia de transmissão de significados. Retirando isso, duvido que seja mais fácil aprender uma língua, porque a etimologia é uma referência, não um obstáculo.

Tino disse...

O Francisco Castelo Branco está completamente "out", em bom português... do "Brazil"...

Perdeu uma boa oportunidade para usar as mãos em tarefa mais útil, como cavar batatas.

Coisa começada por Cavaco e acabada por Sócrates, contra todos os filólogos (menos um ou dois), é coisa certamente de homens de cultura...

Faça bom proveito com o Acordo, que é coisa que eu não cumprirei!

roth disse...

Que lhes faça bom proveito, aos Lulas e aos Malacas. Empanturrem-se à vontade de fatos, atos, ifens, umidades e etc. Eu não considero boa escolha o caminho das facilidades.

Anónimo disse...

"E facto? porque razão está lá o c?"

Se não estiver lá o "C" é aquilo a que os brasileiros chamam um terno. A diferença está aí.

Teve azar na escolha do exemplo. Escolha outro.

Fado Alexandrino disse...

Por uma feliz coincidência recebi hoje A Nova História do Capuchinho Vermelho não no novo português mas no português da Damaia.

Quem quiser pode ir ler ao meu blog.

Anónimo disse...

O futuro de qualquer língua é indissociável da capacidade (leia-se: o poder) de alguém a difundir, impor, universalizar. No caso da língua portuguesa, esse poder está, gostemos ou não, do lado do Brasil. Quem ama a língua portuguesa (que é, afinal, a grande criação de Portugal, mas com ele se não confunde),deve ser realista, ajudando quem de facto, com argumentos políticos e económicos, a pode resgatar da irrelevância! Viva o acordo e viva sobretudo essa potência ocidental em processo de formação acelerada que é o Brasil, filho dilecto de Portugal, garante por excelência da continuidade histórico-cultural de um pai hoje exangue, sem qualquer peso no mundo...

impensado disse...

Anónimo do "podem haver": se se trata de referência ao meu "pode haver palavras", repare que palavras é o complemento directo de haver - o que há? Palavras - e não o sujeito de poder. O verbo poder tem sujeito indeterminado e por isso vai para a 3ª pessoa do singular.

Anónimo disse...

para o fransisquo "ir de fato ao futebol é o mesmo que ir de fato(facto) ao futebol"

mir disse...

Madame Zazie:
convém dar um pouco de lustro às leituras antes de se precipitar disparando à esquerda e à direita as suas invectivas: o autor do post refere-se a Raymond Lully ("lulização), catalão medieval conhecido pelas suas teorias "iluminadas" sobre as línguas e a educação

mir disse...

Correcção: o meu post dirigia-se não a Madame Zazie, mas ao 1º post de "Zé"

Pêro da Covilhã disse...

A defesa da língua passa pelo acordo ortográfico, porque é que há sempre gente para contestar tudo, nunca estão contentes com nada? Porque não aceitam as mudanças e não avançam para a frente em vez de recuar como o caranguejo, complicar, complicar... pobre Portugal de gente confusa..."intelectuais" e mais "intelectuais" ... Façam filhos, pensem positivo, deixem-se de histórias e mais histórias. Portugal tem de andar para a frente, a língua tem dimensão internacional, não está confinada apenas à península, desconhecem essa realidade? Obrigado!

Karocha disse...

Francisco

O Guilherme, meu filho,que o Francisco conhece e tem a sua idade, é contra o acordo.
Eu também e continuo a falar Português.
Se reparar bem,os Ingleses falam Inglês,os Americanos falam Americano,os Espanhóis os Argentinos os Venezuelanos...
Não fizeram acordo!

Caly disse...

Este acordo já tem 20 anos, portanto, tiveram 20 anos para discuti-lo. Agora que o governo de Portugal aprovou estão fazendo campanha contra. Caso haja uma desistência por parte do governo português corre-se o risco de um desgaste diplomático, só isso. Para nós brasileiros, não faz a menor diferença.

Francisco Castelo Branco disse...

Caros Costa e Impensado

Como ja disse. continuo a escrever como antigamente e há-de-ser sempre assim.
Não o vou mudar, porque foi assim que aprendi.

Quanto às gerações mais novas, irão escrever no novo formato.
Nao acho que se esteja a perder a lingua. Quer a escrita quer a falada. Até porque se repararmos e lermos jornais que adoptaram o novo acordo, nem sequer reparamnos nas mudanças.

Repararam bem? escrevi adoptaram com p.....

Isto irá aproximar os povos. Não só com o Brasil mas com os povos africanos.
E eles de nós.
Trata-se de uma uniformização que é importante que se faça.

O problema é que "adoptaram" nao é diferente de "adotaram".
Em termos de escrita sim. Mas foneticamente não.

Francisco Castelo Branco disse...

E mais.

Eu nao sou a favor do acordo, como pode parecer.
Mas acho que não é preciso tanto alarmismo.

Francisco Castelo Branco disse...

Karocha

tem toda a razão.
mas não sei como explicar, mas acho que o acordo é benefico.
Vai permitir um maior intercambio.
Cultural e mesmo em termos comerciais.
Vai ficar tudo mais facil de escrever e de ler.
Não vão ser precisas traduçoes.....

e nao é por isto que a lingua se vai perder...
Será sempre portugues

Anónimo disse...

Impensado. Peço desculpa acerca do "podem haver".

Fado Alexandrino disse...

Para nós brasileiros, não faz a menor diferença.

Se era preciso um exemplo do que nos aconteceu, está aqui.
Quanto mais te abaixas mais se te vê o rabinho.

Alves Pimenta disse...

Francisco Castelo Branco,

Benéfico (com acento) para si seria, certamente, aprender a escrever Português.
Há agora uma coisa chamada Novas Oportunidades, por que não tentar? Embora sem grande esperança, claro, porque lá diz o povo: "Burro velho não aprende línguas". E V. pode não ser velho na idade, mas lá que o é nas calinadas...

Francisco Castelo Branco disse...

Alves Pimenta

Não foi para si que eu escrevi os comments.
Pode até ser qualificado em língua portuguesa.
Mas de certeza que não me vai ensinar a escrever.
Com ou sem calinadas
Obrigado

Francisco Castelo Branco disse...

Eu quando não gosto de ler uma coisa, salto para a frente
Não perco tempo....

disse...

Para mir:
Agradeço a correcção, mas não me parece nada convincente. O que o (a) leva a pensar que o autor deste blogue se refere ao "Poeta, filósofo e teólogo espanhol nascido em Palma de Maiorca, então pertencente ao reino de Aragão" e não a Lula? Acaso Lully escreveu ou se pronunciou sobre questões ortográficas? Estou sempre pronto a aceitar o tal "lustro", desde que fundamentado.

Anónimo disse...

Em seguimento ao meu comentário de ontem que saiu completamente “anónimo” quando deveria ter sido assinado Alex, escrevo algumas palavras, cuja ortografia era a seguinte nos fins do século XIX:
Anno approvar alumnos Francez Rhetorica Geographia (português europeu)
Houve pois evolução. Este novo acordo ortográfico representa outra evolução. Há sempre quem quer ficar estagnado!
Alex

Karocha disse...

O acordo já foi ratificado?
Moçambique não o pode fazer.

mir disse...

"Zé...Para mir:
Agradeço a correcção, mas não me parece nada convincente..."

Vc. tem razão! Forget it! Não leve a sério as minhas palavras acima: certos pressupostos meus são... irrealistas
(já agora: http://fmls.oxfordjournals.org/cgi/pdf_extract/XXVII/2/100)

Francisco disse...

Que a língua evolui, não há a menor dúvida. Mas essa evolução não será forçosamente de harmonia com o que prescreve o Acordo; será segundo regras que nunca nenhum Acordo conseguirá impor. Por isso digo que o Acordo é inútil.

impensado disse...

Anónimo Alex: Rhetorique ou Rhetoric, Geographie ou Geography é como se escrevem hoje, em francês e inglês, algumas das palavras que menciona. Acha que as línguas francesa e inglesa não evoluíram? O que se passou em 1911 foi que uma comissão de positivistas resolveu retraçar a língua porque acharam que o português ficaria um idioma mais "científico". Era o tempo do esperanto e de outras modas caras à maçonaria e aí vai disto... Foi essa reforma de 1911, que Fernando Pessoa classificou como um crime, que veio a originar as diferenças na ortografia de Portugal e Brasil. Não se tratou então, como não se trata agora de «evolução», mas de persistência do subdesenvolvimento. Embora um dos pretextos para a "reforma" de 1911 tivesse sido a maior facilidade de aprendizagem - um erro hoje desmentido cientificamente - os dois países modernizados apresentam hoje resultados escolares assustadores nos testes PISA.
Os países que «evoluíram» menos, a arcaica França, a jurássica Inglaterra, os desgraçados Estados Unidos lá vão, cheios de inveja de nós, continuando a sua vida, triste e sem analfabetos.

Anónimo disse...

Caro impensado:
Na sua opinião, o analfabetismo tem a ver com as alterações ortográficas? Foi isso que entendi.
No meu parecer terá mais a ver, ou melhor dizendo, totalmente a ver com o sistema de educação.
Alex

impensado disse...

Para terminar: a persistência do analfabetimo apenas permite eliminar a ortografia como causa condicionante dele que foi um dos pretextos usados para a "reforma" de 1911.

Alex disse...

Com ou sem novo acordo ortográfico, o que Guilherme José da Silva publicou no seu jornal “O Valenciano” em 6 de Outubro de 1881 continua atualizado:

“É incontestável que o meio mais seguro e infalível para fomentar a prosperidade de um país é o derramamento da instrução .... Formando o verdadeiro homem, o homem social, transformando-o pelo conhecimento da sua verdadeira natureza, só ela pode elevá-lo à altura da sua verdadeira, santa e nobre missão.”